terça-feira, 13 de novembro de 2012

Seria Paulo universalista?



Durante á história da igreja, aconteceram diversas mudanças de paradigmas envolvendo até mesmo as doutrinas centrais da fé cristã. Uma delas é a soteriologia, divisão da teologia sistemática que estuda a salvação humana.

Cada religião oferece um tipo diferente de salvação e possui sua própria soteriologia. Algumas dão ênfase ao relacionamento do homem em unidade com Deus, outras dão ênfase ao aprimoramento do conhecimento humano como forma de se obter a salvação.

Na ortodoxia cristã, a salvação é estabelecida através de Jesus Cristo. A soteriologia no cristianismo estuda como Deus separa as pessoas condenadas pelo pecado e os reconcilia com Deus. Os cristãos recebem o perdão dos pecados, vida e salvação adquirido por Jesus Cristo através de seu sofrimento inocente, morte e ressurreição após sua morte. Esta graça da salvação é recebida sempre pela fé em Jesus Cristo, através da palavra de Deus. Note que, nesta breve inserção estão inclusos todos os elementos que envolve um estudo com perspectivas soteriológicas.

Mas pretendo chamar a atenção para os diferentes modelos de salvação. Em dado momento da história, a salvação era projetada para o âmbito da objetividade e da prática, em outros para a subjetividade e abstração. Durante a maior parte do tempo a salvação esteve ligada ao campo físico e tangível, em outros a salvação é sempre associada à esfera espiritual, metafísica. Grupos cristãos advogam que a salvação é holística, abarca o indivíduo na sua plenitude, enquanto outros defendem uma tricotomia, e que a parte onde à salvação é levada ao efeito, é apenas a espiritual.

É nessa discussão que incluímos Paulo como personagem principal. Visto ser ele um grande empreendedor no campo missionário, sempre anunciando o evangelho de Cristo, do qual ele afirmou que não se envergonhava, porque era o poder de Deus para a SALVAÇÃO de todo aquele que crê.

Surge então uma pergunta pertinente: Salvação do que, visto que Paulo não possui uma doutrina de inferno? Qual seria então a essência da mensagem pregada por Paulo tanto a Judeus como aos gentios?

Seria importante considerar que o cristianismo teve sua nascente no judaísmo. E precisamos entender que a salvação no judaísmo não tem o mesmo sentido salvífico do cristianismo. No judaísmo não há promessas de um mundo porvir, nem paraíso, e nem inferno. De modo geral a ideia de salvação no antigo testamento é essencialmente materialista. Está sempre ligada à libertação de perigos, cura de enfermidades, e por fim, a vitória final sobre os inimigos e a possessão definitiva de Sião.

Uma similaridade entre o judaísmo e o cristianismo é no tocante a ressurreição. Contudo ela é baseada em premissas diferentes. A salvação final para o judaísmo não é exclusiva dos judeus. Mas se estende a todos os homens de bem, seja qual for o seu credo, que pautaram sua vida em padrões éticos e de justiça. Mesmo aqueles que não agiram tão bem, mas são capazes de arrependimento, merecem sobreviver por todos os tempos, quando o Messias chegar.

Voltando nossa atenção para os evangelhos, notamos que salvação na perspectiva de Lucas, tinha a mesma conotação do período vétero- testamentário. O professor e escritor Eben Hans Scheffler, em seu tratado sobre Lucas-Atos, afirma que Lucas emprega uma “linguagem de salvação” quanto a um espectro muito amplo em circunstâncias humanas – o fim da pobreza, discriminação, doença, possessão demoníaca, pecado, etc... Ou seja, era associada ao sofrimento econômico, social, político, físico, psicológico e espiritual.
Segundo Scheffler, para Lucas a salvação é, sobretudo, algo que se realiza nesta vida, hoje. Citando especificamente, as palavras de Jesus registradas em 4:21; 19:9; 23:43. Para Lucas, salvação é salvação presente.

E em função disso, (visto ser Lucas colaborador de Paulo em suas viagens missionárias) que é importante realçar que a mensagem evangelística de Paulo não é uma mensagem negativa. Ele não tem a incumbência de anunciar uma destruição arbitrária do mundo em um apocalipse vindouro, onde os bons seriam separados dos maus, sendo que, apenas os primeiros seriam dignos de uma bem-aventurança na eternidade.

É nesse sentido que David Bosch, em seu livro, Missão transformadora, afirma que a mensagem de Paulo é iminentemente positiva. Todas as vezes que ele faz menção da ira de Deus, é apenas no sentido de fazer um contraste sombrio de uma mensagem caracterizada por boas novas.
Segundo Bosch, “Deus já veio a nós em seu filho e retornará em glória. A missão de Paulo é o anúncio do senhorio de Cristo sobre toda a realidade e um convite para submeter-se a Ele; através da sua pregação, Paulo deseja evocar a confissão ‘Jesus é o Senhor!’. A boa nova é que o reinado de Deus, presente em Jesus Cristo, reuniu a todos nós sob o juízo e, no mesmo ato, reuniu a todos nós sobre a graça. Mas isso não implica que o evangelho seja uma introspecção mística ou a salvação de almas individuais, retirando-nos de um mundo perdido e lavando-nos para a segurança da igreja. Trata-se, pelo contrário, de uma proclamação de um novo estado de coisas que Deus iniciou em Cristo, que diz respeito as nações e à integralidade da criação e culmina na celebração da glória final de Deus.”

Desse modo, Paulo tem em sua missão, o objetivo de ampliar já no mundo presente, o domínio do mundo vindouro de Deus. Na sua concepção, o reino de Deus havia sido inaugurado, e sua mensagem consistia em anunciar esta verdade.

Significa dizer então que Paulo era um “UNIVERSALISTA” no sentido de prever a salvação derradeira de toda a humanidade? Algumas de suas afirmações parecem asseverar que tão somente uma parte da comunidade humana será salva; outras aparentam sugerir que, no final, todas as pessoas serão salvas.

O professor do novo testamento Eugene Boring, publicou recentemente um artigo esclarecedor e provocativo sobre esse tema.
Segundo Boring, “uma minoria de estudiosos sustenta que Paulo é, efetivamente, um universalista; subordinam, então, os textos particularistas aos universalistas. A maioria parece enveredar para a direção oposta: subordinando as passagens universalistas às particularistas, concluem que Paulo é, na verdade, um particularista. Outras tentam solucionar o problema sustentando que há um desdobramento progressivo em Paulo, que vai do “particularismo” ao universalismo”.

Para tentar solucionar as afirmações conflitantes em Paulo, ou tentar pelo menos harmonizá-las, devemos compreender que ele era um pensador coerente, mas em certos assuntos não era sistemático.

Boring diz que, no tema em discussão, Paulo opera com duas imagens aparentemente antagônicas. “Nas denominadas passagens particularistas, a imagem abarcante é a de Deus-juiz. Nesta imagem existem “vencedores” (aqueles que são salvos) e “perdedores” (aqueles que se perdem, mesmo que Paulo, inclusive aqui, não aprofunde a questão do destino dos condenados; Como já foi dito, Paulo não possui uma doutrina de inferno.) Nas passagens “universalistas” por seu turno, o motivo dominante é Deus-o-rei. Enquanto que o Deus-juiz separa, Deus-o-rei une a todos em seu reinado.”  

Por isso se torna inevitável as perguntas: até que ponto é viável ou possível fundir essas duas imagens em uma só? Até que ponto posso me permitir a prerrogativa de escolher entre “particularismo” e “universalismo”? Existe uma maneira de tornar harmônica duas afirmações colidentes?

Bosch diz que, “Nenhuma opção faria jus às delicadas nuanças do pensamento paulino. Paulo está em condições, por um lado, de proclamar, com certeza absoluta, que Deus será tudo em todos e que toda língua confessará a Jesus como Senhor. Concomitantemente, ele é capaz de insistir na missão cristã como um dever ao qual não é possível renunciar. As pessoas precisam se “transferir” da velha realidade para a nova mediante um ato de fé e compromisso, pois só Cristo pode salvá-las. Cada qual carece ouvir o evangelho da justificação pela fé. A justiça de Deus não se torna efetiva automaticamente, mas necessita ser apropriada pela fé, o que só é possível onde às pessoas tiverem ouvido a proclamação do evangelho.”  

Por isso se vê nas entrelinhas, que Paulo, na maioria das vezes, se abstém de afirmar inequivocamente a salvação universal; o impulso para tal noção e feita pela ênfase na responsabilidade e obediência daquelas pessoas que ouviram o evangelho. Neste sentido é que torna relevante a resposta humana. A salvação oferecida por Deus é universal, mas nunca chega ao ponto de anulá-la.

Por Donizete

Bibliografia: Missão transformadora, David Bosch 

78 comentários:

  1. Prezados confrades,

    Há algum tempo tenho manifestado o desejo de discutir nesta sala a questão do universalismo, tema no qual tem sido meu objeto de estudo.

    Confesso que mesmo com total interesse pelo assunto, lendo opiniões de teólogos e escritores conceituados com esse viés, ainda não tenho opinião formada a respeito.

    Por isso nada melhor do que colocar o tema na mesa de debate para conhecer a respeitável opinião de cada um de vocês.

    Sintam-se livres, porém, para explorar o texto como melhor lhes convier.

    Abraço a todos.

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  2. Nobre Amigo Doni,

    Antes de discorrermos por este assunto, lhe faço uma pergunta bem fechada.

