segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Nós e as fornalhas ardentes



"Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer". (Daniel 3:17-18; NVI)

O livro bíblico de Daniel fala da experiência de três rapazes israelitas que, vivendo num país estrangeiro hostil, mantiveram-se fieis a Deus mesmo diante dos desafios enfrentados. Hananias, Misael e Azarias, cujos nomes foram mudados para Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 1:7), guardaram a fé no Senhor, apesar da cruel sentença de morte proferida contra eles.

Segundo o texto, quem não adorasse a estátua de ouro feita por Nabucodonosor, rei da Babilônia, corria o risco de ser imediatamente lançado numa fornalha de fogo ardente (Dn 3:4-6). Tratava-se de um decreto que não respeitava a liberdade de crença dos súditos, agredindo frontalmente as culturas dos povos conquistados.

Para um judeu seguidor dos ensinamentos de Moisés representa um grave pecado encurvar-se em adoração diante de uma imagem de escultura prestando culto a outro deus (ler Dt 5:7-9). Pois, sendo Deus um Ser totalmente transcendente, tal concepção exclui qualquer representação idólatra da Divindade sob a forma de objetos animados, bem como toda adoração da ordem criada (Dt 4:15-19).

Curioso como que a ameaça de uma morte torturante nas chamas de uma fornalha não acovardou aqueles três jovens! Nem tão pouco acomodaram-se com os elevados cargos que tinham no reino (Dn 2:49). Porém, continuaram firmes no propósito de não pecarem contra o Senhor.

Algo que acho bem interessante nessa passagem seria o fato dos três jovens desconhecerem se escapariam ou não do castigo. Eles responderam ao rei de cabeça erguida e se entregaram por completo à vontade divina. Se o Senhor desejasse, iria livrá-los da fornalha. Do contrário, morreriam queimados mas não adorariam a tal imagem.

Ora, fico pensando se realmente estamos dispostos a ser fieis a Deus mesmo sem sabermos se será da vontade do Senhor tirar-nos de uma complicada situação que surge em nossas vidas por recusarmos agradar ao mundo abstendo-nos do que é mal?!

Será que só iremos prestar a devida obediência a Deus apenas se estivermos imunes contra os acontecimentos desfavoráveis?!

Você estaria disposto a arriscar o seu emprego, todo o conforto que tem e até mesmo os bens que possui por amor ao Senhor?!

Que cada qual procure responder para si mesmo, mas o certo é que, na atualidade, a Igreja tem muitas vezes negado a fé por muito menos. E, embora vivendo num país onde há liberdade religiosa constitucionalmente garantida, não raras vezes os cristãos permitem corromper os seus valores a troco de benefícios pessoais. Deixamos de servir a Deus por oportunismo, vantagens imediatas, facilidades, comodismo, medo de praticar a justiça, constrangimento em desagradar alguém, avareza, apetite carnal compulsivo e indiferença pela dor alheia. Por nossa causa, o nome santo de Jesus é envergonhado na sociedade onde vivemos, sendo conhecida de todos a hipocrisia dos líderes que dizem seguir o Evangelho.

Quer vivamos em ambientes livres ou onde haja perseguição religiosa, precisamos ser fieis ao Senhor e preservarmos a essência dos elevados valores éticos, os quais se mostram a nós no modelo do varão perfeito que temos em Cristo Jesus. Toda a Lei de Deus se resume na prática do amor de modo que, tendo o nosso estre dado a sua vida por nós, devemos oferecer a nossa pelos irmãos (1Jo 3:16). E aí o verdadeiro amor manifesta-se por atitudes sinceras com coragem para dizer não às coisas ruins do mundo que seriam hoje os ídolos modernos.

Termino esse artigo desejando que os exemplos de Hananias, Misael e Azarias sirvam de inspiração para os cristãos da atualidade. Que possamos aprender a servir a Deus mesmo diante dos desafios e independentemente de alcançarmos ou não qualquer livramento imediato das situações, pois nada poderá nos afastar do amor do Senhor. Por onde venhamos a andar, a Divina Presença irá nos acompanhar.

Uma ótima tarde a todos!


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