quinta-feira, 16 de agosto de 2012

“Eu sou você no futuro”


Por Noreda Somu Tossan

Gente! Cansei! Não quero mais falar de Deus! Deus não pode ser questionado. Deus jamais descerá ao nível do homem para provar que existe, portanto, vamos falar de outra coisa...sei lá, qualquer coisa.

Brincadeirinha, vamos falar do cara sim, pois assim ele ficará com raivinha de nós e quem sabe não nos aparecerá ou enviará um espírito destruidor para nos punir? (risos) 

Um dia no ano de 2062, perguntei para um velhinho passante, se ele tinha fé em algo, tipo...na ciência. Ele me fitou e disse: “A verdade não tem que ser aceita com fé. Fé é para os fracos! Eu até que creio na ciência, pois ela nos dá fatos, e contra fatos, muitas vezes não existem argumentos.

Taí, gostei desse cara. Mas quando achei que ele já tinha concluído seu raciocínio, ele bradou bem alto:


“A fé pode ser chamada de "falência intelectual". Se o único modo de você aceitar uma afirmação é tendo fé, então você está reconhecendo que ela não pode ser aceita por seus próprios méritos”.


Enfiei o rabinho entre as pernas e "sartei de banda", pois o cara era da pesada. Como sou muito chato, e o método que adotei para descobrir as “verdades” é o “socrático”, perguntei para ele se Jesus não fez o que dizem que fez para que nós fôssemos salvos. Ele nem sequer pensou para responder essa, foi logo vomitando: 

Velhinho:  Digamos que a redenção cristã se baseie em dois conceitos principais: “o sofrimento do indivíduo cancela o pecado do mesmo” e “o inocente (Jesus) pode cumprir a pena em lugar do culpado (nós)”. Fazer o inocente pagar pelo pecador, ainda por cima com um sofrimento improdutivo, não seria apenas um ato de vingança contra a pessoa errada e só faz juntar um mal a outro mal? 

Calei por um momento e respondi: Sim pode ser, mas o que dizer das bilhões de pessoas que acreditam que Jesus salva? Não seria presunção minha e sua, achar que nós estamos certos e elas erradas? 

O velhinho de cabelos brancos não me perdoou, deu-me outra cassetada: “ Mesmo que  5 bilhões de pessoas acreditem numa coisa que é estúpida, essa coisa continuará sendo estúpida”.

Eu: Então o inferno não existe? E nós ateus não iremos para lá? Por que o senhor é um ateu?

Velhinho: A Bíblia nos diz que Jesus foi sacrificado para nos redimir de nossos pecados e nos salvar do fogo eterno. A Bíblia também nos diz que se não acreditarmos nisto queimaremos no fogo eterno. Não é um pouco paradoxal essa afirmação? Meu jovem, eu posso dizer, sem medo de estar errado, que todos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que os crentes. Quando eles entenderem  porque é que rejeitam todos os outros deuses possíveis, entenderão porque é que eu rejeito o deus deles.

Eu: Mas o senso comum religioso nos diz que temos que aceitar os mistérios de Deus, e que no tempo certo tudo será revelado. A verdade deve ser aguardada. Dizem que eu faço perguntas demais. O que o senhor me diz sobre essa afirmação? 

Velhinho: Ora, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não (fé em Deus sem questionamentos), desde que ela nos dê prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro (pode ter sido roubado), desde que ele esteja na nossa mão.

Eu: Um amigo meu, chamado “capitão”, me disse uma vez que ser ateu é uma forma de crença. Ele não está meio certo? Outro amigo chamado “prodígio”, acredita que Deus protegeu Moisés e que ainda protege sua igreja até hoje. Como faço pra provar que ele está falando besteiras?

Velhinho: Não! O “capitão”  está totalmente errado! Onde já se viu?! Dizer que ateísmo é uma crença é o mesmo que dizer que careca é uma cor de cabelo. E para o prodígio, pergunte para ele se a “assembléia de Deus” onde ele congrega lá em Campinas tem para-raios no telhado. Se tiver, é por falta de confiança em Deus. (risos do velhinho). E mais, devemos sempre questionar essa lógica que afirma um Deus onipotente e onisciente, que criou um homem falível e o culpa por seus defeitos.