    O que você pensa sobre as obras de Alain Badiou?

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  3. Nobre Amigo Donizete,

    Eu lhe pergunto isso, porque tudo que até o presente momento vi sobre este tema, me parece querer esquerdizar o evangelho... É claro que eu posso estar equivocado... Até há alguns meses nós debatemos em um grupo aqui no Face sobre uma resenha feita sobre o livro, "Sao Paulo, a Fundação do Universalismo" sobre o título "A Nova Esquerda com a Velha Ortodoxia" que foi publicado no Blog Novos Diálogos.

    Me lembro que fui bem crítico as ideias que Alain Badiou trazia neste livro... Normal por não simpatizar com nada que esteja associado a "esquerda"... Mas vou ficar aqui na "butuca" acompanhando os confrades, e conforme minha limitação sobre o assunto, se necessário darei meus pitacos.

    Abraço :)

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  4. Caro Amigo Matheus,

    Conheço quase nada da obra de Alain Badiou. Com exceção de algumas frases revolucionárias do pensador francês.

    Particularmente não incluiria o universalismo no rol das ideologias esquerdistas, no tocante à compreensão do evangelho, como são por exemplo, as várias teologias de libertação ou integralidade do evangelho, que tem em sua composição requícios de marxismo.

    Acredito que o universalismo, em sua visão moderna, visto já ter sido uma ideia difundida por alguns pais da igreja, tem mais conexão com uma compreensão ultra-liberal das escrituras. Inclusive, o universalismo ganhou força exatamente a partir do advento do liberalismo teológico, tendo como defensores teólogos do quilate de Schleiermacher, John A.T. Robinson, Paul Tillich, Rudolph Bultmann e até o mais destacado teólogo do século XX (E meu ídolo, hehe) Karl Barth, que apesar de não se posicionar claramente a favor desta esperança, também não a condenou.

    Atualmente, o time de defensores do universalismo tem sido reforçado pela adesão de nomes de respeito no meio cristão.

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  5. Nobre Amigo Donizete,

    Entendo...

    Eu, como já afirmei, tudo o que li e dei uma leve estudada sobre "universalismo" partiu do francês... Embora tenha lido já algumas coisas de Paul Tillich e Rudolph Bultmann... Mas em relação ao "universalismo" o que mais me pegou foi esse livro do Badiou que citei acima, o que de fato não simpatizei nem um pouco.

    Mas seu texto tem alguns aspectos que realmente são um convite a reflexão, e destacaria esta frase abaixo, que expressa exatamente o fator que me motivou a uma grande virada na minha compreensão de fé há alguns anos.

    "Desse modo, Paulo tem em sua missão, o objetivo de ampliar já no mundo presente, o domínio do mundo vindouro de Deus. Na sua concepção, o reino de Deus havia sido inaugurado, e sua mensagem consistia em anunciar esta verdade."

    Fazer o Reino aqui e agora. Tornar realidade em nós o que sempre teria sido apenas uma expectativa. Fazer com que a harmonia, a alegria, a segurança e a paz prometida para a eternidade se faça real aqui neste mundo. Essa ideia mudou completamente minha concepção de Reino de Deus, e me libertou daquela ideologia cristã turrona e fechada. E lendo Paul Tillich, entendo que todas estas questões ligadas as promessas que envolvem a eternidade já devem ser presenciadas aqui, em nós, como um corpo, o que ele denominou de "Comunidade Espiritual". E ai entra a ideia de universalidade, juntamente com as demais características dessa Comunidade Espiritual como amor, paz, unidade e segurança, fatores que de certa forma tipificam o Reino de Deus aqui.

    "O último elemento é a universalidade, que foi expressa no entusiasmo missionário que sucedeu a experiência de Pentecostes. Não havia limites para a transmissão daquilo que havia sido experimentado, e toda a humanidade e o universo podem estar incluídos nesta constituição do Novo Ser. Esta abertura é uma das marcas da Comunidade Espiritual.Igualmente, tal abertura significa uma tensão rica e criativa, pois inclui na Comunidade Espiritual a variedade infinita de expressões de fé e de amor e a diversidade de seres – tanto em suas diferenças pessoais como as dos distintos tipos e grupos. A Comunidade Espiritual é santa também porque participa por intermédio de sua universalidade da santidade da Vida Divina" (Paul Tillich, Teologia Sistematica)

    Eu particularmente adoto esta ideia de que o Reino de Deus já foi inaugurado, e se aqui não conseguirmos testificar em prática o que o Reino de Deus proporciona e como promessa nos é revelado nas escrituras, a expectativa de um vida futura é mera ilusão.







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  6. Doni

    Tema instigante este sei que teremos muito o que falar aqui começo com algumas considerações:

    Quando comecei a postar aqui na Confraria eu deixei claro que diferentemente de você e o Edu e demais confrades eu não sou teólogo e muito menos teórico. Não tenho fontes aos montes como vocês têm. E logo que comecei externar meus pensamentos não sei se você ou o EDU me rotularam com a palavra visão holística e um universalista.

    Então este foi meu primeiro contato com estes termos. Confesso que simpatizo e muito com o termo salvação universalista.

    É o meu modo de ver esta questão de salvação como ideia de que partimos uma origem e todos nós caminhamos para esta origem em nossa volta. Esta origem ou fonte pra mim é Deus.

    Quando leio e medito as falas de Jesus e como ele acolheu a todos, mesmo em alguns trechos dos evangelhos me parecer que Jesus foi ampliando sua visão de salvação, eu sempre vejo em Jesus uma pessoa universalista no contexto geral.

    Paulo foi um sujeito que abriu o judaísmo a todos os povos, e neste caso o considero universalista, porém em alguns trechos me parece ser um sujeito que excluía determinadas pessoas do Reino de Deus. Sei da sua importância, mas ao mesmo tempo creio que ele atrapalhou uma visão mais ampla de Jesus que tinha uma visão mais tenra da salvação. Vejo Jesus preocupado em amar e acolher e não condenar.

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  7. continuando...

    Também fiquei surpreso quando você cita no texto que Paulo não possuía uma doutrina do inferno, pra mim isso foi novidade. Sempre achei que ele tinha esta visão. E tentei pensar em uma frase das suas cartas e realmente não me veio nenhuma. Quem sabe a Guiomar lembre...

    Por outro lado eu hei de discordar quanto a questão da salvação na frase em que você disse:

    "No judaísmo não há promessas de um mundo porvir, nem paraíso, e nem inferno. De modo geral a ideia de salvação no antigo testamento é essencialmente materialista. Está sempre ligada à libertação de perigos, cura de enfermidades, e por fim, a vitória final sobre os inimigos e a possessão definitiva de Sião".

    Se você se refere antes do sec I A.C. eu concordo, pis no sec I já se falava sobre a ideia da vida eterna nos livros de macabeus, tobias, sabedoria, daniel e outros

    No tempo de Jesus haviam vários grupos a contar: os saduceus, os fariseus, os essênios, os zelotes, os herodianos... sendo que para os saduceus que faziam parte da aristocracia a recompensa acontecia aqui em vida e era manifestada através das riquezas que possuíam. este grupo se baseava unicamente na Torá.

    Os fariseus por sua vez acreditavam na Torá e nas tradições, portanto a questão da vida eterna era aceita neste grupo.

    Lembro que Paulo era uma eximo fariseu e portanto tinha a visão da salvação ou vida eterna e isto influenciou na minha opinião e muito sua aceitação de Cristo.

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  8. E finalizando rsrssr

    Não entendi esta sua última frase:

    A salvação oferecida por Deus é universal, mas nunca chega ao ponto de anulá-la.

    Belo texto Doni

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    1. É a ideia de que a salvação tem alcance universal, contudo respeitando a vontade humana. Por não ser imposta requer uma resposta positiva a essa proposta. Há de certa forma uma sinergia em questão.

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  9. Matheus,

    É difícil para a nossa mente treinada no modelo clássico de soteriologia apontar para a possibilidade de salvação eterna fora dos limites cristãos.
    Como deveria ser também difícil a nossa mente processar o conceito da graça de Deus se esta não tiver conexão com a postura universalista. Como disse o confrade Franklin numa outra postagem, “Graça só é graça se for na perspectiva universalista” entretanto, fomos treinados para ignorar essa tensão, e nem nos preocupamos com o fato de que ao fazermos uso da nossa cartilha de regras, anulamos a graça. A salvação ganha contornos meritórios.

    Eu, particularmente, considero tentadora a ideia de ignorar uma tensão entre dois aspectos da natureza de Deus. Ou seja, que Ele é essencialmente amor, e que não se aborrece com nossos comportamentos, seja lá qual for. Entretanto, a imagem de juiz, sempre associada a Deus, e somados a outros fatores, me levam inevitavelmente á adotar o particularismo como convicção.

    Mas acredito que, como nesse tema, e em tantos outros, nossa reflexão acerca de Deus, deve ir além da superfície; seja bíblica ou de nossa particularidade epistemológica. Principalmente quando vemos que essa doutrina (universalismo) não é coisa de loucos desvairados e nem de teólogos desocupados. Mas sim uma opinião firmemente defendida por muitas pessoas sinceras ao longo da história do Cristianismo. Muitos sendo até mesmo martirizados e condenados como hereges por suas crenças num Deus de absoluto amor.
    Por isso não deve ser desqualificada em seu todo como doutrina.

