terça-feira, 8 de janeiro de 2013

SUBLIMINAR SUBLIME




Dizem os léxicos que mensagem subliminar é aquela não captada direta e imediatamente pelos sentidos. É a que fica latente, sugerida, mas não percebida de pronto.

Tenho para mim que um exemplo excelente de mensagem subliminar está no Evangelho de São Lucas, 5, 17-27.

Na passagem diz o evangelista que Jesus se punha a ensinar numa casa localizada na região de Cafarnaum e repleta de gente; e entre os do povo se encontravam também mestres da Lei e fariseus.

Durante a pregação alguns homens trouxeram um paralítico num leito, e debalde puderam introduzi-lo no recinto pelo acúmulo de pessoas.

Assim, abriram um buraco no teto da casa e desceram o aleijado em sua liteira, de forma que pousou bem próximo de Jesus.

Conta-nos São Lucas que vendo a fé que os animava “Jesus disse: ‘Meu amigo, teus pecados te são perdoados’”. Ora, tal frase espantou os presentes e mais ainda os fariseus e doutores da Lei, que acusaram Jesus de blasfêmia, porque só Deus perdoa os pecados.

Então Jesus replicou lhes perguntando o que era mais fácil de fazer: dizer que os pecados estão perdoados, ou levanta-te e anda? E arrematou: “Pois bem, para que saibais que o Filho do homem tem poder na terra para perdoar os pecados, eu te ordeno – disse ao paralítico – levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”. A passagem é encerrada com o paralítico assim justificado tomando sua padiola e, levantando-se diante de todos, se indo embora.

À leitura deste texto e nos equivalentes sinóticos todos vêem uma passagem explícita de fé. Pois foi pela fé que subiram ao telhado, pela fé que desceram o aleijado, pela fé que não desistiram da difícil empreitada para assistirem à palestra.

Mas isto está declarado no texto, pois Jesus se admira da fé que os moveu. Então nesta mensagem, muito correta, não encontraremos a mensagem subliminar.

Outros vêem na cura do aleijado a misericórdia de Jesus, o que não ajuda, porque não foi este o único milagre que vimos o Salvador realizar.

Ainda, e agora um pouco mais aprofundadamente, outros vêem na assertiva dada pelos judeus, - de que só Deus pode perdoar pecados -, mais uma prova Divindade do mestre, uma vez que Jesus declarou que perdoava os pecados do paralítico, portanto, era Deus.

Todavia, entendo de maneira muito particular que a mensagem escondida por detrás de três ocorrências de grande impacto que se estendem aos nossos olhos – a descida do paralítico por uma abertura no telhado, a perplexidade dos judeus e a cura - uma outra, que talvez seja a mais importante de todas, e não obstante veio escondida, veio sugerida, veio ciosa de sua importância, resguardada com os véus da discrição, de forma que poucos pudessem efetivamente enxergar.

Trata-se do perdão dos pecados. Jesus prova que pode perdoar os pecados do aleijado (que ninguém vê), curando-o da paralisia (que todos vêem).

Este fato é importantíssimo porque além de provar que tem poder de perdoar os pecados, transfere este poder de representação primeiro a São Pedro, como se pode ver em Mt, 16, 13ss, especialmente na célebre passagem onde concede a São Pedro as chaves do reino e o poder de tudo ligar e desligar no céu e na terra.

Este poder foi transmitido também ao Colégio Apostólico (e daí aos bispos e padres por sucessão), como se pode ler em Jo, 20, 21-23: “Então Jesus lhes disse de novo: ‘A paz esteja convosco! Como o pai me enviou, assim também eu vos envio’. Depois destas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; aqueles a quem retiverdes, serão retidos".

Eis aqui o Sacramento da Penitência detalhado. Certo que só Deus tem o poder de perdoar os pecados, como bem lembraram os fariseus e doutores da Lei neste mesmo episódio. Mas, por vontade divina transferiu-o aos homens por mandato; pela vontade divina deu-lhes as chaves do reino e o poder de ligar e de desligar.

Notem que quem tem a autoridade (Jesus, comprovada neste trecho) a transfere por vontade própria, primeiro a São Pedro, depois aos Apóstolos e seus sucessores, os epíscopos e presbíteros da Igreja militante.

Só pode transferir poderes aquele que os têm efetivamente. Só pode receber mandato válido quem o recebeu higidamente das mãos de quem os outorgou.

Daí o importante sacramento da confissão delineado em sua inteireza. Sacramento que vem sendo muito descurado pelos católicos, que à moda dos evangélicos, começam a se confessar “diretamente a Deus”, como se, mal comparando, fosse possível ir ao juiz sem passar pelo advogado.

Certo que é o juiz competente quem dá o direito de acordo com a Lei. Mas não o faz por iniciativa, por ação própria, mas aguarda inerte o movimento do interessado através do advogado.

O Reino dos Céus não difere disto. Se o leitor, se procuramos nossos direitos terrenos, sempre secundários, por meio de um causídico, por quais motivos não o fazer através do sacerdote em cuidando de coisas muito mais elevadas?

Escrito pelo Confrade João Cirilo

49 comentários:

  1. Confessai, pois, uns aos outros, vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. (Tiago 5.16 Bíblia de Jerusalém).

    A BUROCRATIZAÇÃO DA CONFISSÃO

    Embora confessor da Basílica Santa Maria Maior, em Roma, o padre Hernán Jiménez deve ter se equivocado ao dizer à agencia católica de notícias Zenit que com Deus existe uma comunhão direta na oração e na meditação interior, mas nunca na remissão dos pecados."

