quarta-feira, 10 de abril de 2013

NIETZSCHE SERIA MESMO ATEU?

Por Guiomar Barba.



Confrades, creio que neste vídeo temos uma riqueza infinita de detalhes da vida do grande Nietzsche, que muito se assemelha aos nossos desajustes em diferentes esfera da vida e outros pontos temos em comum. 

Estou fascinada, muitas impressões confirmadas. Vamos aos comentários.

39 comentários:

  1. Nobre Amiga Guiomar,

    Vou postar aqui um texto meu antigo sobre Nietzsche, um texto que foi chamado pelo professor de filosofia Alex Pina de "Teologia Nitzscheriana" rsrsrsrs

    NIETZCHE E O FALSO ATEÍSMO

    A principal idéia detectada na filosofia desenvolvida por Friedrich Nietzsche consiste na frase que irei destacar ao leitor no parágrafo abaixo:

    “O cristianismo diz que tudo neste mundo é menos importante do que o que esta no mundo após a morte. Diz também que devemos nos afastar do que parece importante nesta vida e tentar transcendê-la. Mas ao fazer isso nós nos afastamos da própria vida, acreditando em uma visão cristã do homem que nos enfraquece, e devemos de alguma forma buscar superar esta idéia limitadora. Em suma, o homem é algo a ser superado.”


    Juntamente com outros filósofos como, Platão, Immanuel Kant, Soren Kierkegaard, Albert Camus, Michel Foucault e também Jacques Derrida, Nietzsche é um dos grandes contribuintes no surgimento e fortalecimento do “existencialismo”. Ele nasce em 1844 na Prussia em um lar muito religioso, onde a grande maioria de seus familiares homens eram ministros luteranos e as mulheres tementes e fervorosas em oração ao Deus do cristianismo. Ainda quando criança ele perde seu pai e seu irmão e passa a ser criado somente pela mãe, avó e suas duas tias. Mas não quero aqui trazer a biografia deste homem, isso você encontra em seu livro Ecco Homo. Hoje quero trazer ao leitor uma idéia bem diferenciada do que estamos acostumados a ouvir sobre Nietzsche. Quero aqui estruturar ao leitor, de forma bem sucinta, a idéia de que o “ateísmo” de Nietzsche, supostamente desenvolvido pelos ateus e agnósticos modernos, não passa de uma mentira, uma bengala para se apoiar pela ausência de evidências na luta de comprovar a inexistência do Eterno, o Ser Criador, o Ser que nos capacita a nos superarmos e nos desenvolvermos em direção à vida em semelhança com Cristo, no agir, pensar e viver; ou o desenvolvimento do super-homem, como diversas vezes disse Nietzsche, de forma poética em seus escritos, fazendo referência ao desenvolvimento interno de nossa espiritualidade.


    Observe a citação abaixo, encontrada no livro Gaia e Ciência, pág. 125:

    “Já ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna pela manhã, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: “Eu procuro Deus! Eu procuro Deus!”. Como muitos dos que não acreditavam em Deus estivessem justamente por ali naquele mesmo instante, ele provocou muitas risadas... “Onde esta Deus!” ele gritava. “Eu devo dizer-lhes: nós o matamos, você e eu”. Todos somos assassinos... Deus esta morto, Deus continua morto e nós o matamos”


    Quando li este texto pela primeira vez, considerei uma afronta a minha imagem cultural e religiosa acerca do que Deus é e representa pelas concepções prontas do cristianismo, e automaticamente rotulei Nietzsche de ateu. Mas como bom curioso que sou, continuei a leitura e comecei a investigar e analisar a vida e obra deste homem. E por diversas vezes li e reli seus livros, e pasmem, nunca encontrei o desenvolvimento de uma idéia ou teoria que tentasse de alguma forma contrariar a existência de Deus! Em todas as suas obras ele nunca sequer mencionou a não existência de um Ser Superior, denominado por cada um de nós culturalmente e por conceito herdado, de “Deus”. A expressão que se refere a “morte de Deus”, em nenhum momento esta relacionada com a difusão de idéias anti-teístas, em nenhum momento esteve associada a intenção ou pretensão de disseminar o ateísmo, isso é uma idéia equivocada, rasa e superficial do que representa os escritos de Nietzsche em relação a espiritualidade.

