quinta-feira, 2 de maio de 2013

Conselhos que o padre não dá


"Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? Não sejas demasiadamente perverso, nem sejas louco; por que morrerias fora do teu tempo?" (Bíblia Sagrada. Eclesiastes 7:16-17. ARA)

A vida é o bem mais precioso que recebemos em nossa peregrinação na Terra. Preservá-la deve ser o principal alvo das igrejas, das ONGs, dos partidos políticos, do Estado e da sociedade em geral. Só que, em muitas das vezes, as regrinhas morais e religiosas podem favorecer até o mais grave dos pecados que é matar alguém (Êxodo 20:13 e artigo 121 do Código Penal Brasileiro).

Com minha relativa experiência de vida, com pouco mais de 13.500 dias e mais da metade deles sendo evangélico, venho observando que determinados fatos lamentáveis poderiam ser evitados se outras normas preceituais de menor importância fossem justificadamente "transgredidas" pelo agente do delito.

Em certa ocasião, um homem de religião cristã espancou a sua esposa até ela desmaiar dentro de casa. Por pouco não a matou com socos na cabeça e chutes em outras partes do corpo. Sentindo-se em seguida culpado pelo que fizera e vendo a mulher inconsciente estendida sobre o chão da sala, parou de bater tentando reanimá-la. Por fim, chamou a ambulância.

Felizmente a vítima se recuperou e preferiu deixar de registrar o episódio na Delegacia, dando mais uma chance ao agressor. Só que, dessa vez, ela impôs a condição de ambos procurarem o aconselhamento espiritual da igreja frequentada pelo casal e o marido aceitou conversar com o pastor expressando arrependimento pela violência perpetrada.

Sem entrar em maiores detalhes sobre essa situação concreta, ou especular se a manutenção do casamento foi a melhor escolha que tomaram (os dois estão juntos até hoje), levanto aqui uma hipótese considerando o que frequentemente ocorre no cotidiano nosso. Pois o que teria sucedido se um dos violentos golpes daquele marido atingisse fatalmente a sua mulher? Por acaso tal homem não teria passado da condição de trabalhador honesto para um criminoso procurado pela Polícia? E a jovem senhora de seus trinta e poucos anos não teria perdido tragicamente a vida?

Recordo que, enquanto estava refletindo sobre aquele problema, mesmo tendo na época uma visão de mundo mais "fundamentalista" e conservadora, cheguei a dizer para o pastor: "irmão, se a relação no casamento anda tão ruim assim e fugindo do controle, é melhor que haja o divórcio do que um homicídio ou uma lesão corporal com sequelas sérias".

Curioso que os valores religiosos que recebi ainda adolescente no meio batista até hoje me servem de desestímulo para eu advogar nesta triste e necessária área do Direito de Família que são as separações conjugais. No entanto, aprendendo com as experiências minhas e dos outros, tenho me sentido menos inapto para algum dia entrar no Fórum defendendo esse tipo de causa. E, indo mais além, acho que já sou capaz de pregar com ousadia numa congregação religiosa orientando as pessoas segundo a voz da consciência, mesmo de maneira contrária a certos dogmas do cristianismo ortodoxo.

Repito! Se um marido está tão insatisfeito por viver ao lado de sua esposa, não é melhor encarar logo o divórcio do que terminar matando a mulher por espancamento? Contudo, por causa de alguns freios de conduta da religião, como a ideia da indissolubilidade do vínculo matrimonial e a caracterização do pecado de adultério na hipótese de novas núpcias no civil com outra pessoa pelo cônjuge separado, as igrejas bitoladas dão ocasião a um sentimento verdadeiramente maligno - o desejo de matar. Se não dá para ter um segundo casamento "aprovado por Deus" (e pela comunidade), o devoto começa a pensar nos benefícios que a viuvez lhe proporcionaria...

