sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A verdade sobre a mentira






Por Donizete.


Todos os seres humanos mentem, uns mais outros menos, mas todos mentimos. É próprio da natureza humana mentir, desde quando éramos pequeninos mentimos. Claro que há vários tipos de mentira, várias formas de mentir e não se pode negar que as mentiras tem intensidades e conseqüências diferentes.

Mentimos para não causar um desconforto, mentimos para sermos politicamente corretos, mentimos para não ferir a auto estima de alguém, mentimos quando tememos que a verdade traga conseqüências negativas para nós mesmos ou para alguém, mentimos quando a verdade não serve aos nossos propósitos.  

Em todas as culturas se mente, todas as pessoas desde as mais novas às mais velhas. Mentimos por necessidade, por piedade, por amor, por maldade às vezes. Mentimos  quando pretendemos passar uma imagem diferente de nós mesmos. Ou também quando razões externas nos pressionam a mentir. O fato é que nossa existência seria impossível sem este recurso que é a mentira. Mentir é uma habilidade que brota das profundezas de nosso ser, e nós a usamos sem cerimônia. Como escreveu o americano Mark Twain há mais de um século: "Todos mentem... todo dia, toda hora, acordado, dormindo, em sonhos, nos momentos de alegria, nos momentos de tristeza. Ainda que a boca permaneça calada, as mãos, os pés, os olhos, a atitude transmitem falsidade". Enganar é fundamental para a condição humana.

Por este motivo é que há alguns anos ocupam-se com o mistério da mentira não apenas filósofos, mas também sociólogos e psicólogos. E o resultado das pesquisas são impressionantes. Segundo alguns estudos, normalmente uma pessoa saudável conta uma mentira a cada dez minutos de conversação. E conclui que uma mentira vem aos nossos lábios cerca da 200 vezes por dia. Parece um exagero, mas não encontrei nenhuma outra fonte que apresentasse um resultado menos perturbador. Perturbador porque isto me leva a uma conclusão lógica: somos seres humanos, todo ser humano mente. Logo, somos todos mentirosos. E isto contraria meus conceitos acerca da mentira.

A revista Galileu da editora globo realizou uma entrevista com o jornalista alemão Jürgen Schmieder, que desenvolveu um projeto de ficar 40 dias sem proferir nenhuma mentira. O resultado foram hematomas, noites dormidas no sofá, muitos insultos e uma amizade quase perdida. O relato sobre esse período livre de mentiras, e cheio de confusões, está no livro "sincero - a história real e bem humorada de um homem que tentou viver sem mentir". Segundo seu relato não precisamos mentir mais do que 50 vezes por dia. Consolador!

Sabemos desde criança que mentir é um ato vergonhoso, que em toda a história da humanidade algumas mentiras, sobretudo aquelas em forma de calúnias, causaram muitas intrigas, levaram pessoas ao sofrimento, e fizeram derramar muitas lágrimas e sangue. Entretanto a história também está repleta de casos onde uma mentira livrou pessoas de morte iminente. Algumas inclusive bíblicas, como na caso de Raabe e das parteiras do Egito.Por isso estudiosos se dividem em suas opiniões acerca desse assunto.  

Os Filósofos Immanuel Kant, Benjamim Constant e Arthur Schopenhauer por exemplo, defendem, cada um, uma opinião diferente sobre este assunto: Na verdade a discussão se desenvolve a partir de um suposto direito de mentir diante de determinadas situações.. As argumentações de cada um deles são baseadas na concepção que cada um deles têm da natureza dos direitos e deveres, isto é, a questão que se discute é se o indivíduo tem ou não o direito de mentir.

Aos três pensadores é sugerido o seguinte: Um assassino bate à sua porta com a intenção de matar seu amigo que está escondido em sua casa. Você deve dizer a verdade quando o assassino perguntar sobre o paradeiro do seu amigo, ou deve mentir e dizer que o amigo não se encontra no local?

Para Constant, junto ao conceito de dever está o conceito de direito e  onde não há direitos, também não pode haver deveres, isto é, se o assassino tem a intenção de infringir a lei e matar seu amigo, tirando-lhe a vida, você não tem o dever de dizer a verdade porque o assassino não tem o direito a ela.
Onde nenhum direito existe também não há deveres. Por conseguinte, dizer a verdade é um dever, mas apenas em relação àquele que tem direito à verdade. Nenhum homem, porém, tem o direito a uma verdade que prejudica o outro. 

