sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sobre a Cegueira Psicogênica (*)




Por Levi B. Santos 


Antônio Quinet, autor de várias obras no campo da psicanálise, em seu livro “Um Olhar a Mais” (Editora Jorge Zahar), sobre a perturbação psicogênica da visão, escreveu algo que merece uma profunda reflexão, ― baseada no que Freud descreveu em sua época, como Cegueira Histérica. Diz ele: “as pessoas histericamente cegas só o são no que diz respeito à consciência; em seu inconsciente elas vêem” (página 198). Certo é que afetos ou desejos que foram recalcados no inconsciente encontram na visão, uma válvula de escape ou de descarga de sua energia.

No caso da cegueira histérica, diz Freud: “As idéias através das quais os desejos se expressam sucumbem a repressão e são impedidas de se tornarem conscientes; nesse caso haverá uma perturbação geral da relação do olho e do ato de ver com o ego e a consciência. O olho serve de campo de batalha entre os desejos reprimidos e as forças repressoras.”

Carl Gustav Jung, junto ao seu pai (um pastor protestante), teve contato com muitas manifestações de cunho religioso. Talvez resida aí o “porquê” de ter se dedicado com tanto afinco ao estudo dos fenômenos psíquicos, aos quais denominou de arquétipos.

As experiências com os portadores de distúrbios psicossomáticos fizeram com que o teólogo e psicanalista, Jung, se debruçasse para analisar as raízes psíquicas presentes naquilo que se convencionou, no livro de Atos (N. T.), como a Conversão de Saulo de Tarso.

O “É duro para ti recalcitrar contra os aguilhões de Deus”, narrado no livro de Atos, dá a entender que Saulo de Tarso já vinha resistindo no sentido de que não aflorasse em sua consciência, algo recalcado dentro dos porões “secretos” de sua mente. Experiências traumáticas podem provocar disfunções físicas, entre as quais está presente a cegueira. Cessada a sobrecarga intensa do conflito psicológico, desaparece concomitantemente a cegueira.

A violência verbal e física de Saulo contra os seus supostos opositores, por si só representava uma projeção ou descarga dos seus impulsos agressivos ―, mecanismo de defesa que ele inconscientemente usava para proteger seus próprios recalques. A única maneira que encontrou para não permitir que os seus desejos reprimidos, como vísceras, fossem expostos pelos cristãos, foi persegui-los e destruí-los. Quando a ambivalência, representada ao mesmo tempo pelo ódio e a atração de Saulo pelos cristãos chegou ao auge, ele, possivelmente, não resistiu à voz do superego que em sua consciência já vinha desaprovando os atos violentos por ele praticados.

O corpo é o lugar onde deságuam a raiva, a tristeza, a ansiedade e a culpa. No caso de Saulo de Tarso, provavelmente, o órgão que recebeu toda a descarga do seu forte conflito interior foi o aparelho visual. Freud, já dizia: “não há nada que me impeça de ferir uma pessoa impotente, a não ser minha sensopercepção da severa dor que minha consciência me infligiria.”

Jung, valendo-se dos conhecimentos atuais dos fenômenos psíquicos, antigamente denominados de espirituais, fez uma minuciosa análise sobre a Conversão de Saulo, descrita no seu livro – “A Natureza da Psique” (página 247 – Editora Vozes).

Na intenção e no pensamento de que os conceitos psicanalíticos tenham alguma valia para nossa reflexão, principalmente no que tange a compreensão melhor de nosso mundo interior, reproduzo abaixo o texto junguiano que explora o conflito Paulino que culminou em um quadro clínico de cegueira reversível:

A psicologia da conversão de Paulo (C. G. Jung)


“Embora pareça que o momento da conversão tenha sido absolutamente repentino, contudo, sabemos por longa e variada experiência que uma transformação tão fundamental exige um longo período de incubação. E só quando está preparação está completa, isto é, quando o indivíduo está maduro para a conversão, é que a nova percepção irrompe com violenta emoção”.