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  2. Continuação do texto NIETZSCHE E O FALSO ATEISMO...

    A morte de Deus, nesta expressão, e no contexto do livro Gaia e Ciência, assim como nos livros Anticristo e Assim Falou Zaratustra se refere nitidamente a uma crítica audaciosa, bem argumentada e violenta ao que na época representava a figura e imagem de um Ser Superior. Essa morte representava para Nietzsche o fim e o declínio da formulação do Deus que a metafísica clássica ocidental havia construído; era a morte do que por meio do misticismo religioso e do cristianismo havia se figurado em a imagem de Deus. Sua idéia desenvolvida no contexto de suas obras era de que, o Deus do cristianismo deveria morrer na consciência do ser humano como mantenedor do sistema tradicional, cultural e institucional de valores. Era um passo firme e convicto na busca do desenvolvimento não manipulado da espiritualidade do homem; era o inicio do ciclo do super-homem. Não se pode de forma alguma atribuir a Nietzsche uma idéia ateísta, o que vejo nele é um espírito revolucionário, alguém que não media palavras, esforços e fundamentos para desmontar e aniquilar os dogmas, a religião e seus afins, mesmo que para isso tivesse que se manifestar de forma que suas teses parecessem loucura. Um grande desbravador no que se refere a lutar contra a institucionalização da religião e sua corrupção. Ele era tão audacioso que certa vez ele disse que:

    “religiões são coisas do populacho, e eu tenho que lavar as mãos depois que tenho contato com religiosos”.

    A morte de Deus não se resumia simplesmente a morte de uma deidade, como pseudos estudiosos insistem em afirmar. Nesta afirmação morrem todos os valores ditos elevados que herdamos. Não há como não perceber que nesta filosofia desenvolvida por Nietzsche, ele explora e desenvolve uma “revaloração de todos os valores”, uma tentativa ousada de questionar todas as maneiras habituais de pensar sobre ética e os sentidos e objetivos da vida. Ao fazer isso Nietzsche desenvolveu o que arriscou chamar de “filosofia da alegria”, que embora subverta tudo o que imaginamos de forma concreta acerca do bem e do mal, procura afirmar a vida. Desta forma ele defende que tudo que pensamos serem coisas “boas”, são de fato, formas de nos limitar a vida, ou a grosso modo, são maneiras de afastar as pessoas da vida. E é este existencialismo explícito na vida e obra de Nietzsche que descarta a idéia de ateísmo defendida por pessoas que sequer, se deram ao trabalho de analisar de forma categórica quais eram as intenções e objetivos do autor. Um homem livre, que racionalmente e pelo estimulo da psique estruturou uma filosofia livre de prisões conceituais para defender a importância do desenvolvimento do homem em busca da sua auto-superação. Mesmo sem ter uma escrita, nos padrões filosóficos de sua época, ou seja, sem aquele tom sereno e analítico comum na filosofia do Mundo Moderno, ele conseguiu de forma majestosa expor e estruturar uma visão extraordinariamente desafiadora e consistente, e Sigmund Freud ao falar sobre ele disse: “o grau de introspecção alcançado por Nietzsche nunca foi atingido por ninguém”. Foi um homem que, mergulhado em seus instintos e sentimentos, compreendeu que a existência de um Ser Superior não estava e jamais estará enclausurada em uma cultura herdada e projetada, nem ao menos em um conjunto de dogmas e padrões estabelecidos de comportamento. Um exemplo típico da manifestação máxima de Deus, que não está no gotejar das escrituras, mas sim na forma empírica e individual de cada um, internamente manifestada pela busca e experiência. Isto é, na minha simples compreensão, o desenvolvimento do Super-Homem.

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  3. Encerrando o texto NIETZSCHE E O FALSO ATEISMO...

    E para concluir a idéia, leia o fragmento abaixo, escrito em o Anticristo pág. 09:

    “Onde quer que a influência dos teólogos seja sentida, há uma transmutação de valores,os conceitos de “verdadeiro” e “falso” são forçados a inverter suas posições: tudo que é mais prejudicial a vida é nomeado “verdadeiro”, tudo que a exalta, a intensifica, a afirma, a justifica, e a torna triunfante é nomeado falso... Quando teólogos através da “consciência” do príncipes (ou dos povos), estende suas mãos ao poder,não há qualquer dúvida quanto a este aspecto fundamental: que o anseio, a vontade niilista, aspira o poder...”