Para Kant, um indivíduo não deve mentir em hipótese alguma, nem mesmo em circunstancias extremas como no caso em questão. Kant afirma que não podemos evitar dizer a verdade em relação a qualquer pessoa, mesmo que esta verdade provoque desvantagem para nós ou para outro. E se proferimos alguma inverdade, mesmo com a intenção de poupar a vida do outro, cometemos, desta forma, injustiça para com o indivíduo que nos pressiona a proferir uma declaração.

Porém para Schopenhauer há certas situações, nas quais, podemos fazer uso da mentira sem injustiça. Estes são os casos nos quais usaríamos a força para nos defendermos de uma agressão, isto é, podemos fazer uso da astúcia quando precisarmos da força para nos defender, mas não pudermos contar com ela, ou seja, quando não formos fisicamente fortes o suficiente para nos defendermos da agressão física.

O Filósofo deixa claro que no exemplo citado, não seria injusto mentir sobre o paradeiro do amigo procurado pelo assassino, pois aquele que promete algo sob coação, através da força, ou acreditando em falsas premissas, não é obrigado a cumprir a promessa; e, no caso exemplificado, o dono da casa está sendo coagido pelo assassino.
Schopenhauer afirma que temos o direito de mentir para nos livrarmos de assaltantes e violentos de qualquer espécie, para defendermos nossa própria vida, nossa liberdade, nossos bens ou nossa honra.

A argumentação Schopenhaueriana, a favor do uso da mentira em determinados casos, vai mais além. Schopenhauer diz que podemos mentir em qualquer situação, na qual, uma pergunta seja intromissiva , indevida, indiscreta, ou se refira a algo que não nos convém dizer. Por exemplo: alguém nos faz uma pergunta indiscreta. A nossa recusa em responder pode vir a causar suspeita. Então nos devemos mentir para preservar nossa intimidade contra a curiosidade alheia. O Filósofo afirma que existem casos em que é nosso dever mentir; os exemplos de Schopenhauer são os casos da medicina, isto é, do médico para com o paciente e outras inverdades que podem ser consideradas nobres. Olha o exemplo colocado por ele.

Schopenhauer cita do Novo Testamento em João 7:8, no qual Jesus disse aos seus discípulos que subissem sós até a festa dos Judeus que queriam matá-lo, porque ele não iria. E depois que os discípulos todos estavam lá, Jesus subiu sozinho e passou desapercebido em meio ao povo até chegar em um lugar privilegiado para, então, de lá, falar sobre suas boas intenções e convencer os Judeus a não o matarem.

Com todos estes dados e opiniões não quero parecer leviano ou irresponsável ao ponto de parecer fazer apologia a prática da mentira, mas sim a fazermos uma introspecção e nos livrarmos desse falso moralismo de afirmar que em nós habita somente a verdade e nenhuma mentira. E termos consciência de que aquela mentira que falamos a uma criança é tão mentira como qualquer outra.


37 comentários:

  1. "A mentira quando necessária é tolerável!"

    Carlos Heitor Cony

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  2. "Nos meus tempos de criança, obedecia a minha velha professora quando pedia para conjugar o verbo no presente do indicativo sem defecções. Já hoje, a conjugação deste verbo é feita de forma irregular tornou-se muito perigosa, pois diz uma triste e dura verdade que pode prejudicar os nossos honoráveis representantes em suas tenebrosas negociatas. Hoje, parece que eles recalcaram a primeira pessoa do singular e do plural do verbo MENTIR para um lugar chamado “inconsciente”. Inconsciente este, tal qual um porão, esconde crimes não ditos e desejos inconfessáveis".

    Com quanta sem-cerimônia e espontaneidade conjugávamos este verbo, que hoje se constitui uma tarefa tão temida por parte dos políticos que almejam um cargo público em época de eleição. É por ocasião dos arremedos sem seriedade denominados debates e programas eleitorais que eles mandam a gramática às favas, em prol dos seus interesses, muitas vezes escusos. Não podendo abolir o verbo mentir, tornaram-no defectivo, ou seja, aboliram a primeira pessoa do singular e do plural, desfigurando a conjugação do emblemático verbo. Melhor dizendo, o conjugam para os outros e não para "eles". Que vergonha senhores! Vejam o que eles fizeram com a nossa gramática dos tempos do Primário, e como ficou o verbo MENTIR no presente do indicativo:

    Eu ...?.....
    Tu mentes
    Ele mente
    Nós ....?...
    Vós mentis
    Eles mentem

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  3. Em minha modesta e refutável opinião, o homem que mente tem cicatriz no caráter, rouba, engana, é falso, é corrupto, gosta de política e, "com certeza", nasceu no Brasil.

