terça-feira, 15 de novembro de 2016

"quando te converteres, fortalece os teus irmãos"




Segundo o Evangelho de Lucas, os discípulos de Jesus chegaram a disputar entre si sobre qual deles seria o maior. Mesmo tendo andado com o Senhor por três anos e meio, eles ainda cometiam muitas imaturidades sem compreenderem os profundos ensinamentos que receberam acerca do Reino de Deus. Por isso, o Mestre alerta Pedro sobre o que estava para acontecer com o grupo depois que ele viesse a ser preso:

"Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante." (Evangelho de Lucas, capítulo 22, versículos de 31 a 34; versão e tradução ARA)

Como podemos ver, Pedro pensava que seria suficientemente forte e corajoso para estar ao lado de Jesus diante de qualquer circunstância adversa que se apresentasse. O discípulo expôs uma visão errada de si mesmo e era ainda incapaz de reconhecer  as debilidades que tinha. Penso, inclusive, que nem Simão e nem os demais conheciam ainda em essência o que significa seguir a Cristo.

No entanto, Jesus era um profundo conhecedor da alma humana. Ele sabia das vulnerabilidades e incapacidades de cada integrante de seu grupo e, ainda assim, apostou naquele coletivo bem problemático. Quando os escolheu para apóstolos (Lc 6:12-16), o Mestre preferiu contar com homens simples e humildes do que com religiosos de elevada reputação, tipo os fariseus, ou com os doutores da Lei, os quais eram considerados os teólogos da época.

De fato, Jesus precisou ter grande fé para acreditar no trabalho que os seus seguidores desenvolveriam depois dele. Todos demonstravam uma patente infantilidade espiritual naquela última noite na companhia física do Mestre, mas, apesar disto, o Senhor continuou contando com praticamente todos os membros da equipe afim de que transmitissem ao mundo a mensagem revolucionária das boas-novas do Reino de Deus.

O que muito me chama a atenção nesta passagem bíblica em estudo é o fato de Jesus querer contar com Pedro para fortalecer os ânimos dos demais discípulos (verso 32). O apóstolo que negou confessionalmente o Senhor por três vezes (suponho que tenha sido mais pela vergonha do que pelo medo), tomaria posteriormente uma atitude oposta. Simão faria algo que, sob certo aspecto, podemos identificar como parte do exercício natural da liderança.

Igualmente vejo Deus agindo conosco de uma maneira bem semelhante. As nossas fraquezas passam a ser usadas para ajudar pessoas que sofrem dificuldades parecidas com a nossa. Quem um dia achava-se envolvido com o uso de drogas, com a prática de crimes, meretrício ou com qualquer outro caminho de perdição, pode vir a se tornar um atuante ganhador de almas através de seu testemunho de vida/salvação. Aliás, pessoas que passaram por experiências assim, em via de regra, costumam ser livres das inibições do falso moralismo que tanto paralisa a Igreja e impede muitos crentes de se aproximarem verdadeiramente de quem se encontra caído.

Recordo que, alguns anos atrás, assisti na TV um pouco da história de um ex-desmatador que havia então se tornado um ambientalista. Após ter passado anos de sua vida derrubando florestas, ele resolveu deixar de lado a motosserra para plantar árvores. Tornou-se um agente da preservação da natureza trabalhando firmemente pela recuperação dos nossos ecossistemas nativos.

Assim também desejo que sejamos plantadores de coisas boas. O mesmo potencial que temos para a prática da maldade pode ser igualmente usado para o bem. Para tanto torna-se necessário o arrependimento e a mudança de mentalidade (conversão). A Deus devemos sujeitar a condução de qualquer ministério sendo certo que, se cultivarmos uma postura de humildade e de dependência do nosso Criador, até as nossas fraquezas serão usadas para o seu elevado propósito.

Tenham todos um ótimo final de feriado abençoado com a mais profunda paz!


OBS: A ilustração acima refere-se a um mosaico anônimo do século VI encontrado na Basílica de Santo Apolinário Novo, província de Ravena, Itália. Foi extraído do acervo virtual da Wikipédia conforme consta em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Apollinare_Nuovo_Christ_Peter_and_Peter_s_Denial.jpg 

Um comentário:

  1. Meu amigo é tão conhecedor da bíblia e não sabe o que é falar em línguas? convido-o a ler o Novo-Testamento, leio com humildade, mas digo-lhe já que só podemos entender a Bíblia com o Espírito de Deus, visto o amigo não acreditar em Deus nem na Bíblia, está irremediavelmente perdido.
    Bom e Feliz Natal, já me esquecia que o amigo não festeja o Natal porque não acredita.

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