    Aqui mais uma vez, Nietzsche da uma bem estruturada esculachada nos religiosos, fazendo esta crítica aos teólogos que julgavam ter a essência daquilo que era eterno sobre eles, e que se resumia as escrituras. Nietzsche se posicionava a estes, os chamando de “sacerdotes da morte”. Pois anunciavam um Deus metódico, finito e limitado a dogmas e preceitos pré estabelecidos, o que para Nietzsche era loucura, pois não acreditava que um Ser Superior estivesse como que preso a uma caixa. É como costumo em algumas situações dizer:

    “realmente Deus se revela nas escrituras, mas isso é apenas um gotejar de sua natureza, a máxima da revelação da natureza divina se dá em nossas vidas, é particular, pessoal e intransferível, e esta associada intimamente com a vida na terra e o convívio com os demais. Cristo exaltou este principio a todo momento, e nisto conclui sua trajetória, o relacionamento com Deus e o próximo,um viver na terra sem prisões e concepções formadas, embaladas, pasteurizadas e distorcidas de nossa realidade humana”


    Nietzsche foi um revolucionário na filosofia e também na teologia saudável; foi audacioso no combate a religiosidade, não temeu a rejeição da sociedade que, culturalmente e por herança, estavam presas ao dogma; e enfrentou, mas em nenhum momento na história elaborou, estruturou ou teve a pretensão de escrever uma única linha na tentativa de provar a não existência de Deus. Por isso para tristeza de alguns pseudos ateus e agnósticos, neste texto eu afirmo que o ateísmo de Nietzsche é falso. E se por insistência, queiram rotular Nietzsche de ateu por meio de sua vida e obra, quero declarar-me ateu graças a Deus.

    “Há sempre o seu quê de loucura no amor, e há sempre o seu quê de razão na loucura”
    (Friederich Nietzsche – Assim Falou Zaratustra pág. 59)

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  4. O vídeo é muito bom, os comentadores aprofundam bem a vida e as ideias revolucionárias de Nitz. Foi um homem singular que ousou romper com todos os sistemas e procurou conhecer a si mesmo e o que era importante para sua própria vida; não o que a religião lhe disse, mas o que ele mesmo descobriu. E o que ele descobriu foi a antítese do que a religião oferecia.

    Creio que a imagem do Deus cristão sempre o atormentou; sua forte oposição a ele já demonstra isso. Sobre o excelente texto do Matheus, concordo e discordo em alguns pontos.

    Parece-me claro que ao negar veementemente o cristianismo ele nega consequentemente, o Deus cristão. Não me parece que ele visse a possibilidade de um "cristianismo purificado" de tudo aquilo que para ele era mal e negação. O cristianismo estava fadado a morrer para que os homens pudessem de fato, viver.

    Vejo nele sim, alto grau de espiritualidade, mas de uma espiritualidade voltada para a própria vida e não para nada metafísico. Não sei se aqui caberia algum tipo de Deus que não fosse o próprio homem.

    Se é verdade que em seus escritos ele não perde tempo tentando negar a existência de Deus (pois eu acho que ele já tinha feito isso ao negar o cristianismo e as religiões), tampouco procura formular alguma teologia metafísica.

    Mas parece também claro que a imagem do Deus que lhe ofereceram quando criança nunca deixou de lhe afetar de uma forma ou de outra.

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  5. Nobre Amigo Eduardo,

    Talvez os pontos que você discorda, sejam os mesmos pontos que eu discorde hoje. Pois se trata de um texto antigo, com alguns pares de anos, e logo, ainda com muita influência cristã. Quando você diz,

    "Parece-me claro que ao negar veementemente o cristianismo ele nega consequentemente, o Deus cristão. Não me parece que ele visse a possibilidade de um "cristianismo purificado" de tudo aquilo que para ele era mal e negação. O cristianismo estava fadado a morrer para que os homens pudessem de fato, viver."

    Você argumenta partindo do principio da defesa de um deus cristão. E quando eu escrevi este texto, provavelmente também partia desta ideia. Mas hoje, eu já não consigo mais conceber um deus puramente cristão. Não que tenha me tornado ateísta, longe disso, mas percebo um Ser Superior e Inteligente como Força Inicial de tudo, porém sem um nome definido, e que por costume me refiro a ele chamando de deus. E talvez Nietzsche estava neste dilema quando resolve anunciar a morte de deus.