Recordo que, quase quatro anos após aquele episódio perturbador narrado acima, o pastor presidente da igreja onde eu me reuni por meia década na Região Serrana do Rio, pediu meu auxílio para aconselhar juridicamente um outro casal que tinha se agredido mutuamente dentro do próprio templo. A esposa estava doida para fazer um B.O., mas, se isto se confirmasse, registando-se o local do crime, seria um escândalo com a possibilidade de envolvimento da denominação religiosa nas páginas policiais de algum jornal (é comum haver funcionários públicos na Civil que informam a imprensa). Então, fui procurado pela liderança eclesiástica justamente para tentar um acordo entre os dois (por panos quentes) e, infelizmente, não me posicionei como deveria agir conforme a ética. Horas depois, eu me arrependi amargamente pelo papel de banana que fiz quando fui chamado ao gabinete pastoral, pois deveria ter dito o seguinte pra ela:

"Filha, se hoje ele foi capaz de te bater dentro da igreja, não falta muito para este cara mandar você numa hora dessas para o cemitério. Levante-se daqui, vai logo até à 151ª DP e represente contra ele fazendo em seguida o exame do corpo de delito. Não se sujeite à violência e se lembre que você é mãe. Se ele quer ficar com outra, deixa pra lá e dê logo o divórcio..."

Hoje estou lutando para libertar cada vez mais o meu pensamento da gaiola do fundamentalismo religioso. Atualmente, não só sugiro a separação para os relacionamentos perigosos e de traição como defendo outras bandeiras realistas capazes de chocar tanto a evangélicos quanto a católicos:

-> É melhor um marido insatisfeito pedir o divórcio da esposa do que matá-la a porrada.

-> É melhor um ex-viciado em cocaína fumar seu cigarrinho inocente da Souza Cruz do que não conseguir controlar sua ansiedade, entregar-se à bebida e depois retornar para as drogas. Contrair um câncer vai ser menos mal do que morrer de overdose com uma seringa nas mãos.

-> É melhor que um adolescente com tesão a flor da pele vá se masturbar no banheiro olhando para a última edição da Playboy, do que cometer um ato de estupro. Antes ele procurar uma prostituta na esquina e ir com a mulher pra um motel do que atentar contra a liberdade sexual de qualquer pessoa! Se vier a se tornar uma só carne com a meretriz no mundo espiritual, as consequências serão bem menores em todos os planos existenciais.

-> É melhor não dar o dízimo na igreja e contribuir com importâncias menores, dentro de suas possibilidades econômicas, do que ofertar e passar fome, não pagar as dívidas com terceiros, deixar de assistir os pais idosos, atrasar a pensão dos filhos menores, etc.

-> É melhor dar atenção para alguém que esteja sofrendo do que dispensar o apoio espiritual ao irmão com o pretexto de participar de mais um culto religioso para ficar "firme na igreja".

-> É melhor declarar de vez sua incredulidade, encarando de frente a crise e as dúvidas, do que esconder os sentimentos, fingindo diante dos irmãos como se tudo estivesse indo bem.

-> É melhor ensinar os jovens na Escola Bíblica Dominical a usarem preservativos porque, se os hormônios ferverem e eles vierem a fornicar, o pastor não vai precisar ficar sabendo depois de que as adolescentes da igreja engravidaram durante o retiro de Carnaval. Ou que foram infectadas com o vírus HIV que é muito pior.

-> É melhor encaminhar a pessoa ao médico para confirmar a ocorrência de uma suposta cura milagrosa do que instigar o auto-engano religioso e amanhã a enfermidade evoluir.

Podem alguns cristãos radicais me chamarem de relativista que não me incomodo. Eu reverencio os mandamentos mas não sigo dogmas. Aliás, como teria dito o ancião Hillel, rabino que viveu alguns anos antes de Jesus, os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, quando o profeta recebeu a Torá, podem ser perfeitamente resumidos pela elevada prática do amor ao próximo. Pois é buscando o bem do outro que se cumpre adequadamente a Lei de Deus ao invés de prestarmos uma obediência cega aos preceitos escritos.

23 comentários:

  1. Boa noite, amigos da Confraria!

    Finalmente estou podendo postar agora neste interessante blogue. É a minha primeira publicação do ano!