    É bom também lembrar que o conceito universalista defendido por William P. Young (a cabana) e Philip Yancey (vários títulos com esse viés), tem sido o sucesso do momento. Mas penso que a maioria absoluta dos leitores não estão atentos à estes detalhes. E se estão fazem vista grossa.

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  10. Giba,

    Paulo como qualquer outro judeu de sua época, possuía a mesma concepção de continuidade da existência após a morte que seus antepassados tinham.

    Para o judeu a morte era vista como o fim das atividades e relacionamento da pessoa com este mundo. Esperavam sim que um dia sua alma fosse tirada do sheol (inferno=sepultura) através duma ressurreição. No livro profético de Daniel há uma referência a este tema. (lembrando que este livro e talvez os demais que você citou já pode ter sofrido alguma influência grega, sobretudo dos ensinos de Zoroastro)

    O juízo ou castigo sobre os maus era visto de um ponto de vista imediato, que viria por meio da espada, de pestes, calamidades etc. muito vagamente era referido sobre um castigo escatológico para os ímpios.

    Quem de fato muito escreveu sobre o inferno como o conhecemos hoje, foram os evangelistas. Escritos estes que Paulo não chegou a conhecê-los, visto que foram escritos após a sua morte.

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  11. Outrossim,

    Há uma continuidade nas narrativas de Lucas em relação ao seu evangelho e atos. E acredito que ele não tenha mudado seu parecer de uma narrativa a outra em relação à salvação.

    Vemos nas entrelinhas que ele sugere que a salvação para os judeus implicava no seu reconhecimento de Jesus como o Messias, em quanto que para os gentios, que se afastem de seus ídolos e passem a crerem Cristo.

    A questão é sabermos Giba, já que Paulo não deixa claro qual a situação dos que não ressucitam no arrebatamento, se a sua mensagem era apenas eminentemente positiva, no sentido de levar o povo gentílico o desejo de evocar a confissão de que “Jesus é o Senhor”.

    Com isso muda a motivação. Lembra-se que a nossa motivação para pregar o evangelho, em lugares onde ele é totalmente desconhecido, parte do pressuposto de que se não chegarem aos seus ouvidos a mensagem de Cristo, estarão irremediavelmente perdidos, condenados ao juízo escatológicos.

    Mas será que reside aí o fator motivacional de Paulo, em não medir esforços para ser um desbravador tão dedicado? Se ele próprio disse que existe uma lei interior inata ao homem que o leva ao conhecimento de Deus?

    Outro detalhe: visto que não encontramos em Paulo, uma mensagem de destruição apocalíptica ou de um juízo escatológico, será que ele não via a salvação no mesmo sentido do texto de Lucas 4, onde salvação é vista na mesma ótica judaica? Ou seja, dar equidade social ao pobre, libertação aos cativos, vista aos cegos etc. Sempre numa perspectiva prática, não subjetiva como cremos atualmente?

    Note que quando Jesus disse a Zaqueul, que naquele dia havia chegado salvação a sua casa, não podemos entendê-la no sentido escatológico. Mas sim por uma libertação da avareza, do mesmo modo da salvação sugerida ao carcereiro de Filipos. Senão teríamos que entender que a salvação se dá em termos coletivo, como foi entendida durante toda a idade média.

    Consideremos tudo isso na nossa formação de opinião a respeito do tema.

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  12. Doni,

    ótimo tema realmente teológico!!

    Antes de mais nada, se você me permite, gostaria de acrescentar algumas informações puramente históricas ao seu texto para quem quiser conhecer melhor o movimento universalista:

    O universalismo é tão antigo quanto o próprio cristianismo. Associava-se de início aos mestres gnósticos primitivos. Mas os primeiros textos genuinamente universalista remontam aos pais da igreja gregos, principalmente Clemente de Alexandria e do seu aluno Orígenes.
    Era grande o número de adeptos da doutrina. No entanto, no concílio ecumênico de 553 Orígenes foi declarado herege. Durante a Idade Média na Europa ocidental o universalismo praticamente desapareceu, exceto por um tal irlandês chamado João Escoto Erigena e para alguns místicos. Agostinho era contra o universalismo assim como os reformadores Lutero e Calvino. Mas a doutrina foi reavivada por anabatistas. No século XVI foi aceita pelo estudioso Hans Denck, na Alemanha e espalhada pelo seu discípulo Hans Hut.

    Na América do Norte o universalismo se desenvolve a partir das raízes do pietismo alemão radical e no reavivamento inglês. Foi de grande influência o mistico Jakob Boehme. O médico George DeBonneville(1703-93) é considerado o pai do universalismo norte-americano mas não chegou a fundar nenhuma igreja.

    O universalismo explícito e central para a doutrina saiu do calvinismo na Inglaterra. No século 18 James Relly rompeu com o reavivamento de Wesley e Whitefield e inaugurou um movimento universalista organizado. Escreveu uma obra (Union - 1770) onde rejeitou o calvinismo e argumentou que todas as almas estão em comunhão com Cristo. A morte de Cristo trouxe salvação para todos os homens e não apenas para uns eleitos. Um outro pregador metodista, John Murray aderiu ao universalismo e foi excomungado. Murray argumentava que apesar da corrupção da alma humana, Cristo era a cabeça da família humana. Como todos os homens tinham participado do pecado de Adão, todos receberiam a salvação (este argumento é bem forte em minha opinião).

    Então, o universalismo como movimento organizado é primariamente um fenômeno norte-americano.

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  13. continuando...

    No início do século 19 um ex-batista Hosea Ballou tomou para si ser o porta-voz do movimento. numa obra de 1805 postulou um conceito "moral" do sacrifício de Cristo ao invés da posição "jurídica" ou vicária.(que Relly e Murray defendiam). A ideia era que Cristo sofreu pelo bem da humanidade mas não em seu lugar.

    Durante os anos do século 19 o universalismo tomou características de uma denominação norte-amaricana. Cresceu em vários Estados do centro-oeste; publicaram várias revistas e formaram-se associações estaduais e regionais. Uma faculdade foi de teologia foi construída.

    No século 20 o universalismo se apresenta como uma religião liberal, moldada em grande parte pelo teólogo Clarence Skinner. Aqui rejeitava-se a divindade de Jesus e aceitava-se as bases "universais" de todas as religiões. Isso levou ao diálogo com as religiões não-cristãs do mundo e com as religiões nativas norte-americanas.

    Os universalistas ressaltam crença como a dignidade e a fraternidade da humanidade, a tolerância da diversidade, e a racionalidade das ações morais.

    O universalismo associou-se também com a teologia neo-ortodoxa de Karl Barth; embora ele não ensinasse diretamente a salvação final de todos, em certas passagens da sua obra "Dogmática Eclesiástica", ele ressalta o triunfo universal e irresistível da graça de Deus. O homem mortal pode ainda ser pecador, mas a eleição de Cristo exige um julgamento final de salvação. Outros têm sugerido que o castigo divino é uma forma purificadora do amor de Deus, que acaba resultando restauração.

    algumas pessoas do protestantismo mais conservador, têm defendido um ponto de vista universalista no entendimento de um "Evangelho no Hades" que dá uma segunda chance para aqueles que não tiveram a oportunidade de confessar Cristo no mundo.

    Bem, é isso. Espero que estas informações tenham sido pertinentes para aqueles que não tinham uma ideia histórica do universalismo.

    Baseei este comentário na Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Crista, editado por Walter A. Elwell, volume III, das edições Vida Nova

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    1. bem, por hoje já escrevi muito, amanhã volto para dar mais pitacos universalistas.

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  14. Ótima intervenção Edu,

    Outro fato que eu desconhecia até poucos dias atrás, é que até entre os Moravianos havia universalistas influentes. Justamente eles que tinham vocação estritamente missionária. Note com isso que realmente as motivações para a evangelização tiveram alterações importantes mesmo após a reforma.

    Exato Edu,

    Romanos 5 é um dos pontos fortes do universalismo. É justamente o texto que transmite o pensamento nada particularista de Paulo.

    "Se o pecado de um homem deixa multidões de pessoas no profundo abismo da separação de Deus, imaginem a eficácia do dom de Deus derramado por meio de um homem, Jesus Cristo! Não há comparação entre o pecado que traz morte e esse generoso dom gerador de vida. A sentença pronunciada sobre aquele pecado foi a morte, mas sobre os muitos pecados que se seguiram veio a sentença de vida. Se a morte obteve supremacia pelo erro de um homem, imaginem o que pode a extraordinária recuperação de vida que agarramos com ambas as mãos. esse dom de vida extravagante, esta restauração total, providenciados pelo homem Jesus Cristo!"

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  15. Doni você disse:

    Outro detalhe: visto que não encontramos em Paulo, uma mensagem de destruição apocalíptica ou de um juízo escatológico, será que ele não via a salvação no mesmo sentido do texto de Lucas 4, onde salvação é vista na mesma ótica judaica? Ou seja, dar equidade social ao pobre, libertação aos cativos, vista aos cegos etc. Sempre numa perspectiva prática, não subjetiva como cremos atualmente?

