sexta-feira, 29 de março de 2013

A Ordem Moral






"É sempre possível que algo terrível me aconteça. Se acontecer, eu sofrerei. Mas não culparei ninguém. Sofrerei sem revolta, sabendo que Deus é inocente"
Rubens Alves


Por Eduardo Medeiros



NINGUÉM QUER SOFRER. O grande drama existencial é: "por que alguns sofrem e outros não"? Nunca achamos que nosso sofrimento faz sentido, afinal de contas, somos pessoas boas! Se fosse aquele patife mau caráter que estivesse sofrendo isso sim teria sentido! Mas eu e você não merecemos sofrer. Somos pessoas boas, equilibradas, justas, fazemos o bem e vamos à igreja todos os domingos. Trazemos dentro de nós um senso de justiça que estabelece que os maus devem sofrer - afinal de contas estão recebendo o que é justo - e os justos, deveriam ser recompensados por seres justos. Mas parece que são os bons e justos os que mais sofrem...

Kant dizia-se deslumbrado pelo "sentimento moral no coração do homem". Aquela consciência de que há atos bons e atos maus. Essa distinção é necessária para a ordem social humana. Os criminosos devem ser castigados, os bons recompensados. Mas se por um lado temos essa consciência moral, o que podemos dizer do universo?

Se o universo for uma ordem moral, os bons são recompensados e os maus punidos. Se assim é, temos que concluir que se alguém sofre, seu sofrimento é merecido. Lembram dos "amigos" de Jó? O sofrimento é castigo por algum ato mau praticado. Os discípulos de Jesus pensavam assim ao perguntar sobre um cego mendigando; queriam saber quem tinha pecado, ele ou seus pais, já que a cegueira, seria um castigo de Deus. Jesus foi bem claro: Nem o cego nem seus pais tinham pecado!

A verdade cruel: coisas ruins acontecem com pessoas boas e coisas boas acontecem com gente ruim! Isso nos parece um absurdo completo. Mas é exatamente isso que nos prova que o universo não é um ordem moral. Se fosse, seria um bom negócio ser bom...o brado "eu não merecia" ecoa! Quem brada, está dizendo que não era merecedor de tal sofrimento.

Mas esse pensamento só faz sentido se nós acreditarmos que os sofrimentos e os prazeres são enviados por Alguém Todo-Poderoso, que toma conta do universo. Muitos cristãos pensam assim, e logo, acham que as pessoas sofrem porque Deus quer ou por que estão pagando por algum pecado. A criança com câncer, o adolescente que morre atropelado, o velhinho doente que  morre abandonado; os terremotos, furacões, tudo isso viria de Deus, e se ele quisesse, poderia ter evitado.

Como alguém pode crer e adorar um Deus assim?


_______________________
baseado num artigo que li da autoria

do Rubens Alves

38 comentários:

  1. o comentário que pesquei do texto anterior do Mirandinha e que está aí no "Comentário da hora" cai bem com este texto.

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  2. Nobre Amigo Eduardo e demais Confrades,

    Este tema é deveras interessante. Falar sobre sofrimento, é algo que talvez muitos aqui, isto se não todos, podem falar por experiência. Quanto a origem, os níveis, as esferas, e a forma como cada um trata sobre, pode ter algumas divergências.

    Geralmente associamos o sofrimento unicamente ao mundo material, ao aqui, ao agora, aos problemas sociais que diariamente enfrentamos, o sofrimento em relação a pobreza, o sofrimento em relação a doenças, sofrimento em relação as guerras, o sofrimento em relação a velhice, o sofrimento em relação ao fracasso profissional, o sofrimento em relação ao insucesso do casamento e por aí vai. Tudo que norteia nosso viver esta sempre nos levando ao sofrimento, e além do sofrimento material, há ainda os sofrimentos associados a razão e a psique humana, os que de fato, mais nos castigam e nos levam aos extremos. Desta forma, em uma rápida análise no contexto em que se encontra a humanidade, é impossível não considerar o sofrimento de nossas almas em relação aos fatores que estamos submetidos. A grande necessidade que nos impõe o mundo de sermos notados, percebidos, de termos razão, nos levam a viver diante de um espelho, onde o que enxergamos é exatamente a imagem daquilo que somos, e assim, quando algo foge do nosso controle, passamos a sermos estrelas em um longo e eterno drama, uma história que se incendeia quando estamos em constante discordância entre o que queremos parecer que somos, e o que de fato sabemos e temos convicção que somos, saber quem se é, em meio ao mundo materialista que estamos inserido é assustador e desesperador, ocasionando em um sofrimento interno tenebroso, nada tendo haver com a existência de deus ou não.

    Eu até comecei a escrever um artigo sobre o sofrimento humano, mas não dando ênfase a questão do sofrer em si, mas sim na do "desespero" que leva ao sofrimento. Um assunto cabuloso, que deixei um pouco de lado. Mas que provavelmente, com os comentários dos confrades, e a somatória de ideias, ele se conclua. Pois nada é tão simples como poderia parecer, a se fosse tudo como a gente quer.

    "se fosse assim tão simples! Se houvesse pessoas más em um lugar, insidiosamente cometendo más ações, e se nos bastasse separá-las do resto de nós e destruí-las. Mas a linha que divide o bem do mal atravessa o coração de todo ser humano. E quem se disporia a destruir uma parte do seu próprio coração?"

