domingo, 2 de junho de 2013

Rumo a uma comunidade alternativa.



Por Donizete Vieira



É interessante analisar as causas e efeitos das mudanças que ocorreram sistematicamente na história da igreja.

Por exemplo: O liberalismo teológico foi um meio de salvação da teologia no contexto do iluminismo. Menos de um século depois já não servia mais para uma igreja que ainda não havia rompido radicalmente com os princípios das “solas” dos reformadores.

Seu retorno ao velho paradigma associado ao movimento carismático emergente produziu um enrijecimento ainda maior da sua doutrina. O pentecostalismo fundamentalista tem ali a sua gênese.

O pentecostalismo por sua vez pareceu ser a salvação da igreja, pois teve um crescimento vertiginoso. Entretanto isso é visto apenas pela ótica do pragmatismo.

Mas e agora, com a iminente derrocada desse movimento, que teve sua raiz ferida com o advento do neo-pentecostalismo, que rumo tomará a igreja?

Com a inserção cada vez maior de seus jovens em ambientes acadêmicos, gerando neles uma visão mais crítica, qual serão as respostas apresentadas pela liderança eclesial?

Esperemos pra ver! Mas pode ser que a tão sonhada mudança (se é que irão ocorrer de fato) no Vaticano provoque algumas também nos meios protestantes.

Enquanto isso vou continuar sonhando em ver estabelecido um modelo alternativo de comunidade, livre desse pragmatismo utilitarista selvagem que vê no capital seu principal indicador de sucesso.

Com uma releitura da Bíblia divorciada desses elementos místicos que insistem em se opor à lógica e a inteligência.

Com sua teologia contextualizada, dialogando afinadamente com outras tradições, mas sobretudo com as demandas humanas, tendo suas bases estabelecidas em baixo. Logicamente.

5 comentários:

  1. Devemos ponderar que o liberalismo teológico muitas vezes produziu um agnosticismo na Igreja, o que não satisfaz as necessidades das ovelhas desejosas de um relacionamento com Deus. Penso que o movimento pentecostal trouxe também algumas coisas boas, aquecendo a vida espiritual de muitos com uma frequência maior de orações pelo que não pode ser totalmente descartado. Muito pelo contrário! Proponho que, nessa reciclagem, tentemos extrair tudo o que houver de bom aqui e ali.

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  2. Concordo plenamente com essa parte: "Com sua teologia contextualizada, dialogando afinadamente com outras tradições, mas sobretudo com as demandas humanas, tendo suas bases estabelecidas em baixo. Logicamente."

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  3. “...uma releitura da Bíblia divorciada desses elementos místicos que insistem em se opor à lógica e a inteligência.” (Doni)


    Essa é uma tarefa extremamente difícil. Os partidários da fé, torcem o nariz para este tipo de proposta. (rsrs)

    Não custa nada lembrar o que aconteceu em Alexandria no começo da era cristã:


    A história conta que Alexandria produziu o primeiro instituto cristão de ensino superior. Foi de lá que surgiu a primeira escola bíblica de que se tem notícia. No século II ─ os cristãos veementes partidários da fé ─, eram defensores ardorosos da Bíblia como livro de revelação, e por hipótese nenhuma admitiam que o Livro Sagrado fosse alvo de estudo ou de análise, até porque analisar é examinar à luz da razão. Este deve ter sido um dos motivos que levaram à lamentável destruição de um acervo de quase 700.000 livros da maior biblioteca de todos os tempos.

    Atualmente, livros não estão sendo lançados à fogueira como aconteceu em Alexandria, mas sem que se perceba, a marginalização contra aqueles que procuram se aprofundar no estudo da escritura sagrada, continua de forma dissimulada ou sutil.

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    1. Tenho pra mim que a mística não deva ser vista como inimiga da razão. Ela é uma leitura da realidade apoiada na experiência direta ou intuitiva. Porém, guerrear contra a aplicação da lógica seria emburrecedor.

      Sou favorável a uma igreja na qual haja incentivo à auto-pesquisa no lugar de dogmas e de conceitos absolutizados como verdadeiros. E aí as crenças injustificadas não têm mais vez. Passamos, porém, a considerar hipóteses que sejam justificáveis, havendo sempre abertura à refutação.

      Neste sentido, é certo que o autoritarismo pastoral, que geralmente vem camuflado como uma teocracia, deixa de ser pertinente à nova comunidade que desejamos construir. Deve ser afirmada a democracia plena nas igrejas. Todos passam a ter o direito de discordar e devem submeter as posições à análise de suas consciências.

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    2. Bem lembrado, Levi, o episódio histórico da destruição da Biblioteca de Alexandria, a qual divide os historiadores entre versões diferentes. Há que entenda que o fato foi produzido pelos muçulmanos no século VII. Mas não importa! O certo é que ambas as religiões (cristianismo e islamismo) tornaram-se inimigas mortais da produção do conhecimento livre. Lembremos que o Islã esforçou-se por destruir outras versões do Corão! Até hoje qualquer um que, através de seus estudos, questiona determinados pontos relevantes dessas duas crenças, acabam sendo marginalizados.

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