terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A Responsabilidade é Minha, em Contrapartida a Culpa da Religião

Por Matheus De Cesaro

“A fé sem ciência é loucura, a ciência sem fé é fanatismo”
Martinho Lutero

Estou a alguns meses analisando e buscando entender algumas questões que envolvem crenças e convicções  associadas a violência e intolerância. E é certo que os nobres confrades concordam comigo que a violência é uma atitude um tanto quanto desprezível ao ser humano, sendo este dotado de racionalidade. É muito comum ouvir e ler frases de defesa a determinadas mazelas do tipo, “é culpa das religiões”, “é culpa da igreja”. Mas confesso que ultimamente eu fiquei muito inquieto e pensativo a respeito destas afirmações, que tendem a acusar, mas no fundo me parecem um mecanismo de defesa, um mecanismo de fuga as responsabilidades.  Percebendo  que há muitos religiosos que são exemplos de caráter, e que fazem o que for possível para promover a paz em todos os âmbitos, e também vendo uma infinidade de não religiosos que espumando nos cantos da boca promovem violência, ódio, ira e males a sociedade, resolvi tentar entender tudo isso, digo tentar, porque há algumas atitudes que são incompreensíveis (tanto de religiosos, como de não religiosos) se tratando de seres que em tese, pensam. Por isso quero aqui neste artigo falar um pouco sobre este “fanatismo”. Mas não o fanatismo religioso somente, mas sim, o fanatismo em si mesmo, nas nossas convicções. Que sejam as cartas lançadas sobre a mesa!


Começo trazendo o significado literal e etmológico do termo em questão.

"Segundo o dicionário Aurélio, fanático é aquele que segue cegamente uma doutrina ou partido, o termo não esta ligado unicamente a doutrinas políticas ou religiosas, pois tudo aquilo que leva o indivíduo ao exagero é considerado como forma de fanatismo. Esse termo tem uma de suas raízes no francês "fanatisme" e corresponde ao estado psicológico de extremo fervor, irracionalidade e obcessiva persistência naquilo que diz acreditar, independente de ser positivo ou negativo. É  extremamente frequente a paranóias, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se de delírio e da insanidade."

Para a psicologia, o quadro clínico de um fanático se faz real, quando o mesmo apresenta sintomas como, agressividade fora do normal, multiplicidade de preconceitos irredutíveis, dificuldade de compreensão a outras ideias devido a uma estreiteza mental, uma extrema credulidade no que são suas convicções ou a um sistema de crença, ódio, criação de sistemas subjetivos de valores próprios e por fim um intenso, cansativo e incontrolável individualismo. 

Pessoas que apresentam este quadro clínico são tendenciosas a radicalismos extremos, e são levadas a uma completa intolerância com aqueles que ousam não compartilhar de suas ideias e predileções. Segundo diagnósticos psicológicos, pessoas com estes comportamentos são marcadas por atitudes irracionais e agressivas, que podem chegar a extremos perigosos, fazendo até mesmo uso da violência como recurso para defenderem seus pontos de vista.

Estamos acostumados a identificar estes comportamentos na esfera religiosa com mais frequência, mas gostaria de enfatizar aqui, que este comportamento doentio esta longe de ser um privilégio dos "religiosos", e se percebe também nos meios cientifico, politico, esportivo, e tantas outras áreas. Por isso debater dentro da esfera religiosa, atribuindo o fanatismo somente aos religiosos e fazer da religião uma válvula de escape para camuflar fanatismos internos, que seriam nossas próprias convicções que defendemos com unhas e dentes. Talvez a hipótese de que todos nós sejamos fanáticos em nós mesmos (próprias convicções) seja um ideia mais próxima de ser uma suposta verdade. Pois se analisarmos bem, com honestidade, é muito comum defendermos com muito empenho e determinação nossos discursos, os tornando plausíveis e coerentes ao momento e contexto em que estamos. E nisto, muitas vezes, nos tornamos inconscientemente (as vezes conscientemente, o que é uma lástima) intolerantes difundindo preconceitos, desavenças, ódio e raiva ao contraditório.

