sábado, 15 de agosto de 2015

Assunção de Nossa Senhora

 “A mãe do meu Senhor!”

Palavra da Liturgia – Lc 1, 39 – 56. 
            
Estamos festejando a festa da Assunção de Nossa Senhora no céu! Depois de terminado o curso da vida terrestre, Maria foi assunta em corpo e alma à glória celeste, após a sua “dormição”. Eis um dos quatros dogmas de Maria em nossa Igreja: 1 – A Imaculada Conceição; 2 – A Maternidade Divina de Maria; 3 – Maria Sempre Virgem; 4 – Assunção de Nossa Senhora.
            
Quando falamos de Maria não falamos de um personagem qualquer, mas alguém muito especial e filha obediente de Deus.  Ninguém em terra, com exceção de Jesus, viveu Deus com tanta intensidade e amor como Maria viveu, porque nenhum amor é maior do que o amor de mãe. O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo, ele não obedece a leis, ele ousa todas as coisas. A mãe é aquela que assumi de Deus o dom da criação, da doação e do amor incondicional. O amor de mãe é o amor mais próximo do amor divino.
            
A humildade de Maria a fez digna de todas as virtudes. Maria, assim como a lua que se deixa iluminar pelo sol, se deixa iluminar por Jesus. Sua intercessão é o reflexo desta luz que chega até nós que é Jesus.

Mesmo sendo a mãe de Deus, Maria não teve nenhum privilégio ou proteção, desde o seu sim, ela começou a viver o calvário e encarar a dor com fé, por isso ela era feliz, por que optou em viver o sonho de Deus em sua vida.

Diz na palavra deste final de semana que após a anunciação a Maria, o anjo afastou-se dela. Se você reparar na história de Maria em nenhum outro momento o anjo lhe apareceu, inclusive nos momentos de maior dor que foi o caminho do calvário. Por que será? Porque Maria viveu Deus na fé e não nos sinais visíveis, pois era uma mulher crente. Aliás, o seu sinal visível era Jesus!
            
Maria era pura e menina simples, muito nova, provavelmente uns quinze anos no máximo quando recebeu a notícia do anjo e como vivia a caridade, diz a palavra, que se levantou logo após o anjo anunciar que Isabel estava grávida e viajou aproximadamente uns 160 km até a casa da prima para ajudá-la e acolher-lha no amor de Deus. Humildade e acolhimento são atos cristãos.
            
Recebeu dois elogios de Isabel: “Bem-aventurada” e “Bendita”. Maria foi bem aventurada porque viveu em vida as bem-aventuranças e foi bendita porque carregou consigo o Verbo que se fez carne e portanto é Santuário da Vida.
            
Humildade não é se declarar fraca e sim reconhecer suas forças e suas fraquezas e perante isso buscar o seu melhor para Deus. Não dá para ignorar a figura da mulher em Maria até porque foi a mulher Maria que foi escolhida para suportar a dor de ver seu filho humilhado, crucificado e derramando até a última gota do sangue por todos nós. A sua postura diante de seu filho na cruz? Estava em pé! Maria disse sim até a morte, não só na alegria, mas principalmente na dor foi fiel. A serva Maria enfrentou a dor de mãe com a força da mulher.

Maria é a Arca da Aliança, àquela que carregou o Amor para humanidade ser liberta e salva. O ventre de uma mãe é feito de ternura e o filho que este ventre carrega é rodeado de conforto, proteção, intimidade. Ninguém em vida foi mais íntima de Jesus do que Maria.
            
Ela no evangelho se auto-intitulou no magnificat: pobre serva. Ela serviu na aceitação resignada, no silêncio do coração e principalmente na presença ao lado de Jesus até a sua morte. Costumo dizer que o amor de mãe é o que mais se aproxima do amor de Deus, consequentemente, a dor de mãe é a dor que mais se aproxima da dor do filho. Penso que Maria sentiu a pior dor que se possa ter: a dor onde você sofre por não poder sofrer no lugar de alguém que ama muito.
            
Por isso o mínimo que nós cristãos podemos fazer é venerar esta mulher para que se cumpra a Escritura: “Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada”.