    Andei uns meses sem internet em casa. Primeiro porque me mudei e a grana estava curta (dívidas altas para pagar, esposa internada no hospital, etc. Depois foi a Oi Fixo/Telemar que aprontou comigo deixando de fornecer o sinal da VELOX após a contratação do serviço (na cidade onde moro não existe outro provedor de acesso banda larga). Mas, finalmente, tendo já entrado na Justiça, o técnico da empresa veio até minha residência no feriado do trabalhador.

    Semana passada, quando comentei o texto do Edu, ele me perguntou nos comentários a sua postagem se eu postaria. Respondi-lhe via Facebook que não porque teria dificuldades para acompanhar a ordem de postagem e mais ainda dar a atenção aos comentários. Porém, depois que a internet veio, a situação mudou e não desperdicei a oportunidade visto não ter sido publicado nenhum outro artigo nos últimos quatro dias.

    Assim, compartilho aí meu último texto que também tá lá no meu blogue pessoal. Aguardo os comentários de vocês e sintam-se à vontade para debater, questionar e dizerem o que pensam. Afinal, a crítica é algo que tem o potencial de construir.

    Boa leitura!

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  2. "as igrejas bitoladas dão ocasião a um sentimento verdadeiramente maligno - o desejo de matar. "
    " É melhor não dar o dízimo na igreja e contribuir com importâncias menores, dentro de suas possibilidades econômicas, do que ofertar e passar fome, não pagar as dívidas com terceiros, deixar de assistir os pais idosos, atrasar a pensão dos filhos menores, etc."
    "; É melhor encaminhar a pessoa ao médico para confirmar a ocorrência de uma suposta cura milagrosa do que instigar o auto-engano religioso e amanhã a enfermidade evoluir."
    " mas não sigo dogmas"
    Interessante! Gostei... Fique na Paz

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    1. Obrigado pela sua leitura e contribuição, Carlos. Participe sempre que desejar.

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  3. Nobre Amigo Rodrigo,

    Não há o que comentar em relação ao seu posicionamento relatado em oito pequenas cláusulas. Eu penso que quando nos tornamos cristãos dogmáticos e ortodoxos ao extremo, acabamos por nos esquecer que somos humanos, com sentimentos, emoções e desejos que estão além desta teologia sistemática apregoada pelo cristianismo.

    Parabéns pelo texto, sinto que fiz bem em não publicar nesta rodada, pois seu artigo é muito sensato, e deveria ser lido pela grande massa cristã que habita as redes sociais com seus discursos respaldados no juizo e no fundamentalismo bíblico.

    Como dizem aqui pelo sul, "pimenta no tobá dos outros é refresco". Só quem ta na pele, ou quem presenciou tudo isto, sabe de fato o perigo e o sofrimento que realmente é. De fora é fácil ditar as regras, pois não dói.

    Fraterno Abraço.



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    1. Caro Matheus,

      Fico feliz que não tenha ficado com raiva de mim por eu ter postado antes do confrade. O amigo pode postar na mesma rodada, sem problemas. Acho até que, devido a minha prolongada ausência, devo ter saído temporariamente do rol dos colaboradores até que resolvesse meus problemas de acesso domiciliar à internet.

      Penso que nós, por termos uma experiência religiosa no meio cristão, não podemos deixar de lado essa importante tarefa de esclarecimento que, em outras palavras mais bíblicas, seria "evangelizar os crentes". (rsrsrs)

      Como bem colocou, "de fora é fácil ditar as regras" e acho que este tem sido um grave problema legislativo em nosso país. Parlamentares, afim de aparecer e ganhar o apoio da sociedade, chegam a propor leis divorciadas do fato social e que, depois de entrarem em vigor, simplesmente "não pegam".