Se analisarmos a história das religiões e suas bases principais, suas origens, constataremos que todas possuem um objetivo principal definido, e em tese bom. Que é o aperfeiçoamento do ser humano por meio de um Ser maior, divino, que por meio de um processo especifico (conforme a crença escolhida) o aperfeiçoa no intuito de que se torne uma pessoa boa. Existe um alvo, uma diretriz, que se for seguida pela base principal, a origem da religião em si, não tem maneira de se produzir o mal, a não ser pela cegueira do fanatismo. Por isso insisto em enfatizar, que o mal nasce na esfera religiosa, quando se perde o alvo, o foco, e se deixa tomar pelos seus fanatismos internos, criando assim seus próprios alvos. Como disse o filósofo e ensaísta americano George Santayana ao falar sobre como via o fanatismo, "O fanatismo consiste em intensificar os nossos esforços depois de termos esquecido o nosso alvo". É para mim, aqui que nasce e reside o mal das religiões, no homem, e não na religião em si.

Longe de mim, tentar aqui inocentar a religião, apenas tenho o intuito de afirmar que assim como não é a religião inocente, também não pode ser ela culpada. Pois são os homens, somos nós que a construímos, é são nossas as responsabilidades pelas mazelas que surgem  e pela má compreensão da ideia são produzidas, e acabam pela mídia se tornando a  ferramenta que a transforma em um terrível monstro a ser combatido. Trago este assunto a tona, não por ser um religioso ferrenho, até porque não o sou. Mas pelo fato de perceber que se tornou meio que um "modismo" culpar a religião pelas mazelas existentes. É assim nos confrontos na Palestina, é assim no caso da homofobia, no caso do aborto não ser legal em alguns países, é assim sempre que há casos de violência e preconceitos, e no meio há alguém com a bandeira de alguma religião levantada. Seria tudo culpa da religião mesmo?

Eu participo de fóruns com religiosos e não religiosos, e vejo diariamente discussões onde acusam a religião de intolerância, e ao mesmo tempo agem contra a mesma com intolerância mutas vezes até maior. A grande maioria dos não religiosos expressam uma raiva gigantesca, ódio, e isso não acontece porque não são religiosos, mas sim porque alimentam convicções irrefutáveis em suas mentes, das quais seriam capazes de tudo para defende-lás. E então? A culpa é da religião?

Estas afirmações tendenciosas não seriam apenas fuga de suas próprias responsabilidades?

Até que ponto a religião é como afirmou Jung, "fundamental ao funcionamento do psiquismo e ajuda o homem a compreender realidades do universo que não podem ser conhecidos de outras maneiras".

Quando se encerra o fenômeno religiosos e entra em cena um quadro clínico de fanatismo, tornando a culpa desta atrocidades em nome da religião uma responsabilidade pessoal?

Encerro este pequeno ensaio, com uma frase do meu poeta e filósofo favorito, denominado pelos critícos de "filósofo pop", Friederich Nietzsche

"O fanatismo é a única forma de força de vontade 

acessível aos fracos"

31 comentários:

  1. Muito apropositado seu texto, li em um único folego portanto, tenho que voltar a ler.

    Concordo plenamente com você Matheus. A violência independe de credo, ela está dentro de muitos de nós. No meu texto "http://davidguiomar.blogspot.com.br/2009/08/pagam-para-assistir-e-ainda-deliram-com.html#links no nosso blog eu disse em um parágrafo:

    Grande parte das mesmas pessoas que se revoltam diante das injustiças sociais grita e esbraveja nas arquibancadas dos ringues da vida: maaata! Acaaaaaba com ele (a)! Pula, espuma, fica histérica, e se o seu favorito ganha, volta feliz, comentando com o máximo prazer sobre as cenas mais sanguinolentas. Isto não seria fanatismo?

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  2. Nobre Amiga Guiomar,

    Com certeza.

    O fanático é incorruptível: assim como mata por uma ideia, pode igualmente morrer por ela, nos dois casos, tirano ou mártir, é um monstro. E isso esta explicito em todas as esferas onde existam dois lados, e não somente na religião como alguns tendenciosos ousam afirmar.

    É um problema de ordem psicológico, que necessita ser tratado. É uma doença, que parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de "ter sido escolhido por Deus para uma missão tal", ou de "pensar que somente o seu partido politico é capaz de produzir solução, sendo todos os outros impotentes", ou ainda "pensar que somente o seu time de futebol tem importância", ou ainda também na música ou outra área qualquer haja este tipo de sentimento absoluto, já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose, que poderíamos denominar de fanatismo.

    Infelizmente muitos ignoram essa realidade.