    Para Jiménez, só os sacerdote, como sucessores dos apóstolos, podem perdoar os pecados em nome de Jesus. Essa dependência da Igreja para se obter o tão necessário e continuado perdão de Deus burocratiza a prática da confissão, que é a arte de nos apresentar constantemente diante do Deus perdoador para nos declarar culpados de pecados pessoais e coletivos, específicos e gerais, depois de suficientemente alertados e representados pela boa consciência, pela Palavra de Deus e pelo Espírito, com o propósito de obter perdão e purificação mediante a obra vicária de Jesus.

    O texto bíblico que mais encoraja e simplifica a prática da confissão está na Primeira Epístola de João: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo.1.9). Não temos de passar de porta em porta para obter o alívio da remoção da culpa e da imundícia que o pecado produz. Não é preciso esperar as portas do templo se abrirem e a chegada do confessor ao confessionário; em qualquer lugar, em qualquer tempo e em qualquer situação, as portas da misericórdia estão sempre abertas para receber um pecador contrito. O nosso confessionário pode ser um quarto com a porta fechada, uma praia deserta, um leito de hospital, uma cela de algum mosteiro ou o próprio templo. O confessor é sempre o mesmo: "[...] se alguém cometer pecado, temos um Amigo-Sacerdote na presença do Pai: Jesus Cristo, o justo" (1 João 2.1).

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  2. Perdão, esta quentinha extrai da ultima edição da Ultimato. Chegou na hora. rsrs.

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  3. Nobre Amiga Guiomar e Amigo João,

    Percebo estar diante de uma emblemática batalha ortodoxa rsrsrsrsrs... De um lado o Arcebispo João munido de sua metralhadora católica e do outro a Suma Pastora Guiomar armada até os dentes com suas armas protestantes kkkkkk

    Mas confesso que a visão protestante me agrada mais por ser menos dogmática, e pelo fato de Paulo falar sobre um único intercessor... Mas vejamos para onde este tiroteio nos levara!

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  5. Nobres Amigos Confrades,

    Vou colocar um pouco de lenha nessa fogueira, para não ficarmos com um debate norteado pela esfera "cristã" somente rsrsrsrs...

    O termo "perdoar" tem sua raíz do latim "perdonare" e significa literalmente “desculpar”, “absolver”, “evitar”. Caracteriza o estado de ânimo em que se encontra alguém, agravado por outra parte, seu agressor, e sente-se desagravado. O pecado, na descrito nas religiões é um agravo a Deus, e o perdão consiste em não considerar-se Deus agravado, ou seja, desagravo.

    Onde esta a lenha???

    Pois bem... Os espiritas que acreditam na reencarnação, afirmam que o conceito do perdão para eles é idêntico ao do evangelho (católico e protestante), que se baseia em "concessão, indefinida, de oportunidades para que o ofensor se arrependa, o pecador se recomponha, o criminoso se libere do mal e se erga, redimido, para a ascensão luminosa". Porém, estes não se confessam nem ao Eterno, nem ao mortal (sacerdote), apenas vivem e esperam no caminho as oportunidades de irem se redimindo... Isso até me lembra aquele velho jargão evangêliquez, "venha como estas".

    A pergunta é... Se o perdão é o único meio de se redimir dos erros perante o agravado, no caso do pecado, Deus. Porque há essa necessidade de confissão ao mortal, sendo que esse não fora agravado? Tirando de lado a questão da reencarnação, não seria mais plausível e coerente apenas a confissão ao Eterno e o caminhar na busca deste abandono do ato falho?

    E o Salmo que diz que aquele que confessa e "deixa" alcança misericórdia? Eu penso que a confissão mediante ao mortal é uma forma de amenizar a decisão de lutar contra o erro. Uma forma de amenizar o sentimento de culpa ocasionado pelo então denominado pecado. Logo, não vejo necessidade de que este seja amenizado.
    Mesmo confessando meus então pecados ao mortal, continuarei com eles em meu subconsciente, e estarei impedido de evoluir até que eu os vença. Apenas contar ao mortal ou ao Eterno meus erros, não são garantia de que todos os acontecimentos que estão gravados em minha mente sejam apagados, é necessário a construção de um novo viver, e ai entra o deixar, sobre o qual nada o mortal pode fazer. A forma como o catolicismo e o protestatantismo tratam a questão do perdão, me parece mera formalidade.

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  6. Taí uma autêntica postagem teológica-católica-romana!! Gostei do tema.

    Falando a partir do próprio NT, vemos ocasiões em que se aconselha o confessar diretamente a Deus como pontuou a Gui em seu comentário.

    "Se confessarmos os nossos pecados, Ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo.1.9).

    Alguém pode dizer que essa confissão deve ser ao sacerdote, ainda que o texto não deixe isso explícito (talvez mais uma "mensagem subliminar" no NT!).

    Mas aí, o próprio Pedro escreve que os cristãos eram "nação de sacerdotes" - como entender tal afirmação? Como destacar um classe "privilegiada" de sacerdotes quando na prática, todo o cristão um sacerdote é?

    É também interessante que Paulo nunca tenha ensinado que a confissão de pecados devesse ser feita para um Bispo (pelo menos não que eu lembre). Lembro que ele aconselhou a que se confessasse os pecados uns aos outros.

    O protestantismo tirou o poder do sacerdote ao entender que se vai diretamente a Deus através de Jesus (e não através de santos ou padres), nisso concordando Paulo ao dizer que há um único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem. (aliás, uma afirmação que pode gerar profundos debates do porquê Paulo enfatiza o "Jesus Cristo homem" e não o Jesus Cristo Deus (ou glorificado) )

    Enfim, de minha parte, hoje eu não confesso "pecado" nem para padre ou bispo ou pastor e nem mesmo a Deus, apesar de ver na "confissão" uma atitude terapêutica semelhante ao analisado no divã do psicanalista que "cura" através de confissões.

    Vou deixar enfim, as polaridades desta confraria nesse assunto (Pastora Guiomar x Arcebispo João e quiçá o Bispo João) resolverem essa parada.