      Já no meio religioso cristão, na maioria das vezes, a observância dos mandamentos é ainda mais complicada porque costuma faltar racionalidade. O católico romano diz que "isto é assim porque a Igreja assim definiu". Já o evangélico fundamentalista alega que deve cumprir este ou aquele preceito "porque tá escrito na Bíblia". Só que ninguém se embra que as Escritras estão aí para serem pensadas e refletidas como nos diz o Salmo 1º. A própria palavra Torá, confundida como a Lei de Moisés, tem como significados no nosso idioma os termos "instrução" e "orientação". Ela é antes de mais nada um diálogo. Nada ali deve ser dogmatizado como fez a ortodoxia cristã no decorrer dos séculos...

      Saudações fraternas.

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    2. Valeu Nobre Amigo Rodrigo,

      Estou casando amanhã, e irei ficar em viagem uns 15 dias. Provavelmente, não terei muito tempo para participar nestes dias. E fico feliz em saber que vocês são feras, e suas contribuições ao Blog são excepcionais.

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    3. Parabéns pelo casamento, amigo!

      Invista neste momento porque é muito precioso.

      "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade."
      (Provérbios 5:18)

      Que Deus abençoe esta união e sejam muito felizes!

      Paz!

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  4. Prezados leitores,

    No último parágrafo de meu texto, eu escrevi que, segundo Hillel, "os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, quando o profeta recebeu a Torá, podem ser perfeitamente resumidos pela elevada prática do amor ao próximo".

    Ocorre que o mencionado rabino judeu, líder da escola mais liberal dos fariseus no século I a.C., teria ensinado ao prosélito que os quarenta dias e quante noites de Moisés na montanha pode ser resumido pela Regra de Ouro por ele formulada e não pelo mandamento do amor:

    "Não faças aos outros o que não queres que te façam" (bShab 31a)

    Num midrash posterior, Abot de Rabbi Nathan (Revisão B, 26), o princípio de Hillel é aribuído ao mestre Akiba.

    Não deixei de corrigir meu texto porque se trata de um detalhe praticamente sem importância já que a Regra de Ouro traduz o amor. Apenas estou acrescentando esse comentário tendo em vista que este blogue também se propõe a estudar teologia.

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  5. Nobre Amigo Eduardo,

    Não espere por mim nesta rodada, meta bala nas agulhas da rapazeada e inicie a próxima rodada. Com certeza retornarei mais herége e xarope do que nunca kkkkkkkkkkkkk

    Abração a todos os Nobres Amigos Confrades, e como dizem aqui pelo sul, "é pra frente que se anda".

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  6. Rodrigo, boas reflexões.

    Posso ver que o amigo reciclou um pouco suas ideias, pois lembro que você era, por exemplo, contra um jovem se masturbar ou ter relações sexuais.Hoje você pondera que existe o "mal menor",e que o mundo idealizado dos evangélicos não existe nem mesmo em suas próprias igrejas.

    volto ainda.

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    1. Caro confrade Eduardo,

      Boa noite!

      Eu continuo considerando inapropriado um jovem se masturbar ou ter relações sexuais com prostitutas, ou mesmo viver na promiscuidade transando hoje com uma pessoa e amanhã com outra sem que haja a precificação do sexo. O fato de considerar que seja "melhor" praticar uma conduta dessas não significa conformar-me com este século e sim que há opções menos graves para o pecador.

      Muitas vezes ouvi que "para Deus não há pecadinho e nem pecadão", mas hoje faço algumas considerações acerca dessa frase não bíblica e que integra a doutrina de diversas igrejas evangélicas. Entendo que não há pecado maior ou menor no sentido do homem justificar-se diante de Deus. Porém, a sua conduta aqui na Terra com a respectiva repercussão da mesma, trazem consequências distintas de outros atos. Aliás, não é por menos que a legislação mosaica e também outras leis estabelecem penas diferenciadas. Dispenso exemplos.

      Agora vejamos. Qual a consequência de um jovem cheio de desejo sexual ir para o banheiro e se masturbar? Ou se ele for numa termas e pagar pelos serviços sexuais de uma prostituta?