    Alexander Solzhenitsyn

    Há... Um ótimo feriadão a todos.




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  3. Há... Me desculpem o português, estou um pouco embreagado... Mas é só um pouco... Ainda consigo pensar, quer dizer, isso sou eu que estou achando kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  4. A aleatoriedade dos eventos existenciais é uma verdadeira "roleta russa", não existe apólice de seguro...

    Fazer Deus avalista das benéfices em detrimento dos malefícios, é no mínimo chamá-lo de desonesto e irresponsável...

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  5. Nobre Amigo Franklin,

    Concordo plenamente com o amigo, ao dizer que tudo parece semelhante a uma roleta russa, sem apólice de seguro.

    O complicado é que as pessoas sonham com uma vida sem sofrimentos, como se fosse um dever da divindade para os que creem, ou dos seus esforços para os incrédulos, enquanto na verdade, o que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões e problemas que acarretam em sofrimento, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. O ser humano precisa não de "homeostase", mas daquilo que Viktor Frankl chamou de “noodinâmica”. Ou entender o que sabiamente disse Nietzsche:

    “Quem tem um por que viver pode suportar quase qualquer como”

    Ou ainda como mencionou um psicanalista brasileiro que agora me fugiu o nome (mas irei procurar para confirmar a autoria),

    “Não se trata da busca de um, mas da busca do sentido”

    Tipo aquela história da diferença entre, "esperar da vida", "e a vida esperar de mim".

    Vou indo, rapazeada, jogar um futebas... Mas na sequência to por ai, e trago a fonte da frase citada. Acordar de ressaca, deixa os miolos um pouco afetados kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  6. Essa mecânica de fazer o bem e receber o bem, realmente não se confirma na pratica. Mas não podemos evitar de achar, que existe uma regência sobre nossas vidas. Dessa noção não podemos nos desvencilhar. Acredito que essa sensação é a que mais contribui para a crença em algo alem dessa vida.

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  7. Nobre Amigo Gabriel,

    É interessante o que diz Kierkgaard sobre esta questão de se possuir crença em algo além desta vida, no ponto de vista cristão.

    Em sua obra ‘Desespero Humano’ de 1849, ele trás a tona uma dialética de fato intrigante, apaixonante e muito pertinente quando analisamos a condição da natureza humana em relação a tudo que envolve seu ser, e o meio em que se encontra inserido. Ele propõe que “desespero ou sofrimento é a doença, e que morrer para o mundo é o remédio” (Desespero Humano pág. 190). Partindo desta premissa, Kierkgaard introduz a ideia do desapego em relação ao que provoca e impulsiona o ser ao sofrimento e o desespero, sendo a morte, a única forma de se vencer a angústia do desespero. É fundamental adquirir a compreensão de que todos nós somos reféns do desespero e do sofrimento por hora ou outra, sem que isso esteja ligado a nossa conduta necessariamente, e desta forma morreremos aos poucos pela não compreensão da morte em relação ao que nos desespera, tendo a idéia de morte associada ao desapego como uma espécie de morte libertária para assim termos condições de sermos nós mesmos, sem a submissão aos fatores que nos levam a viver aprisionados aos desesperos que norteiam o mundo. A única via de saída então, seria morrer para o mundo, no sentido do desapego. Nada tendo haver com colheita, mas uma decisão para o agora, sendo a vida futura, apenas um incentivo para a pratica do bem, eu na verdade não concordo muito com isso. Pois se torna um mecanismo de barganha, tipo, vou ser bom, porque desta forma não vou sofrer. Uma troca de favores, sem desejo natural.

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  8. O psicanalista e teólogo Rubens Alves, certa vez, respondendo a fatídica pergunta , se acreditava em Deus, nada pode dizer. Para ele o “problema estaria nesse verbo simples cujo sentido todo mundo pensa entender e acreditar.

    Para Freud, a palavra Deus remete a figura paterna que premiava o filhinho pelas boas ações e castigava pelas más. Para ele, o Deus do crente não passa de um a projeção dos seus desejos de amparo, de medo ante um Pai imaginário que pode castigar com o MAL e premiar com o BEM.

    O fato é que não se pode negar que o conjunto de nossos afetos e de nossas “ligações e re-ligações” conserva em si mesmo alguma coisa desse éden em que vivíamos quando criança. A saudade desse tempo, nada mais é que um pequeno afluente de um Rio, que quase não nos lembramos mais. De certa forma, é sobre esse nosso passado que se edifica o presente.

    As recordações das angústias primitivas se vêem refletidas no existencialista que, hoje, se encontra só e desamparado.

    Sobre a emblemática frase que o Eduardo fez, acredito, para ele mesmo, no desfecho do seu texto (rsrs):
    Como alguém pode crer e adorar um Deus assim?

    Fico com o Rubens Alves, que fugia do lugar comum de definir Deus, porque no fundo sabia que uma ligação primitiva de caráter afetivo sempre permanece em nós, agora adultos, e é expressada conforme a cultura em que o sujeito encontra-se inserido.