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  7. ah, uma coisa me ocorreu e peço que meus amigos do clero romano me esclareçam: a quem o Papa confessa seus pecados para receber o perdão?

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  8. DUAS CONSIDERAÇÕES:

    Pensara deixar eventuais comentários fluírem para depois, se o caso, fazer alguma consideração sobre eles.

    Mas fiquei honrado com as participações da GUIOMAR e do MATHEUS e não me contive, resolvi fazer tais ponderações agora mesmo.

    GUIOMAR BARBA se socorre de textos de São Tiago e de São João para justificar o perdão dos pecados num ato individual entre Deus e o homem, sem passar pelo intermediário eclesiástico.

    O primeiro, "confessai-vos uns aos outros" traz embutido algo muito caro ao católico, mas de certa forma desprezado pelo evangélico, que é a doutrina do "corpo místico": o pecado rompe com a comunhão fraterna, o pecador está excluído do Corpo eclesial, e o sacramento o restaura, pelo que o sacerdote opera como o representante desta mesma comunidade que acolhe novamente o pecador arrependido.

    Dentro desta perspectiva, parece evidente que a confissão será de "uns com os outros", o que de pronto já nos leva também a outra consideração: o "uns com os outros" espanca definitivamente o ato isolado, singular, do penitente pecador!

    O texto de São João diz o óbvio, diz que o perdão dos pecados cabe a Deus, o que é verdadeiro, porque só Deus pode perdoar pecados (Mc, 2,10, Lc, 7,48). Mas transmitiu este poder aos homens, do contrário seria letra totalmente morta Jo, 20, 21-23, ficaria sem sentido a passagem "ministério da reconciliação" tratado em 2Cor, 5-18, e a expressão "reconciliai-vos com Deus (2Cor 5,20). Aliás e a bem de ver, a partir do verso 17 o capítulo 5 trata da importância reconciliatória do pecador com Cristo pela comunidade.

    Mas, se é assim, a epístola de São João estaria sem valor, fica isolada? De forma alguma, note-se a profundidade desta passagem: "Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo" (1Jo, 2,1).

    Mas, Jesus por inteiro, e Jesus por inteiro está em sua Igreja, da qual é a cabeça e nós somos os membros, da qual é a videira, e nós os ramos: novamente a presença do corpo místico.

    Até porque, se assim não fora, o texto joanino estaria deslocado em relação à seguinte passagem: "Aquele que esconde os seus crimes não será purificado; aquele, ao contrário, que se confessar e deixar os seus crimes, alcançará a misericórdia" (Pr, 38, 13).

    Estaria também fora de sintonia em relação a estas:

    A) "A ninguém imponhas as mãos inconsideradamente, para que não venhas a tornar-te cúmplice dos pecados alheios". (1Tim, 5, 22)

    B) "Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele creem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome". (Atos 10, 43)

    C)"Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados". (Atos, 26, 17-18)

    D) "Muitos dos que haviam acreditado vinham confessar e declarar as suas obras" (Atos, 19, 18).

    E certamente haverá outras passagens que não lobrigo captar por falta de gênio.

    o.o.o.o.o.

    MATHEUS, meu amigo, pretendo retornar mais detidamente ao ponto em outra ocasião, mas desde já observo que para espírita NÃO EXISTE este sacramento (aliás não existe nenhum outro): o perdão dos pecados na religião espírita contraria toda sua lógica interna.

    Mas, como disse, pretendo voltar a este precioso tema em outra ocasião.

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    1. Nobre Amigo João,

      Na verdade o perdão contraria a lógica espirita na necessidade de um intermediário. Por isso eles praticam o que chamam de "auto-perdão", o perdão de si mesmo para prosseguir em evolução. O mesmo que fizemos afirmando ser um "exame de consciência", o velho clichê da santa ceia "examine-se pois o homem a si mesmo". Talvez o único caminho para a segunda parte do Salmo que nos fala em "deixar" a transgressão.

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  9. A CONFISSÃO DO PAPA:

    Seguindo aqui a prática de se comentar ao pé dos comentários anteriores para não dar confusão, Sua pergunta sobre a confissão do sumo pontífice parece ser simples de resolver, meu caro EDUARDO: a qualquer outro membro da Ordem.

    O problema não é de grau, mas de substância.

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  10. O cristianismo deveria instituir o seu próprio Iom Kipur. Assim todos nós pediríamos perdão de nossos pecados no atacado. Não é mesmo Edu...

    Particularmente não concebo a ideia da transferência para o homem de uma prerrogativa exclusiva de Deus.

    Outrossim. Visto que a rigor, nossos erros de alvos que atingem a Deus são cometidos na esfera horizontal, pois não pecamos sem a participação do outro, seria coerente até mesmo com a justiça divina se nos consertássemos também nessa dimensão.

    Pode ser que acaso tivéssemos como ter uma conversa franca com Deus tête à tête, com a proposta de o apresentarmos nossos pecados, Ele diria: Meu filho. Não me importunes com essas coisas. Mas já que estás aqui, deixe-me perguntar: já resolveu suas pendengas com a outra parte? Se não, não perca seu tempo comigo. Pois não estou nem um pouco ofendido com você. Pois a mim nada fizestes...





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  11. Mateus, na confissão de pecado diretamente a Deus, entra ai a questão da fé, crer que foi perdoado e nos perdoarmos a nós mesmos.

    Quando pecamos contra alguém, devemos ir direto a pessoa contra quem pecamos e pedir perdão. Se eu pequei verticalmente, não vou horizontalmente, mas é evidente que quando eu peco contra alguém eu entristeço o coração de Deus, por isto peço perdão a Ele também.