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  3. Nobre Amiga Guiomar,

    Em tempo.

    Alguns sintomas que caracterizam o "fanatismo" são muito visíveis nas redes sociais. Um deles, é "a extrema credulidade no que são suas convicções ou a um sistema de crença", e as pessoas que deixam mais nítida estas características são as que a negam, e sempre vem com clichês do tipo,

    "Sou libertário", "luto pela liberdade de todos", mas na primeira ocasião em que é contrariado, se expressa com revolta, com cinismo, ou ofensas. É o típico camarada que se julga libertário e defensor da liberdade irrestrita, desde que todos concorde com a sua ideia do que seja liberdade. Enfim, POSER... E infelizmente estamo rodeados de poser's!

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  4. O ser humano deveria ter um medidor que determinasse a quantidade exata de paixão, entusiasmo, entrega e valores que ele deveria atribuir as coisas, seus ideais, seus desejos e crenças.

    Existem sentimentos, como por exemplo, inveja, ciúme e ansiedade, que nós repudiamos. No entanto, segundo especialistas, são extremamente necessários para um desenvolvimento pleno em nossas vidas.

    Outros porém, que nós listamos como sendo sentimentos acima de qualquer suspeita, porém presentes em mentes estreitas e desequilibradas, podem transformar a pessoa num monstro. Assim é o fanatismo. É a atribuição de zelo e cuidados exacerbados à ideologias, objetos, sistemas e crenças entre outras coisas.

    O fanatismo, via de regra são associados a temas de natureza religiosa e política. Mas falando da nossa própria casa, no caso o Brasil, o fanatismo mais presente está relacionado as torcidas de futebol.

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  5. Enxuto e gostoso de ler o teu texto, Matheus.

    É certo que cada um de nós tem um pouco de neurose. O problema é quando ela se intensifica e cria em nós a recusa em não assumirmos a responsabilidade pelo que fazemos ou produzimos. Freud, já fazia essa emblemática pergunta a si mesmo:

    “ Quem mais além de mim, pode se responsabilizar por algo que, embora eu não controle, não posso deixar de admitir como parte de mim mesmo?”

    Quando um perdedor em um debate ou em um jogo não se vê como perdedor e sim como um prejudicado, surge então o ressentimento. Quando o perdedor não entende a si mesmo, fica dominado por esse tipo de afeto. O ressentido, escreveu Nietzsche, “sofre de uma memória reiterada de um impedimento a esquecer. O que ele não pode esquecer? O que considerou como agravo. O ressentido sofre porque se dá conta de que deixou de viver o que o momento lhe oferecia, e quer acusar o outro que sabe dizer sim à vida, do prejuízo pelo qual ele é o único responsável”

    Nietzsche vai mais longe, quando diz: “A dívida dos homens com seus antepassados ― ou com Deus ― na falta de condições de pagamento cresceu tanto que se tornou impagável, de modo que cada incremento de vida produziria um inchaço do débito. A dívida, portanto, culpabiliza a própria vida; ao tornar-se impagável, é necessário que o próprio Deus assuma a penitência em lugar dos homens”.

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  6. Nobre Amigo Donizete,

    Quando Él Bigodon diz, "O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos", para mim, isto resume exatamente esta questão de super valorizarmos algumas atitudes e sentimentos que ao nosso entender estão acima de qualquer suspeita e podem nos tornar superiores. E você, ao citar o uso destes sentimentos por "mentes estreitas e desequilibradas" me trouxe uma compreensão mais ampla de quem seriam os fracos citados por Nietzsche.

    "Outros porém, que nós listamos como sendo sentimentos acima de qualquer suspeita, porém presentes em mentes estreitas e desequilibradas, podem transformar a pessoa num monstro. Assim é o fanatismo. É a atribuição de zelo e cuidados exacerbados à ideologias, objetos, sistemas e crenças entre outras coisas"

    Mas ainda há o outro lado da moeda Doni. Pois o fanatismo ao meu ver se torna muito mais perigoso nas pessoas que possuem uma mente mais aberta do que nestes denominados de fracos por Nietzsche. Pois tendo um pouco de inteligência, multiplica-se a capacidade de manipulação dos fatos, acontecimentos, crenças e pessoas ao seu favor. Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade. Esta crença cega, ou irracional, parece insanidade quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal, sem apresentar qualquer comportamento nocivo, ou que produza preocupação. A não ser pelo fato de ser um tremendo de um chato.