Eu: Então essa história de que Deus me ama e quer o meu melhor, não passa de papo furado? Eu não vou para o paraíso morar com Deus? O cristianismo nos garante o céu! (risinhos sarcásticos)

Velhinho: O cristianismo nos afirma que há um ser invisível, que vive no céu e micro-gerencia nossa vida, está atento a tudo que fazemos, o tempo todo. O ser invisível tem uma lista de 10 coisas (mandamentos) que ele quer que a gente cumpra. Se você infringir qualquer uma dessas coisas, o homem invisível tem um lugar super especial, cheio de fogo, fumaça, sofrimento, tortura e angústia onde ele vai lhe mandar viver, queimando, sofrendo, sufocando, gritando e chorando para todo o sempre. Mas ele ama você sim! (risinhos também sarcásticos do velhinho)

Eu: Opa! Peraí, o senhor, mesmo com esses cabelos brancos, não tem autoridade para falar essas coisas. 

Velhinho: Eu tenho tanta autoridade quanto o Papa. Eu só não tenho tantas pessoas que acreditam nisso.

Eu:
Então o senhor é a favor da separação entre Igreja e Estado? Nossa moral não está arraigada à Igreja? E essa herança religiosa não nos fez uma sociedade melhor, mais amorosa e justa?

Velhinho: Por favor, não seja tolo! Eu sou completamente a favor da separação da Igreja e do Estado. Minha idéia é que essas duas instituições nos fodem o suficiente individualmente, portanto, ambas juntas é a morte certa.
Eu: Será que algum dia conseguiremos fazer com que um crente deixe de acreditar e se torne um ateu como nós? O mundo seria mais amoroso se todos fôssemos crentes? Paulo e Jesus disseram que devemos amar uns aos outros assim como amamos ao nosso Deus. A fé não é uma “prova”, segundo Paulo?

Velhinho: Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências… Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. Como disse o ateu Friedrich Nietzsche: “Fé” significa não querer saber o que é a verdade. Eles (os crentes) dizem que acreditam na necessidade da religião… Mas eles não são sinceros! Eles acreditam mesmo é na necessidade da polícia! Amor ao “nosso” Deus? Por favor, não há no mundo amor e bondade bastante para que ainda possamos dá-los a seres imaginários. Uma visita ao hospício mostrará a você que a fé não prova nada.

Eu: O senhor não aprova nenhuma religião? Algumas proporcionam uma felicidade, mesmo que ilusória. Isso não é bom para ajudar-nos a encarar a vida dura? Pessoas são felizes em seus mundinhos!

Velhinho: Não importa o quão feliz me deixe, se não é verdadeiro, se não é real, muito obrigado. É assim que penso quanto aos deuses e mitos de todas as religiões
.
Eu: A religião parece ter um ponto fraco. O senhor poderia me dizer qual seria ele?

Velhinho: Não vou criar nada, apenas vou repetir o que Epicuro disse: Se Deus deseja impedir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. Se é capaz, mas não deseja? Então é malevolente. Se é capaz e deseja? Então por que o mal existe? Se não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus? Meu jovem, Se a ciência já mostrou que a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer para onde iremos?

Eu: Para encerrar esta nossa proveitosa conversa, o que seria necessário para acabar com a fé de um crente?

Velhinho: É simples: Basta Deus existir!  Pois, se Deus existisse, a fé se tornaria desnecessária e todas as religiões entrariam em colapso.A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém. Como já disse, a fé é a falência intelectual. Se o único modo de você aceitar uma afirmação é pela fé, então você está admitindo que ela não pode ser aceita por seus próprios méritos
.
Muito obrigado por seu tempo, não vou mais aporrinhá-lo com minhas perguntas. Mas antes que fosse, gostaria de saber seu nome.

Velhinho: Meu nome é Edson Moura, mas todos me conhecem por Noreda.

Edson Moura

38 comentários:

  1. Nem sei se era pra eu postar mesmo. Se não for, favor excluir o texto, mas se tiver sido, favor, não se sintam obrigados a dissecar o texto. Foi só uma brincadeira que fiz há uns dois anos com meu mano Edu.

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  2. Caro Noreda

    bons argumentos baseados em interpretações literárias das sagradas escrituras e em grande parte na religiosidade popular o que também confesso que não deixa de ser a forma padrão de relacionarmos com Deus.

