quinta-feira, 18 de julho de 2013

Validando os apócrifos





A origem dos livros apócrifos nos remete a segunda metade do IV século, quando um Bispo católico por nome Atanásio, seguindo ordens superiores, também talvez em função das resoluções do concílio de Nicéia em 325, destruiu inúmeros manuscritos, que no parecer dos membros desse concílio, eram fantasiosos e deturpavam as bases da doutrina cristã nascente.

Contudo, existe um dado importante a frisar; um grupo importante de eruditos, cientes da importância desses escritos, optaram por não destruí-los. Alguns desses, mais zelosos, resolveram guardar os manuscritos em potes de argila e enterraram, ou colocaram em cavernas nas regiões montanhosas do Mar Morto. Só vindo a serem descobertos em 1947.

Esta descoberta, para a ortodoxia, serve para atestar, a fidelidade de textos bíblicos considerados canônicos. Por outro lado, serve também para revelar, (e endossar que na história) havia grupos claramente insatisfeitos com a forma ou critérios adotados na formação final do Cânon das escrituras.

Abrindo um parêntese, ainda que a ortodoxia não aceite, ou faça vista grossa, não existe nenhuma doutrina do cristianismo que tenha surgido do nada. Epistemologicamente veremos que cada pensamento cristão surgiu e foi articulado através de conflitos, tensões e controvérsias.

O juiz que determinou quem estava certo e errado, na deliberação final do Canon, segunda a ortodoxia foi o Espírito Santo. (visão fideísta). Contudo essa ideia não resiste a nenhuma crítica. Muito pelo contrário, revela sua fragilidade exatamente por recorrer a tal argumento.

Fica então a pergunta: Não seria o apocalipse de João muito mais fantasioso do que a maioria dos apócrifos?

Quais foram os critérios para a excomunhão e desqualificação dos ensinos de Celso, pelágio, ário e tantos outros que não eram de maneira nenhuma alienados intelectuais? E ao seus estilos, também fizeram apologia às suas convicções? 

Será que não são os mesmos critérios adotados atualmente para a classificação de alguns segmentos como sendo heréticos? Ou seja, chegando ao veredicto através de axiomas? Sem uma epistemologia confiável?

Donizete

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