    Guardo comigo um trecho poético e psicanaliticamente perfeito do Rubens:

    "Somos donos de nossos atos,
    Mas não somos donos de nossos sentimentos:
    Somos culpados pelo que fazemos,
    Mas não somos culpados pelo que sentimos;
    Podemos prometer atos,
    Não podemos prometer sentimentos...
    Atos são pássaros engaiolados,
    Sentimentos são pássaros em voo".

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    1. (Y) (Y) (Y) (Y) (Y) (Y) (Y) O mago é PHoda!

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    2. Pô, num sai "jóinha" nessa joça! rs

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    3. Nobre Amigo Levi,

      Psicologicamente, segundo Jung podemos afirmar que tudo o que é negado ou reprimido volta de forma obscura e com poderes muito mais elevados do que outrora. Então, negar o mal é correr o risco que ele volte com poderes obscuros e muito mais destrutivos. Porque o que é negado ou reprimido, sob a luz da psicologia, não desaparece, apenas fica recolhido no inconsciente, acumulando energia até eclodir, geralmente de maneira explosiva e traumática, em um futuro breve.

      Já que não podemos negar o mal, pensa-se que a melhor atitude que a psicologia deve tomar é tentar entender o sentido e o significado da sua existência. E, geralmente concluímos que sua presença possibilita crescimento, apesar da dor e das crises que ele provoca. O que o amigo diz acerca disto???

      Alguns psicólogos defendem a ideia de que o mal não é realmente mal, já que no final ele pode possibilitar ou se transformar em bem. Minha outra pergunta é: Se esta ideia é coerente, como analisar, e como é que acontece o processo de transformação???

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  9. Ótimas colaborações, caros confrades.

    O grande problema do mal na teologia cristã nunca foi resolvido a contento ao meu ver, apesar de nosso confrade ausente João dizer que tudo foi resolvido em Agostinho. Foi?
    O autor do livro de Jó já se debruçava sob essa questão. Por que o justo Jó sofria? A "aposta" de Javé com Satan nos parece totalmente despropositada. Ele quer provar a Satan que mesmo nos piores sofrimentos Jó continuaria adorando a Deus sem reclamar. Mas jó reclamou, e como reclamou...peitou a Deus querendo explicações do seu sofrimento, mas não teve resposta alguma.

    O problema está exatamente no sistema religioso de um Deus pessoal que se envolve com suas criaturas, abençoando-as ou amaldiçoando-as. Quando um "justo" sofre, não sabemos por que Deus desejaria isso e quando um "ímpio" prospera e é feliz, isso nos incomoda, Deus não estaria vendo essa injustiça?

    Cumpre-nos perguntar se a vida de fato teria tanto valor se nós não tivéssemos o sofrimento. Sofrer é a lembrança de que estamos vivos. Estar vivo é buscar a cada momento ser feliz através do sentido que damos às nossas vidas, mas isso só se faz na possibilidade sempre presente de tudo dar errado.

    O cristão, se for sábio, deixará Deus fora dessa. Não exigirá dele justiça para o bom que sofre e para o mau que está feliz. Entenderá que o sofrimento nos faz "viver". É por isso que o Nirvana budista ou o céu cristão ou a ataraxia filosófica é a negação da vida. Quem pode experimentar de fato felicidade se não tem como perceber mais a sua ausência?

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    1. Bem dito, Edu

      O céu cristão, como comumente se pensa, é a negação da vida.

      Como é viver em uma completude eterna
      , sem o vazio ou a falta que provocam em nós o DESEJO? (rsrs)

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    2. A corda bamba é nosso habitat natural. Devemos e podemos ser felizes sobre ela, mas sabemos que ela não é o fim, ela liga um lugar a outro lugar e nesse percurso nossa maior motivação é o medo de cair.

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    3. Nobre Amigo Gabriel,

      Vou fazer uso de uma "verborragia" sem-vergonha aqui rsrsrsrs

      "A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz" Freud

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    4. Amigo Matheus,
      Eu realmente não dei conselho. Minhas palavras tentavam dizer algo referente a questão da completude levantada pelo Levi. Minha real intenção era dizer que, nosso papel não é buscar completude. Se em algum lugar está escrito que alcançaremos a completude nos resta esperar ou não. Sabendo que só pode ser algo de ordem magica, visto que nem de longe podemos imaginar como e o que possa vir a ser isso.

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  10. Chegando tarde no pedaço e nem por isso deixando de dar meus palpites.

    A questão do sofrimento muito bem colocada em Jó reverbera, como sabemos, na doutrina antiga da retribuição: quem é justo é recompensado, quem não é, é sofredor.

    Bem colocadas as palavras do confrade EDUARDO quando lembra da passagem do cego mendicante: "queriam saber quem tinha pecado, ele ou seus pais, já que a cegueira, seria um castigo de Deus. Jesus foi bem claro: Nem o cego nem seus pais tinham pecado!"

    Por outro lado, e como ele também lembra (para nosso desconsolo) há muita gente boa que sofre e muita gente ruim que leva muita coisa de vencida.

    Onde a justiça de tudo isso? Não há justiça alguma na verdade, e temo que os antigos judeus ficavam encalistrados com este problema, porque é óbvio que por lá também havia gente boa sofredora e gente ruim com benesses (o próprio Livro de Jó é uma alegoria neste sentido).