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    1. Nobre Amiga Guiomar,

      Exatamente da forma como vejo as coisas. Só recorro ao mortal, no caso dele ser o alvo de minha ofensa, erro ou pecado. Caso contrário devo prestar conta a minha consciência, ou a Deus ou seja lá o que crer. Citei o espiritismo devido o fato deles fazerem uso do auto-perdão, o que me parece que você cita ao dizer "nos perdoarmos a nós mesmos". Mas é claro que estes o fazem de uma forma diferente.

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  12. Edu, não fomos nós que tiramos o poder do sacerdote, não temos indicação nenhuma na bíblia, que eu saiba, que devamos chegar a Deus para confissão, através de alguém especial e sim confessar os nossos pecados uns aos outros. eu creio que quando Paulo fala de Jesus o homem, ele está falando do Jesus encarnado...

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  13. Cirilo meu caro, todos os seus versículos citados, me reforçaram a certeza de que devemos confessar os nossos pecados a Deus ou uns aos outros como nos ensina também(1 Jo. 1.9).

    Quando você diz que o pecador está excluído do corpo por pecado, é assustador, imagina se alguém então pode está incluído? Se alguém disser que não tem pecado é mentiroso.

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  14. João, seria bom que você detalhasse sua resposta sobre a confissão do Papa pois eu não entendi o que você quis dizer.

    Seus argumentos fazem sentido apenas a partir da teologia católica de uma igreja "forte" e "soberana" a qual todos os membros devem obediência e temor. Eu não dou esse poder todo à igreja, pois entendo que Jesus nunca o fez. Como já expus em outras vezes, não acredito que Jesus fundou o cristianismo.

    Os primeiríssimos seguidores de Jesus - seus apóstolos e primeiros convertidos judeus, frequentavam não uma catedral e sim, o Templo judaico até quando ele estava de pé. Ali não havia ainda cristianismo.

    Sei que é uma afirmação desafiadora para católicos e até para protestantes, mas creio que a história está a meu favor, salvo melhor juízo.

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  15. E o maior drama do cristianismo (católico ou protestante) sempre foi o tal "pecado" e com ele, o cruel senso de culpa.

    Os cristãos sempre viveram como se estivessem com a corda no pescoço e que a qualquer momento, Deus puxaria a corda se eles não seguissem à risca os preceitos morais (não de Jesus, mas da igreja), como se Deus estivesse preocupado com a nossa moralidade.

    Nossa moralidade não afeta a Deus, só afeta a nós mesmos.

    Sei também que essa afirmação vai contra o Deus pessoal e legislador da Bíblia, mas creio que essa visão de Deus deve ser repensada.

    Pelo menos o cristão não deveria se martirizar tanto quando praticasse algum pecado, pois não sabe ele que o sacrifício vicário de Cristo apagou "todos" os seus pecados (tanto os passados, quando presentes e futuros?)

    Esse teor até terapêutico da doutrina da justificação deixa de ser desfrutada por que o cristão sempre anda com a espada de Javé no pescoço.

    Quando um cristão peca, isso não afeta em nada a Deus. Os seus pecados já foram perdoados antes que ele peça perdão. Mas poucos desfrutam de tal liberdade.

    Bem, não sei como está isso hoje na igreja, mas no "meu tempo" era assim.

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  16. §ª@&(%)###?***!! com uma pitada de maionese.
    Assim falou "Tranca Rua".

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  17. Pedindo licença ao filósofo de rua,
    Marcio Alves
    “O cristianismo de todas as religiões é a mais ‘esperta’ e ‘inteligente’, pois primeiro ensina para o homem que ele é um pecador miserável condenado sem perdão ao inferno, para só depois o salvar e redimir, ou seja, ela cria uma ‘necessidade’ que na verdade nunca existiu, e, com isto, ela passa a vender uma imagem super poderosa e irresistível: de que fora dela não há salvação, sendo que na verdade mesmo, fora dela não há nem condenação”

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    1. Nobre Amigo Altamirando,

      Concordo plenamente com você e o Marcio em relação a perspicácia do cristianismo. Não houve, não há, e talvez nunca venha a existir outro conceito, que trabalhasse os principios da escrita, do marketing e da venda de ideias tão bem como o cristianismo.

      Uma empresa criada para dar certo.

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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  19. Nobres Amigos Confrades,

    Quando me referi ao espiritismo e sua ideia de perdão, foi na intenção de falar sobre o “auto-perdão”, algo que por eles é praticado para que prossigam em paz em suas jornadas de evolução conforme eles creem. Algo que todos nós também praticamos denominando de “exame de consciência”. Lembram da frase do velho filósofo Sócrates falando a respeito da vida irrefletida? Ou do velho clichê da santa ceia expressado por Paulo que dizia, “examine-se pois o homem”? Sem este exercício, a confissão de pecados se torna mera formalidade.

    Por isso muitos afirmam que perdoar os outros é extremamente mais fácil que perdoar a si mesmo. É como se de imediato o sujeito criasse uma imagem santificada e superior de si mesmo, uma imagem de nobreza, bondade e amor. Mas na verdade tudo isso ocorre para camuflar seus verdadeiros sentimentos. Pois debaixo desta suposta postura impecável e irrepreensível, se encontra alguém incapaz de se analisar, e assim perdoar a si mesmo. Partindo da premissa que aponta o sentimento por trás dessa argumentação, percebemos que a pessoa é capaz de assumir e aceitar que o outro não agiu de maneira apropriada, que o outro pecou, falhou, mas não de aceitar que ela mesma agiu de maneira incorreta.

    Não perdoar a si mesmo é julgar-se impassível de erros ou não ter humildade para assumi-los, talvez por isso muito recorram ao mortal, para que sua deficiência em se perdoar seja minimizada pelo perdão do sacerdote. Preferem continuar no papel de vítima de si mesmo para esconder o orgulho e a covardia em assumir sua responsabilidade diante do fato.