    Gostaria muito de ter tido a oportunidade de dialogar com este velhinho esperto rsrsrs saber por exemplo dele se já tentou analisar na possibilidade da existência de Deus a partir de conceitos não viciosos e arcabouços prontos. Se teria coragem de avançar em conceitos mais profundos sobre fé e assim como teve coragem de alegar a inexistência de Deus teria também o esforço de tentar entendê-lo, ou seja, de pensar na possibilidade da sua existência.

    Quanto esta questão do texto:

    Meu jovem, Se a ciência já mostrou que a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer para onde iremos?

    é uma fé (crença) para 2062? rsrsrs

    Criativo texto!!!!



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    1. Eu digo que gostaria de conversar com este velhinho e não poder pelo fato do mesmo se encontrar no tempo de 2062. Será que estaremos vivos até lá? kkkkk

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    2. Gil, você é o cara, curti muito, ponha Noreda na saia justa, este cara é o bicho kkkkkkkkkkkkkk Chegou bagunçando viu Noreda, pulou a fila demasiado...

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  4. Meu bom menino Gilberto, mas quem foi que lhe disse que o Noreda não tentou entender Deus a partir de um ponto de vista não vicioso e até não religioso (se é que isso é possível).

    Lembro-me que uma vez quis entender a fé, mas desisti ao ver que a filosofia, esta mãe ingrata que não polpa seus filhos da verdade, esbofeteou-me no rosto, me ardenando que acordasse.

    A conclusão a que cheguei é a seguinte:

    "O homem pode fazer uma analogia de sua vida assim: Um eterno caminhar por uma prancha de 30 cm de largura. Quando ainda é ignorante (no sentido de não saber das verdades ocultas), ele não percebe, ou não dá importância para a altura em que esta prancha está do chão. Caminha tranquilamente, pois sabe que, se cair, não se machucará, simplesmente voltará a subir na prancha. Com o advento da religião, sobretudo essas novas pentecostais, lhe dizem que ele está a certa altura do chão, diria que uma altura até perigosa, mas não é motivo para preocupação, se cair, Deus o amparará com suas mãos protetoras e poderosas. Portanto, ele até tem medo, mas caminha sossegado confiante na promessa de proteção Já a Filosofia, esta a quem chamo de ingrata, mostra a verdadeira face do abismo em que caminha. Um precipício escuro e profundo, de onde ninguém voltou depois que caiu. Então, num primeiro momento o homem se vê desamparado, não caminha, se arrasta agarrando firmemente à prancha. Evita olhar pra baixo, chora, sofre, para, segue aos poucos. mas como é natural do homem se acostumar com os medos, desde que o medo esteja à sua frente, revelado, desvelado, real e imediato. Então, depois de algum sofrimento, ele acaba por não mais temer cair da prancha, e assim como eu hoje, em 2062, caminha suave, até corre às vezes, na prancha chamada vida.

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  5. Noreda seu filósofo-fugitivo-de-javé:

    Era a sua vez de postar sim, mas como você não postava,eu postei o texto anterior cujo tema era se o mundo seria melhor sem religião para tapar o teu buraco. Ou melhor, o buraco que você deixou nas postagens.Mas parece que você nem conferiu o texto, né? E nem sabia se era sua vez de postar!! se você fosse militar subordinado aqui ao sargento Medeiros eu lhe diria em alto e bom som:

    - SOLDADO NOREDA, SEU DESPREPARADO, JÁ PRO CHÃO PAGAR FLEXÕES GRITANDO BEM ALTO: "ESTOU PERDIDO, NO TEMPO E NO ESPAÇO!!"

    Você então talvez me perguntasse:

    - MAS SARGENTO, PAGAR QUANTAS FLEXÕES?

    E eu, carinhosamente lhe diria:

    - ATÉ MORRER SEU DESPREPARADO, ATÉ MORRER!!!!!!!!!!!

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  6. Caro Noreda

    Longe de defender a neurose neo-pentecostal que assola o mundo ocidental, mas vejo na declaração do famoso ateu Alain de Botton raios de lucidez que caminham paralelamente aos conceitos psicanalíticos.