    Eu quando penso em "ateísmo", me vem a mente a ideia de "inexistência", independente do cerne que sustente a divindade, tipo cristianismo, islamismo, budismo, e por ai vai. E esta inexistência é a única coisa que não consigo encontrar em Nietzsche. Penso que ele era meio, mas só meio perturbado kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    1. Os avós paternos e maternos de Nietzsche eram pastores protestantes. Ele foi educado nesse caldo, e como tal, devia conhecer muito bem o cristianismo de resultados de sua época. Não foi à toa que, apesar de ser um exímio estudioso da Bíblia, optou, sabiamente, por desistir da carreira de pastor das ovelhas do Pai, para, só assim, nos legar as suas vastas e profundas obras, ainda hoje, muito mal compreendidas pelos estudiosos.

      Ainda hoje, por todo o mundo, se promovem encontros para estudar a questão do RESSENTIMENTO que, em Nietzsche, está mui além do que podem imaginar os psicanalistas da pós-modernidade.
      “ À exceção de Nietzsche na filosofia, tampouco em outras áreas existem autores que se dedicaram a este tema tão caro à psicanálise” ( Maria Rita Kehl ― poetisa, ensaísta e doutora em psicanálise pela PUC de São Paulo)

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  6. Mas o meu comentário é exatamente a partir do que Nietzsche conhecia do cristianismo da sua época. Vejo que ele renegou por completo a Javé sim, como inexistente, já que ele mesmo e sociedade da época o tinha matado.

    gostaria que o LEVI entrasse em mais detalhes onde e como funcionou o ressentimento em Nietzsche.

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    1. EDU

      Taí, um bom tema para uma futura postagem. Vou trabalhar para isso... (rsrs)

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  7. Nobre Amigo Eduardo,

    Como se faz para matar algo que não existe?

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  8. Nobres Amigos Confrades,

    Tenho este parágrafo que escrevi há muitos anos, fixado em meu Boteco...

    "É interessante que o ateísmo que defende suas idéias em Nietzsche, é um ateísmo pobre e equivocado, pois quando Nietzsche afirmava que "Deus estava morto", ele não se referia a um ser em essência, logo, essa expressão "matar a Deus" significava, noutras palavras, matar o “dogma”, o “conformismo”, a “superstição” e o “medo”, e não aceitar mais a imposição de regras cristalizadas, que impossibilitam a superação e a transcendência, além da auto-afirmação do ser humano, que luta incansavelmente para libertar-se elevar-se em sua saga existencializada. Partindo desta premissa, se a definição de Nietzsche como ateu, por não acreditar na religião é fato, não tenho como não me classificar desta forma, pois creio em um ser em essência e não em uma religião pobre, cega e nua."

    Partindo desta premissa, se Nietzsche é ateu, podem a partir de hoje, me considerarem ateu.

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  9. Agora que voltou meu computador, quero comentar este vídeo dentro daquilo que percebe a minha alma.

    Edu: "Vejo nele sim, alto grau de espiritualidade, mas de uma espiritualidade voltada para a própria vida e não para nada metafísico. Não sei se aqui caberia algum tipo de Deus que não fosse o próprio homem".

    Que espiritualidade tão medonha, que o levou a loucura? Percebi que ele se voltou tão para dentro dele mesmo, encontrando densas trevas, lhe faltou deixar brilhar uma luz que lhe indicasse o caminho escabroso por onde estava trilhando.

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    1. Só para constar, Nietzsche sofria de Sífilis - causa de sua morte - e como todos devem saber, sífilis leva a loucura.

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  10. Fica evidente que Nietzsche sofreu por demais as consequências de ser um corajoso desbravador da ideia de caminhar sem Deus. Não por querer negar sua existência, mas por querer conhecer as potencialidades do homem.
    É natural o filho buscar autonomia do pai, mas é tola a busca de uma total independência. A Presença de um Pai, mesmo depois de morto, exerce influencia sobre um Filho Vivo.

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  11. Nobre Amigo Gabriel,

    Gostei desta afirmação, "a presença de um pai mesmo depois de morto, exerce influência sobre um filho vivo". Uma ótica digna de análise.