    Porém, quando o fanatismo se combinar com uma inteligência tecnologicamente preparada, se torna um perigo eminente para si próprio, a comunidade e até mesmo para a civilização em um contexto geral. Assim ocorre no terrorismo, que na verdade não passa de uma das muitas expressões de fanatismos fundamentalistas que temos espalhados por aí.

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  7. Nobre Amigo Levi,

    Concordo com você quando diz que todos somos em tese, e em alguns momentos "neuróticos".

    Talvez a maior neurose associada ao fanatismo e ao ressentimento seja a insistência em provar que uma suposta verdade é superior a outra suposta verdade, percebi isto analisando o comportamento de algumas pessoas em debates na rede social. Constatei que de fato não se busca um crescimento intelectual e benéfico a construção de ideias e sim a vitória, o ganho, as palmas, e a velha frase "você tem razão". Nisto gerasse ressentidos e vitoriosos de mente estreita, gerando comportamentos doentios e mediocres por meio do fanatismo em si próprio.

    Freud tinha razão...

    “Quem mais além de mim, pode se responsabilizar por algo que, embora eu não controle, não posso deixar de admitir como parte de mim mesmo?”

    A responsabilidade é minha.

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  8. Nobres Amigos Confrades,

    Quero aqui mencionar uma palavra que esta relacionada a esta temática, e que até o inicio deste século pouco era utilizada, mas que se tornou popular, e até virou clichê em debates religiosos. Desde que explodiram as torres gêmeas nos EUA, muito se fala sobre "fundamentalismo", este termo se tornou comum nos meios de comunicação, nos livros, nas universidades, nos lábios dos professores e por aí vai...

    Minha pergunta é:

    Afinal, o que é "fundamentalismo", e de que forma ele esta relacionado com o "fanatismo"?

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  9. Muito bom texto, Matheus.

    o fanático é sempre um barril de pólvora. Pode alguém ser fanático por alguma coisa e respeitar aquele que não vê a mínima graça no que ele fanatiza? Mas pode haver também aquele fanático não violento; por exemplo, ele é fanático por seu time mas nunca pensou em matar numa briga um torcedor de um time rival.

    Isso é possível? pode existir um "fanatismo equilibrado"? - deixo aí a pegunta para os confrades.

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    1. Edu

      Há Fanáticos e fanáticos. No que diz respeito ao torcedor fanático de um time. Há alguns torcedores perdedores que descarregam a sua paixão fanática de maneira violenta espancando o torcedor do time vitorioso – uma agressão física. Há outros torcedores fanáticos que descarregam sobre si mesmo, a agressividade quando seu time perde – tipo aqueles que ficam imensamente macambúzios ou tristes, deprimidos até por dias ou semanas. Há aqueles fanáticos que não agridem fisicamente, mas descarregam sua agressividade de forma verbal, atacando a honra do juiz, por exemplo. (esse tipo de fanatismo, eu de vez em quando faço - rsrs).

      Em suma, talvez o que eu queira dizer é que existem graus de fanatismos. Uma professora minha de psicologia na faculdade sempre dizia que não existe essa coisa de normalidade. Todos nós temos um pouco do louco, ou de TOC. Tudo é questão de grau, para se tornar doentio, prejudicial a si próprio e ao outro.

      Talvez um torcedor fanático equilibrado seja aquele que reprime a sua agressividade, para descarregá-la em forma de generosidade – tipo altruísmo interesseiro. O psicanalista Flávio Gikovate, gosta sempre de dizer que “os egoístas sentem prazer em ajudar terceiros em dificuldades não por força da noção de justiça, mas pela vontade de se exibir como pessoas justas e boas". Ele tem lá suas razões... (rsrs)

      Agora me lembrei de Saulo de Tarso que certa vez, num insight, bradou: “Miserável homem que sou !...”

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  10. Matheus, qual sua preocupação com o fanatismo? Com o fundamentalismo? Como bem lembra o Eduardo existem fanáticos alegóricos, esses são motivo de alegria nos palcos e avenidas. Será que sua preocupação é com a violência?
    Eu digo no tom mais convicto, fanático que me for possível. NÃO PERCA UM SEGUNDO DE SEU TEMPO SE PREOCUPANDO COM A VIOLÊNCIA, COM A FOME, COM A CORRUPÇÃO. TODOS ESSES E MAIS OUTROS MALES QUE VOCÊ PUDER IMAGINAR, SÃO MENORES EM FACE DA COVARDIA!
    VÊ, PODEMOS SER FANÁTICOS! SÓ NÃO PODEMOS SER COVARDES!
    Agora! volta pro buteco! que ideia é essa de largar agente lá, falando sozinho. rrsssss!