    Pois bem, mas então onde a ordem de tudo? No meu modesto sentir, tudo passa pela "essência" e pelos "acidentes". Somos diferentes nos acidentes: ricos, pobres, feios, bonitos, aleijados, perfeitos, inteligentes, estultos, altos, baixos, negros, brancos, enfim, ficaria a noite inteira aqui citando acidentes e não os exauriria.

    Mas, de outra banda, somos iguais na essência: todos somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança, e a quem Deus não faz acepção deste ou daquele, do judeu ou do pagão, do branco ou do negro.

    Ora, se somos iguais na essência e diferentes nos acidentes, me parece claro que em algum lugar (que tenho é o Reino dos Céus) as coisas hão de se compensar.

    Talvez por conta disso mesmo o Livro da Sabedoria nos dê algumas pistas sobre isto. No excerto o escriba fala sobre morte prematura, mas tenho que a ideia pode servir para qualquer assunto que queiramos travar nestas bases. Ei-la:

    "O justo, embora morra cedo, acha repouso. A velhice venerável não é a que é dada por longos dias, nem se mede pelo número dos anos: inteligência vale por cabelos brancos, vida sem mancha vale vida longeva. Agradou a Deus e Este o amou; como vivia entre pecadores, foi transferido. Foi retirado para que a malícia não alterasse sua inteligência, nem a fraude seduzisse sua alma. Pois o fascínio do mal obscurece o bem, o turbilhão da paixão arruína um espírito sem malícia. Chegado em breve tempo à perfeição, ele completou uma longa carreira, sua alma era agradável ao Senhor, que se apressou em tirá-lo dentre os maus" (Sb, 4, 7-14).

    Uns mais cedo, outros mais tarde, uns mais ricos, outros mais pobres, uns remediados, outros ainda miseráveis, uns sortudos, outros azarados: os muitos que forem eleitos haverão de ajustar suas contas e todas essas coisas serão compensadas de modo que fique a essência do ser humano, só reste o que for verdadeiramente importante, descartando-se tudo o que é acidental e desvalido aos olhos do Além, embora tão caros e importantes neste mundo tão fútil.

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  11. Nobres Amigos Confrades,

    Um dos fatores a se destacar quando discutimos esse dualismo "bem e mal" é o que de fato nos permite denominar como bom ou como mal, e isto me parece cair em um "relativismo" sem tamanho. Embora todas as linguagens possuam uma palavra expressando bem no sentido de "ter a qualidade certa ou desejável" e mal no sentido de "indesejável", a noção de "bem e mal" num sentido moral ou religioso absoluto não é antigo e nem decretado como irrefutável. Ele surge por meio das noções de purificação ritual e impureza. Os significados básicos de "ruim, covardemente" e "bom, bravo, capaz" e seus significados supostamente "absolutos" surgem somente por volta de 400 a.C., com a filosofia pré-socrática, por meio de Demócrito para ser mais especifico.

    A moralidade em seu sentido absoluto solidifica-se nos diálogos de Platão, juntamente com a emergência do pensamento monoteísta (principalmente em Eutifro, o qual pondera o conceito de piedade, como um absoluto moral). A idéia é posteriormente desenvolvida na Antiguidade tardia, no Neoplatonismo, Gnosticismo e pelos Pais da Igreja. Partindo desta introdução histórica, temos toda essa lenga-lenga que é discutida hora ou outra por nós, e por boa parte dos seres humanos (ou não rsrsrsrs).

    Este desenvolvimento do relativo ou habitual, para o absoluto é também evidente nos termos ética e moralidade, ambos sendo derivados de termos para "costume regional", logo, aplicar os conceitos e as ideologias bíblicas para tornar esse dualismo absoluto é um equivoco, haja visto, termos pelos menos mais de 4 bilhões de pessoas (cerca de 60% do planeta) que não compartilham desta ideia, e estão debaixo da mesma chuva.

    Penso que ao Confrade Eduardo dizer que o Confrade João, afirmu tudo estar resolvido em Agostinho, se referia a afirmação abaixo:

    “É impossível que o mal provenha de Deus, uma vez que ele pode ser considerado como o absoluto Bem. Tampouco o mal pode provir de outro poder, pois este, ao efetivar-se, suplantaria o poder divino; uma vez que Deus é onipotente, isto não pode se dar. Diante dessas impossibilidades, Santo Agostinho concebe o mal como privação, ou como movimento em sentido contrário ao Ser, à Criação e à Deus. A alma humana é dotada de livre-arbítrio; assim, pode afastar-se do Criador. Tal afastamento, como movimento de modificação, constitui o mal. Contudo, não é pelo mesmo caminho, isto é, pela escolha humana, que a alma se reaproxima de Deus. A salvação somente pode vir mediada pela graça divina, uma vez que Deus é a única e absoluta fonte de todo bem. O homem é capaz de, por si mesmo, distinguir o certo do errado; mas somente a graça permite ao homem consumar o bem, transformando-o em fato. Esta tese serve para conciliar duas noções aparentemente contraditórias: por um lado, a liberdade de escolha humana e, por outro, a onipotência divina, e o fato dele ser o Bem por excelência”

    Mas ainda assim, é uma explicação, e uma definição cristã. Logo, pergunte a um espirita se ele irá concordar? Para um muçulmano? Para um ateísta? Para um agnóstico? Para um budista?