“Saulo já era inconscientemente cristão desde muito tempo, e isto explicaria seu ódio fanático contra os cristãos, porque o fanatismo se encontra sempre naqueles indivíduos que procuram reprimir uma dúvida secreta. É por isso que os convertidos são sempre os piores fanáticos”.

“A aparição de Cristo no caminho de Damasco assinala apenas o momento em que o complexo inconsciente de Cristo se associa ao eu de Paulo. O fato de Cristo lhe ter aparecido, então, de modo quase objetivo, como visão, se explica pela circunstância de que o cristianismo de Saulo era um complexo inconsciente. Por isto é que este complexo lhe aparecia sob a forma de uma projeção, como não pertencente a ele próprio. Ele não podia ver-se a si mesmo como cristão. Por isto ficou cego, em conseqüência de sua resistência a Cristo e só pode ser curado de novo por um cristão”.

“Sabemos, por experiência, que a cegueira psicogênica em questão é sempre uma recusa (inconsciente) a ver. Ele perseguia os cristãos como representantes deste complexo de que ele não se dava conta.[...]. [...]Vemos este fenômeno repetir-se constantemente em nossa vida cotidiana: encontramos indivíduos que não hesitam o mínimo em projetar suas próprias opiniões sobre pessoas e coisas, odiando-as ou amando-as com a mesma facilidade”.

“Como a análise e a reflexão são processos complicados e difíceis, eles preferem julgar tranquilamente sem dar-se conta de que simplesmente estão projetando algo que trazem dentro de si e deste modo não percebem que são vítimas de uma estúpida ilusão”.


(*) Texto baseado no artigo original publicado no “Ensaios & Prosas” em 03 de dezembro de 2012, sob o título – “Fundamentos  da  Conversão  de Saulo de Tarso, Segundo Jung”

Site da Imagem: cristoday.blogspot.com

23 comentários:

  1. Já havia lido este excelente artigo em seu blog Levi.

    Os leitura psicológica daquilo que acontece com o indivíduo no momento da sua conversão é interessantíssima.

    O místico encara esse fenômeno como sendo parte integrante do pacote de elementos pela qual é composta a natureza humana.

    Nesse sentido, o Espírito Santo se apropria dessa faculdade para executar seu serviço de convencimento no tocante ao "nova criatura sou o velho homem já morreu" (parafraseando Paulo rsrs)

    Em termos de compreensão teológica isso seria uma via de mão dupla?

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    1. “Em termos de compreensão teológica isso seria uma via de mão dupla?”

      Sobre o seu questionamento acima, Doni:

      A Psicanálise e o Talmude têm muito em comum. A interpretação teológica do texto bíblico e a interpretação psicológica são dois campos diversos que guardam, ao mesmo tempo, vínculos de identidade.

      Lacan estudou incansavelmente o MIdrash e considerou o seu modo de interpretação dos textos sagrados mais ou menos idêntico ao da psicanálise. Foi ele que fez a releitura das obras de Freud, É dele a célebre frase: “O Inconsciente se estrutura como uma linguagem”. Em seus seminários na França sempre se reportava ao judaísmo e ao judeu. Certa vez, disse ele: ”o judeu é aquele que há séculos está habituado à leitura, e tira daí uma arte particular da interpretação que a psicanálise, nos seus melhores dias, recupera”.

      Jung , que depois da segunda guerra mundial mergulhou mais profundamente no lago da Teologia, cita um exemplo simples da mão dupla ( não sei se a isto que você se refere) ― a da leitura religiosa e a da leitura psicanalítica sobre um mesmo fato:

      “[...] suponhamos que ouvimos um som indistinto cujo efeito inicial se reduz a um estímulo para escutarmos mais atentamente, para descobrirmos o que significa. Neste caso o estímulo acústico desencadeia no cérebro toda uma gama de representações, de imagens acústicas, parte em imagens visuais, e parte em imagens sensoriais. Há quinhentos anos atrás dizia-se que uma mulher estava possuída pelo demônio. Hoje dizemos que ela tem um ataque de histeria. Dizia-se que uma pessoa enferma estava enfeitiçada: hoje dizemos que ela sofre de neurose. Os fatos são os mesmos, mas a explicação é outra. Uma pessoa possessa, hoje se diz que ela está sob o efeito de uma influência psíquica invisível que ela não tem condições de controlar”.