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  4. Doni, muito interessante o tema.

    fui ensinado desde pequeno que eu não deveria mentir em hipótese alguma. Nesse sentido, minha mãe era bem kantiana. Mas depois que você cresce, percebe que viver sem mentir é mesmo impossível e então, tornei-me (sem querer ou saber) Schopenhaueriano!! moralmente, creio que devemos mesmo colocar a verdade de forma relativa. Nem toda mentira é dita por motivos poucos nobres, como o belo e inspirado comentário do LEVI sobre nossos políticos que transformaram o verbo "mentir" em defectivo!

    Ouse falar a verdade quando sua mulher lhe pergunta: "amor, você acha que eu estou gorda"?? se você falar a verdade, com certeza, vai dormir no sofá...

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  5. Inclusive, Doni, como dito no texto, a Bíblia registrou algumas mentiras dos seus heróis e não os criticou por isso. Abraão mentiu. Mentiram para salvar o menino Moisés. Conforme está registrado em João 7.8, se Jesus não mentiu de forma aberta, ele no mínimo, deu uma relativizada na verdade de que "não iria".

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  6. Levi, seu comentário foi sensacional. De fato os políticos se sobressaem no quesito mentir.

    Achei interessante uma frase criada pelo grande Lula ainda no seu primeiro mandato. "Quem fala uma mentira precisa depois falar várias outras para justificar a primeira".

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  7. Mirandinha,

    Quem nunca inventou uma mentirinha para se livrar de um probleminha?

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  8. Edu,

    Tenho para mim que a mentira deva ser evitada ao máximo, exatamente para não virar um vício. Mas duvido que exista alguém que nunca a usou como recurso.

    Entre as opiniões dos filósofos, também acho o Schopenhauer bem mais coerente! O Kant é muito radical neste aspecto. rsrs

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  9. Falsos moralismos não valem nunca. A mentira não leva à nada, mas ela está presente nas mínimas coisinhas e até ao atender um telefone ,dizendo que a D.Fulana não está, pra se livrar de chatos de telemarketing, não deixa de ser uma delas,rsrs


    abração,chica

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  10. Existem muitas formas de mentir até a própria convicção de que está falando a verdade como bem disse o filósofo Friedrich Nietzsche :

    As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras

    Kant tinha esta ideia porque não era ele o que estava escondido e jurado de morte, pois sua opinião mudaria rapidinho rsrsrsrs

    Mentir é quase que respirar como disse Machado de Assis:

    A mentira é muita vezes tão involuntária como a respiração.

    Como dizia minha mãe: Há mentiras e MENTIRAS!!!!!

    Eu por exemplo não minto quando digo que minto.



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  11. Oi Chica,

    Existem categorias de mentiras que são totalmente inofensivas. Não produzem nenhum tipo de mal a quem quer que seja. Existe necessidade de ficar proferindo-as? claro que não! Falo daquelas que são pontuais. Pense num momento onde você tem duas opções: Falar uma mentira ou ser grosseiro com o outro. Alguns não pensam duas vezes. Mentem! rsrs

    Abraços.

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  12. Gil,

    "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras" Fato!

    Com relação a Kant, Concordo!

    As mentiras nos perseguem Gil.

    Imagine só: Quando tingimos o cabelo para esconder os fios brancos,(rsrsrs) quando a pessoa faz qualquer tipo de plástica para tentar parecer o que já não é mais, ou faz implantes para os mais diversos fins, o que você acha: Não é um mentiroso ambulante? rsrsrsrsr.

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  13. Edu, Donizete e demais


    VERDADE: Não é que errei na publicação de um texto (notícia comentada) sobre Mentira e Verdade. Confundi a C.P.F.G. com a C.T.L.M. Boei na sopa de letras (rsrs).

    Exclui o texto na Logos e Mithos, mas ficou lá a imagem e o título do original postado na CPFG. Peço perdão ao amigo e pastor Eduardo, e faço votos para que os irmãos de fé encontrem um jeito de concertar a atrapalhada.

    Podem acreditar: não estou MENTINDO.