    O leque é muito maior que a "cristandade ou o cristianismo".

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    1. Grande amigo Matheus,
      Onde é que a figura de Deus é cristã?
      Se existirem ETs no outro lado do universo, se existirem, isto é possível pois nós existimos, eles independente do grau de evolução espiritual ou tecnológica, falam de um DEZUSGAM ou coisa que o valha. Que no final das contas, é o nosso bom e velho Pai barbudo. Neste sentido Agostinho está mais para um ET do que para um cristão. Eu te agradeço por trazer aqui esse trecho que eu não conhecia. O li e vi algo que se fecha numa logica completa e que é tão cristão quanto possa ser um ET.

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    2. Nobre Amigo Gabriel,

      Quem foi Santo Agostinho? Um filósofo cristão dos primeiros séculos da igreja. Pois bem, acredito eu, que todos os conceitos trabalhado por ele, tenha a conotação cristã, principalmente sua visão acerca de Deus. Logo, é quase que impossível, desvincular a figura de Deus em Agostinho, de uma visão cristã.

      Mas vamos lá, vamos falar de forma mais detalhada sobre esta abordagem teológica (de cunho cristã) acerca do mal... Você já ouviu falar de "Summum Bonum e Privatio Boni"???

      A cristologia ocupou quase que totalmente o pensamento da teologia cristã e a questão do mal não foi resolvida. Desta forma, ainda hoje não conhecemos nada de definitivo sobre a natureza do mal, dentro do cristianismo, como também são raras as declarações de alguma doutrina oficial com relação a problemática do mal. Apesar de não haver nas igrejas cristãs uma concentração na problemática do mal, esta não foi deixada de lado. Ao contrário, sempre esteve presente entre os teólogos cristãos, independentemente de época, autor ou influência filosófica. Ao tratar sobre as relações e as questões da dimensão do mal, estas duas doutrinas que mencionei (Summum Bonum e Privatio Boni) se mesclam e se interligam. A primeira, Summum Bonum, é uma concepção de que Deus é totalmente bom, que é o sumo bem. A segunda, Privatio Boni, coloca o mal à ausência ou à diminuição do bem do Deus totalmente bom.

      O aparecimento da doutrina do Summum Bonum tem origem em um passado muito distante, mas isso não impediu, a nosso ver, que ela tenha sido a razão e a origem do conceito da Privatio Boni. O conceito da Privatio Boni, ligado ao de Summum Bonum, encontra seu ápice em Basílio Magno (330-379), em Dionísio Areopagita (segunda metade do século IV) e em Agostinho (aquele que citamos lá no principio, e que lhe levou a imaginar nele um deus não cristão). Taciano, antes de tudo isso, no século II, afirmava que “nada de mal foi criado por Deus, nós é que praticamos toda espécie de injustiças”. Dessa forma, Taciano antevê um princípio formulado depois, que “todo bem procede de Deus e todo mal provém do homem”. Consoante a opinião de Taciano, também se encontra Teófilo de Antioquia no século II.

      Orígenes, no século III, pelo menos de maneira implícita, já está comprometido com a definição de que Deus é o Summum Bonum e tende a negar a substancialidade do mal, “... um destes dois extremos, e precisamente o que é bom, [que] se chamasse Filho de Deus, por causa da excelência de sua bondade...”. Como também “... as potestades, os tronos, as dominações e até os espíritos maus e os demônios impuros não o possuem de forma substancial [...] eles não foram criados maus...”. “É certo, portanto, que ser mau significa estar privado do bem. Afastar-se, porém, do bem nada mais é que consumar o mal”.

      Em Basílio se encontra, de maneira mais clara, a questão da insubstanciabilidade do mal. Ele afirma que não devemos

      "Pensar que o mal tem substância própria, pois nem a maldade existe como ser vivo, nem admitimos que o mal seja sua entidade substancial. O mal é uma negação do bem... O mal, portanto, não se fundamenta em uma existência própria, mas decorre da mutilação da alma."

      Ja na sua segunda Homilia in Hexaemeron, Basílio afirma que,

      “O mal não é uma substância viva e animada, mas um estado de alma, contrário à virtude, por causa da apostasia do bem que provém dos negligentes”

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    3. continuação da explanação sobre o "Summum Bonum e Privatio Boni"...

      Tito de Bostra (falecido cerca 370) diz que “não existe o mal no que diz respeito à substância”. Quando se atém ao significado da palavra “substância”, vê-se que o mal não a possuindo, não possui nada que o suporte ou que o alicerce para ser ou existir por si próprio.

      João Crisóstomo (cerca de 344-407), diz que “o mal outra coisa não é que um desvio do bem e por isso o mal é posterior ao bem”.

      Severino Boécio (data desconhecida), apesar de ser um senador romano, “revela uma influência cristã na tentativa de explicar a existência do mal num mundo dirigido por Deus”. Ele diz que,

      "Deus é mesmo o bem, como o afirma e confirma o consenso humano. Indubitavelmente é Ele o bem, por ser o melhor entre todos. Ele é o bem supremo. Deus, ser soberano, possui em si mesmo o bem supremo e perfeito"

      Dioníísio Areopagita diz no capítulo 4º de De Divinis Nominibus que “o mal não pode provir do bem, porque se dele viesse, não seria mau. Mas como tudo o que existe deriva do bem, todas as coisas são boas de algum modo”, e que o “o mal por sua própria natureza nada é e nem produz algo de real”. “O mal não existe de forma alguma e não é bom nem benéfico”. “Todas as coisas são boas e procedem do bem, na medida em que existem; mas não são boas nem existem, na medida em que foram privadas do bem”.