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  2. É incrível como o nosso "mundo interior" é bem mais complexo e obscuro do que o mundo exterior que vemos como realidade. A explicação psicológica de Jung parece-me perfeita. Mas quero deixar uma questão, Levi:

    Saulo já era um cristão e não sabia; lutava contra aquilo que já tinha incorporado a nível psíquico. Minha questão: isso sempre funciona assim? para ficarmos no campo teológico, alguém que seja um duro crítico, por exemplo, da teologia da prosperidade, estaria na verdade psiquicamente já convertido a ela?

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    1. Não resta dúvida, Edu, de que somos tendenciosos. Há sempre um núcleo oculto em nossos julgamentos. Somos levados ao ponto de exaustão por um IDEAL para ser diferente do que somos.

      O nosso “eu”, por exemplo, compreende muitas coisas, as quais colocamos em primeiro lugar, que ao mesmo tempo entra em colisão com o “ideal de pureza” que inconscientemente desejamos. Ter um nome a zelar, uma posição social, progredir profissionalmente, pertencer um dia a classe A – em suma é uma vontade de poder que nos consome. No meu caso, aos 66 anos de idade, já sinto esse ardor pelo TER se extinguindo. (rsrs)

      No caso da Teologia da prosperidade, talvez inconscientemente o deus seja Mamon (rsrs), aquele que não se despe de suas riquezas terrenas, aquele que preconiza que a felicidade reside no TER. Aliás, o hino da maior festa de cristandade, o Natal de Cristo, diz algo muito humano: muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender (rsrs)

      Agora me lembro de que em uma das críticas ao evangelho da prosperidade, o genial Gresder (que nos abandonou) disse em um comentário seu, que em cada um de nós residia um Edir Macedo. Tem lá suas razões. (rsrs)

      Lembro também de minha mãe, recentemente falecida, que dizia: Lá no céu vou ter tudo que não consegui aqui nesse mundo. Lá eu vou pisar em ruas de ouro, vou passar por portas de jaspe e de cristal, etc.. (o deslumbramento, afinal)

      Mas pensando bem, qual a diferença entre aquele que consegue TER hoje o que DESEJA, e aquele que conserva o desejo, adiando o TER para depois da morte ?

      Talvez a nossa revolta, Edu, contra o evangelho da prosperidade, resida, em parte, na desonestidade e nos meios ilícitos que os arautos dessas seitas usam e abusam nos bastidores.

      Mas quem poderá dizer que o Saulo “convertido” não almejava ser premiado com uma COROA de glória, como reconhecimento pelo seu “bom combate”. O grande nó é que Paulo, para combater o “bom combate”, teve que erguer de novo os muros que os evangelistas dizem que Cristo os tinha derrubado ― os muros das doutrinas e dos costumes: “Nós não temos tais costumes, nem a igreja de Cristo”. Mais tarde, em um conflito psíquico, diria: “O bem que quero, não faço; mas o mal que não quero, este faço”

      Bem, se a conversão de Paulo foi passar do radicalismo da Lei para o radicalismo da “doutrina cristã”, a meu ver, houve apenas uma mudança de polarização, e não uma síntese dos pólos aparentemente contrários. (rsrs)

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  3. Edu essa questão que você levanta é muito intrigante mesmo. Em muitos casos podemos perceber claramente essa estranha manifestação. Que o ateu é crente, que o crente é macumbeiro que o comunista se apega muito ao dinheiro. Será que eu sou um covarde? Só existe uma forma de lidarmos com essas contradições. Trazendo as coisas mais para o campo da atitude. No final é ela que conta mesmo!

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  4. Nobre Amigo Levi,

    Também já tinha lido este texto em seu Blog, e realmente ele é muito interessante.