      No primeiro caso, segundo uma analogia da Bíblia que faço a partir de Levítico 15:16-17, ele ficará cerimonialmente impuro por causa do derrame seminal e, após fazer suas ablusões, isto é, tomar um banho e lavar a roupa manchada pela secreção corporal, ficará "imundo até à tarde". Se estiver servindo o exército de Israel, não poderá lutar naquele dia caso haja uma guerra (duvido que o Knesset já tenha aprovado uma lei dessas). Se considerarmos pecado essa emissão voluntária do sêmen, seria então uma agressão ao próprio corpo e à mente atraindo negatividade apenas para si pelo desperdício da energia sexual.

      No segundo exemplo (procurar uma prostituta), a consequência espiritual advertida por Paulo em 1ª Coríntios, capítulo 6, é que os nossos corpos são membros de Cristo e que, quando o homem tem uma relação sexual com mulher, ele se torna "dois numa só carne" com ela. Ou seja, ocorre uma união de almas no mundo espiritual que, na visão cristã, traria consequências ruins para o bem estar de ambos.

      Em termos sociais, esquecendo agora os preceitos religiosos, só veria problema em procurar prostituta no sentido de que o cliente esteja contribuindo para a precificação do corpo e do sexo, mantendo mulheres num trabalho indigno e favorecendo a exploração sexual. Recordo que, na faculdade, tive um professor de Direito Penal que dizia que a prostituta tem sua "função social". Isto porque, segundo ele, a prostituição evitaria a ocorrência de um número maior de estupros.

      Eu, embora compreenda ser injustificável um cristão apoiar a prostituição, concordo que é melhor um homem que não consegue se conter ir procurar uma "mulher da vida" do que violentar quem não quer ter relações com ele. Já que as meretrizes existem e estão aí pelas ruas das cidades brasileiras, é melhor que um estuprador em potencial vá procurá-las e sacie o seu desejo. Afinal de contas, as consequências de um abuso sexual são muito piores porque geram sequelas graves numa mulher a ponto de prejudicar até no futuro relacionamento conjugal.

      Finalizando, realmente acredito existir o "mal menor" e, quanto ao mundo idealizado dos evangélicos, é só mesmo uma idealização pós-bíblica de como o crente poderia viver na sociedade. Só que nem todos seguem, querem seguir ou conseguem praticar os mandamentos.

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    2. Rodrigão, bom você de volta.

      Amigo, nunca soube que um estuprador teria prazer com uma mulher que não lhe oferecesse resistência, sempre soube que o melhor prazer para ele é exatamente ver o terror no rosto da vítima. Contando com a quantidade e facilidade de mulheres em busca de aventuras, até mesmo sem preço, eu continuo crendo que o estupro é uma patologia maligna.

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    3. Gui,

      Na Antiguidade e também nos países islâmicos do Médio Oriente, o estupro de uma mulher solteira não comprometida não era criminalizado. Mas é uma conduta que desonra a família a ponto dos filhos de Jacó terem matado os siquemitas pela violação de Diná. Não que houvesse um respeito pela liberdade sexual da mulher como se pensa na atualidade.

      Concordo que seja uma patologia maligna. Como não vivemos mais há 3 mil anos, é conduta que deve ser mais combatida do que o adultério.

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  7. Rodrigo, Volta em alto estilo hein amigo!

    Também demorei um pouco para libertar-me da gaiola do fundamentalismo.

    Já insisti "fervorosamente" na manutenção dos bons costumes segundo minha ótica. Aí percebi que eles não passavam de bolha de sabão e os estourei.

    Já preguei efusivamente contra o divórcio, namoro, baladas, bebidas e até punhetas. Até que um dia percebi que esses eram exercícios exorcizadores de "demônios" que tinham em mente um "mal maior".

    Não compactuo com a leviandade, mas entendo que esses são aspectos micro éticos e de foro íntimo, e que numa cultura onde a singularidade de posições está muito longe de ser alcançada, nada melhor esperar que cada um decida o que é melhor para si.

    Abraços.

