domingo, 11 de novembro de 2012

Pausa para o café





Bem, amigos...(como diz o Galvão)

Mais uma rodada de postagens chega ao fim com a bela e produtiva reflexão que o Matheus nos ofertou. Os últimos comentários que foram do Levi, do Donizete e do Gilberto, deixaram patente a vaidade das vaidades que é determinar um único modo de pensar sobre o texto bíblico e sobre a fé, e que é melhor conviver com as "aberrações" do que com a falta de liberdade de pensamento:

(Doni):


Gil,

A liberdade de interpretação das escrituras teve sua gênese na doutrina luterana da universalidade do sacerdócio dos crentes. Alguns que defendem a centralização, consideram este fenômeno como sendo um efeito colateral da reforma. Entretanto, mesmo se Lutero não tivesse promovido esta abertura, o monopólio da verdade sucumbiria diante das esteiras do iluminismo. Era uma questão de tempo!


(Levi):

Doni

Foi boa a sua intervenção.
Aí eu pergunto: 

melhor viver o dogma em Latim, sem questionamentos, como era antes da Reforma, ou correr os riscos de navegar num mar de interpretações ao gosto da “vaidade” ou desejo de cada ser humano em sua subjetividade?


(Gil):

Doni e Levi

é verdade até existem muitas vezes interpretações simples do povo a partir de experiências pessoais que convencem mais que teólogos. Foi vaidade minha achar que não deveria haver esta liberdade de interpretações rsrsrs


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No próximo dia 17 esta confraria fará um ano de existência. Nesse período, foram 82 postagens, 30394 visualizações de páginas e não sei quantos milhares de comentários.

Vejo que a cada dia os textos desta confraria se tornam mais substanciosos e muito bons de ler e discutir. O nosso enfoque é a religião e a teologia, abordadas pelas mais variadas vertentes do pensamento, mas  qualquer tema(filosófico, sociológico, científico, etc) podem ser objeto das nossas reflexões.

Da minha parte, nos meus próximos textos, vou publicar  sobre o "Jesus histórico", um dos assuntos que mais gosto de pesquisar no campo bíblico. 

O texto de estreia da confraria foi do JL: "Mito como expressão de fé" - disse nosso confrade em seu texto:

Mito “é a invocação daquilo que nomeia”, seja os deuses sejam os heróis, eles estão presentes de modo que “enunciar o mito implica sair do mundo dos fenômenos naturais, para entrar numa outra dimensão numa outra temporalidade, numa outra experiência que sacraliza o tempo e o espaço”.

O Logos que se fez carne é mito?... E daí? Esse mito não é verdade para quem quer ver o logos na carne, mas quem não vê na carne o logos, crê que o “mito”
se fez carne, e é a verdade daquele que crê!




Alguns comentários ao texto do JL que eu poderia destacar:

Guiomar:

Apesar de que inúmeras pessoas já tenham apalpado o Verbo da Vida como João apalpou, a "razão" socrática, colocou cepticismo nesta verdade, para os Tomés da vida.
Gostei do espaço Eduzinho.



Mariane:

Professor, interessante pensar que Deus a verdade absoluta decidiu ser admitido pelo homem como verdade subjetiva. Ele que cria um mundo concreto, um homem racional e apegado aos sentidos, só se deixa se percebido pela subjetividade da fé.
Então não seria humana essa vontade de fazer Deus caber em cartilhas, mapeá-lo, sistematizar o uso da fé? Por que não é isso que as religiões fazem?
Edu, parabéns pela iniciativa. Adorei essa ideia. Abraços para todos!!



Franklim:

Essa é uma relação tensa que tem encontrado dificuldade de conciliação no de correr dos milênios para aqueles que se valem de posicionamentos extremadaos mas perfeitamente compreensível e relacionável para outros que sabem que a fé precisa do exercício da lógica assim como a lógica precisa do romance com a fé para tornar a vida bonita de se experimentar.
Prefiro fazer parte do segundo grupo!

Donizete:

Acerca do mito, conforme o Lima descreveu, é antes de tudo uma narrativa sobre a origem de alguma coisa. Origem dos astros, da Terra, dos Homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder etc.
Quando alguém, seja bem ou mal intencionado, por qualquer que seja a razão, afirma que a Bíblia está cheia de mitos, não tem como tirar-lhe a razão. Visto que a Bíblia traz a narrativa do gênese de cada elemento citado acima.
Esse “receio” que temos em atribuir ares míticos aos eventos bíblicos, se deve primeiramente a uma ruptura epistemológica com o conceito do mito. Isso foi próprio da cultura ocidental, que classificou o mito como sinônimo de lenda, ou histeria fantasiosa. Mas no conceito grego o mito é apenas uma operação lingüista oposta ao logos.


Levi:

o psicanalista Otto Rank, contemporâneo de Freud:
“Não partilhamos da crença de alguns pesquisadores de que os mitos foram lidos nos céus e trazidos a Terra. Estamos mais inclinados a julgar, que eles foram projetados para os céus após haverem surgidos alhures, sob condições puramente humanas. É nesse conteúdo HUMANO que reside nosso interesse”.
“E tudo aquilo que era projetado para os céus, tomou forma humana e habitou entre nós”. Agora, a luta que no mito era travada imaginariamente, contra forças externas (os DIFERENTES), passou a ser entendida como um reino de desejos paradoxais ou ambivalentes, nos de nossa própria psique, naquilo que Cristo definiu: ”O reino de Deus está dentro de vós”