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  11. Levi, era essa resposta que eu esperava ouvir, pois concordo com ela. Há diferentes graus de fanatismo. Mas também de uma forma ou de outra, somos fanáticos por alguma coisa mas não necessariamente, isso tem que descambar para a violência.

    O fanatismo religioso é um grande problema nos nossos dias. Este começa quando alguém diz "O meu deus(ou minha religião, minha doutrina, minha teologia, minha experiência) é verdadeiro e o seu é falso"- aí acendeu-se o pavio.

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  12. Pior é o pobre de espírito que adiciona razões para seu fanatismo.

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  13. Nobre Amigo Gabriel,

    Olha meu amigo, não é uma questão de preocupar-se com o fanatismo, é uma questão de identificar raízes. Quando você tem um problema, como no caso de sua preocupação a "covardia", é necessário que você encontre as raízes deste problema para então ter ideias suficientes para a produção de uma possível solução. E um fanático quando se encontra em níveis extremos, tendendo a violência, é o camarada mais covarde que você possa imaginar. Pois ele nunca assume suas ações, lançado a responsabilidade do que faz sempre naquilo que acredita e o enfeitiça.

    Agora quanto a sua repreensão franca e aberta, lhe peço desculpas, mas já estou retornando ao boteco, e espero chegar encontrar lá uma boa "loura gelada" kkkkkkkkkkkkk

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  14. Nobre Amigo Altamirando,

    Sem supostas razões não há fanatismo. O fanatismo nasce de uma suposta razão, logo, nunca encontrará um "fanático" que não esteja munido de diversas razões. E com certeza isso é um pobreza de espirito lamentável.

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  15. Sei que o fanatismo se embasa em supostas razões, mas existem alguns pobres de espírito que adicionam suas idiossincrazias a este fanatismo se tornando formadores de opinião para outros mais pobres de espírito.

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  16. Nobre Amigo Altamirando,

    Ai sim ferrou kkkkkkkkkkkkkk

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  17. O fanatismo inteligente é muito mais perigoso Matheus. Você está coberto de razão.

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  18. Nobre Amigo Donizete,

    Aí de você se não dissesse que tenho razão. Já estava pronto para me transformar em mais um homem-bomba e cumprir com minha missão.

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  19. o fanatismo "inteligente" seria no caso o fanatismo não violento meu caro confrade Doni? e por que seria ele "inteligente"?

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  20. Nobre Amigo Eduardo,

    O que falo ser mais nocivo, e me parece o nobre amigo Doni estar em concordância corresponde ao encontro de uma mente inteligente com o fanatismo. Isso o torna uma bomba prestes a explodir.

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  21. Nobres Amigos Confrades,

    Em relação ao encontro de uma mente inteligente e o fanatismo é algo muito complicado e desastroso. O professor da FEUSP Jean Lauand ao falar sobre como surge o fanatismo afirma,

    "O fanatismo não surge do nada. O perigo do fanatismo são as bases reais que o possibilitam e a sutil extrapolação da verdade por uma hábil e calculada retórica que - insisto, a partir de certas verdades - descamba para o exagero e para o erro. Naturalmente, isto só pode ser feito fora do âmbito estritamente racional e lógico... de preferência em ambientes de massa, altamente emotivos (embalados por hinos, gestos e linguagens próprias do “grupo”), e com algum tipo de apelo absoluto: seja o “Deustschland über alles”, o alviverde imponente, o “Allahu Akbar” ou a “entrega incondicional a Jesus”. O fanatismo floresce sobretudo no âmbito do ressentimento, da revanche, da superação de uma humilhação. E ainda mais se os ressentidos julgam que se trata de uma humilhação injusta e indevida, sobretudo em contraste com um período de esplendor perdido e que deve ser recuperado a todo custo. O quadro se completa se, além disso, for possível identificar um inimigo (real ou imaginado), responsável pelo atual período de decadência."