    O auto-perdão é necessário para em verdade vencer a culpa que internamente esta alojada, é somente desta forma que consigo perceber o Salmo se tornando real quando diz, “aquele que confessa e deixa a transgressão alcançara misericórdia.

    Não acredito em outras vidas, karmas e coisa e tal, mas respeito os que creem. Mas foi lendo artigos espíritas que aprendi um pouco sobre este conceito de auto-perdão e considero de extrema importância no meu caminhar.

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  20. Meu confrade João Cirilo assunto pertinente

    Como tive que postá-lo dei uma lida antes não contive a curiosidade.

    Vejo a confissão mais pelo lado psicológico do que moral. Confesso conforme a Igreja pede. Confesso também abertamente aqui ao confrade católico e demais que a confissão como outros sacramentos da Igreja tem uma particularidade de espiritualidade própria da Igreja Católica do que realmente Deus espera de nós.

    Concordo também que enquanto espiritualidade partindo da primícia bíblica existe respaldo tanto para dizer que se deve confessar com "ordenados" como também uns aos outros e a Deus. Lógico que nem o evangélico e nem o católico e nem outra doutrina assumirá isso ou vou além: não enxergará isso porque seria reconhecer a bestialidade destas disputas mesquinhas que nada tem haver com o que Cristo pregou.

    Vivo dizendo aqui que desde o ventre de minha mãe ia pra igreja e hoje com quase meus cinquenta anos de vida já confessei muito. Houve tempo em que me sentia sujo o tempo todo. O padre até fugia de mim rsrsrs. Já ouvi inúmeros testemunhos de pessoas que se sentiram libertar-se após a confissão. Pois uma coisa é você pedir perdão a Deus diretamente, outra coisa é você conversar com alguém cujo pessoa você o vê como líder e com bagagem para orientar. O efeito psicológico é bem diferente.

    Sempre em todas as minhas confissões sempre encontrei através do confessor um Deus misericordioso e sempre ouvi orientações concretas e boas. Até acho que a Igreja deveria chamar de orientadores espirituais. Hoje cada vez mais raro na Igreja.

    Enfim, na minha concepção hoje para analisar se algo é de Deus eu pergunto se aquela doutrina esta fazendo bem as pessoas, se o amor é o resultado final daquela experiência religiosa.

    Porque? A utilidade da Bíblia para provar algo correto é na mesma proporção das contradições existentes na religião. Ou seja, doutrina não se comprova com a bíblia na mão, mas com o amor que ela gera no coração do sujeito.

    Concordo com os confrades que o "pecado" foi sempre proposto para criar uma necessidade de dependência do perdão. Quando no meu ´ponto de vista hoje pecado me soa como algo que não faz bem e por isso deve ser evitado pois afronta minha liberdade e me traz problemas.

    Vejo "PECADOS" sendo ignorados e "pecadinhos" sendo usados como bandeira de falsa santidade.

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  21. Quero aqui fazer uma pergunta ao João interessante:

    Se uma pessoa matou alguém e confessa ao sacerdote. O sacerdote pode contar o fato a um policial?

    Eduardo o papa assim como todo católico deve confessar com também com um ministro que possui o sacramento da ordem, ou seja, um padre, um religioso ordenado, um bispo, um cardeal.... Todos devem confessar.

    O Papa tem um orientador espiritual. Tive o prazer de conhecê-lo em um retiro. Um religioso (padre) fantástico em todos os sentidos, mas principalmente conhecedor prático da espiritualidade.

    Seu nome Padre Raniero Cantalamessa pregador da Casa Pontifícia, não sei dizer se ele é um dos confessores do papa, até porque se aconselha às vezes que o orientador espiritual não seja ao confessor.

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  22. Nobre Amigo Gilberto,

    Vou tomar a liberdade de responder sua pergunta, resumindo vou me meter na conversa, kkkkkkkkkkkk

    Compreende-se que a confissão de pecados feita por um cristão ao ministro do sacramento da Reconciliação seja tutelada pela imposição de rigoroso sigilo. O sacerdote que viole o segredo da confissão, incorre em excomunhão latae sententiae, ou seja, pelo fato mesmo de violar a norma. Assim reza o Código de Direito Canônico:

    “Cânon 983 - § 1. O sigilo sacramental é inviolável; por isto não é lícito ao confessor revelar o penitente com palavras ou de qualquer outro modo, por causa alguma.

    § 2. Têm obrigação de guardar segredo também o intérprete, se o houver, e todos aqueles a quem por qualquer motivo tenha chegado o conhecimento de pecados através de confissão”.

    Eis o comentário que a este cânon propõe o Pe. Jesus Hortal S. J., abalizado canonista :

    “Sigilo sacramental é a obrigação que o confessor tem de não revelar, de nenhum modo, nada daquilo que o penitente lhe manifestou em ordem a receber a absolvição. Essa obrigação é sempre grave e não admite nenhuma exceção, a não ser a licença expressa, dada livremente pelo próprio penitente. Caem, portanto, sob o sigilo: a) todos e cada um dos pecados graves confessados, mesmo que sejam públicos, a não ser que o confessor os conheça por uma outra via. Mas, mesmo neste último caso, poderia haver falta de prudência, se o confessor falasse a respeito deles; b) os pecados veniais, especificamente considerados. Não haveria, porém, lesão do sigilo se o confessor dissesse genericamente que alguém confessou pecados veniais, por que se alguém se confessa supõe-se que tem, pelo menos, pecados veniais. Mas também aqui se deveria evitar qualquer expressão que pudesse tornar odiosa a confissão; c) tudo aquilo que é manifestado na confissão, para que o confessor compreenda a acusação, como as circunstâncias do pecado, a cumplicidade etc.; d) tudo aquilo que aconteceu na confissão ou que se veio a saber por meio dela, sempre que guardar relação direta com a absolvição sacramental, como a penitência imposta, a absolvição denegada etc.”