    E neste fragmento de sue comentário Levi,

    "Somos tendenciosos. Há sempre um núcleo oculto em nossos julgamentos. Somos levados ao ponto de exaustão por um IDEAL para ser diferente do que somos."

    Eu vejo uma concordância entre a maioria dos pensadores aqui da confraria, pois acredito que todos nós temos ciência de que somos tendenciosos como que por natureza.

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  5. Nobres Amigos Confrades,

    Estou em uma correria insana... Mas vou fazer o possível para ir acompanhando o bate-papo por aqui, pois este assunto é deveras muito interessante...

    Fraterno Abraço :)

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    1. Caro Matheus

      Acredito que todos nós temos um pouco dessa coisa de reformador, de revolucionário, de idealista, de profeta , de visionário ― essa pulsão que vai até a exaustão para ser diferente do que realmente somos.

      Não somos capazes de nos enxergar com precisão, daí ser muito fácil cair no mecanismo de defesa denominado NEGAÇÃO, que pode ser substituído pela frase: “Nem noto que estou mentindo” (rsrs)

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    2. A entrevista de um Pastor no "DE FRENTE para GABI" veiculado ontem no SBT, é um exemplo de como os mecanismos de defesa psíquicos vêm à tona de uma maneira agressiva, como que protegendo os próprios recalques da vítima.

      PAREM, ESCUTEM e REFLITAM sobre essa emblemática entrevista no link abaixo:

      http://www.sbt.com.br/defrentecomgabi/videos/?id=db533fe7fb74d276ac144b9c0ea3dc8f

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    3. OBS:

      Não sei, mas acho que no que tange a defesa ferrenha da "doutrina cristã", esse pastor tem muita coisa em comum com o texto postado a respeito de Saulo de Tarso. (rsrs)

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    4. Silas Saulo de Tarso Malafaia kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  6. Nobre Amigo Levi,

    Este fragmento abaixo, retirado de um texto que publiquei no Boteco, ao meu ver expressa exatamente o comportamento do Malafaia nesta entrevista.

    "Não há intolerância, intransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o fundo bestial do entusiasmo. Que perca o homem sua faculdade de indiferença: converte-se num potencial assassino; que transforme sua ideia em deus: as consequências são incalculáveis."

    Ele fica louco, cega, endoida quando suas convicções são postas a prova. Penso que isso já poderia ser diagnosticado como algum distúrbio psicológico com necessidade de tratamento.

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  7. "Saulo já era inconscientemente cristão desde muito tempo, e isto explicaria seu ódio fanático contra os cristãos, porque o fanatismo se encontra sempre naqueles indivíduos que procuram reprimir uma dúvida secreta. É por isso que os convertidos são sempre os piores fanáticos”."

    Levi que grande notícia, conheci inúmeros perseguidores do evangelho, daqueles tão ferrenhos quanto o apóstolo Paulo (ainda que não pudessem nos assassinar). Meus pais tiveram a igreja apedrejada, nossa casa invadida, tentaram envenenar um missionário que trabalhava com meu pai, etc e tal. Então todos estes eram evangélicos em potencial? E nós perdíamos tempo orando para que eles se convertessem a fé em Cristo...

    Os muçulmanos estão reprimindo qual dúvida secreta? Será que eles tem receio que Alá não seja o mesmo criador do universo?

    Levi, quanto a cegueira de Paulo, me poupe...
    E a cura foi tão rápida.

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  8. GUI

    Acho que a sua resistência em aceitar as explicações cientificamente comprovadas dos fenômenos ditos espirituais, é tremenda. (rsrs)

    Os profetas explicavam espiritualmente as doenças. Diziam que a Lepra existia nas paredes da casa do portador de Hanseníase? Mas por que?