      O que não existe, não é totalmente mau. O que não é, nada será, a menos que seja concebido como existindo no bem de um modo supra-existencial. O bem, por conseguinte, quer enquanto existe, quer enquanto não existe, está situado numa posição incomparavelmente mais proeminente e elevada, ao passo que o mal não está presente nem no que existe, nem no que não existe.

      Também em Agostinho, as noções das doutrinas Summum Bonum e Privatio Boni se apresentam. Numa de suas obras contra os maniqueus e os marcionistas, dá a seguinte explicação,

      "todas as coisas são boas porque umas são melhores do que as outras e a qualidade das coisas menos boas faz crescer o valor das boas... Mas aquelas que chamamos más, são falhas da natureza das coisas boas e nunca podem existir absolutamente por si mesmas, fora das coisas boas... Mas até mesmo estas falhas testemunham a bondade da natureza dos seres, Com efeito, o que é mau por alguma falha essencial, é verdadeiramente bom por natureza. A falha essencial, com efeito, é algo contra a natureza, porque prejudica a natureza. E não poderia prejudicar, senão por diminuição de sua bondade. Por conseguinte, o mal nada mais é do que a ausência do bem. E por essa razão só se encontra em alguma coisa boa. E é por isso que as coisas boas podem existir sem as coisas más, como, por exemplo, o próprio Deus e todos os seres celestes superiores: não são maus, se, porém, prejudicam, diminuem o bem e se continuam a prejudicar, é porque encontram ainda algum bem que podem diminuir; e se o consomem todo, a natureza já não tira mais nada que possa ser prejudicado, por isso, quando já não houver uma naturezas cujo bem diminua, ao ser prejudicado, também já não existirá mal algum para prejudicar."

      O Libe Setentiarium Ex Augustino diz que “o mal não é uma substância (entidade autônoma), pois não existe, porque Deus não é o seu autor”

      Agostinho pergunta o que vem a ser o que chamamos de mal, senão a privação de um bem? Todos os seres são bons, uma vez que o criador de todos, sem exceção, é soberanamente bom. O que chamamos de mal não existe se não existir bem algum. Nunca poderá existir mal algum onde não exista nenhum bem.

      Em suas As Confissões, Agostinho também coloca as mesmas idéias norteadoras do Summum Bonum e da Privatio Boni, ele diz “quem entra em ti, entra no gozo de seu senhor, e não temerá e se sentirá sumamente bem no sumo bem”

      Quando fala sobre Deus e o mal, Agostinho diz que, “Refletia.. Quem me criou? Por acaso não foi Deus, que não é só bom, mas a própria bondade”.

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    4. Finalizando explanação sobre o "Summum Bonum e Privatio Boni"...

      Ao comentar sobre a substância de Deus em suas As Confissões, Agostinho se vale novamente do conceito de Summum Bonum, ele diz “Nosso Deus, porque ele é Deus, não pode querer senão o que é bom, e ele próprio é o sumo bem”.

      E ainda em suas As Confissões, em “sobre o mal e o bem da criação”, diz que “tudo o que existe é bom; e o mal, cuja origem eu procurava, não é uma substância, porque, se fosse substância, seria um bem”.

      Até Tomás de Aquino, com seu aristotelismo diferenciado do platonismo agostiniano, mostra influências da Privatio Boni. Ele diz que “é impossível que o mal signifique algum ser, ou alguma forma ou natureza. Portanto, é necessário que com a palavra “mal”, se designe alguma carência de bem”. E, logo em seguida, que “o mal não é um ente; o bem, sim, é um ente”.

      Johannes Hirschberger, reconhecido historiador da filosofia, ao comentar sobre a questão de Deus e o bem em Tomás de Aquino, diz que “Deus é o ser pelo qual somos o que somos, nosso ser e o nosso bem”.

      Atualmente, depois de séculos, a Teologia Cristã continua embebida nas doutrinas do Summum Bonum e da Privatio Boni, pois o Concílio Vaticano II afirma que “O homem, olhando o seu coração, descobre-se também inclinado para o mal e mergulhado em múltiplos males que não podem provir do seu Criador que é bom”. Como também que Na Sagrada Escritura, portanto, manifesta-se, resguardada sempre a verdade e santidade de Deus, a admirável “condescendência” da eterna sabedoria, “a fim de que conheçamos a inefável benignidade de Deus”.

      No que pudemos perceber, segundo estas doutrinas, Deus é um ser que é o bem supremo, o soberanamente bom, o sumo bem que, por assim ser, só produz o bem. Ele é o Summum Bonum e o mal nada tem com ele.

      Se busca uma explicação cristã para o mal, eis a mais completa, embora não concorde de fato, é uma explicação interessante Gabriel.