    A pena para quem viola o sigilo, é estipulada no cânon 1388:

    “Cân. 1388 - § 1. O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica, quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade de delito.

    § 2. O intérprete e os outros mencionados no cân. 983, § 2, que viola o segredo, sejam punidos com justa pena, não excluída a excomunhão”.

    Ou seja, deve ter muito sacerdote sabendo de cada coisa kkkkkkkkkkkkk

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    1. Matheus

      Perfeito! Sabem e muito!!!! Pode ter certeza.

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  23. Toda arapuca armada por judeus sempre pegou patos. A diáspora, o cristianismo, o holocausto da segunda grande guerra, a terra santa e seus suicídios. O cristianismo não foi uma empresa criada para dar certo, assim como a super sena também não.

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  24. Matheus, você disse: "Não perdoar a si mesmo é julgar-se impassível de erros ou não ter humildade para assumi-los, talvez por isso muito recorram ao mortal, para que sua deficiência em se perdoar seja minimizada pelo perdão do sacerdote. Preferem continuar no papel de vítima de si mesmo para esconder o orgulho e a covardia em assumir sua responsabilidade diante do fato."

    Confesso que no meu ministério, tenho encontrado mais pessoas se martirizando por suas culpas, que crendo que não são passível de erros. Encontro mais pessoas que não conseguem perdoar a si mesmo, por acreditarem que não merecem o perdão de Deus.

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  25. Nobre Amiga Guiomar,

    Se todos fossem idênticos, não faria sentido estudarmos as questões que envolvem o ser humano, bastaria uma única tese e tudo estaria resolvido. Por isso entendo e acredito no que afirma, embora não veja como regra absoluta.

    O ser humano é complexo e reage a seus sentimento de diversas formas. E Deus se torna sempre o melhor amparo na hora da fuga, tanto dos que não se perdoam porque não conseguem se perceber falhos, como os que não se julgam merecedores do perdão divino.

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  26. Gil, "Pois uma coisa é você pedir perdão a Deus diretamente, outra coisa é você conversar com alguém cujo pessoa você o vê como líder e com bagagem para orientar. O efeito psicológico é bem diferente."

    No meio evangélico a estas pessoas que ouvem o coração de alguém e ajuda-o, é chamada de conselheiro espiritual. Este deveria ser o papel principalmente do pastor, mas infelizmente, hoje, temos mais administradores que pastores.

    Fiquei impressionada com as informações que Matheus registrou sobre o confessionário. Este sigilo, se realmente é tão respeitado, tiro o chapéu para os sacerdotes católicos.

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    1. Guiomar

      Na ICAR também são raros os pastores hoje que pastoreiam....

      A quebra do sigilo de uma confissão é gravíssimo tal qual o Matheus relatou já que foi direto à fonte que é o cânon da Igreja.

      Eu particularmente nunca presenciei tal fato em minha vida. Não sei se existe. O sacerdote que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae.

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  27. Gil, concordo com você que o efeito psicológico da confissão é salutar. (daí o sucesso das análises psicanalíticas).

    Eu discordo do Matheus, do Mirandinha e do amigo Filósofo de Rua. A afirmativa do Márcio só se mostra verdadeira enquanto aplicada à instituição do cristianismo histórico e não ao pensamento cristão bíblico.

    É evidente que esse papo de "criar necessidade" nunca foi pensado pelos antigos cristãos; o que eles tinham era uma leitura de mundo, e essa leitura dizia que todos os homens estavam afastados de Deus devido a seus pecados (roubos, assassinatos, injustiças, hipocrisia, etc etc - esqueçam os "pecados" inventados pela igreja evangélica) e que em Cristo, Deus resolveu não condenar mais os homens pelos seus pecados, se tão somente eles cressem em Cristo.

    Era essa "energia espiritual" do Cristo que induzia o crente a não matar mais, a não roubar mais, a não ser injusto, etc, e nunca o contrário.

    Deus não criou uma necessidade, ele acabou com toda a necessidade de expiação mecânica da antiga lei.

    Esse era o pensamento do cristianismo antigo.

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    1. Edu eu me expressei mal lá em cima você tem razão. Eu pensei no medo imposto quando se falava exageradamente do pecado e do demônio e não em relação a existência do pecado em si.

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  28. Nobre Amigo Edu, Altamirando e demais Confrades,

    Quando falo do cristianismo sendo perspicaz e agindo como uma empresa para dar lucros, falo exatamente da questão institucional e não dos pilares do ensinamento cristão que se dá na pessoa e palavra do Cristo.

    Falo do momento em que Constantino percebeu que os abençoados trabalhavam com mais empenho quando tinham liberdade de professar suas crenças e resolveu adotar o cristianismo em Roma. E desta forma ele cria sim uma espécie de empresa, pois visava lucro, e isso se estendeu por eras e até hoje é um bom e lucrativo negócio, com chances minimas de dar errado.

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    1. Matheus, claro que não existe negócio algum mais lucrativo. Os "vendedores" não têm obrigação de entregar o produto vendido e ninguém voltou para reclamar. Deu certo com Constantino, deu certo com o catolicismo e está dando certo com os evangélicos. Haja besta!...

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  29. Nobres Amigos Confrades,

    A única coisa que me revolta como teísta é ter que concordar com Bruce Calvert quando diz, “Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes do que pensadores”, isso realmente me indigna ao analisar o cristianismo.

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  30. O cristianismo deveria instituir o seu próprio Iom Kipur. Assim todos nós pediríamos perdão de nossos pecados no atacado. Não é mesmo Edu...