    Em uma recente entrevista à revista VEJA, Alain de Botton, quando perguntado por que achava que os ateus estavam exagerando no intelectualismo e na racionalidade, assim se expressou:

    “O ponto de partida das religiões é que somos crianças e que precisamos de orientação. O mundo secular em geral se ofende com isso. Essa postura ofendida pressupõe que todos os adultos são maduros e devem odiar o didatismo, a orientação e a instrução moral. Mas é claro que somos crianças, grandes crianças que precisam de orientação, de guias que nos lembrem como devemos viver, embora o sistema de educação moderna negue isso, ao nos tratar como seres demasiadamente racionais, razoáveis e controlados. Nós somos muito mais desesperados do que o nosso sistema de educação reconhece. Todos estamos à beira do pânico e do terror quase todo o tempo – e a religião reconhece isso”.

    Na oportunidade quero destacar um trecho de um texto postado no “Ensaios & Prosas” há algum tempo, que vem bem a calhar com a postagem em debate:

    “Ora, bem sabemos hoje que, o anseio de paz, de fraternidade e de comunhão entre os diferentes, são ressonâncias de um desejo primitivo de RE-LIGAÇÃO ao "Éden idílico" impresso na gênese de nossa formação (real conceito de religião). Esse sentimento indestrutível arquivado indelevelmente na memória tanto do ateu, quanto do não ateu, como um motor, está sempre funcionando no sentido de expandir os anseios e desejos humanos por um mundo melhor e mais justo” .

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  7. Noreda,

    Com todo respeito, eu acredito que em 2062 os diálogos de ordem filosófica-teológica-científica se darão em outro nível.

    Pode ser que nesta época até as máquinas já estarão pensando. Como algo bem perto do poder cognitivo humano. E até elas já estarão discutindo questões muito mais elevadas das que você propõe.

    Quem sabe, nesta época as eras nem serão mais divididas em antes e depois de Cristo. Mas sim em antes e depois do Big Bang. Mesmo que seja somente para dar sentido a frase “antes do Big Bang”

    Mas vamos lá,

    Sim velhinho! O capitão tem razão. O ateísmo é sim uma forma de crença. Inclusive o ateísmo e o teísmo são crenças rivais. Contudo alicerçadas em premissas diferentes. Mas são expressões de fé. Considerando que não existem provas nem de uma nem de outra coisa, já que “prova” significa estabelecer com certeza lógica a partir de princípios evidentes o objeto a ser provado. Nesta questão só seria razoável concluir que Deus não existe se todos os argumentos “pró existência” fossem muito fracos. Na mesma dimensão se enquadra também os argumentos “não existência”. E como sabemos que não existe nenhum “bom argumento” para acreditar em Deus e nenhum “bom argumento” para não acreditar, ponto para ao agnósticos, que nos dão a sensação de serem bem mais comedidos ou menos dogmáticos do que teístas e ateístas.

    Sobre a fé velhinho, é bom saber que embora as religiões realmente requeira fé, religião não é apenas fé. Os fatos também são muitos importantes para todas as religiões porque todas as tradições religiosas mundiais incluindo o ateísmo, fazem afirmações verdadeiras, e muitas dessas afirmações podem ser avaliadas por meio da investigação científica e histórica. Tanto o religioso como o cientista tem em comum a fé. Santos Dumont teve fé até o 14 bis. Depois da decolagem acabou sua fé. Tornou se “não necessária”. Nisso estamos de acordo, velhinho. Até fatos que não cabem mais argumentação podem ter seu valor relativizado. E se o elemento fé não estiver presente se complica. Até mesmo a questão de se alguma coisa dentro da matemática e da lógica pode ser provada é controversa. Como disse Descartes, vai que são as forças cósmicas que estão nos induzindo a acreditar que 2+2 é igual a quatro.

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  8. Custo a crer que mesmo depois de tanto desenvolvimento do saber humano, daqui a cinqüenta anos, ateus ainda estarão utilizando os mesmos argumentos da atualidade, tais como: desacreditar o “todo” da Bíblia por causa das contradições em relação as teorias científicas ou usar o problema do mal como prova da não existência de Deus.

    Falando em ciência, notei que o senhor tem grande apreço e respeito pela ciência. Então permita-me falar uma coisa; quase todas as teorias científicas atuais nasceram de teorias antigas que foram rejeitadas, revisadas e atualizadas. Sabe-se que grande parte das teorias com cerca de 200 anos são falsas. Então é grande a probabilidade que todas as teorias presentes sejam igualmente falsas num futuro não muito distante. Com esta premissa devemos admitir que crer piamente em pressupostos da ciência é uma aposta no mínimo arriscada.