    Eu não vejo Paulo com a mesma visão de salvação de Lucas. Pelo menos até agora não rsrs

    Vejo Paulo com uma visão ampla da salvação que se estende aos gentios e a todos os povos. Esta visão de salvação é levado pela ideia como você citou acima em um dos comentários na aceitação de jesus como senhor pela fé. A obra, ou seja, a questão social que lucas tinha foi segundo exegetas bíblicos questionada por tiago a Paulo provavelmente em Tiago 2 a famosa passagem das obras em comparação a fé. Muitos dizem que tiago manda umrecado direto a visão de paulo deixando claro a divergência que havia entre os dois.

    Quanto a visão de salvação de Paulo como fariseu que era o que o diferenciava dos saduceus que não acreditavam em ressurreição algumas passagens interessantes ressaltam isso:

    Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.
    Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.
    Romanos 8:1-2

    Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
    Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.
    Romanos 8:33-34

    Também narrado em atos a celebre astucia de paulo diante do grande conselho ao perceber que seria preso e julgado ele joga a ideia da ressurreição em pauta acarretando um conflito entre os saduceus (que não acreditavam na salvação vida eterna) e os fariseus:

    6 Paulo sabia que uma parte do Sinédrio era de saduceus e a outra de fariseus e disse em alta voz.: Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos é que sou julgado. 7 Ao dizer ele estas palavras, houve uma discussão entre os fariseus e os saduceus, e dividiu-se a assembléia. 8 (Pois os saduceus afirmam não haver ressurreição, nem anjos, nem espíritos, mas os fariseus admitem uma e outra coisa.) 9 Originou-se, então, grande vozearia. Levantaram-se alguns escribas dos fariseus e contestaram ruidosamente: Não achamos mal algum neste homem. (Quem sabe) se não lhe falou algum espírito ou um anjo... 10 A discussão fazia-se sempre mais violenta. O tribuno temeu que Paulo fosse despedaçado por eles e mandou aos soldados que descessem, o tirassem do meio deles e o levassem para a cidadela.

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  16. Giba,

    Os judeus, com exceção dos saduceus, criam na ressurreição dos mortos. Mas é bom salientarmos que o conceito de ressurreição, muito provavelmente foi introduzido tardiamente no judaísmo, isto é, depois do exílio.

    A diferença básica entre ressurreição no conceito judaico e no cristão, é de que no primeiro se limita a um “despertar”, enquanto no cristão se refere à uma apotheosis. A segunda é a ressurreição prevista por Paulo.

    Como bem sabemos, a igreja constitui uma comunidade escatológica. O indivíduo também! Quando pensamos na nossa finitude, logo surge a ideia do porvir. A base de sustentação da fé do cristão, é a bem aventurada esperança da eternidade. E Paulo não abriu mão desse argumento, no sentido de encorajar os cristãos de sua época, a perseverarem até o fim. Mas ele não fez uso desse terrorismo psicológico (doutrina da perdição eterna) tão em voga na igreja hodierna, para colher melhores resultados. Ou seja, Não pregava um evangelho acompanhado e contaminado por um disangelho.

    Lembrando também, da pluralidade de conceitos que existe no âmbito cristão no tocante a escatologia, que não nos permitirá jamais chegar a um denominador comum.

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  17. Continuando,

    Percebi que na sua leitura do texto ou dos meus comentários, você inferiu que estou em algum momento me referindo à salvação por obras. Mas absolutamente não é o caso. A similaridade que pode ter havido entre o conceito de Lucas e Paulo no qual me referi, diz respeito ao fato de que em ambos a salvação não se restringia a fisicalidade, mas que tinha uma conotação holística, abarcava o ser na sua plenitude. Neste sentido ao invés de ser salvo pelas obras, são as obras que efetuam a salvação.

    Deixe-me expressar de outra forma; Lucas emprega uma linguagem de salvação num espectro de circunstâncias humanas. Assim como todo o Antigo testamento o faz. Por exemplo, o Êxodo foi a salvação para israel. Ciro foi o salvador do cativeiro etc...

    Salvação na concepção lucana era o fim da pobreza, discriminação, doença, possessão, pecado. Ou seja, era bem mais ampla. Num período de dominação e opressão romana, significava o fim do sofrimento econômico, social, político, etc... (Lc 4:18-21; 19:9;)

    É nesse sentido que disse que a salvação para Lucas, é algo que se realiza nessa vida. É aqui e agora. Como bom judeu, Paulo não se distanciava muito dessa concepção.

    Diferentemente do paradigma atual que crê que a salvação vem totalmente de fora, de Deus, totalmente inacessível a capacidade humana. Salvação na concepção moderna, é ter uma transformação moral, ter seu nome escrito no livro da vida, para que no juízo final não venha a ser jogado no lago de fogo etc...

    Ainda que esta concepção tenha aceitação majoritária entre nós cristãos, nunca foi unânime. Pois permite várias outras interpretações.

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  18. O ponto comum entre as religiões do livro é a continuidade de existência após a morte.

    No caso específico de Paulo, não existia nenhuma contradição quando ele diz que se esperarmos em Deus somente nesta vida, somos os mais miseráveis dos homens. Acredito que em sua concepção, salvação se dá num amplo e talvez "duplo" sentido. Tanto no "presente" quanto em relação ao "futuro".

    O que é ponto pacífico, é que Paulo nem sonhava com uma escatologia claramente sensacionalista como ocorre nas interpretações do Apocalipse e no modelo intimidatório dualístico "céu e inferno" como largamente difundido atualmente.

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    1. Doni muito bom

      Esta ideia de que Paulo não faz uso desse terrorismo psicológico a respeito da doutrina da perdição eterna é como já disse acima uma novidade pra mim já que nunca havia notado.

      Não sei se você concorda mas esta visão muda e muito a escatologia moderna que precisaria rever seus conceitos. Tenho vontade de reler todas as cartas novamente com esta nova informação.

      Tenho uma dúvida a respeito dos evangelhos muitos exegetas afirmam que não existe a ideia de condenação eterna a não ser em Mateus 25. Você já ouviu isso ou leu algo a respeito? Meu professor doutor em bíblia na época do seminário disse que as outras citações no original da palavra se referia a lugares concretos e nunca a eternidade da condenação. Por exemplo geena era um tipo de lixão da época que ficava o tempo todo queimando. Já ouviu a respeito?

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    2. a respeito deste vale:

      A palavra grega traduzida por nossa palavra inferno é gehenna. Ela é derivada do Vale de Hinom ao sudoeste de Jerusalém, onde crianças eram sacrificadas nos fogos do deus Moloque durante o reino dividido (2 Crônicas 28:3; 33:6) e foi por essa razão profanado por Josias a fim de terminar o costume (2 Reis 23:20). Jeremias o chamou de Vale da Matança por causa dos cadáveres que em breve ali seriam amontoados pela arremetida babilônica (Jeremias 7:32; 19:6). O vale tornou-se uma metáfora para morte, corrupção e incêndio.

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  19. Giba,

    No meu entendimento, pouca coisa se aproveita da escatologia tradicional. Sobretudo se relegarmos o Apocalipse de João e o considerarmos como sendo um acréscimo tardio em relação aos demais livros.

    Em relação ao inferno, você não acha intrincado o fato dessa questão só ter começado a ser articulada no final do primeiro século. E ainda tendo em Jesus seu principal articulador? Pode notar que os defensores da perdição eterna, entusiasmados com essa ideia, dizem em altas vozes: "Jesus falou mais sobre o inferno do que do céu" Mas será?...

    Creio que a maneira de como o conceito de inferno começou a ganhar força no imaginário judaico e cristão posteriormente, requer uma investigação bem séria e competente. O que se sabe com certeza é que não havia nem vestígio dessa doutrina pelo menos não antes do terceiro século antes de Cristo. Estudiosos atribuem aos persas essa invenção. Outros a colocam como sendo uma contaminação da concepção grega do hades. Mas seja por qualquer que seja a via, se de fato Jesus fez uso dele em seus discursos não o fez no sentido no qual é compreendido atualmente.

    Seria interessante também analisar alguns paralelos mitológicos que envolvem a questão da perdição e salvação eterna no além mundo. Neste caso já incluiria o real significado de alguns termos que geralmente são empregados nas versões em português como inferno.

    Outra coisa meu caro, até que ponto a Divina comédia de Dante Alighieri influenciou a compreensão cristã moderna também deve ser analisada. Uma coisa se sabe; Jonathan Edwards soube explorar muito bem o conceito em seu sermão “pecadores nas mãos de um Deus irado”

    .

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  20. Confrades,

    depois vem o GIL todo humildinho dizer que não tem "fontes"..hehhhhhhhhh

    Em relação ao Geena, é exatamente isso que você disse, Gil. Jesus se referiu a um lugar específico de Jerusalém como símbolo.

    De fato, é interessante Paulo não ter uma ideia formada em relação à condenação dos perdidos. Mas é certo que ele acreditava que haveriam perdidos.

    Será que nesse caso o fariseu Saulo se debandou para o lado dos saduceus? rssss

    No primeiro livro que Paulo escreveu (1 Tess) ele diz cita uma escatologia minimalista: os salvos ressuscitariam primeiro e os que estivessem vivos(ele entendia que veria a Parousia) seriam arrebatados para se encontrar com Jesus nas nuvens e assim, "estaremos para sempre com o Senhor".

    Nada diz sobre a ressurreição dos não salvos, nada diz sobre um julgamento, nada diz sobre um lago de fogo...

    Eu acho engraçado hoje quando os ortodoxos acusam os que não creem em inferno como hereges e não levam em consideração toda essa diversidade de pensamento no cristianismo primitivo.