    Particularmente não concebo a ideia da transferência para o homem de uma prerrogativa exclusiva de Deus.

    Outrossim. Visto que a rigor, nossos erros de alvos que atingem a Deus são cometidos na esfera horizontal, pois não pecamos sem a participação do outro, seria coerente até mesmo com a justiça divina se nos consertássemos também nessa dimensão.

    Pode ser que acaso tivéssemos como ter uma conversa franca com Deus tête à tête, com a proposta de o apresentarmos nossos pecados, Ele diria: Meu filho. Não me importunes com essas coisas. Mas já que estás aqui, deixe-me perguntar: já resolveu suas pendengas com a outra parte? Se não, não perca seu tempo comigo. Pois não estou nem um pouco ofendido com você. Pois a mim nada fizestes...

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  31. Nobre Amigo Donizete,

    Isso me lembrou aquela passagem que o camarada vai levar a oferta ao altar e é mandado, isto mesmo, mandado retornar e reconciliar-se com o irmão.

    E também aquela que fala sobre tudo que for feito aos pequeninos estava sendo feito a Cristo (Deus), sendo assim, o que diz merece uma atenção especial.

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  32. Exatamente Mateus.

    Essa foi a ideia.

    Erros de alvos são cometidos em nosso mundo. Nas relações humanas. Uma vez resolvidos aqui, resolvidos também lá.

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  33. Nobre Amigo Donizete,

    Tem algo que aprendi com minha falecida e nobre avó, e que hoje muito me ajuda no caminhar, ela dizia:

    "Queres viver em paz com Deus, viva primeiro em paz consigo mesmo, ai poderás viver em paz com seu irmão, e sem que perceba estarás em paz com Deus"

    Pois se não estiver em paz comigo, não poderei estar em paz com meu semelhante, pois o ensinamento diz que tem que "ser como a mim mesmo", e se não estiver em paz com o meu semelhante que esta visivelmente ao meu alcance, como terei paz com Deus, que somente por meio de minha fé vem a existência??? (parafraseando Cristo no aperfeiçoamento da lei e João em sua primeira epístola ao falar sobre a mentira de amar a Deus e repudiar o irmão)...

    As vezes penso que complicamos demais as coisas, e que no fundo minha avó é que estava certa kkkkkk

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  34. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.

    Quando disse ao MATHEUS que voltava ao tema do espiritismo e a confissão foi meio que esperando uma réplica do confrade, que veio em boa hora e ficou assim delineada:


    "Quando me referi ao espiritismo e sua ideia de perdão, foi na intenção de falar sobre o “auto-perdão”, algo que por eles é praticado para que prossigam em paz em suas jornadas de evolução conforme eles creem. Algo que todos nós também praticamos denominando de “exame de consciência”. Lembram da frase do velho filósofo Sócrates falando a respeito da vida irrefletida? Ou do velho clichê da santa ceia expressado por Paulo que dizia, “examine-se pois o homem”? Sem este exercício, a confissão de pecados se torna mera formalidade".

    Para o crente o perdão dos pecados é o ato que o reconcilia, através da Igreja, com Deus, já que o pecado afasta o pecador do convívio cristão lançando-o ao inferno ou pelo menos ao purgatório.

    Muito bem! Só que inferno, purgatório, Satanás, são estranhos ao espiritismo, porque nesta crença a pessoa evolui e em cada etapa deste caminho vai perdendo a casca, a matéria, até se tornar espírito puro. Ora, é uma religião eminentemente antropocêntrica, onde o homem é o centro de tudo e não Deus. Portanto, não há nenhum sentido em confessar pecados se esses pecados são naturalmente expurgados mais cedo ou mais tarde por mérito pessoal à custa de sucessivas reencarnações.

    x.x.x.

    GUIOMAR, não sou eu quem diz que o pecador está excluído da comunidade, é a Bíblia, é a Igreja, eu apenas repito o que inclusive é mais ou menos óbvio, afinal não foi por conta do pecado que nossos pais foram expulsos do paraíso? Todo mundo peca, diz corretamente São João, mas todo mundo deve procurar expiar o pecado, confessar-se e fazer o amanhã melhor que o hoje e o depois de amanhã melhor do que o amanhã.

    Esta é a nossa busca. E quando vc novamente cita São Tiago e a confissão de "uns aos outros" me espanta que não comungue da confissão para tal, especialmente quando obrigatoriamente deve mirar, entre outras passagens, Jo, 21. Pelo jeito a confreira entende este "uns aos outros" como o pedido de perdão recíproco, o desculpar-se mutuamente.

    Certo que isto também é verdadeiro, afinal de contas se alguém procura o padre no confessionário para ver-se livre do pecado mas não perdoou seu irmão, que vantagem tem? Sobre colidir com a virtude da caridade ainda desnatura o que o Mestre disse: primeiro procure reconciliar-se com seu irmão, depois vá e faça sua oferta à Igreja.

    Uma coisa não se confunde com outra, pelo contrário se interpenetra e se completa.






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  35. x.x.x.


    EDUARDO, vou me ater somente à confissão do Papa, pois vc acabou de dizer que Jesus não só não deu nenhum poder à Igreja como também nega que tenha fundado o cristianismo, o que evidentemente é algo que traz (para mim) uma perplexidade sem nome. De qualquer forma, só me resta respeitar sua opinião até porque você respeita a minha e não poderíamos agir diferentemente.

    Quis dizer que o Papa também peca, porque é humano e todo homem peca, como nos lembrou a GUIOMAR citando a 1Jo. Ora, se ele peca ele precisa se confessar com alguém, obviamente alguém hierarquicamente inferior a ele, já que é a autoridade máxima na Igreja: ora, provavelmente deve ter um cardeal, um arcebispo ou mesmo um padre que seja seu confessor.

