sábado, 19 de outubro de 2013

O arcaico no moderno





Por Donizete Vieira



As religiões arcaicas se baseavam na violência e no medo de Deus.

Havia entre elas algo em comum: o conceito de que sacrifícios de sangue seria o único meio de aplacar a ira de seus deuses.

Moisés, seguindo os padrões primitivos e motivado pelas mesmas premissas, elaborou engenhosamente um sistema que tornasse os sacrifícios cruentos viáveis.

A tese central do cristianismo no tocante ao meio de salvação, contém os mesmos mecanismos de bode expiatório presente nestas religiões.

Apesar do moroso avanço dos saberes, o cristianismo percebeu que uma religião para continuar viva precisava parar de matar. As religiões que matavam morreram ali.

Entretanto, o "espanto" diante do poder dos fenômenos naturais, originador da religião, que por sua vez originou no homem o sentimento de culpa, continua presente.

Rudolf Otto disse que o sagrado tem duas faces. Ele é ao mesmo tempo fascinante e repugnante. maravilhosa e temível, necessária e perigosa. Atrai, seduz e dá medo com sua ameaça.

O sagrado tem às vezes uma face angélica, quando traz a uma mensagem que atinge no mais profundo de nós e que nos coloca no caminho a um futuro ou uma alteridade.

Mas assume em outras ocasiões uma face demoníaca, quando nos enclausura e nos imobiliza. Ela é esmagadora e destruidora quando nos impõe o limite de práticas insensatas e de dogmas incompreensíveis que, em vez de nos remeter a Deus, se substituem por Ele. 

Esta face demoníaca nos remete a um sacrifício para ser imobilizada.

O passado chegou ao futuro e o presente voltou ao passado. A religião desperta até no homem pós moderno os instintos mais primitivos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

COMO VEJO A MISSÃO DE JESUS


Por Eduardo Medeiros

A mensagem de Jesus era A vinda do Reino de Deus mas a igreja passou a pregar a mensagem da salvação dos pecados pelo sacrifício de Jesus.
Jesus sentia-se imbuído da missão de trazer o Reino de Deus à Terra. Essa era a sua missão. Sua missão nunca foi pregar a si mesmo como um cordeiro que iria ser morto para salvar a humanidade.

A única salvação para a humanidade seria a vinda vitoriosa do Reino de Deus, que destruiria os alicerces da opressão, principalmente contra os mais pobres (daí a bem-aventurança a eles).

Em seu sermão escatológico, Jesus disse que aquela sua geração não passaria sem que ela visse isso acontecer - ou seja - a vinda do Reino.
Mas a prisão e a condenação de Jesus precipitou as coisas. Na cabeça de Jesus, a sua prisão seria o ponto ômega de sua missão; seria a hora que Deus irromperia na história para mudar a história.

Jesus perguntou a Pedro quantas espadas eles tinham. Pedro disse "duas", e Jesus disse "basta".

Ora, não seria a mão humana que destruiria os alicerces da opressão, seria o próprio Deus, por isso, bastariam "duas espadas".
Mas Jesus foi para a cruz.
O grande evento não se deu. 
Jesus não sabia o que estava acontecendo. Onde estava Javé, seu Pai? 
O brado na cruz seria a síntese histórica que ficou preservada no evangelho: "Pai, por que me abandonaste"?
Ou seja - "Pai, por que não ages?" 
Jesus morreu sem ver sua missão cumprida.
Desde então, seus seguidores reinterpretaram sua missão,
Adicionando outros elementos que lhe eram estranhos, mas
que de uma forma ou de outra, contribuiu para perpetuar
a história daquele nazareno formidável.

Para mim, essa é a síntese histórica mais provável e mais lógica para a história de Jesus.
Como disse Albert Schweitzer, Jesus pôs a pedra da história para rolar, mas por fim, foi esmagado por ela.

Amém.