domingo, 18 de agosto de 2013

"Verdades invisíveis" (o caso da maça, dos três reis magos e da Trindade)





Coisas que a Bíblia não diz explicitamente foram ditas explicitamente ao sabor da imaginação e da curiosidade dos teólogos. O primeiro caso: a maça como fruto proibido. A Bíblia diz que Adão e Eva comeram do fruto proibido da árvore  do conhecimento do bem e do mal mas não diz qual era esse fruto. Os judeus que escreveram o Talmud fizeram várias suposições: um figo, uma uva ou até o trigo. Um antigo texto judaico sugere que o fruto seria o tamarindo. Pensadores mulçumanos afirmaram que era uma  azeitona. Essa era uma questão erudita naqueles tempos!

 
Para os cristãos era importante saber qual o fruto já que os artistas precisavam saber como descrever a cena. Pinturas eram proibidas no judaísmo e no islamismo mas era fundamental no cristianismo. A igreja se dividiu por causa do fruto misterioso. O Ocidente de fala latina, optou pela uva, enquanto o Oriente de fala grega, optou pelo figo. Uma terceira via sugeriu que o fruto fosse uma maça (olha ela aí!) e foi logo aceita devido a um trocadilho: a palavra latina para “maça”, malum, também é a palavra para “mal”. A maça, nativa da Ásia, era também a fruta mais encontrada nos países não convertidos do norte da Europa. Havia também uma tradição que via na maça símbolo de conhecimento. Missionários cristãos, com a famosa habilidade de se apropriar de ideias e imagens pagãs, fizeram um inteligente uso dessa associação antiga em seus sermões.  Por volta do século XII, a maça foi firmemente estabelecida na imaginação cristã como o fruto que levou à queda.

 
Um segundo caso é dos “três reis magos”.  Somente o evangelho de Mateus cita-os mas não diz quem eram, quais seus nomes e nem diz que eram reis. Mas como a imagem desses magos se tornou importante no quadro geral do nascimento de Jesus, muito se especulou sobre isso. Afinal de contas, eles teriam sido os primeiros estrangeiros a adorar a Jesus. O grande teólogo egípcio Orígenes (sec III) disse que deviam ser três sábios, porque os presentes mencionados eram três. Em outras tradições os sábios são dois, quatro ou oito. Nas igrejas do Oriente dizia-se que haviam 12 deles e cada um conhecido pelo nome. Mas a noção de que eram três foi aceita no Ocidente por volta do século VI. A ideia de que eram reis foi sugerida pelo escritor romano Tertuliano, contemporâneo de Orígenes. O nome dos agora “Três reis Magos” aparece em um fragmento de um texto escrito por volta de 550. Diz: “Durante o reinado de Augusto, os magos lhe trouxeram(para Jesus) presentes e o veneravam. Os magos se chamavam Baltazar, Melchior e Gaspar”. Textos posteriores foram acrescentado detalhes aos Reis Magos, como o de que cada um deles era de uma raça diferente, um teor simbólico para demonstrar a autoridade do Messias sobre os gentios e judeus.  

 
Uma terceira questão é a “Trindade”. De onde vem a Trindade se em nenhum lugar da Bíblia se fala nela? Nem Jesus nem os apóstolos falaram de uma Trindade. Os primeiros cristãos eram judeus impregnados com a fé monoteísta: um só Deus e não “três”. Mas esses cristãos também criam que Jesus era o Messias e “o Filho de Deus” que havia morrido para livrá-los do pecado, o que implicava em dar a Jesus um certo “ar divino”. Isso foi um grande problema para os primeiros teólogos cristãos. A expressão “Filho de Deus” sugere que Jesus tinha sido criado por Deus, e assim, inferior ao Pai; como ele poderia então perdoar os pecados? Mas se ele fosse Deus ao lado do Pai, como ficava a crença no monoteísmo? E para complicar mais as coisas, havia o Espírito Santo, que era entendido como a força onipresente de Deus na terra.