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    1. Caro Donizete,

      Penso que a gaiola do fundamentalismo ainda impede muitos de viverem a Essência Inspiradora das Sagradas Escrituras. A Palavra não pode ficar engessada pela letra porque a positivação da norma mata o seu espírito. Jesus foi um desconstrutor do legalismo, mas a Igreja acabou petrificando o seu ensino ao invés de mergulhar nas mesmas águas.

      No caso do divórcio, que muitas igrejas evangélicas aceitam (e foi o motivo pelo qual surgiu o Anglicanismo), compreendo que a intenção de Jesus foi pregar contra a banalização de uma prática. Muitos entendem que o Mestre teria restringido a hipótese do homem divorciar-se da esposa caso houvesse traição conjugal da parte dela (Mt 19:9). Só que o Senhor teria argumentado ali dentro do contexto da legislação mosaica citada pelos fariseus (Dt 24:1-4). Pois, se raciocinarmos bem, é razão muito mais forte para o divórcio uma agressão física grave praticada pelo marido porque, em tal situação, estaria em jogo o direito à vida da mulher. E Jesus, tendo vivido numa época em que só o homem poderia dar o divórcio (até hoje é assim nos países muçulmanos mais radicais), creio que ele foi muito além de seu tempo (e nos encoraja a fazer coisas maiores ainda).

      Concordo quando fala em "esperar que cada um decida o que é melhor para si". Afinal de contas, são escolhas pessoais e que não podem ser terceirizadas. Neste sentido, Paulo bem se posicionou que o pecado distinto da imoralidade sexual é "fora do corpo" (1ªCo 6:18). Ou seja, qualquer conduta sexual que possamos considerar inapropriada restringe-se a males que possam repercutir contra o próprio agente, sem nenhuma repercussão quanto à sociedade. E só o amadurecimento espiritual do indivíduo é que o levará a compreender que não deve mais agir daquela maneira. E nem tudo que a Igreja considera ser pecado nessa área realmente o é.

      Saudações fraternas.

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  8. Rodrigo, você faz uma abordagem que eu considero ultrapassada. Invocar o Levítico com suas impurezas cerimonias creio eu, não faz mas sentido para nosso tempo. E até mesmo a ideia de que quando se faz sexo há uma "ligação no mundo espiritual" creio, ultrapassada. Devemos analisar essas questões por outras vias que não costumes sociais e religiosos de mais de 2 mil anos.

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    1. Caro Edu,

      Vejo que levou muito a sério o que escrevi. (rsrsrs)

      Mas sobre essa ligação no mundo espiritual, penso que existe um sentido que permanece. É que quando duas pessoas têm uma relação sexual, emoções e sentimentos são envolvidas naquele ato capazes de gerar um forte laço de união entre ambos. Por isso é que eu me oponho à prática do sexo sem compromisso.

      A análise na qual me baseio seria a relação de causa e consequência das atitudes humanas. Os costumes de mais de dois mil anos eu não os ignoro mas também não me direciono por eles. Aliás, se fôssemos nos fundamentar neles, teríamos que libertar os estupradores de mulheres e condenar a uma morte por apedrejamento os que adulteraram bem como as prostitutas. Eu, porém, considero qualquer forma consentida de sexo algo melhor do que as condutas de estupro e do atentado violento ao pudor, ambas respectivamente tipificadas nos artigos 213 e 214 do Código Penal.

      Abraços.

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  9. Rodrigo, não era pra levar a sério o que você escreveu não? ehhhhhh

    por essa tese de que sexo "sem compromisso" promove uma "ligação espiritual" por haver emoções e sentimentos, então muitas outras coisas estão ligadas "espiritualmente" às pessoas.

    aquele torcedor fanático do seu time, que chora e se alegra com suas derrotas e vitórias, que faz promessa pra santo pra ganhar jogo, que tem fortes emoções e sentimentos em relação ao seu time, estaria então ligado "no mundo espiritual" com seu time. Ele poderia dizer, por exemplo, "eu e o Flamengo somos um" no mundo espiritual.

    isso não faz sentido para mim, a não ser que por "mundo espiritual", entenda-se o mundo interior psíquico da pessoa, mas sem nenhuma referência a um suposto mundo metafísico.