Eu diria que é no enfoque psicológico que podemos entender um pouco da essência do Mito.
É a nostalgia do pai, que funda a trama central do MITO. Não matamos à saudade, ela é quem nos “mata”. 
O Mito cristão, por exemplo, é sustentado por um filho que representa um “pai esvaziado” de sua potência. Assim o “luto” da morte do pai todo-poderoso se desvela em nós como uma SAUDADE, uma NOSTALGIA de algo previamente experimentado, que apesar de estar num “arquivo aparentemente morto”, vive ressuscitando diuturnamente em nós, através dos sentimentos.
A “saudade do céu” de que fala o autor do hino “O Exilado” da Harpa Cristã (do meu comentário anterior) é uma forma de revivenciar algo marcante que se passou em nós quando não tínhamos conhecimento do “bem” e do “mal”. (rsrs)



Rodrigo:

Penso que o mito seja expressão poética de um sentimento ou daquilo que está no insconsciente humano.
Já o Logos é algo imaterial e que não conseguimos alcançar com os nossos 5 sentidos.
A ideia da encarnação do Logos em Yeshua significaria pra mim a manifestação da Verdade que ele expressou em sua humanidade. Mas acho muito complicado estudar o Evangelho de João e dificílima a sua contextualização.



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E para terminar,
um som cristão (pré-modismo-gospel) do saudoso e talentoso Sérgio Pimenta, um dos responsáveis pela modernização e sofisticação harmônica da música evangélica no Brasil, interpretada pelo não menos talentoso e fora-dos-padrões-golpel - João Alexandre:


"Você pode ter"

10 comentários:

  1. Bem galerinha, essa "pausa para o café" ficou um pouco mais longa do que o costume, mas o aniversário da confraria pedia uma lembrança especial.

    Bem, não espero debates nesta postagem(é uma pausa!!!), por isso, logo que todos tenham lido e tenham curtido o som musical do João Alexandre, o primeiro na listagem de postagens(Doni) pode recomeçar os trabalhos.

    Abraços calorosos a todos e a todas!!

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    1. p.s. lembrete aos faltosos com suas obrigações espirituais-financeiras com a igreja logos e mithos: quem estiver com seus trízimos atrasados, favor acertar a conta com o tesoureiro(no caso, eu mesmo). aceitamos cartão de crédito, débito em conta, cheque pré-datado, pulseira de ouro, relógio rolex, etc.

      Quem precisa desabafar ou confessar algum pecado cabeludo(!!!!!??) favor marcar hora de análise com o LEVI, doutor psicólogo oficial da igreja, que deixará você com a consciência tranquila e com a certeza dos pecados perdoados. (Levi também aceita consultas ginecológicas. obs: apenas para as confrades de sexo feminino)

      Se algum confrade faltoso e que nunca dá as caras estiver cheio do blá blá blá que acontece aqui deve também resolver sua situação com o sargento-linha-dura ANDERSON. É só cair de joelhos e aceitar sua sugestão: "PEDE PRA SAIR, PEDE PARA SAIR!!!!!!"


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  2. Edu, passou tão rápido esse um ano do blog. Pena que segundo as previsões dos Maias 2012 chegará, mas de 2012 não passará e nosso blog será apenas um bebê à deriva quando quem sabe em anos vindouros após o grande cataclismo os sobreviventes descubram (sabe-se lá como) os registros dessa confraria. Descobrirão que aqui ovelhas e lobos celebravam a tolerância e o respeito. Os homens mais cultos dialogavam com os mais ignorantes. Crentes e Ateus juraram amor! Pasmarão ao ler que a terra era habitada até por uma Anja que jurava nunca ter visto a face de Deus. Teremos dado nossa contribuição para o mundo que virá não é mesmo chefinho? rsrs....

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  3. EDU e confrades

    Parabéns a todos! A este espaço onde a pluralidade de ideias e convicções não nos tornaram tão vaidosos a ponto de impedir a unidade que encontramos na amizade que aqui fizemos.

    Obrigado pelo convite que fez a este católico para fazer parte desta igreja democrática rsrsrs

    Um abraço a todos.

    Ps. Mari muito bom mesmo kkk

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  4. caramba, MARI, eu falando besteira no meu comentário e você vem com essa pérola que só poderia brotar mesmo de uma inteligência sensível e criativa como a sua!! adorei!!

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  5. Poxa vida Levi. Somente agora li sua última pergunta na última postagem. No momento oportuno voltaremos a falar a respeito ok?

    Mari, mandou super bem em suas considerações!

    Nobre síndico Edu, para mim foi um ano de muito aprendizado. Fruto desse recinto tão eclético! Não se esqueça que tudo isso é graças a você que o tem conduzido e administrado de maneira magistral.

    E parabéns aos demais confrades.

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  6. ...muitas felicidades, muitos anos de vida!

    Realmente,Edu, foi um “anão” de textos e comentários esplêndidos.

    Como Comandante dessa eclética Nau, só nesse ano, você já deve ter um acervo ou material para preencher mais de três volumosos livros (rsrsrs)

    É muita pretensão. Ou não?

    Ontem gritei: SALVE os guerreiros do Tricolor das Laranjeiras! – Campeão Brasileiro de 2012

    Hoje, com emoção parecida, saúdo esse recanto no seu primeiro aniversário:

    SALVE os guerreiros da Logos e Mythos! – Campeã imbatível da blogosfera no que tange a quantidade e qualidade de suas postagens e comentários.


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  7. Doni, esta Confraria sem vocês nada é. Eu só dei o pontapé inicial, mas quem faz os gols são vocês.

    Levi, falando em gols, salve o Tricolor carioca!! É verdade, temos um bom acervo aqui que daria bons livros. Quem sabe? pretensão? um pouquinho não faz mal, né...??? rsss

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