    Geralmente a casa do leproso era um lugar onde ninguém tinha coragem de entrar para não ficar imundo (isto é, cheio do espírito mal que estava no doente)

    Gui, qualquer jovem do curso secundário sabe perfeitamente, hoje, o “porquê” de se dizer no V.T. que as paredes da casa do leproso tinham a lepra. Nada mais natural, Gui, que assim se pensasse naquela época. Devido a falta de conhecimento científico, supunham que as próprias paredes cheias de mofo, somado a um ambiente que exalava odor fétido pela falta de higiene e de limpeza estavam impregnadas pelo espírito da Lepra.

    Então, Gui, quem convivesse com esse doente por algum tempo, com certeza adquiria a doença. Então o que pensavam os antigos: atribuíam que a doença (espírito) estava
    impregnada nas paredes e dali era transmitida para o estrangeiro que ali aparecesse.

    O bacilo do espírito da Lepra é idêntico ao bacilo do espírito da Tuberculose, variando apenas na virulência e na disposição de sua sequência.

    Mas hoje, Gui, qualquer aluno de curso do segundo grau sabe que o bacilo da Hanseníase não sobrevive fora do corpo. Mas isso, GUI não significa que estamos fazendo pouco das Escrituras Sagradas.
    Outra coisa, a cegueira histérica não é novidade para a psiquiatria. Ela é perfeitamente reversível diante da abordagem realizada por um médico-especialista, que não deixa de ter, também como Ananias teve, a palavra do saber e de autoridade perante o doente.

    Inclusive, Hitler, um cristão que queria reformar o mundo à sua maneira, foi acometido por esse tipo de cegueira. Vide link: http://www.levibronze.blogspot.com.br/2013/01/adolf-hitler-um-caso-psiquiatrico.html )



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  9. Levi é que a burrinha aqui kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk sabe perfeitamente que não eram espíritos que infligiam lepra às pessoas. Sabe perfeitamente que a ciência tem explicações corretas para muitos casos que se ignorava a origem, no passado. Embora, acredito piamente, que muitas ENFERMIDADES, são provocadas por espíritos malignos, embora sejam realmente DOENÇAS na CARNE. Como testemunha desta verdade Mateus escreve:
    "Sua fama espalhou-se por toda a Síria, de modo que lhe traziam todos os que eram acometidos por doenças diversas e ATORMENTADOS POR ENFERMIDADES, bem como endemoniados, lunáticos e paralíticos. (4.24).

    Um exemplo claro: "E eis que estava ali uma mulher que tinha um ESPIRITO de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se. Lucas 13:1

    Por outro lado para um especialista afirmar que uma cegueira é histérica, ele teria pelo menos que ouvir e examinar o paciente, e não irresponsavelmente, se basear em um testemunho escrito por outro, que sequer foi a vítima. Você como médico diagnosticaria desta forma?

    Levi, vamos e venhamos Hitler? Ele era um psicopata que se atribuía o título de cristão.

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    1. Levi, eu não li que os profetas diziam que as casas dos leprosos tinhas espíritos e sim que era contagiosa a enfermidade. Diga-me a referência, por favor.

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    2. Sobre um espírito que transmite a Lepra e sobre os bacilos do Hansênico nas Paredes das Casas (versão Bíblia de Jerusalém)

      LEIA Levíticos 14, 32 à 54

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    3. Levi, no texto não deixa sequer margem para se assegurar que os profetas declaravam que havia espírito na casa, mas sim, enfermidade. Está claro como água. rsrs

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  10. Nobre Amiga Guiomar,

    Eu entendo perfeitamente a posição defendida por você, e digo isso com sinceridade. Uma posição moldada pelos ditames cristãos, uma mentalidade formada pela crença que esta sobre a pessoa de Jesus Cristo e as "sagradas escrituras". o que é natural partindo de alguém que expressa uma convicção invejável na crença que possui. Eu confesso que admiro a sua força, persistência e dedicação em relação as suas convicções de crença. Parabéns.