    Voltando a questão do problema da existência do mal, bom velhinho, Epícuro tinha uma visão ofuscada sobre a relação onipotência-mal. Tomás de Aquino disse que “ser onipotente não significa ser capaz de fazer absolutamente qualquer coisa: é ser capaz de fazer qualquer coisa que possa ser feita” via de regra, o poder de Deus é relativizado pelo seu amor. Quem sabe esta seja a causa primária da nossa “ainda existência”. Mas deixa prá lá, vamos colocar de outra forma; imagine que o sofrimento não seja uma coisa totalmente ruim. E que talvez o sofrimento seja na verdade bom, porque leva a uma sabedoria maior do que a que teríamos se as coisas fossem de outro jeito.

    Ou pode-se argumentar que o “sofrimento” é apenas uma noção relativa e que se houver variação na quantidade de “prazer” que sentimos, sempre consideramos que uma quantidade menor é “sofrimento”. Lembre-se se acaso não houvesse o mal e o sofrimento, qual seria o parâmetro para estabelecer os vários níveis de paz, alegria, prazer, etc.? pense na interatividade da felicidade e do sofrimento.

    Depois conversamos mais.

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  9. Edson, não sei o que eu comentei quando você publicou esse texto pela primeira vez mas sempre podemos tecer novos comentários quando lemos um texto outra vez depois de um tempo.

    Os argumentos do velhinho são todos extraídos da "Bíblia atéia". Sim, são os argumentos prontos que os ateus militantes têm usado para atacar a religião. Creio que o DONI está certo em dizer que essa discussão em 2062 seria feita em outros termos.

    Mas eu acho mesmo que alguns comentários do velho Noreda tem sentido. Durante os últimos 10 anos eu mudei bastante minha forma de ser um "religioso". Hoje nem mesmo posso me dizer cristão já que os próprios cristãos não admitem que um cara que pensa como eu seja cristão e nem consigo me dizer um ateu pois os ateus não admitem que um cara que tenha um sentimento religioso tão profundo como eu, seja ateu.

    Estou sem eira nem beira. Estou proscrito de ambas as fés.

    Talvez um agnosticismo pessoalizado me receba e me dê abrigo.

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  10. Noreda apesar de você me chamar de bom menino acho que sou mais velhinho do que você o que pra mim foi um elogio. O João quando me viu disse que sou um garoto e que me imaginava mais velho rsrsrs

    Mais vamos lá:

    Entendo de certa forma seus questionamentos até porque nossas atitudes e decisões estão muito ligada e influenciadas por diversos fatores dos quais nem temos noção deles.

    Mas eu digo que entendo em parte porque na idade minha próxima aos cinquenta rsrsrs já tive crises de fé. Houve um tempo que questionava tudo e duvidava de tudo. Já pensei que era fruto da imaginação de alguém. Já xinguei, briguei, amaldiçoei, esperneei, já chutei o balde, já vivi uma crise de existência e por fim quando estava quase que jogando a toalha e encostando meu burro na sombra tive uma experiência espiritual intensa novamente que me levou pros rumos que vivo hoje: nem tanto espiritual nem tanto racional.

    Assim como é difícil aceitar por exemplo a estória da criação de adão e eva também é difícil aceitar a evolução do macaco. Por isso entendo quando o EDU e o DONI dizem que são crenças.

    Pode ser que a prancha realmente esteja alta, mas também pode ser que não. Hoje sua altura pode não ser a mesma de 2062.

    Então não querendo dizer pra você ou pra mim que papai noel não existe, apesar que ele existiu, mas não era papai noel. Mas não creio que em 2062 veremos esta discussão terminar. Mas pelo jeito você tem mais fé que eu rsrsrsrsrs

    Noreda também penso que a decisão de um ateu pode ser até mais corajosa, mas não creio que seja mais difícil.

    Também ressalto o que o EDu muito bem disse:

    "Mas eu acho mesmo que alguns comentários do velho Noreda tem sentido. Durante os últimos 10 anos eu mudei bastante minha forma de ser um "religioso"."