    Quanto a Jesus o caso é bem mais complexo.

    Seria ele um profeta escatológico? se sim, de que tipo de escatologia? Eu particularmente sou da opinião que Jesus compartilhava com seu primo e mentor, João Batista, uma forte ideia escatológica, ainda que com diferenciações do pensamento do Batista.

    Tudo isso é muito interessante, complexo.

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  21. O Matheus disse que o tema universalismo "esquerdiza" o evangelho. Será que ele está insinuando que o evangelho é de direita...?? rssss

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    1. Nobre Amigo Eduardo,

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk não, não é isso não! O que afirmo é que se analisarmos o universalismo pelo que Badiou afirma, nota-se a pretensão de dar apenas ares politico ao evangelho, minimizando seu poder de atuação na esfera espiritual... Mas lendo outros autores que falam sobre o mesmo tema, vemos que na verdade o universalismo nada tem haver com esta pretensão que diria ser exclusiva do Badiou.

      Pô... É só eu ficar de bobeira, sem poder acompanhar e já começam a me sacanear né capiroto mirim!

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  22. Edu os exegetas dizem que Jesus não se utilizava muito desta visão escatológica e que seus ensinamentos e sua visão de Reino sempre era no aqui e agora.

    Os poucos trechos que ele fala na maioria das vezes ele cita sinais comuns dizendo quando chegará o fim. Mas o pouco que disse concordo que serve pra dar um nó na cabeça da gente rsrsrs

    DONI eu gosto de interpretar o apocalipse numa visão de acontecimentos que ocorriam no presente. O livro ao meu ver fala muito mais do que estva acontecendo do que o que iria acontecer. Apenas o último capítulo aomeu ver tem uma conotação escatológica.

    Do restante de uma forma simbólica relata fatos presentes, mas para passar pelo crivo da censura e chegar às comunidades ele era então cheios de símbolos.

    O Apocalipse fala de multidões no céu. Não seria uma visão universalista?

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  23. O grande segredo de viver uma boa religiosidade é a abnegação ativa ou seja, devemos buscar entender e viver com toda nossas forças essa religiosidade na certeza de que nessa dimensão pouco saberemos e pouco seremos capazes de realizar. De forma que todos estão de parabéns aqui!

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  24. GIL,

    como eu disse, a respeito de Jesus, os biblistas se dividem. Creio que as bases para que Jesus tenha sido um profeta escatológico são fortes, principalmente de uma ideia de uma "escatologia realizada" como você também pontuou. Ou seja, Jesus pregava uma escatologia que se consumaria em seus dias; que ele mesmo tinha já inaugurado o Reino escatológico e que sua morte seria o desfecho final que realizaria por completo o Reino na TERRA e não no céu.

    Mas para uns, sua missão ficou incompleta, já que ele morreu e o Reino não veio...como explicar a fatídica frase de Jesus na cruz: "Pai, por que me abandonaste"?

    Mas esse é um tema tão extenso(e para mim empolgante) que fica difícil escrever nos comentários.

    Mas compactuo com o que você diz sobre o apocalipse. A não ser que ele era "cifrado" para passar pela censura, pois o apocalipse de João faz parte, literariamente, de um estilo judaico tardio chamado apocaliptica, onde o padrão era mesmo escrever sobre os eventos da época a partir de símbolos.

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  25. Segundo Paul Tillich, Paulo pretendia dar ao evento “Jesus – o Cristo, um sentido universal de vitória contra os “poderes demoníacos” , sem saber que eles estavam intrinsecamente arraigados a natureza humana.

    Com o advento da psicanálise e aprofundamento de seus estudos sobre o inconsciente, ficou claro a impossibilidade de ser expulsar o “lado demoníaco” do sujeito. Quando muito, para se conviver sem muito conflito, o que deve ser efetuado é uma síntese entre os pólos antagônicos que Paulo denominava Carne versus Espírito.

    A meu ver a doutrina paulina está fundada sobre o mito ressurreição de Cristo. Paulo diz enfaticamente: “ seria vã a nossa fé se Cristo não tivesse ressuscitado”

    Sendo assim, o alicerce do cristianismo Paulino está assentado sobre a história do túmulo vazio. de Cristo. Depois vem aquela historia de poderes sobrenaturais de andares superiores , para onde o Cristo Paulino se dirigiu após “sair” da sepultura. Por sinal o próprio Paulo, um dia sonhou ter ido até o terceiro céu, mas o “superego” o proibiu de contar o que viu lá. (rsrs)

    No ensaio “SOBRE OS NOSSOS DEMÔNIOS INTERIORES”, que postei em Junho de 2010, lá na C.P.F.G. que obteve cerca de 120 comentários realizados pelos confrades, trouxe uma parte que mostra como, na visão mítica dos antigos, eram interpretadas as profundas forças obscuras da psique humana. Forças que, na visão mística do cristianismo primitivo, vinham do ar (um poder cósmico) [Efésios 6: 12]:

    “Uma coisa não se pode negar: é a de que a guerra entre deuses e demônios vem se travando na mente dos religiosos desde épocas remotas. Com a descoberta do ‘inconsciente’, ficou claro que esses deuses e demônios que os antigos percebiam, nada mais são que produtos da psique humana traduzidos por eles como forças externas personificadas do mal e do bem. A figura do diabo ou demônio, ainda hoje, entre os fundamentalistas, é traduzida como as potestades do ar(de que Paulo um dia falou) que invadem a mente para guerrear contra deuses imaginários. É nesse grande palco mental denominado pelo apóstolo Paulo, de “lugares celestiais”, que se trava a imaginária luta entre as potestades divinas e diabólicas”.

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  26. Eduardo, se é extenso e se é empolgante estamos todos aguardando um post.

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  27. Levi

    Podemos então afirmar que quanto mais a mente do sujeito for demoníaca pior é sua religião rsrsrs ou é maldade minha? Veja pelo que você vem dizendo o céu e inferno é um reflexo daquilo que nossa mente projeta certo? Os casos extremos como você citou o fundamentalismo ou eu cito agora o fanatismo é apenas um reflexo da personalidade de quem o professa.

    Este "palco mental" exterioriza um guerra que vai além dele.

    Por isso a universalidade ou particularidade dos guetos religiosos nada é senão reflexo da mente quem professa; Certo ou errado?

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  28. EDU você disse:

    "A não ser que ele era "cifrado" para passar pela censura, pois o apocalipse de João faz parte, literariamente, de um estilo judaico tardio chamado apocaliptica, onde o padrão era mesmo escrever sobre os eventos da época a partir de símbolos".

    Este é um tema que dá muita discussão e aprofundamento. João ou o autor do apocalipse pode ter sido influenciado por esta literatura apocalíptica até para fazer uso da mesma pra fazer sua mensagem chegar às comunidades que estavam desanimadas e sem esperança pela perseguição que sofriam e sofreram da primeira besta e da besta que feriu mas não morreu (nero e dominiciano).

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  29. Nobres Amigos Confrades,

    O papo aqui esta muito bom, e estou aprendendo muito com vocês, pois esta é uma área em que meu conhecimento é extremamente limitado... E para ajudar, feriadão me deixa um pouco afastado da net... Pois é o momento de dar atenção a familia... Mas na medida do possível, vou lendo e dando uns pitacos!

    Abraços!

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  30. Nobres Amigos Confrades,

    Já faz algum tempo que estou afastado dos templos (sistemas religiosos) por não partilhar de alguns dogmas e por considerar alguns comportamentos muito contraditórios ao próprio evangelho que lhes serve de base no apoio de suas crenças e convicções.

    Quando mais ativo (me refiro ministerialmente), sempre prezei e valorizei muito a doutrina ortodoxa enraizada no Novo Testamento que oferece a garantia da salvação a todos que se arrependem e crêem no Senhor Jesus... Essa ideia denominada de universalismo que ensina que todos os seres humanos serão aceitos por Deus e gozarão do benefício da morte de Jesus nunca foi algo que me interessou, pois era bem turrão quanto a ideias que iam além do texto biblico que tinha como suficiente para o momento. Alimentava a ideia de que universalismo neste sentido que citei acima, havia sido condenado no Concílio de Constantinopla como uma heresia por volta do ano 543 dC. Reaparecendo entre os mais extremados anabatistas, alguns Morávios e outros poucos grupos não ortodoxos, os quais tinhamos como nocivos, como uma ameça a boa fé cristâ. O que hoje admito, ter sido um grande erro não investigar melhor a ideia e simplesmente se fundamentar pelo que a liderança dizia ser o correto, talvez manipulação seja uma palavra bem apropriada.

    Lendo Alain Badiou eu criei uma resitência ao universalismo ainda maior, mas pelos textos e obra que li dos teólogos Paul Tillich e Rudolph Bultmann começo a entender esta ideia de outra forma, e sem medo digo ser a mais apropriada se comparada aos atributos de Deus, uma ideia mais coerente.

    É Exatamente como disse o Donizete,

    "É difícil para a nossa mente treinada no modelo clássico de soteriologia apontar para a possibilidade de salvação eterna fora dos limites cristãos."

    E com certeza, esse foi o principal motivo que me levou a resistir a ideia que trás o "universalismo".