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  14. Concordo em parte com o Mirandinha.

    Eu não consigo imaginar qual a mentira que não deixaria a pessoa que foi vítima dela, chateada.

    Para mim, quando sou convidada a uma jantar ou almoço, fica super difícil quando me perguntam se eu gostei da comida, mas sinceramente, se eu não gostar eu explico que não é bem o que agrada ao meu paladar.

    Não posso dizer que nunca menti ou que ainda não digo meias verdades, mas se me dou conta, sempre confesso e peço perdão.
    Eu fiz questão de nunca mentir para os meus filhos, uma vez menti para o mais velho, enquanto não confessei e pedi perdão não tive descanso. A mesma coisa para o meu marido. Como disse o Lula, "Quem fala uma mentira precisa depois falar várias outras para justificar a primeira". Esta frase é bem famosa.

    Eu tenho percebido que mentir, tem se tornado cada vez mais natural no nosso mundo, e para mim, isto é assustador.

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  15. Guiomar,

    No período do holocausto, quando os alemãs saíram a caça aos judeus, muitos cristãos os escondiam nos porões de suas casas. Quando a tropa passava e perguntava se acaso eles tinham visto algum judeu por perto, a resposta era a seguinte: "nem sinal deles"!

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    1. (kkkkkkkk)

      Doni

      Essa é a mentira BOA, que Deus se agrada. Amém?

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  16. Uma dos muitos exemplos de pessoas que esconderam judeus (e mentiram sobre) que ficaram famosas por seu ato de bravura e humanidade (deixo aí a pureza dessas intenções para o Levi criticar rss) foi a piedosa cristã Corrie Ten Boom. Sua história foi publicada num clássico chamado "O Refúgio Secreto" (editado aqui pela editora Betânia e que também virou filme).

    Em dezembro de 1967, Ten Boom foi honrada com a inclusão de seu nome nos "Justos entre as Nações" pelo Estado de Israel.

    E aí, Gui, tal mentira, como disse o LEVI, foi ou não uma mentira que agradou a Deus? rss

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  17. A mentira como um dos arquétipos do mito da criação:

    Expulso por sua natureza — a que mente —, o corpo foi empurrado para fora do Éden. Para sobreviver nesse outro lugar, inóspito, denominado Terra, o nosso corpo teve que desenvolver uma proteção conhecida como MENTIRA.

    Mente-se por fidelidade ou por infidelidade. Entender os reais propósitos e medidas da mentira é coisa muita difícil de aquilatar.

    Jacó – é o exemplo de como através da mentira são formadas as “boas” famílias. Jacó mentiu para escolher uma “nova posição” diferente do politicamente e religiosamente correto, criando uma nova relação para lidar com o outro, diferente. A Torá nos mostra um filho se aproveitando da cegueira do Pai, para passá-lo a perna, ajudado pela própria mãe. Foi esse módulo de família que se tornou em Abraão a multidão de transgressores e mentirosos. Como bons descendentes de Abraão, nós todos, mentimos para não sofrer.

    A pureza de Jesus não é genética, e ele nunca se arvorou em representante do correto. Mentir no modo “bom” é salutar, desde que se transgrida o passado para preservar um futuro melhor.

    Quem lê, entenda, esse meu elogio da mentira.

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  18. Confrades dou a mão a palmatória em casos semelhantes aos citados. Sou fã da Corrie Ten Boom, mas já não acredito que Abraão necessitasse mentir. Deus havia feito uma promessa a ele e zelaria pela sua promessa até o fim. Mas não penso que Deus vai castigar ninguém porque mentiu, apenas tenho muita dificuldade de confiar em uma pessoa que mente com facilidade, creio que a verdade é algo pelo qual devemos primar.

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    1. “ tenho muita dificuldade de confiar em uma pessoa que mente com facilidade” (GUI)

      Chegamos a essa conclusão por experiência própria, Gui. A frase acima traduzida psicanaliticamente, ou em sua profundidade, quer dizer: “Olha, não sou honesto, eu desconfio de mim mesmo, e acredito que ninguém é melhor do que eu nesse sentido”

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  19. Kiekegaard dizia que a verdade é absurda. A mentira mora em nós e a verdade mora ao lado. A verdade tem de ficar solitária do lado de fora do salão e do templo onde o banquete é servido.