    Eu creio que haverá até 2062 uma forma de acreditar ainda bem diferente do que temos hoje devido as sementes que nós os religiosos estamos lançando.

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    1. Esta forma de acreditar estará muito próxima do ateísmo.

      Como disse o mestre jesus:

      Quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?

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    2. Em tempo me refiro a fé professada pelos religiosos de carteirinha não ao EDU que já lhe falei que sua fé me convence muito mais que muitos religiosos por ai....

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  11. Papo de gente graúda. Parabéns! Mas o bom mesmo Noredinha meu amado, é você se relacionar no dia a dia com Deus, sentir a sua presença paterna, sua direção sábia, quando desviamos do caminho que será o melhor para nós. Estou naquela fase maravilhosa de ouvir e perceber Deus agindo de maneira grandiosa na minha vida. Eu O amo muitoooooooo.

    Espero está neste mesmo clima na próxima terça, vou repartir este pão na igreja Presbiteriana 12 de Agosto. Quero está vivenciando Deus saborosamente.

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  12. De fato sou um profundo admirador da Ciência, o que não faz de mim um cego total para a experiências "espirituais" que algumas pessoas venham a ter. O Problema com minha "crença" é que não tive experiência alguma, o raciocínio lógico proporcionado pela Filosofia e o exame cético fomentado pela Ciência, fizeram com que eu não pudesse experimentar Deus em sua essência. Para ter fé é necessário abrir mão de uma parte importante do cérebro (sem querer ofender ninguém), coisa que não consigo mais fazer.

    Alguém disse que Santos Dumont teve fé. Mas acredito que não devamos confundir fé com esperança. E também devemos dicotomizar as muitas esperanças que existem por aí. Por exemplo: Tenho fé (esperança) de que um dia serei feliz com minha esposa, tenho fé de que meu empenho no trabalho me proporcionará tranquilidade no futuro, tenho fé que a minha seguradora não irá falir me fazendo perder o aporte da previdência particular que pago desde os dezenove anos. Tudo isso é fé-esperança. Tenho fé (outro tipo de esperança) de que o ônibus que pego todos os dias no mesmo horário não se atrasará, tenho fé de que nenhum cliente chato vai mandar voltar uma garrafa de vinho caro dizendo que está oxidado, enfim, tudo esperança, umas mais temporais, outras menos temporais, já outras a-temporais. Portanto amigos, não confundamos alhos com bugalhos. A fé que tento destruir a martelada é a outra fé. A fé ingênua, a fé cega, a fé irracional. Mas não pensem que tento tirar a fé de todos que comigo conversam. Ao contrário, sempre repito uma frase do meu mano Eduardo: "Se a fé o impede de matar seu vizinho, faço gosto que a mantenha".

    Não somos crianças, e não seremos refutados por outras crianças. Acho que todos aqui sabemos diferenciar Fé de fé e Deus de deus.

    Quanto à questão do homem vir do macaco, deixe-me dar um pincelada no que realmente diz a teoria da evolução de Darwin:

    A Teoria da Evolução jamais ensinou que o homem vdescende do macaco. Charles Darwin jamais disse tal coisa, e nenhum cientista sério também diria bobagem tamanha.

    O ser humano não descende dos macacos, num sentido popular do que seja um macaco. O que a Teoria da Evolução realmente diz é que o homem e os demais primatas (que incluem aquilo que comumente chamamos de macacos, incluindo entre os tais primatas o próprio homem) possuem um ancestral comum, que não seria nem macaco nem homem. Os macacos seriam nossos "primos", e não nossos "avós". Esse ancestral primata se dividiu em ramos, um para o gênero Macaca e outros, de onde saíram os chimpanzés, gorilas, macacos-prego, etc, e outro para o Homo, de onde se originaram nós, homens.

    Alguns evolucionistas brincam com o fato de que somos todos macacos (numa frase universal entre evolucionistas, Não descendemos dos macacos, somos macacos!), e de fato parecemos muito com todos os demeais primatas, mas é ingenuidade e falta de conhecimento pensar que os homens de hoje evoluíram dos macacos atualmente vivos, diretamente. Ora, se o o macaco atual fosse o degrau de baixo da escada evolutiva, não teria lógica alguma ele ainda existir, pois quando uma espécie evolui, a anterior tende a desaparecer, e nisto estava baseado os estudos de Darwin.