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  12. Amigo Matheus,
    A frase é apenas uma alegoria a ideia de continuidade(imortalidade) do pensamento, da ciência, da filosofia e da espiritualidade. Essas coisas são para mim indissociáveis. A discussão sobre ser Deus, uma abstração ou uma realidade, seria totalmente inútil, se não fosse pretexto para o exercício do debate.

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  13. Nobre Amigo Gabriel,

    Não só gostei da frase, como compartilho deste pensamento. E partindo desta premissa, acredito que NIetzsche teve um longo e dificil relacionamento com deus. Afirmava sua morte, porque na verdade esse era o seu desejo, devido a frustração que teve com a divindade, mas no fundo sabia, que mesmo o concebendo morto, ele exercia influência sobre a sua vida.

    Olha que "munitinha" esta oração...

    Oração ao Deus desconhecido

    Antes de prosseguir no meu caminho
    E lançar o meu olhar para frente
    Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
    Na direção de quem eu fujo.
    A Ti, das profundezas do meu coração,
    Tenho dedicado altares festivos,
    Para que em cada momento
    Tua voz me possa chamar.

    Sobre esses altares está gravada em fogo
    Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
    Eu sou teu, embora até o presente
    Me tenha associado aos sacrílegos.
    Eu sou teu, não obstante os laços
    Me puxarem para o abismo.
    Mesmo querendo fugir
    Sinto-me forçado a servi-Te.

    Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!
    Tu que que me penetras a alma
    E qual turbilhão invades minha vida.
    Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
    Quero Te conhecer e a Ti servir.

    O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.

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    1. Não temos como negar que Nietzsche foi uma mente poderosa. Também não é difícil perceber a dificuldade que os gênios tem de lidar com as próprias conclusões. A primeira das armadinhas é o próprio ego, tem a solidão a inevitável confusão etc. Em fim fica claro, que a mente humana tem uma dificuldade de açambarcar um ideário novo e vasto em um intervalo curto de tempo, para mim parece claro que Nietzsche foi vitima disso. Eu você e qualquer outro que busque trilhar caminhos alternativos, devemos aprender com os ensinamentos, a experiencia e com os enganos de Nietzsche. Com os enganos também, claro, pois ele não é Deus.

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  14. Eu me pergunto: como todo ser humano, até aonde Nietzsche, tinha sede de fama? (Já que nossos sentimentos são tão subjetivos...)
    Ele afirma que "teria seu nome ligado a algo tremendo, uma crise como jamais houve na terra", ele tinha consciência de que o que sempre foi "santificado, considerado como sagrado", iria "ruir". Ele acreditou que a morte de Deus daria liberdade absoluta ao homem, como única medida do universo. Esta liberdade lhe custou um preço insuportável: "Finalmente, vamos encontrar um Nietzsche presa de terríveis e alucinantes dúvidas, confessando-se a Overbeck, em 1885: "minha filosofia, se é que eu tenho direito de assim chamar o que me atormenta interiormente, até às raízes, não é mais comunicável...". (Pesquisado).

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    1. Gui, acho que não era bem sede de fama era uma natural problemática com o ego, de quem percebe que a humanidade pode se comportar como um rebanho de antas e isso não era propriamente arrogância. É essa condição enlouquecedora que cada um de nós precisa perceber e lidar, conviver com a inteligencia e a estupidez em cada um e na humanidade como um todo. Quando encaráramos essa realidade fica mais fácil compreender o destino de loucura de Nietzsche. Ele se arriscou tentando fugir a todo custo dessa nossa faceta boçal.

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    2. Não sei Gabriel, ele ficou tão decepcionado com a morte do pai. Ainda tão criança, mas já estava incutido na mente dele a ideia de um Deus que punia sem misericórdia, certamente este questionamento se desenvolveu com a morte do seu irmão e o fez afastar-se de Deus e buscar a solidão como companheira, veja que o pai dele era para ele um exemplo de cristão, ele encontraria outro com todas as qualidades que ele via no seu pai?

      Tenho observado como muitas pessoas após a morte de um dos pais, se tornam profundamente doentes. Aqui não faz muitos meses que uma senhora se escondeu em uma suposta loucura, por causa da morte da sua mãe, e terminou se jogando de uma das pontes. Eu nunca esqueço a figura daquela senhora que a chamávamos; "A mulher do shopping".