      Fontes utilizadas:

      Agostinho, As confissões
      Tomas Aquino, Summa Theologica
      Compêndio do Vaticano II. Constituições, decretos e declarações, Introduções e índice analítico de Frei Boaventura Klopreoburg
      Johanes Hirschberger, História da Filosofia na Idade Média

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    5. Amigo Matheus,
      Sou uma pessoa simples e ordinária, que nem por isso acredita que não tem nada a dizer. Falo e falarei com simplicidade dos temas aqui levantados pelos amigos. Falo amistosamente de ideias e pensamentos, por entender que isso possa ser útil ao nosso espirito e por achar que esse é o proposito desse espaço. E é de forma simples que afirmo, Deus não é cristão, isso é fato! E é esse fato que eu procurei lembrar ao amigo.

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    6. Nobre Amigo Gabriel,

      Longe de mim, lhe constranger, ou minimizar sua contribuição. Se assim me pareci, me perdoe amigo. E nisso concordo com você,Deus não é cristão. Mas na visão de Agostinho ele é, e sendo assim, dei enfase na questão, pois me pareceu que o amigo tinha expressado a ideia de que o Deus de Agostinho não era cristão.

      Mas 'pelota' para frente meu amigo.

      Fraterno abraço.

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    7. Amigo Matheus,
      Não é questão de constrangimento, seria mais de lamento. Me assusta a ideia de que o conhecimento venha a ser instrumento de confusão. Isso a proposito seria um exemplo de manifestação do (M)mal.
      É claro sei que esse não é seu caso.
      E não é caso de desculpa! O importante é o nosso bate-bola aqui!
      Abraço fraterno.

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  12. Edu,

    Um texto excelente para reflexão. Mas que dependendo do rumo que a conversa tomar pode ferir o senso cristão, sobretudo quando nos vemos diante da necessidade de fazer novas concepções da divindade para quem sabe encontrarmos algumas respostas àquelas perguntas intrigantes. Muitos ao nos verem fazendo ponderações ousadas poderiam até acusar-nos de depreciadores de Deus. De estamos desmerecendo sua criação, e que é ultrajante inquirir dEle respostas que foram reservadas para a eternidade. Porque divergir criando estas arestas com o dono do universo e bla-bla-bla...

    Mesmo seguindo o senso comum cristão do Deus pessoal, não acredito que Deus vê algum problema nestas indagações que invadem nosso pensamento. De querer entender as RAZÕES METAFÍSICAS escondidas atrás do sofrimento. Muito pelo contrário. Até considero oportuno o seu convite: “Venham, vamos refletir juntos”. O problema é a codificação simplista proposta pela religião.

    Diante de tantas coisas sem sentido que acontecem no mundo, o melhor seria aceitar com resignação e acalentar o coração com total quietude, e mergulhar nossa compreensão de existência nas águas tranquilas da lei da causalidade, como fazem os japoneses por exemplo. Mas a questão é que não somos budistas e nem orientais. Nossa dialética de vida é muito diferente da deles. Para nós a existência não é cíclica. Não concebemos a ideia de sofrimento como sendo efeito de vidas passadas e nem como um elemento purificador que permitirá usufruir de uma vida melhor no próximo renascimento.

    Na teologia das religiões do livro, nossa existência é linear. Por isso essa nossa consternação com as tragédias e sofrimento. Não aceitamos a morte de uma criança. Não aceitamos a ideia de “vida bela” se esta estiver envolta em sofrimento. Sobretudo quando se trata de um justo.

    E por falar em justos que sofrem:

    “Há mais uma coisa sem sentido na terra: justos que recebem o que os ímpios merecem, e ímpios que recebem o que os justos merecem. Isto também, penso eu, não faz sentido.”
    Eclesiastes 8:14

    Será que de fato o crime não compensa?

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  13. Escrevi a algum tempo, não sei se aqui mesmo na confraria ou no Face, que não gostaria de me transformar num agnóstico, apenas sensibilizado pelo mistério da existência. Mas que na tarefa nada simples de organização dos meus pensamentos já andei flertando com o deísmo, exatamente por concluir que esta posição oferece uma solução definitiva para livrar-nos de alguns impasses que cansam minha mente preguiçosa, principalmente no que se refere à existência do mal e do sofrimento no mundo.

    Neste aspecto, nossa reflexão partiria da premissa de que Deus nos criou e nos colocou neste mundo cheio de leis naturais que em via de regra foram estabelecidas para nos “quebrar”. Nos colocou num planeta estacionado na periferia do universo, que mais se parece com um barril de pólvora pronto para explodir a qualquer momento, onde de vez em quando, algum entulho cósmico em forma de asteróide passa “raspando” nossa cabeça para aumentar ainda mais nossa emoção em torno da expectativa apocalípitica. Como se tudo isso não bastasse, permitiu que o “diabo” permanecesse entre nós, para aguçar no homem cada vez mais o desejo de praticar todo tipo de maldade.

    E Deus “lá”, envolto em sua transcendência, indiferente a tudo que “rola” por aqui...

    Seria tudo mais simples assim. Mas será que... não seria simples demais?

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    1. Nobre Amigo Donizete,

      Me recordo deste comentário feito pelo Confrade no debate relacionado ao texto do Boff que se referia a "panteísmo e panenteísmo". Embora me pareça um posicionamento confuso, do tipo, "estou em cima do muro, querendo me jogar de cabeça para algum lado, mas as consequências me preocupam", não posso lhe julgar, pois me encontro na mesma condição rsrsrsrsrs

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  14. “Alguns psicólogos defendem a ideia de que o mal não é realmente mal, já que no final ele pode possibilitar ou se transformar em bem” (Matheus)

    Realmente, Matheus, na psicologia junguiana aquilo que se tem como “mal” pode ter uma função estruturante em nosso desenvolvimento.