    Nietzsche dizia que “os guardiões da verdade não percebem que esta repousa paradoxalmente sobre o erro e a mentira, e que o ideal da verdade ou da pretensa verdade não é finalmente senão vontade de destruição, de aniquilamento e de morte. Nós temos a arte para não perecermos da verdade . (Gaia Ciência)

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  20. "Nós temos a arte para não perecermos da verdade"

    Levi, essa citação do Nietzsche daria longas boas conversas regada a uma boa cervejinha (para mim sem álcool, pois minha religião não permiti), não?

    Levi, agora tá "flórida", meu chapa, tudo que agente fala você desnuda psicanaliticamente no "profundo" e dá de bandeja a real tradução da intenção(não) dita.

    Assim não dá!!!!!!! kkkkkk

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  21. Gui, é verdade que Deus não vai castigar quem mentir(haja castigo para todo mundo!!!) tanto é que como o Levi observou, ele pregou uma baita mentira ao pai tornando-se o "falso primogênito" e Deus o escolheu assim mesmo e se aborreceu de Isaú que não fez nada parecido(conforme nos diz Paulo).

    vai entender...rs

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  22. Como dizer a verdade se vivemos uma mentira? Como não mentir se a verdade que projetamos está sempre às margens da realidade?

    Um exemplo entre tantos é quando dizemos que não gostamos de política e fazemos política o tempo todo.

    Soma-se a isso nossa profissão de fé, de amor, nossas infinitas promessas, nossas crenças de hoje que serão descrenças de amanhã.

    Mentir em minha opinião é uma questão de sobrevivência.

    Quem não mente não vive vegeta!

    Mas há mentiras que mata também!

    Por isso fico ainda no andar da sabedoria dos meus velhos: Há mentiras e MENTIRAS!

    Enfim nossas amizades quase sempre gira em torno de quem mente! Não gostamos de pessoas verdadeiras.



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  23. Os pagãos concebiam os deuses a partir de seus próprios sentimentos, e nisso eles eram menos mentirosos, o inverso do que o cristianismo propõe — uma perfeição inalcançável e por isso inumana.

    O deus Júpiter(Zeus) assumia diversas formas para poder se aproximar do homem em seus sentimentos “mais baixos”. O pagão não repudiava a essência de Júpiter porque não imaginava um deus sem a qualidade do MENTIR quando necessário. Hermes pôs em seu coração a astúcia e a mentira.

    No imaginário grego os seus deuses tinham os mesmos sentimentos que os humanos:amavam, odiavam,desejavam, invejavam, cobiçavam e mentiam. Diferentemente do cristianismo, cuja maior mentira é a negação desses sentimentos, projetados na figura do pobre Satã.

    Os deuses gregos tinham todos os vícios e virtudes do ser humano. O deus cristão preferiu se cindir em duas partes antagônicas: a parte profana ficou com lúcifer; a Javé coube, pelo menos utopicamente - a parte “santa ou sagrada”. Mas tudo isso é vivenciado na psique humana, onde a nossa “essência boa” é atribuída a Deus, e a nossa mentira de cada dia – ao diabo.
    Como é consolador e a ao mesmo tempo infantil dizer: "o diabo é o culpado pela minha mentira"

    Perguntem ao Macedo que ele é PhD nessa matéria (rsrsrs)

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  24. Levi,

    Por acaso este Macedo a quem você se refere, sou eu? Só por acaso...

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    1. Miranda

      Eu mirei alto ou alta-mirei no outro Macedo - o sacerdote-mor de Javé no Brasil. (kkkkkkk)

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  25. PARA ROMPER COM O SILÊNCIO (rsrs):


    A VERDADE e a MENTIRA dos Deuses ― estão escondidas na subjetividade ou na essência de cada um. São, na verdade, expressas pelo ângulo com qual se olha determinado ponto. “Se os teus olhos forem bons... (rsrs)


    A língua quando nos é estranha – a denominamos de inverdade:
    Trago dois textos (divinos ou demoníacos?) do barbudo Freud, que podem perfeitamente ser considerados tanto MENTIRA quanto VERDADE:


    “Sabemos da vida secreta do indivíduo revelada pela a análise, que sua relação com o pai foi ambivalente desde o início, ou, pelo menos, cedo veio a ser assim. Isso equivale a dizer que ela continha dois conjuntos de impulsos emocionais que se opunham mutuamente: continha não apenas impulsos de natureza afetuosa e submissa, mas também impulsos hostis e desafiadores. É nossa opinião que a mesma ambivalência dirige as relações da humanidade com sua divindade. (Palavras de Freud)