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    3. "Gui, acho que não era bem sede de fama era uma natural problemática com o ego, de quem percebe que a humanidade pode se comportar como um rebanho de antas e isso não era propriamente arrogância."

      E ele teria seu nome na história como o grande filosofo que faria a humanidade refletir... Mas não conseguiu lidar com os questionamentos sem respostas e enlouqueceu...

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  15. Apesar de sua apologia Matheus, que não é só sua, rsrs "A morte de Deus não se resumia simplesmente a morte de uma deidade, como pseudos estudiosos insistem em afirmar. Nesta afirmação morrem todos os valores ditos elevados que herdamos. Não há como não perceber que nesta filosofia desenvolvida por Nietzsche, ele explora e desenvolve uma “revaloração de todos os valores”,

    Os versos seguintes negam sua defesa:
    "Eu sou teu, embora até o presente
    Me tenha associado aos sacrílegos.
    Eu sou teu, não obstante os laços
    Me puxarem para o abismo.
    Mesmo querendo fugir
    Sinto-me forçado a servi-Te.


    Creio que depois da sua luta inglória para por o homem como o centro do universo, a tentativa de matar Deus, como diz um dos comentadores: Nie tinha certeza que havia deixado um vazio terrível.

    Outro comentarista chega a dizer que: "como ele queria ser o imoralista da nova sociedade pós-Deus, como não conseguiu preencher o vazio, se refugiou na loucura". Isto foi terrível demais.

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  16. Perdão, não completei o pensamento.

    Depois da sua luta para matar Deus, ele reconheceu o que concluíram: "Querendo se impor como filosofo, ele se destruiu como ser humano", quem sabe, ele refletiu sobre a "vida feliz, tranquila e simples que viveu seu pai", e voltou-se para o Deus do seu pai?

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  17. Math, de fato, não se pode matar algo que não existe.
    Mas você acredita que Nietz quando disse isso pensava realmente
    num Deus existente que a sociedade tinha matado?
    Ele foi de fato, contra todos os dogmatismos, contra toda a filosofia platônica
    que colocava em oposição a verdade subjetiva e aparente da verdade idealizada das Ideias, da essência, de um Bem em si mesmo(Deus no cristianismo).

    É verdade que Deus, mesmo morto, como disse bem o GABRIEL, continuou influenciando a Nitzs, mas apenas como um "encosto" do qual ele não conseguia se livrar.

    E eu não sei de qual época é essa "oração" de Nizts e em que circunstância ele a escreveu.

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  18. No seu livro Ecce Homo ele escreve:

    “Para mim o ateísmo não é nem uma consequência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto”

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  19. Mas não podemos deixar de ver essa "briga psíquica, intelectual e sentimental" que ele tinha com Deus. Um Deus quera "desconhecido" e talvez por isso mesmo, morto.

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  20. A filosofia de Nietzs foi tão poderosa que nenhum ser humano chegou a vivê-la, talvez nem mesmo ele. O comentário do GABRIEL é perfeito, creio:

    "Ele se arriscou tentando fugir a todo custo dessa nossa faceta boçal."

    Ele tentou fugir da mediocridade humana que ele via principalmente não autonomia do homem em relação a Deus, na mentalidade de escravo que o clero cristão impunha "ao gado".

    Ele foi o mais visceral dos pensadores, e isso cobrou um alto preço. Mas não vejo sua loucura como apenas consequência do seu pensamento; suas muitas debilitações físicas e doenças também ajudaram.

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    1. EDUARDO, essas suas ultimas conjecturas me puseram pensar. Sera, que só doença do corpo interrompeu a jornada singular dessa mente poderosa? Quantas coisas mais ele poderia ter alcançado com sua ousadia e resistência física e mental, se os males do corpo não tivessem alcançado sua mente?
      Será que este sisudo turrão, teria contemplado a face de Deus, sem enlouquecer? Em se tratando de Nietzs...?

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    2. Gabriel, se os males do corpo foram resultado dos seus enlouquecedores questionamentos sem respostas?