    Partindo do que lemos aqui, e do que falava ser a soma do inteligente ao fanatismo, me vem a mente "Hitler e a Alemanha Nazista". Afinal, Hitler mesmo sendo um monstro, era muito inteligente, e talvez um dos líderes mais eficazes que o mundo já presenciou. Infelizmente sua ideia era má, e sua cegueira nisso o transformou em um louco.

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  22. Para citar somente um exemplo Edu. A destruição das torres gêmeas nos EUA.

    Foi tudo, absolutamente tudo orquestrado por um grupo de pessoas altamente técnicas.

    Desde a logística, passando pelo uso da tecnologia até o profundo conhecimento de engenharia.

    Estes terroristas, ditos "fanáticos", são capazes de destruir até o planeta se acaso lhes sobrar uma oportunidade.

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  23. Os Homens bombas são os fanáticos de mentes estreitas e desequilibradas a qual eu citei. Pois esses são treinados por alguém...

    Os dotados intelectuais, ou a ala pensante desses grupos é que tira o sono dos serviços de inteligência dos países...

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  24. Nobre Amigo Donizete,

    Me parece que temos em mãos o mesmo artigo, que diga-se de passagem é um bom artigo rsrsrsrs

    Sobre as torres gêmeas, vale lembrar, já que estamos falando de "inteligência dominada pelo fanatismo", que Bin Laden não era simplesmente um louco, um terrorista psicopata, e sim, era alguém que surgiu perante o povo como um salvador, alguém que os traria de volta a dignidade que então havia sido tomada. Pois era diante de uma cena assustadora, tenebrosa e desesperadora que ele surgia. Diante de um contexto marcado por tantas humilhações históricas dos árabes, Bin Laden apresenta seu projeto como a recuperação do esplendor e do poderio da civilização muçulmana dos tempos do califado de Bagdad e de Al-Andalus. Não se tratava simplesmente de um lunático, mas sim alguém que sabia onde queria chegar, e tinha arquitetado uma forma de tornar real sua empreitada, adaptando seu fanatismo, a sua capacidade de manipular a vida dos ressentidos.

    Como diz Lauand em sua pesquiza,

    "Quanto mais glória, quanto mais história, quanto mais orgulho tiver havido antes da decadência, quanto mais “indevida” for a situação de miséria atual, tanto mais êxito fácil alcançará o líder que souber canalizar os ressentimentos da massa que, guiada pela retórica e pelos resultados espetaculares da seita ou do movimento, não se importará muito com a supressão da liberdade e a falta de ética dos métodos utilizados. Afinal, o grupo de eleitos está numa missão e eles são os “autênticos fiéis”, a militância da divindade."

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  25. Doni e Math, claro, nesse sentido sem dúvida, os fanáticos "inteligentes" são os mais perigosos. Acho que eu pulei algum comentário de vocês para não ter entendido.

    Mas uma pergunta para os confrades: no âmbito do cristianismo moderno, o que vocês entenderiam por um "crente fanático"? Já ouvi muitos dizerem que tinham orgulho de serem fanáticos por Jesus. Mas estes, ainda bem, não planejam nenhum atentado à bomba contra ninguém.

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  26. Matheus,

    Qual artigo você se refere?

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  27. Edu,

    O fanático nem sempre faz uso da violência para defender sua paixão.

    Existem crentes que são, no linguajar crentês "fervorosos de espírito" de maneira um tanto exagerada... Acho que já fui assim um dia. rsrsrs

    No meu humilde ponto de vista, uma pessoa que se deixa matar (Leia-se, mártires) por qualquer religião ou ideologia, também deve ser incluído no rol dos fanáticos.

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  28. Só existem dois tipos de fanáticos, os inteligentes e os idiotas. Os primeiros induzem os segundos à morte. Os segundos suicídam-se. POr falar em fanáticos, os nossos conhecidos escafederam-se. Não comentam? He, he, he...

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    1. Estou falando do suicídio intelectual. Do fanatismo inteligente. Do eu egoista.

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  29. É, Doni, eu ainda não tinha pensado no mártir (de que causa for) como um fanático; sempre olhei para estes como indivíduos imbuídos de uma total certeza de que sua causa vale o sacrifício da morte. Mas pensando bem, isso poderia sim ser classificado como fanatismo - nesse sentido então - Jesus foi um fanático, pois deixou-se morrer pela sua causa: A vinda do Reino de Deus.

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