 
Assim, a natureza de Cristo e do Espírito Santo foi objeto de muitos debates nos dois primeiros séculos da era cristã. Era preciso solucionar essa questão teológica, mas só no século IV, quando o imperador Constantino se  tornou cristão que o problema seria resolvido.  A questão tinha-se reduzido a dois pontos de vistas distintos, ambos apoiados em versículos bíblicos. A maioria dos bispos dizia que Cristo e o Espírito Santo sempre haviam existido junto com Deus-Pai, eram da mesma essência (homoousian) e que eles eram três pessoas numa Divindade. A outra crença minoritária defendida pelo teólogo de Alexandria Ário e também aceita por diversos cristãos, defendia que  apenas o Pai era Deus e de que Cristo era subserviente a ele e de que o Espírito Santo era subserviente a Cristo. Cristo seria semelhante em essência ao Pai(homoousion) e criado por ele.

 
Em 325, um concílio com 300 bispos foi convocado em Nicéia para resolver a questão.Ário compareceu mas foi rejeitado, e sua facção foi derrotado no voto. Os bispos então elaboraram uma relação de palavras que definiam os elementos essenciais da fé cristã. Esse documento, é o Credo Niceno, que ainda hoje é recitado nas igrejas:“Creio em um só Deus, pai todo-poderoso (...); e em um só senhor Jesus Cristo, filho unigênito de Deus (...)gerado, não feito, da mesma substância do Pai (...). Creio no Espírito Santo (...)que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado (...)”. A doutrina da Trindade se transformou na pedra de toque da ortodoxia cristã. Os arianos perderam a discussão e foram declarados hereges e perseguidos até sumirem.


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Referências:"Como Tudo Começou" - 
a história por trás do mundo atual. Ed Seleções

3 comentários:

  1. Interessante. Talvez isto ajude a explicar por que a bruxa tentou envenenar a Branca de Neve justamente através de uma maça... (rsrsrs)

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  2. E POR FALAR EM MAÇÃ, VEJAM ESSA (rsrs) :


    Cristãos ortodoxos da Rússia estão substituindo o logotipo da Apple por uma cruz nos aparelhos da empresa, sob o argumento de que a maçã representa a introdução do pecado no mundo.
    Ao invés de trocar seus equipamentos por outros de marcas diferentes, os fiéis e clérigos acharam mais simples apenas trocar ou cobrir o logotipo: “Uma maçã mordida é o símbolo do pecado original”, afirmam os fiéis, que justificam a troca pela cruz dizendo que esse símbolo representa a vitória de Jesus sobre a morte e o pecado, informou o site.”
    Sepa Mas.

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  3. Então, como podemos ver esta questão saiu do judaísmo como um só Deus, e a confusão toda foi feita pelos teólogos, o que prova por A+B que são os teólogos e o mal governante Constantino o autores de tamanha confusão. Levemos em conta então as alegorias, sim levemos isso em consideração, Árvore sempre esteve no passado relacionada a Longividente e sabedoria, fruto é relacionado a comer, isso indica aquisição de conhecimento, "Todo conhecimentos que tem no jardim podeis absolver, menos do conhecimento do Bem e do Mal, que se encontra naquele lugar, pois certamente no dia que dele assimilares certamente encontraras a degeneração.
    Mais o verbo original seria generar e de seu bom ou mau uso é, do bom ou mau uso do sexo, viriam os opostos regenerar e degenerar. Ora, não se consegue regenerar alguém sem que este antes tenha degenerado. Se há portantouma tentativa digamos religiosa, um esforço no mundo, no sentido de regenerar, de salvar, de redimir, é porque se pressupõe que houve de fato em alguma e´poca uma degeneração, e esta se deu através do conhecimento de alguém, não culpo Eva e sim o Andrógeno Adão, Eva foi de fato seu fruto, e seu erro.....

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