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  31. Gabriel, o tema é muito bom, vamos colocar na agenda...rsss

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  32. Tem uma passagem interessante no Evangelho: o diálogo de Jesus com a mulher sírio-fenícia que lhe suplica para que deixe os "cachorrinhos"(gentios) comerem as migalhas de pão que caem da mesa dos senhores(judeus, povo eleito). Isso por que Jesus lhe dissera que não tinha sido enviado a não ser para os da casa de Israel e que não era certo dar o pão dos filhos aos cachorros.

    Nesse momento Jesus era exclusivista?

    E diante da enorme fé da mulher(que Jesus diz nunca ter visto no meio de Israel), ele passa a expandir sua visão de forma universalista??

    Sem entrar nos méritos de uma investigação exegética profunda da passagem citada, o que os confrades acham desse encontro com a mulher que segundo, um dia pregou Caio Fábio, "mudou a agenda de Deus"?

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    1. Por enquanto, só sei dizer que Jesus aprendeu uma grande lição com a mulher sírio-fenícia.

      Colocações como essa, Edu, são bem vindas, pois mostra um Jesus bem humano, isto é, um aprendiz, que de vez em quando é tomado por ideias exclusivistas, como cada um de nós. (rsrs)

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    2. Nobre Amigo Eduardo,

      Um exemplo muito pertinente.

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  33. Levi, os evangelhos possuem várias passagens onde deixa transparecer, por debaixo da teologia mais elaborada dos seus escritores, um Jesus profundamente humano, digno inclusive, de ambiguidades como esta...

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  34. Alguns adendos universalistas: (Citando apenas alguns nomes que não eram mas que passaram a ser)

    Leonardo Boff na década de 70 já iniciado no espírito do ecumenismo:


    “Todas as vezes que o homem se abre para Deus e para o outro, sempre que realiza verdadeiro amor e superação do egoísmo, quando o homem busca justiça, solidariedade, reconciliação e perdão, aí se dá verdadeiro cristianismo e emerge dentro da história humana a estrutura crística. Assim pois, o cristianismo pode existir antes do cristianismo; e mais, cristianismo pode se verificar também fora dos limites cristãos”.

    Ainda naquela época, Leonardo Boff já dizia que as “religiões são caminhos ordinários pelas quais o homem se dirige a Deus e também O experimenta e recebe dEle revelações. Porém ainda era com ressalvas que ele fazia essa confissão. As religiões são respostas do homem a proposta de Deus. E estas podem conter erros e interpretações inadequadas à proposta de Deus. Contudo Boff deixou claro que na “religião cristã” que o homem encontra a totalidade dos meios de salvação.

    Quem lê ou ouve Boff atualmente percebe de imediato que ele se rendeu de vez ao universalismo.

    Justino, o mártir:

    “Todos os que vivem conforme o Logos são cristãos. Assim entre os gregos Sócrates, Heráclito e outros; e entre os não gregos Abraão, Ananias, Azarias, Elias e muitos outros cuja citação dos nomes e obras nos levaria longe demais”

    Joseph Ratzinger

    “Não é verdadeiro cristão o membro confessional do partido, mas aquele que se tornou realmente humano pela vivência cristã. Não aquele que observa de maneira servil um sistema de normas e leis, apenas com vistas para si mesmo, mas aquele que se tornou livre para a simples bondade humana”.

    Hoje, salvo engano, Ratzinger fechou-se para o diálogo inter religioso.


    Eduardo Medeiros:

    “Gosto da ideia de que há cristianismo antes do cristianismo do mesmo modo que havia cristo antes do cristianismo. é um pensamento que promove o diálogo inter-religioso num nível mais profundo, mais respeitoso, porém, ainda com resquícios daquele centrísmo conservador.

    por exemplo, ver cristianismo no budismo não seria diminuir o budismo? por que não considerar o budismo tão válido em si mesmo como o cristianismo ou qualquer outra religião?

    sabemos como o sistema religioso pode aprisionar as pessoas que dele vivem. sou um admirador das tradições religiosas do mundo mas não sou tão admirador assim da religiosidade doentia que essas tradições podem gerir. isso estamos cansados de ver em nossa casa(cristianismo).

    então, para mim, num futuro possível onde as religiões sejam instâncias que engrandeçam o ser humano e não o escravizem, não cabe nem o sectarismo que diz "só aqui tem salvação" nem a religiosidade castrante do ser e da liberdade do ser.”

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    1. Doni

      Por uma questão de justiça, apesar de minhas divergências, o papa Bento XVI comumente tem pedido e insistido ao diálogo e abertura entre religiões.

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    2. Em uma fala recente dele ele tece elogios enormes a importância que tem o budismo.

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  35. Alguns adendos universalistas: (Citando apenas alguns nomes que não eram mas que passaram a ser)

    Leonardo Boff na década de 70 já iniciado no espírito do ecumenismo:


    “Todas as vezes que o homem se abre para Deus e para o outro, sempre que realiza verdadeiro amor e superação do egoísmo, quando o homem busca justiça, solidariedade, reconciliação e perdão, aí se dá verdadeiro cristianismo e emerge dentro da história humana a estrutura crística. Assim pois, o cristianismo pode existir antes do cristianismo; e mais, cristianismo pode se verificar também fora dos limites cristãos”.

    Ainda naquela época, Leonardo Boff já dizia que as “religiões são caminhos ordinários pelas quais o homem se dirige a Deus e também O experimenta e recebe dEle revelações. Porém ainda era com ressalvas que ele fazia essa confissão. As religiões são respostas do homem a proposta de Deus. E estas podem conter erros e interpretações inadequadas à proposta de Deus. Contudo Boff deixou claro que na “religião cristã” que o homem encontra a totalidade dos meios de salvação.

    Quem lê ou ouve Boff atualmente percebe de imediato que ele se rendeu de vez ao universalismo.

    Justino, o mártir:

    “Todos os que vivem conforme o Logos são cristãos. Assim entre os gregos Sócrates, Heráclito e outros; e entre os não gregos Abraão, Ananias, Azarias, Elias e muitos outros cuja citação dos nomes e obras nos levaria longe demais”

    Joseph Ratzinger

    “Não é verdadeiro cristão o membro confessional do partido, mas aquele que se tornou realmente humano pela vivência cristã. Não aquele que observa de maneira servil um sistema de normas e leis, apenas com vistas para si mesmo, mas aquele que se tornou livre para a simples bondade humana”.

    Hoje, salvo engano, Ratzinger fechou-se para o diálogo inter religioso.


    Eduardo Medeiros:

    “Gosto da ideia de que há cristianismo antes do cristianismo do mesmo modo que havia cristo antes do cristianismo. é um pensamento que promove o diálogo inter-religioso num nível mais profundo, mais respeitoso, porém, ainda com resquícios daquele centrísmo conservador.

    por exemplo, ver cristianismo no budismo não seria diminuir o budismo? por que não considerar o budismo tão válido em si mesmo como o cristianismo ou qualquer outra religião?

    sabemos como o sistema religioso pode aprisionar as pessoas que dele vivem. sou um admirador das tradições religiosas do mundo mas não sou tão admirador assim da religiosidade doentia que essas tradições podem gerir. isso estamos cansados de ver em nossa casa(cristianismo).

    então, para mim, num futuro possível onde as religiões sejam instâncias que engrandeçam o ser humano e não o escravizem, não cabe nem o sectarismo que diz "só aqui tem salvação" nem a religiosidade castrante do ser e da liberdade do ser.”

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  36. EDU

    Quanto a passagem da mulher sírio-fenícia:

    Marcos diz:

    Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
    Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.
    Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.
    E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.
    Marcos 7:27-30

    enquanto mateus diz:

    E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom.
    E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.
    Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.
    E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
    Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!
    Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.
    E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
    Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.
    Mateus 15:21-28


    Veja pode parecer não ter muita diferença, mas se reparar nas respostas elas condizem com o público aos quais os autores se referem ao falar da mesma passagem. Enquanto Marcos prega às comundidades pagãs, Mateus se dirige às comunidades judaicas que por sua vez os judeus resistiam ferozmente ao "cristianismo".

    Por isso na fala de Marcos os judeus era a prioridade. Na fala de Mateus os judeus eram os únicos. Marcos não dá ênfase na resposta de jesus pois não precisava. Mateus por sua vez exalta a resposta de jesus (teria acrescentado?) para atingir os judeus perseguidores dos cristãos.

    Isso influência e muito no entendimento da passagem referida. Como o evangelho de MAteus considerado pela unanimidades dos exegetas não ser o original escrito em aramaico já que este que temos é grego. Enquanto o evangelho de Marcos é considerado o mais antigo que temos já que não faz uma alusão à destruição do templo em 70 D.C.

    Concluo que o evangelho de Marcos pode ser o mais autêntico nesta referida frase de Jesus o que dá uma conotação de que para Jesus o judeu era a prioridade e nunca a exclusividade. A visão de Jesus é sempre universalistas. Neste quesito em particular e em outras passagens que não citarei aqui para não ficar extenso, mas um outro exemplo é o centurião, seria um equívoco considerar que Jesus tinha uma visão particular e exclusivista.

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  37. Outro detalhe interessante que devemos considerar, é o respeito à vontade humana, conforme colocou o Caio Fabio:

    Portanto, não é “universalismo” aquilo no qual eu creio. No “universalismo” todos são “forçados” `a salvação. E eu não creio nisto, pois creio que podem existir condições de consciência que podem ir escolhendo “mortes” até a morte; e, depois de prová-las todas, podem até mesmo escolher a total extinção da Segunda Morte.