    Mas perceba que o mesmo critério que utiliza ao refutar o texto de cunho "psicológico" do Levi, pode ser o mesmo critério adotado pela psicologia ao refutar o texto de Atos 9. Como podemos afirmar (a não ser partindo de uma convicção extrema como fruto da fé) que o registro de Atos é válido? Se basear nos escritos de Lucas (que supostamente era médico) e que também provavelmente não tenha participado deste evento (vítima) pode ser suficiente?

    Estamos diante de uma espada de dois gumes rsrsrsrsrsrs Os contra-argumentos são como espelhos, dá pra usar exatamente os mesmos, é só mudar o vetor.

    Por isso, toda reflexão quando desprovida de conceitos absolutos, pode ser frutífera. E existem sim muitos sintomas clínicos que não são de fato físicos, mas sim psicológicos, podendo sim ser fruto de histerias. Mas como citei lá no grupo, ironizando o fato de ser um gay enrustido devido ao uso da camisa rosa, "assim como tudo no mundo, também na psicologia, toda suposta regra tem suas exceções".

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  11. O que antigamente se denominava de espírito de enfermidade, a medicina hoje denomina de doença psicossomática.

    Essas doenças, Gui, apesar de fazerem o corpo sofrer, na realidade a sua fonte ou vertente é a psique. No mais das vezes é produto de um conflito emocional intenso. É ponto pacífico que a maioria desses casos por que passam os adultos tiveram origem em processos ocorridos e mal resolvidos na infância. Por isso que se diz que na NEUROSE o indivíduo se vale de uma tentativa infantil para resolver um conflito que não está nas potestades do ar, e sim dentro da caixola do sujeito.

    Esse conflito psíquico, Paulo com seus parcos conhecimentos científicos, achava que se travava de uma guerra entre espíritos nos ares.

    Francamente, eu não sei o porquê dessa resistência em não querer se admitir que tudo é fruto de um conflito interno? Impulsos e desejos recalcados estão fora do alcance do controle da consciência.

    Quanto mais escondidos estão nossos desejos reprimidos, mas estamos sujeitos às neuroses do tipo paralisante. Aliás, a neurose eclesiástica, logo logo terá seu CID (código internacional de doenças). – rsrs
    Aos “Demônios” da religião ocidental a ciência deu-lhes outras leituras, como esquizofrenias auditivas e visuais, psicoses e neuroses. As possessões demoníacas ela classificou de quadros histéricos.

    O apóstolo Paulo foi um dos primeiros escritores cristãos a expressar a dor emocional resultante de conflitos íntimos:

    “Acho então essa lei em mim, que quando quero fazer o bem, o mal está comigo. [...] Miserável homem que eu sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7, 21 -24)

    O fundador do cristianismo percebia, dentro de si, essa guerra mental interna e imaginária entre as forças divinas e diabólicas, daí ele ter escrito na sua carta aos Efésios (6 , 12):

    “Pois não temos de lutar contra a carne e o sangue [...], [...] mas contra as forças espirituais nas ‘regiões celestiais’”. (Essas regiões, Freud traduziu como “o inconsciente”).
    Com relação ao demônio como força maléfica, no século V, Santo Agostinho insistia que o mal não vinha de fora, era a vontade do homem que o provocava.

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  12. Levi, existem sim, os conflitos íntimos, as neuroses, não podemos negar, no entanto, a ciência não pode denominar os tormentos malignos como tal, porque ela não tem conhecimento do mundo espiritual.

    Agostinho tem toda razão, os demônios atuam porque encontram abertura no próprio homem.

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    2. Pois é Gui


      A Bíblia não é só um livro de História. Ela é, primordialmente, uma vasta alegoria onde tanto o artista quanto o filósofo e o cientista retiram materiais para entender mais a respeito de si mesmo e de suas reações com o outro.

      A Psicanálise e Psiquiatria tratam e discernem o mesmo fenômeno que o religioso percebe em sua imaginação, só que por caminhos diferentes daquele que o crente está acostumado a trilhar.

      Acho interessante o Samba de uma nota só de Tom Jobim, mas é preciso saber que existem mais notas musicais que permitem fazer belíssimas melodias "ad infinitum". (rsrs)

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