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    3. GUI, essa é a pergunta que vai ficar sem resposta. Mas não ha como negar que ele foi uma mente poderosa. O desafio de questionar e buscar é justamente resistir as consequências desta escolha. A mente humana parece não foi exatamente preteja para isso mas ela abre essa possibilidade aos homens. É um desafio como outro qualquer que alguns "escolhem" empreender na medida da resistência de cada individuo. Continuo achando que podemos aprender com seus acertos e erros.

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    4. Gabriel, concordo com você, ele foi uma mente poderosa.

      Eu creio que fomos capacitados para questionar e buscar e ainda resistir as consequências, só que no campo das coisas espirituais, temos que está abrigados em Deus. É Ele que nos fortalece e que nos faz cada vez mais convictos daquilo que cremos.

      Com certeza, ele nos ensinou muito com os seus erros e acertos.

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  21. Mas o que mais é tocante nesse homem fabuloso foi a sua autodeterminação.

    Quando tão jovem começou a ser limitado pelas suas doenças, parecia que só um refúgio numa atitude pessimista da vida poderia ser seu destino; mas não,
    ele rompe com a filosofia pessimista de Schopenhauer(apesar de que há críticas contra a simplificação de chamar Schopenhauer de "pessimista" mas não vou entrar aqui nessa questão) e apesar de suas limitações, procura afirmar a vida e superar sua própria humanidade(o "além-homem) mesmo se tornando depois disso, humano, apenas humano!

    Há quem veja em Nitzs, traços do pensamento de Jesus de Nazaré, o que eu acho uma afirmativa muito interessante!

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    1. outra frase instigante dele é: “o evangelho morreu na cruz”…

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  22. Quem leu Genealogia da Moral, Crepúsculo dos ídolos e Além do Bem e do Mal não pode deixar de ficar estupefato com o barbudo ranzinza –, considerado “herege”, por ter na sua época a coragem de revelar verdades que estavam na raiz das motivações humanas, as quais no seu tempo eram insuportáveis pela maioria dos filósofos e religiosos.

    Mas, pergunto eu:

    ●Em que os sentimentos de Nietzsche diferem dos nossos, ante a sua afirmação de que a religião fornece ao crente as vantagens secundárias de que ele necessita para continuar sendo um “animal bem domesticado’”?.

    ●Em suma, não é isso que as instituições religiosas no fundo preconizam: as ovelhas servem para ser tosquiadas, para que o seu “Pastor” lucre com a comercialização de sua lã? (rsrs)

    Tenho a impressão de que todos nós temos um pouco de Nietzsche, no que concerne a essa sua afirmação : a vida jamais poderá ser esmagada pelas promessas de uma vida futura.

    Para ele a vida imortal é essa que vivemos agora.

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  23. Levi, o que muitas pessoas não conseguem, é viver a vida abundante que Jesus prometeu. Jesus não pediu que renunciássemos nada que não fosse aquilo que só nos traria prejuízos físicos e espirituais.
    Só tenho a lamentar por Nietzsche, que conseguiu ser tão infeliz vivendo em um mundo tão belo e com uma mente tão brilhante. Fica confirmado que a cultura, jamais se igualda a sabedoria que é o principio do temor ao Senhor.

    Não acho justo que você coloque todos os pastores no mesmo pacote, conheço muitos pastores que vivem uma vida simples, pobre, e que fazem belos trabalhos com as suas ovelhas. O mundo evangélico não está resumido ao que alcança as nossas vistas, além dos nossos horizontes e se tivermos boa vontade, também ao alcance das nossas vistas, vamos encontrar pastores que são capazes de darem as suas vidas pelas ovelhas.

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  24. Já houve quem fizesse uma ponte entre a "vontade de potência" de Nietzs e a "vida abundante" de Jesus.
    O problema é como se interpreta na igreja evangélica a vida abundante de Jesus, fazendo-a ser um mero moralismo. nada mais depõe contra uma vida abundante do que o moralismo cristão.

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  25. Mas para você que tem uma mente brilhante, não é necessário que se explique o que é uma vida abundante. rsrs

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    1. Tem um livro do Nietchezie que se chama "A MALDIÇÃO DO CRISTIANISMO". você aí que acredita que o Nit é cristão, leia os livros dele. Tenha conhecimento da realidade.

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    2. Tem um livro do Nietchezie que se chama "A MALDIÇÃO DO CRISTIANISMO". você aí que acredita que o Nit é cristão, leia os livros dele. Tenha conhecimento da realidade.

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