    Neste sentido, podemos escolher teologicamente entre universalismo e aniquilismo. Entretanto, neste modelo a tensão entre os atributos divino continua...

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    1. Doni eu particularmente não creio nisso. Creio que diante de algo que nos trará paz e realização e consciência plena a negação seria impossível.

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    2. concluindo: apesar de ser possível rsrsrs pois o livre arbítrio sempre existirá.

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  38. Giba,

    Acho que a partir do Vaticano II, praticamente todos os Papas procuraram o diálogo inter-religioso. Mas nenhum deles mais do que o Karol Wojtyla.

    Neste sentido você acha que ele superou o próprio João XXIII?

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  39. DONI

    João XXIII foi um caso a parte destas coisas que acontecem e que a gente não tem uma resposta concreta. Escolheram um papa provisório e o tiro saiu pela culatra rsrsrs Vai ser muito difícil ter um papa aberto ao diálogo e às ideias como foi o velho João XXIII.

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  40. Sobre a mulher fenícia, escreve o universalista R. N. Champlin:

    Jesus sabia que ela responderia dessa maneira, e, portanto, primeiramente recusou-se atendê-la, depois repreendeu-a, para provocar a demonstração de fé e da humildade daquela mulher, a fim de que isso servisse de exemplo a todos os circunstantes. Seu silêncio e sua repreensão foram como o silêncio e a reprimenda de alguém que deseja revelar um tesouro oculto aos olhos dos demais

    Pode ser que a ideia de que o alcance universal da graça, segundo a ótica de Jesus, precisaria ser introduzida a conta gotas entre os judeus, exatamente por eles não estarem preparados para tal. Por isso ele provocou aquela situação.

    Vendo por esta ótica, devemos eliminar a possibilidade do elemento surpresa em relação a expectativa de Jesus, como sugere o Levi.

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  41. Segundo Hermann Häring, o grande legado de Paulo foi exatamente o universalismo quando ele propõe a doutrina da justificação sem obras (Romanos 3,28).

    Se tiverem tempo leiam:

    http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2415&secao=286

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  42. DONI,

    ótimas citações você postou(excetuando uma de um tal Eduardo Medeiros que não tem cacife para ser citado).

    GIL,

    João 23 foi uma anomalia. João Paulo uma meia anomalia. Ratinger não crê em diálogo, crê que só na Igreja Católica há salvação - ele é a regra no catolicismo.

    GIL, de certo temos que levar em conta a construção dos autores de Marcos e Mateus nessa passagem. Mas até em Marcos, onde parece que Jesus não fez exclusivismo e sim um ordenamento, a resposta para a mulher é dura, ou seja, também ali Jesus põe na categoria de "cachorro"(um animal impuro para a Lei) os gentios e chama os judeus de "filhos"(de DEus).

    Eu não tenho problemas em ver que o pensamento de Jesus tenha sofrido evoluções durante sua vida e missão. Creio que isso é patente quando ainda no início ele alia-se ao seu primo Batista, um profeta radical e escatológico e depois o abandona para tomar seu próprio rumo.

    Mas pode até ser que no evento original Jesus tenha atendido a mulher e não a ter chamado de "cachorrinha" e então, os evangelistas por terem achado o evento universalista demais, ter dado seu próprio entendimento à questão.

    Não lembro agora se tal passagem é ventilada no Ev de Tomé.

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    1. Doni, esqueci de dizer que não concordo com a explicação do Champlin.

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    2. Doni

      Me parece que, Champlin, em sua argumentação, quis confirmar aquilo que ele, no fundo, pensa sobre o seu "Jesus": um ser humano não ambivalente, que sempre esteve por cima e nunca deu mancadas. (rsrs)

      Aliás, ao dizer "um ser humano não ambivalente", incorri numa incoerência, pois o que caracteriza o ser humano é justamente a ambiguidade dos seus afetos. (rsrs)

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    3. Edu eu já vejo com possibilidade sem ter receio de ver Jesus em evolução rsrrs Existem diversas passagens onde Jesus deixa claro que os "pagãos" compreendiam mais que os judeus e até exaltando os mesmos como também os excluídos da graça.

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  43. Confrades, Paulo dizia-se pregador do Evangelho de Cristo, portanto, é de se entender que Ele estava de comum acordo com tudo que Jesus ensinava. Creio que nos evangelhos ninguém falou tanto sobre o inferno como Jesus. Jesus contou a história do rico e Lázaro. Vemos tantas outras citações de Jesus sobre o inferno, como exemplo:

    Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que
    seja todo o teu corpo lançado no INFERNO.


    Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do INFERNO?
    Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no INFERNO; sim, vos digo, a esse temei.

    Baseado no sacrifício da cruz, Paulo diz: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores [...] Salvar de que? Creio que no versículo seguinte, Paulo deixa claríssimo que ele crê na condenação ao inferno:

    E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se "manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder,"
    Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;
    Os quais, por castigo, padecerão ETERNA PERDIÇÃO, ante a face do Senhor e a glória do seu poder,
    2 Tessalonicenses 1:7-9

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  44. Vemos também através do AT que o inferno era um tema bem familiar aos judeus.

    Sal 9:17 - Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus.

    Pro 9:18 - Mas não sabem que ali estão os mortos; os seus convidados estão nas profundezas do inferno

    Pro 15:24 - Para o entendido, o caminho da vida leva para cima, para que se desvie do inferno em baixo

    Isa 14:15 - E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo

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  45. Creio, no entanto, que não só Paulo como todos os mensageiros da palavra, pregavam uma salvação universal.

    Porque Deus amou o MUNDO [..] para que ninguém se PERCA

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  46. Edu:"Creio que isso é patente quando ainda no início ele alia-se ao seu primo Batista, um profeta radical e escatológico e depois o abandona para tomar seu próprio rumo."

    Não entendo que Jesus tenha abandonado J.Batista em nenhum momento, é bem claro que Jesus deixou João livre para cumprir a sua missão, enquanto Ele dedicou-Se a sua própria missão. Inclusive Jesus deu um grande testemunho sobre João, exaltando-o diante de todos.

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  47. Doni, "É difícil para a nossa mente treinada no modelo clássico de soteriologia apontar para a possibilidade de salvação eterna fora dos limites cristãos."

    E esta dificuldade fica maior pelo fato de que nenhum outro homem-Deus, tenha morrido por resgate dos nossos pecados.

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  48. Edu, "E diante da enorme fé da mulher(que Jesus diz nunca ter visto no meio de Israel), ele passa a expandir sua visão de forma universalista?"

    Eu creio que neste dialogo Jesus já sabia perfeitamente o que aconteceria, Ele apenas instigou a mulher para que a sua fé fosse publicada, além de que os seus discípulos tiveram um testemunho público de que os gentios eram alvo também do seu amor.

    Veja outro evento em que a fé de um gentio testemunhou do plano universal de Deus para os homens:

    "E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.
    Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz.
    E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mateus 8:8-10

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  49. Levi, "No ensaio “SOBRE OS NOSSOS DEMÔNIOS INTERIORES”, que postei em Junho de 2010, lá na C.P.F.G. que obteve cerca de 120 comentários realizados pelos confrades, trouxe uma parte que mostra como, na visão mítica dos antigos, eram interpretadas as profundas forças obscuras da psique humana. Forças que, na visão mística do cristianismo primitivo, vinham do ar (um poder cósmico) [Efésios 6: 12]:"

    Não é de se estranhar que apesar do avanço da psicologia moderna, esta visão não tenha evoluído através de provas palpáveis de que não existem forças espirituais agindo sobre o ser humano?

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  50. Guiomar

    Você demorou, mas apareceu agora no finalzinho do debate, de forma guerreira com a sua arma metralhando tudo e todos, à maneira dos tremendos exércitos de Javé que não levavam desaforo para casa (rsrs).

    Emocionou-me muito a sua defesa do Jesus mitologizado, que um dia eu também defendi com unhas e dentes, como se estivesse torcendo pelo Fluminense contra o Flamengo numa final de campeonato carioca, onde os meios (como uma ajudazinha do juiz) não interessavam para se conseguir os fins. (rsrs)

    Realmente, dizer que Jesus foi um homem “normal”, digo, ambíguo e cheio de dúvidas como nós, é um acinte a fé dos que foram por ele transformados e que agora, se consideram salvos do fogo do inferno que está preparado para os que não creem que ele era um Deus em forma de homem.

    Mas me perdoe, cara Gui: como eu adoro aquela parte registrada por Lucas: “Diziam que Ele tinha demônio porque bebia cachaça junto com os pecadores”.

    Troquei o vinho por aguardente, em homenagem ao povo nordestino cuja bebida tradicional é a “branquinha”. (rsrs)

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  51. Levi, na verdade sou temperamental, mas confesso com toda sinceridade, que não estava de ânimo inflamado quando coloquei o que penso aqui.

    Eu não sei o que realmente é o inferno, e espero que esteja preparado apenas, para o diabo e o seu exército.

    Nobre Levi, creio que você está equivocado quanto ao versículo citado. O fato de afirmarem que Jesus tinha demônio, foi exatamente porque Ele evidenciou a sua filiação.

    Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.
    Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora "conhecemos que tens demônio." Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.
    João 8:51-52

    Cuidado com a branquinha ela é traiçoeira...

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  52. Gui, de fato você chegou com tudo e deu novo fôlego ao debate neste instigante tema que o DONI nos apresentou.