    Continua, ele:

    “Não é preciso adivinhar que Deus e o Demônio eram originariamente idênticos ― uma figura cindida em duas figuras com atributos opostos. Nas épocas primitivas da religião, o próprio Deus ainda possuía todos os aspectos terrificantes que mais tarde se combinaram para formar uma contraparte Dele. As contradições da natureza original de Deus, contudo, constituem um reflexo da ambivalência que governa a atitude do indivíduo como seu pai ou tutor. Se o Deus benevolente e justo é um substituto do pai, não é de admirar que também sua atitude hostil para com o pai, que é uma atitude de odiá-lo, temê-lo e fazer queixas contra ele, ganhe expressão na criação de Satã”.

    “Somos seres rachados, atormentados por uma guerra interna sem fim, chamada neurose, na qual somos nossos próprios adversários”
    (Rubens Alves – Psicanálise da Religião - do livro: "O Que é Religião?")

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  26. Levi, eu não seria tão radical assim: "“Olha, não sou honesto, eu desconfio de mim mesmo, e acredito que ninguém é melhor do que eu nesse sentido".

    Dentro do que percebo sou honesta, não desconfio de mim eu sei das minhas mazelas e procuro me policiar. Acho que tem gente que mente pelo simples hábito de mentir e esta não é a minha debilidade. E quero sempre primar pela verdade.

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  27. Sabe confrades, mesmo dando a mão a palmatória, eu acredito que se nós confiássemos mais nas promessas de cuidado de Deus, nós não mentiríamos em nenhuma ocasião.
    Eu estava lembrando, quantas vezes eu achei que teria que apelar para a mentira, e pedi a Deus sabedoria e Ele me deu a estratégia certa e eu não precisei de mentir...

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  28. "Quero sempre primar pela verdade" (GUI)

    Esse ideal coloca o homem em tensão, porque ao proclamar o que ele deve ou deseja ser, diz ao mesmo tempo o que ele não é. O homem abomina a sua própria essência pagã. Os cristãos zombavam dos filósofos pagãos, sem saber que com isso estavam negando a sua própria essência pagã. O inconsciente é mais revelador. Ele revela o nosso lado avesso - aquele que abominamos, e só vemos no outro.


    Vai com ele, vai Geni!
    Vai com ele, vai Geni!
    Você pode nos salvar!
    Você vai nos redimir!
    Você dá pra qualquer um!
    Bendita Geni!
    (da Epistola de Chico a nós mortais)

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  29. Como diz meu marido filósofo:"Pra preservar a verdade, sou capaz até de mentir," rsrs... E eu me junto a ele, a mentira e um mal necessário e quem disser que não a usa de vez em quando está mentindo.

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  30. Entre os cancioneiros populares, Noel Rosa, foi insuperável na arte de descrever a MENTIRA. A sua canção : “MENTIR” , que reproduzo abaixo, é irretocável. Não tenham dúvidas ― ela foi divinamente inspirada. Aleluiaaa!:


    Mentir, mentir
    Somente para esconder
    A mágoa que ninguém deve saber
    Mentir, mentir
    Em vez de demonstrar
    A nossa dor num gesto ou num olhar


    Saber mentir é prova de nobreza
    Pra não ferir alguém com a franqueza
    Mentira não é crime
    É bem sublime o que se diz
    Mentindo para fazer alguém feliz


    É com a mentira que a gente se sente mais contente
    Por não pensar na verdade
    O próprio mundo nos mente, ensina a mentir
    Chorando ou rindo, sem ter vontade


    E se não fosse a mentira, ninguém mais viveria
    Por não poder ser feliz
    E os homens contra as mulheres na terra
    Então viveriam em guerra
    Pois no campo do amor
    A mulher que não mente não tem valor


    Saber mentir é prova de nobreza
    Pra não ferir alguém com a franqueza
    Mentira não é crime
    É bem sublime o que se diz
    Mentindo para fazer alguém feliz.

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    1. Essa canção de Noel, eu tenho certeza que Jesus assinaria embaixo. (rsrs)

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  31. A verdade é que um problema na filosofia é quando ela vira masturbação, compulsiva, obsessiva, repetitiva, exaustiva, indefinida, subjetiva, relativa, destituída, de vida. O que não é o caso aqui. Verdade verdadeira!

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