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    1. Caro Edu,

      Em sua extensão do raciocínio, vc ajuda a confirmar o que digo. Vou exemplificar com a experimentação própria.

      Em 2008, eu me envolvi com a campanha de um vereador. Já era um sujeito calejado na política e, num aconselhamento pastoral na igreja, um dos pastores advertiu-me que não fizesse aquilo porque a política trás muitas decepções, promessas não são cumpridas, etc. Pois bem, eu lhe respondi que já tinha consciência de que essas coisas acontecem e que estava me envolvendo politicamente com aquele candidato de uma maneira madura. Só que não deu outra. Passaram as eleições e antes mesmo do sujeito tomar posse no seu segundo mandato na Câmara, nós dois estávamos em pólos opostos divergindo sobre condutas por ele adotadas em relação ao prefeito eleito, as quais serviam de justificativa para eu justificar externamente diante das pessoas o meu afastamento dele. E, meses depois, com o meu desligamento do partido, movido pelos sentimentos contra o tal vereador, ingressei com uma ação cobrando os honorários pela minha atuação na Justiça Eleitoral como uma maneira para atingi-lo. E, durante um tempo, o sentimento de aversão contra aquele indivíduo permaneceu me incomodando. Um dia, quando o pastor presidente convidou aquele vereador para o programa de rádio da igreja, novamente não gostei. E olha que nem precisei praticar atos sexuais com esse vereador! (rsrsrs)

      Meu brother, a conclusão a que chego é que nossas práticas de vida têm um grande potencial para nos moldar. Suas palavras, atitudes e escolhas surtem forte influência sobre você. Quando realizo atos repetidos, aquilo tende a mexer com a minha mente e certamente que, no caso de uma relação sexual, o envolvimento desperta desejos, emoções de afetividade, admirações, expectativas, dentre outras coisas. E, se não há depois um compromisso, será bem traumática a separação. E a banalização disso pode levar a um embotamento dos sentimentos.

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    2. Infelizmente Edu, você não acredita, mas eu vi pessoas sob influência espiritual terrível, após relacionarem-se sexualmente. Uma delas ao ter relações com o noivo em uma cama onde um tio permitiu que sua amante abortasse, após o seu casamento todas as vezes que ela ficou grávida abortou e simplesmente Deus revelou todo o ocorrido a um pastor que eu conheci e após a moça confessar e pedir perdão, ela pode ter o seu primeiro bebe.

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  10. Rodrigão, não entendi bem sua colocação sobre separação, de uma vez que o próprio Paulo aconselha os casais a separarem-se se estão vivendo em contenda.

    Conheci centenas de dependentes de cocaína, maconha, etc que foram realmente libertos, nunca precisaram de um cigarro para acalmarem-se. Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
    Creio que o que falta a muitas pessoas é saberem dizer não aos seus inconvenientes desejos. Tem tanta coisa que desejamos e não podemos obter... Acho que já li um comentário de Edu sobre este assunto, com muita sabedoria.

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    1. Paulo, em 1ª Coríntios, admitiu a separação mas não o divórcio. Quem se separasse, deveria reconciliar-se com o cônjuge ou permanecer separado sem contrair novas núpcias com outra pessoa. Mas há quem o interprete de outra forma. Eu mesmo considero absurdo uma pessoa não poder ter outra vida só porque não deu certo no primeiro casamento. Penso que o divórcio não é para se banalizar, mas não é algo proibido. Pelo contrário. Moisés teria dado esta possibilidade aos homens devido a dureza de coração.

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    2. Sobre um dependente precisar de cigarros ou não no seu processo de libertação, entendo que cada caso seja um caso. Não podemos generalizar porque fulaninho entrou pra Igreja e, dentro de uma semana largou tudo que agora todos terão que mudar na mesma velocidade. É que cada qual tem seu momento de abertura para que seja liberto pela Verdade. Nem sempre deixamos que a obra do Filho se opere em nós por mais que estejamos insatisfeitos com a nossa condição.

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