    A inveja é sempre estigmatizada como um afeto ruim, mas sua atuação pode perfeitamente deixar de ser destrutiva para ser construtiva. Tomemos o exemplo de uma funcionária que recebe a notícia de que sua amiga foi promovida. Nesse momento, a função da inveja pode ser ativada de forma construtiva ou benéfica, fazendo com que a interlocutora da pessoa que recebeu a promoção, busque conhecimento para também ser promovida em sua função.

    A inveja destrutiva ocorre, quando o invejoso faz de tudo para que o outro não consiga sua promoção.

    Não sei se fui mais ou menos claro. (rsrs)

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    1. Nobre Amigo Levi,

      Isso me parece ser algo relacionado a nossa "sombra", e nosso encontro com ela. Jung diz.

      "Que o encontro com a sombra desafia a personalidade do Eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem despender energias, sejam boas ou más. Mas nesta tomada de consciência da sombra tarta-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento e por isso, via de regra, ele se defronta com considerável resistência (por isso) é um trabalho árduo e necessário, pois quando a Sombra é ignorada e incompreendida ela se torna hostil."

      Sendo a sombra uma parte que não se reconhece, ela também pode assumir um lado positivo, como no exemplo citado pelo confrade, quando, raramente, o indivíduo dá livre curso ao pior lado de sua natureza, reprimindo o que nela há de melhor. A Sombra também possui coisas boas, mas o que geralmente ocorre é que tentamos esconder o nosso lado sombrio e não o outro. Quanto mais a sombra é afastada da consciência, mais ela se torna espessa e negra. Na neurose, a sombra é densa e o único caminho saudável é a convivência da consciência com a sombra.

      Eu penso ser o exemplo da mulher invejosa em ambas as esferas "positiva e negativa" bem coerente em relação a convivência ou não da consciência com a sombra.

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    2. É isso aí, caro Matheus.

      Quando não sabemos lidar com nossa sombra ela se reflete negativamente em nosso relacionamento.

      A sombra não se expulsa, se re-integra para gerar equilíbrio psíquico.

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  15. Nobre Amigo Levi,

    Neste caso, poderíamos afirmar que o mal surge com a não compreensão do homem acerca de si mesmo. Ou seja, "o mal nada tem com deus, e sim com o homem".

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  16. Matheus, bela aula sobre o tema no pensamento dos filósofos cristãos. Podemos perceber a fragilidade do pensamento cristão de que Deus é o sumo bem e que o mal não existe como substância. Se o mal é a privação do bem, logo o mal só existe por que Deus, que é sumo bem, limitou-se permitindo o mal. a conta não fecha. melhor seria seguir a teologia de Isaías que declara enfaticamente que Deus cria a luz e as trevas, que sara e fere, ou seja, faz o bem e faz o mal segundo seus propósitos.

    Eu prefiro pensar que o bem é tudo aquilo que promove a vida e o mal, tudo aquilo que a nega. Por isso Deus está fora da questão.

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  17. Doni, depois de muitos anos matutando na teologia cristã, cheguei à conclusão de que o Deus deísta é pior do que o Deus teísta, mas ambos são inviáveis. (pior no sentido da argumentação como explicação para a existência)

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  18. "O homem não foi criado para ficar separado do seu Criador; por isso ele suspira, ansiando por seu lar. A criação não foi feita para ser habitada pelo mal; por isso ela suspira, desejando o jardim. E as conversas com Deus não foram idealizadas para depender de um tradutor; por isso o Espírito geme em nosso favor, esperando pelo dia em que humanos verão a Deus face a face."

    Quando Jesus olhou nos olhos da vítima de satanás, a única coisa apropriada a fazer era suspirar. "Não foi planejado desse modo", dizia o suspiro. "Seus ouvidos não foram feitos para ser surdos; sua língua não foi feita para gaguejar". O desequilíbrio de tudo isso levou o Mestre a se entristecer.

    Max Lucado

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  19. "A criação não foi feita para ser habitada pelo mal" (Max LUcado). Bem, o Lucado é um ótimo escritor de devocionais e autoajuda evangélico mas não é um teólogo. Esperaria que depois de uma afirmação dessas, ele fosse desenvolver do porquê o mal existe na criação já que Deus não colocou o mal ali.

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    1. EDU e GUI

      Esse Carnaval (mal-me-quer-bem me quer) teve início dentro do próprio homem primitivo que, no mito da criação do livro de Gênesis, está representado pela figura de linguagem denominada - CÉU.

      O mal na figura de Satanás (ou serpente), e o Bem, na figura de Javé, continuarão sendo abordados em um texto carregado de humor sadio que irei postar quando os comentários aqui escassearem. (rsrs)

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    2. A criação não foi feita para ser habitada pelo mal, tem todo sentido. O mal veio como consequência da desobediência do homem. Quando Deus disse: Não coma... ficou explicito que haveria uma consequência, tanto, que até ali eles haviam obedecido a ordem Divina.

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