    Sobre o que você disse, tenho que concordar com você que Jesus falou muito num "inferno". Mas dizer isso não basta. Você citou alguns versículos do AT onde se fala de um "inferno" mas isso também não basta. É preciso fazer uma exegese nesses textos para procurar entender o que "inferno" significava para eles. Temos que levar em consideração um possível paralelo do inferno bíblico com o mito grego do deus Hades, senhor dos mundos inferiores.

    No texto que você citou, Jesus teria dito que era melhor perder um olho se ele te escandalizasse. Quantas vezes teu olho te escandalizou, Gui? uma única vez? e você o cortou?

    Temos que perceber os sentidos metafóricos dos textos bíblicos para não causarmos estragos.

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  53. Que Jesus deixou o movimento do seu primo é bem provável por uma leitura mais atenta dos evangelhos. Ora, no início, Jesus se deixou batizar por João para que seus pecados fossem perdoados (é, isso é uma heresia mas não tem explicação ortodoxa que faça esse texto dizer outra coisa do que ele realmente diz).

    A tradição da igreja posterior tentou até maquiar um pouco esse evento histórico pois ele era perturbador para a teologia do Jesus divino. Mas não vou desenvolver essa questão aqui pois pretendo falar sobre isso na minha próxima postagem.

    Então, como eu dizia, Jesus deixou o movimento de João que era radicalmente ascético, viva fora das cidades, não se misturava com pecadores e tinha sempre um discurso afiado contra os pegadores que Jesus na maioria do tempo não tinha.

    Inclusive, isso levou João quando já estava preso, a duvidar da messianidade do seu primo ao mandar perguntar se ele era de fato o messias ou se teriam que esperar outro.

    Enfim, essa questão está saindo muito do tema do universalismo.

    E sua explicação sobre o evento de Jesus com a mulher cananéia, segue o script de que Jesus "tudo já sabia", tirando dele a humanidade limitada que ele deveria ter.

    Jesus, num dos seus irônicos discursos falou que veio João que não comia nem bebia (com pecadores pois era muito ascético) e disseram que tinha demônio; veio o Filho do Homem que comia e bebia (com pecadores) e dizem que tem demônio...

    Difícil agradar ao povo...rss

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  54. Por fim, o grande problema de Deus condenar bilhões de seres humanos ao inferno por não ter aceitado seu Filho como "único e suficiente salvador" é que faz dele um ser já sem o amor que diziam que ele tinha antes; o discurso que diz que Jesus veio como advogado mas virá como juiz é totalmente paradoxal, ultrapassado e originador de todo tipo de intolerância que os cristãos sempre tiveram com os "perdidos".

    A função dos teólogos é pensar Deus para o tempo presente(inclusive isso ocorreu no próprio texto bíblico durante os tempos). Mesmo aqui nesta confraria, nós não sendo teólogos profissionais, é isso, creio, que tentamos fazer.

    Enfim, você tem todo o direito de crer como quiser crer.

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  55. GUI, minha intuição dessa vez falhou. Eu pensei que você fosse dar uma sonora gargalhada com o comentário que fiz sobre uma metafórica metralhadora por mim inventada e posta em suas mãos.

    Como não existe melhor remédio que RIR, vou transpor para esta sala um comentário que deixei lá no blog “VEREDAS” do nosso Pastor Eduardo da Igreja “Logos e Mithos”, sobre o belíssimo e profundo verso em prosa de Vivaldo Coaracy ― “O RISO”.

    Uma observação: Se a gente substituir a palavra ”homem” na primeira parte da prosa - por “Filho do Homem”, o poema ficará mais filosófico e teológico, bem de acordo com as nossas inserções aqui nesta sala, se não vejamos:


    “E após receber o dom da razão, da

    consciência e da palavra, o homem (ou Filho do Homem)

    recebeu a capacidade de arbitrar. E

    o Senhor, para lhe permitir compensar

    os perigos a que o livre arbítrio o

    expunha, contemplou-o com a

    faculdade de rir”.
    [BRAVO!!!]


    Agora, o meu comentário (rsrs):

    “EDU,

    Nesta poesia está contida toda a essência de um Jesus histórico, que os quatro evangelistas, não sei por que ocultaram.

    "Em meio ao encanto do sono, Jesus ouviu de súbito gritos de felicidades (risos). Acordou sobressaltado. Diante de si viu Mateus, ainda lendo com o caderno sobre os joelhos. Lembrou-se e sentiu vergonha por ter caído no sono; jogou-se então nos braços do publicano e beijou-o nos lábios (rindo até não querer mais).

    O trecho acima é de Nikos Kazantzakis, em “A Última Tentação de Cristo”

    Os entre parênteses são reforços meus. “Kkkkkkkkkkkk”

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  56. Bom pessoal, acho que já deu!

    O próximo que já deve estar com o texto na agulha pode publicar. Plenamente satisfeito com o desenrolar da discussão.

    Antes porém, uma frase do Sócrates:

    "A alma do homem é imortal. A alma dos justos é imortal e divina."

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  57. Edu, não estou aqui fazendo alguma apologia ao juízo final interpretado pelos cristãos, ao longo dos tempos. Já acreditei em um inferno lotado de pessoas inocentes, porque não haviam aceitado a Jesus como eu "pensava" que o havia aceitado e não comungavam do mesmo credo que os evangélicos, especialmente os pentecostais comungavam. No entanto, meu amigo, querer interpretar o inferno citado por Jesus com o mito HADES é forçar, não há exegese que nos traga provas de que Jesus ou os outros escritores falavam do HADES, lugar dos mortos ou nome atribuído ao deus grego ou a Plutão, na mitologia Romana, epíteto também grego.

    Você kkkkkkkkkk insultou a minha já pobre inteligência, sugerindo que eu tomo por literal o arrancar de ti um membro que te faça escandalizar. Para mim, é claro como a água o que Jesus disse, assemelha-se a afirmação de Paulo, E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Gálatas 5:24 ou quando:

    Lucas 9:23-24 (NVI) Jesus dizia a todos: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará.

    Quanto ao escandalizar, pobre de mim, "Quem me livrará do corpo desta morte?" Mas graças a Deus que me dá a vitória em Cristo Jesus.

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  58. Doni, você encerrar sem fazer caso aos meus comentários, que cheguei atrasada porque a OI é uma famigerada, é injusto rsrs

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  59. Quanto a Jesus e seu relacionamento com Cristo continuo com o mesmo pensamento. Depois da morte de João Jesus continuou dando o mesmo testemunho sobre ele. Em lugar algum conta que Jesus tenha criticado a pregação de João, pelo contrário o próprio Jesus exorta, usando a mesma expressão do famoso Batista, "Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do INFERNO?

    Quanto a João questionar se Ele era mesmo o Cristo, é absolutamente lógico.
    Lembra quando os discípulos estavam reunidos orando por Pedro que estava na prisão? Pois quando a criada anunciou ele havia sido solto, a reação deles foi? Estás louca!

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    1. Na primeira frase, por Cristo, queria dizer João Batista.

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  60. Levi, belo poema e realmente para mim, rir é divino.

    Por que nós não podemos aceitar que uma pessoa, mesmo sendo Deus encarnado, possa ser perfeito? Nos esfrega na cara tão grosseiramente as nossas mazelas? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  61. O comentário do LEVI é sem comentários...rsssss

    Gui, claro que eu não penso que você acha que o "arrancar o olho" seria literal; eu só disse isso para que você percebesse que talvez, o tal "inferno" esteja na mesma categoria simbólica do "olho arrancado". E historicamente, é totalmente possível que a ideia de um mundo dos mortos(inferno) tenha sido acolhida pelos judeus do tempo de Jesus. Eu não disse especificamente que Jesus criticou João Batista, eu disse que ele rompeu com o projeto do seu primo; se não fosse assim, continuaria no deserto, distante de toda vida "mundana" como João. O questionamento de João com relação à messianidade de Jesus talvez fosse exatamente por essa liberalidade todo que Jesus tinha.

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  62. Gui,

    Há poucos dias Joseph ratzinger afirmou que o inferno é real e está lotado, contrariando seu antecessor Karol Wojtyla que era convicto de que o inferno era um estado de espírito ou a ausência de Deus.

    estou fazendo esta citação desses dois pesos pesados da teologia só para você ter ideia de como este assunto está longe de ser resolvido.

    Qualquer coisa além de palpite em relação à este tema é pura presunção. Pois existem mais perguntas sem respostas do que solução.

    Mas com certeza voltaremos a falar à respeito.

    Abraços.

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  63. Doni,

    Como sempre são bem interessantes os seus textos abrindo uma oportunidade para o nosso aprendizado e reflexão.

    Penso que para o seu tempo Paulo foi um grande universalista e que não pode ser compreendido pelos olhos do presente. Em sua visão teológica incluem-se gregos e judeus. So isso foi um enorme passo. Um,a tremenda ousadia unir dois povos de caracteristicas bem distintas ao redor da crença do Deus unico.

    Infelizmente, ando com poucas possibilidades para debater e me aprofundar e, neste sentido, quero informar aos confrades que novamente estou passando a vez para outro. Tenho muitos textos sobre teologia no meu rascunho, mas ainda estou sem internet em casa e, portanto, com dificuldades para digitar.

    Aproveito para desejar-lhes uma semana abençoada sendo que daqui a pouco começa o culto na igraja onde tenho me congregado aqui.

    Abração.

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