Nenhuma criatura viveu Deus tão intensamente e intimamente como Maria viveu! Sua humildade foi tão grande que pelo seu silêncio de coração passou quase que despercebida não fosse a obediência daqueles que a proclamam Bem-Aventurada! Lucas e João dão destaque à figura de Maria! Lucas por causa da sua origem, era gentio, tinha uma visão de respeito à figura da mulher e João por ser o discípulo amado de Jesus o qual obedeceu a última ordem dada por Ele: acolher Maria como mãe. Só quem ama enxerga o valor de uma mãe!

Em um tempo onde estruturas, distribuições de “milagres e curas”, barulho, artistas da fé, teologia da prosperidade, interesse em ver sinais visíveis o tempo todo têm sido o norte da evangelização; o silêncio de Maria e a espiritualidade mariana é sem dúvida alguma o grande desafio a voltarmos os olhos para o que realmente importa: a humildade, a fé e o desapego de tudo para viver Deus! 

Maria dos pobres, dos que sofrem, dos humildes, dos pequeninos. Maria mãe de todos.

Com Maria, Deus manifestou seu poder, desconcertou os corações soberbos, derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes, saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos cumprindo a sua promessa.
            
Até mesmo o Profeta João Batista ainda no ventre de Isabel manifestou a alegria do encontro com Jesus no ventre de Maria e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

A mãe que apresenta o pai é também aquela que sempre apresenta o filho! Ter um encontro mariano é encontrar-se com Jesus, é ficar cheio do Espírito Santo, pois quem se aproxima de Maria tem a honra de encontrar-se com a mãe do meu Senhor! Haja felicidade para este encontro.

E você? Já teve a honra de encontrar a Mãe do meu Senhor? Viver a espiritualidade mariana é tornar-se verdadeiro adorador do Deus Único!

Um comentário:

  1. Boa noite, Gilberto!

    Inicialmente agradeço por ter postado aqui no blogue não deixando que este espaço morra. Aliás, se não estou enganado, sinto que o Facebook começa a perder audiência para outras tecnologias mais avançadas, tipo esse tal do WhatsApp e, com isto, a blogosfera vai voltando a ser frequentada.

    Acerca do dogma católico da assunção de Maria, um mito surgido lá pelo século V, observo que acabou não escrevendo a respeito, mas desenvolveu a sua reflexão acerca dos significados da personagem de acordo com a visão doutrinária de seu segmento religioso.

    Para um cristão protestante como eu ler seu texto de mente aberta extraindo as partes edificantes da mensagem não deixa de ser um desafio. Mas, pensando bem, por que não encará-lo? Aí realmente vale a pena fazermos menção do festejado artigo deste blogue Sobre o Arquétipo Feminino ― “Maria Mãe de Deus”, publicado pelo Levi no dia 27 de março de 2012 e que rendeu um bom debate:

    http://logosemithos.blogspot.com.br/2012/03/sobre-o-arquetipo-feminino-maria-mae-de.html

    É certo que a Bíblia não fala tanto de Maria quanto a doutrina católica, mas podemos construir interpretações que passem da literalidade do texto considerado sagrado. Aliás, eu diria que o estudo de Maria pode ser baseado tanto nos relatos dos evangelhos quanto no que expõe doutrinariamente o catolicismo, sendo possível ainda uma leitura psicanalítica como fez o Levi. Neste caso, melhor seria estudar o mito tal como elaborado posteriormente pelos antigos padres para que possamos compreender as idealizações humanas.

    Indo aos evangelhos, terreno onde domino mais do que as doutrinas católicas, considero o nascimento virginal de Jesus como uma representação do "novo nascimento" da pessoa convertida, gerada pela ação do Espírito. E aí, por analogia à concepção sobrenatural do Salvador no ventre materno, teríamos no novo nascimento uma espécie de geração divina.

    Para terminar este comentário, embora haja muitos pontos teológicos divergentes quanto ao texto (e ainda não vislumbrei significado quanto à ideia da assunção de Maria), estou de pleno acordo com o final: "Viver a espiritualidade mariana é tornar-se verdadeiro adorador do Deus Único". Pois, sem dúvida, o exemplo de humildade e de obediência da mãe de nosso Senhor vem inspirar o cristão quanto à recepção da vontade divina.

    Um abraço e ótima semana!

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