    O importante é que a confissão seja feita a um sacerdote, como evidentemente o Papa, mais do que ninguém, deve acreditar e aceitar.

    Aliás, o GILBERTO trouxe a explicação para o caso, e eu tomo a liberdade de copiar:

    "O Papa tem um orientador espiritual. Tive o prazer de conhecê-lo em um retiro. Um religioso (padre) fantástico em todos os sentidos, mas principalmente conhecedor prático da espiritualidade"

    Em seguida vc, diz: "Os primeiríssimos seguidores de Jesus - seus apóstolos e primeiros convertidos judeus, frequentavam não uma catedral e sim, o Templo judaico até quando ele estava de pé. Ali não havia ainda cristianismo".

    Claro que Jesus frequentava o templo judaico. Ele e seus seguidores, até quando ressuscitou. Vemos logo nos primeiros capítulos de Atos que os apóstolos se encontravam reunidos no cenáculo no primeiro dia da semana quando o Espírito Santo desceu sobre eles.

    Eis ali a constituição orgânica da Igreja, seus primeiros passos, que não era numa Sinagoga, por certo. Tanto assim que os primeiros cristãos eram acuados de pertencer à "seita do nazareno", como nos diz a Bíblia.


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  36. x.x.x.

    GILBERTO, como nos disse em boa hora o MATHEUS, o padre não pode contar a ninguém sobre o segredo que lhe é confiado no confessionário, seja ele qual for.

    Pelo ângulo da religião ficou claro a proibição, porque nosso colega catarinense trouxe até fundamento legal, no Código de Direito Canônico. E vc tratou de corroborar a cita lembrando da excomunhão ao membro da Ordem que a desrespeitar.

    Mas, e pelo ângulo da Justiça comum? Estaria o padre obrigado pelas leis ordinárias a contar o crime ou mesmo alguma outra falta de ordem civil à Polícia ou em Juízo?

    Não. tratando-se de matéria cível o Código de Processo diz textualmente que a testemunha não é obrigada a depor sobre fatos "a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo" (art. 406, II).

    Em sede de matéria criminal a disposição é ainda mais incisiva: "São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho" (art. 207, CPP).

    Mas sobre o tema do segredo confessional o DONIZETE escreveu o seguinte: "O cristianismo deveria instituir o seu próprio Iom Kipur. Assim todos nós pediríamos perdão de nossos pecados no atacado. Não é mesmo Edu..."


    E, GILBERTO, sabe que o confrade tem razão na gênese? Ora, se a confissão é a forma pela qual o pecador é reintegrado na comunidade, se é um ato eminentemente eclesial, não seria muito mais correto, esperável e consentâneo com o princípio da Igreja que a confissão fosse realmente "no atacado"?

    Certo que há as "confissões comunitárias". Mas nestas o confitente se confessa individualmente ao seu confessor, onde o pecado de cada qual e contado e ouvido individualmente.

    Falo da confissão individual, em alto e bom som, para toda a comunidade: esta sim, seria a confissão mais real e que certamente remonta aos primeiros tempos, afinal este "uns aos outros" de que nos fala São Tiago e nos rememora a GUIOMAR, tem inapelavelmente este sentido coletivo.

    É interessante isso: faz-se individual e secretíssimo sem possibilidade de se contar à "ecclesia" o que por gênese é ato que interessa diretamente a toda essa mesma "ecclesia".

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  37. Este comentário foi removido pelo autor.

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  38. João, seu texto é belo. E a sublime mensagem que me atinge é que pecados são perdoados pois o nosso progresso é o objetivo da nossa existência. Buscaremos maneiras de aplacar a dor da nossa consciência, pois é por meio dela q sabemos que algo está errado, precisa ser transformado em nós. Se confessar para o padre é meio de aplacar a dor do agravo está bem, se alguém entrar em seu quarto e orando confessar e sentir-se perdoado muito bem e se alguém apenas se arrepender e mudar seu rumo, buscando abandonar a prática que o entristece, então essa pessoa está pedindo perdão sem palavras. Outra mensagem é que mesmo Jesus NÂO sendo Deus, era capaz de conhecer o teor do coração dos homens e declarar até que os pecados eram perdoados pela evidência provocada pela fé e pela ação. Se ele q se declarava menor que o pai, não se importou com questões burocráticas religiosas e com um simples olhar deu a sentença de que ali havia arrependimento, fé e cura, penso que Deus não precisa de muito mais que isso tb para compreender o que vai na mente humana. Essa possibilidade de mudança que nos é dada diariamente é sublime mesmo.
    Um abraço. Fica com Deus.

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  39. O Deus para quem eu confesso, é um arquétipo da entidade, eles se manifestam para todos conforme a necessidade e portanto, o arquétipo desse mesmo Deus que fale com vocês, vai ser diferente. Pois vocês têm necessidades, questionamentos e entendimentos diferentes do meu.
    A humanidade é repleta de pessoas em diferente níveis de conhecimento, e que tem ainda que lutar contra o conhecimento comum da sociedade para ter sua própria visão de espiritualidade, independente de cultura, religião e credo para finalmente ter experiências com a sua própria espiritualidade, seu Anjo ou Guia e portanto seu próprio arquétipo divino.



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  40. Mirandinha, ótimo comentário!!

    pois não é certo que dentro de uma mesma igreja diferentes pessoas tenham "relacionamentos" e entendimentos diferentes sobre o mesmo Deus?

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  41. EDu meu caro,

    Veja na nossa pequena confraria os diferentes deuses. O Deus da Guiomar não é o mesmo do João Cirilo que é diferente do seu e menos parecido com o meu que não é igual ao do Marcio Alves e a nenhum dos quais a Anja se confessa. Uma verdadeira esbórnia. He, he, he...(Festa solene em honra de Dioniso ou Baco, na antiguidade) Com certa sutileza...

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