sábado, 15 de junho de 2013

Amor "incondicional"?



Por Donizete Veira



Quem disse: Se alguém disser: amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso... E nós temos dele este preceito: que quem ama a Deus ame também a seu irmão? João, o apóstolo.

Mas quem odeia os nicolaítas? Quem tem sede de vingança e quer atirar Jezabel num leito de doença e fazer seus filhos morrer de peste? Quem não é capaz de se contentar apenas com fantasias sanguinárias? O mesmo Apóstolo João.

Jung explica!

Esta alteração de humor ou irascibilidade, não revela necessariamente um psicopata desequilibrado, mas sim um indivíduo religiosamente apaixonado, que, apesar de estar consciente da incomensurabilidade de Deus, pode afirmar que quem ama a Deus e seus semelhantes pode receber a "gnose", mas que, após receber este conhecimento de Deus, viu, quão temível e violento é o seu caráter; por esse motivo sentiu como o seu evangelho do amor era unilateral, e com a convicção de que Deus pode ser amado mas deve ser temido, escreveu o apocalipse, completando assim o primeiro com um evangelho do temor.

Esta natureza paradoxal do homem, que o torna capaz de amar e desejar o mais cruel castigo ao desobediente fornece as bases para sua concepção acerca de Deus, que o divide em seus contrários e o deixa entregue a um conflito aparentemente sem solução.

Chegamos ao ponto de concluir que as mesmas restrições que permeia as relações humanas no tocante ao amor é encontrado em Javé. Logo, amor incondicional não pode ser encontrado nEle.

2 comentários:

  1. Eduardo, se Deus é somente uma projeção do homem, em que momento ele se torna um caminho de superação para nós? Superego!?
    Bem, se existe algo super, então existe algo Superior!
    E o mistério persiste!

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    1. Já que esse algo Superior, sucedâneo, creio, da autoridade paterna vivenciada na infância não pode ser deletada, a melhor solução é fazer um acordo com ela. (rsrs)

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