    A teoria da evolução nunca concluiu, portanto, que o homem veio do macaco, isto se deve à questão que Darwin se propôs a responder quando identificou semelhanças entre um orangotango e um bebê, mas a conclusão não foi esta. Concluiu-se mais tarde que o Homem e o macaco teriam um desconhecido ancestral primata em comum.

    O que aconteceu foi uma disseminação da ideia de que o homem veio diretamente do macaco. A credito que a culpada mais uma vez foi a religião, que, tentando desmerecer Darwin e sua teoria, começou dizer aos seus fiéis: Olhem para este macaco, ele é seu irmão, e bla.bla.bla.

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    1. Ta certo Noreda na questão do exemplo da evolução vindo do macaco fui infeliz no exemplo.


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  13. Meu amigo, à título de curiosidade, deixe-me perguntar-lhe: Quando você era um devotado cristão, atuante na igreja, você experimentava Deus de que forma? racionalmente? Você nunca teve uma relação sentimental com Deus?

    Como são as coisas: a Gui fala de Deus como se falasse de um namorado da qual está apaixonada, toda boba; paixões daquelas que até impedem de você pensar direito. E a paixão é tão intensa que para ela, Deus - seu namorado adolescente - lhe fala, beija-lhe os lábios, abraça-a com ternura e desejo. Isso é o que chamo de "sentimento-Deus". Quando estamos apaixonados, a última coisa que queremos ser é racionais.

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  14. Noredinha, ainda assim, suas fé (fés?) é fundamentada em coisas que você espera, mas não vê. É um fezão rsrs.

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  15. Um amigo meu Prodígio kkkkkkkk sartei de banda, como dizia uma amiga minha Pedrina rsrstexto gostoso de ler mais deveria ter padrado no primeiro paragrafo por que to cheio deste assunto hehe

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  16. Pois é Edu, para se chegar a este amor intenso, é necessário conhecer a pessoa a quem amamos e descobrir o quanto ela é linda no seu interior, porque eu O conheci me entrego a Ele com todo meu ser e sou feliz nEle.

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  17. Noreda

    Diante de toda sua espanação escolhi esta frase para dizer o que penso:

    Para ter fé é necessário abrir mão de uma parte importante do cérebro (sem querer ofender ninguém), coisa que não consigo mais fazer.

    Abrir mão de uma parte importante do cérebro ou negá-la? Esta sua afirmação se parece por demais com religiosos fanáticos que creem que um ateu só pode ser um imbecil.

    Você mudou de opinião mas continua o mesmo.

    Dentro deste ponto de vista podemos questionar o seguinte: porque racionalmente é compreensível e inteligente apenas basear-se naquilo que para nós é concreto e casual com a certeza que não está negando aquilo que não conhece ainda. Com que certeza você pode dizer que o que não conhecemos (conhecer no sentido concreto) não existe? Só existe o conhecer no concreto ou o conhecimento extrapola a razão daquilo que hoje entendemos e podemos ver? E quando limitamos nossa razão naquilo que compreendemos não estamos negando parte do cérebro?

    Kant dizia isso quando recebeu o prêmio alegando ter descoberto a existência de Deus:

    Entretanto, a razão não deixa de construir sistemas metafísicos porque sua vocação própria é buscar unificar incessantemente, mesmo além de toda experiência possível. Ela inventa o mito de uma "alma-substância" porque supõe realizada a unificação completa dos meus estados d'alma no tempo e o mito de um Deus criador porque busca um fundamento do mundo que seja a unificação total do que se passa neste mundo... Mas privada de qualquer ponto de apoio na experiência, a razão, como louca, perde-se nas antinomias, demonstrando, contrária e favoravelmente, tanto a tese quanto a antítese (por exemplo: o universo tem um começo? Sim pois o infinito para trás é impossível, daí a necessidade de um ponto de partida. Não, pois eu sempre posso me perguntar: que havia antes do começo do universo?). Enquanto o cientista faz um uso legítimo da causalidade, que ele emprega para unificar fenômenos dados na experiência (aquecimento e ebulição), o metafísico abusa da causalidade na medida em que se afasta deliberadamente da experiência concreta (quando imagino um Deus como causa do mundo, afasto-me da experiência, pois so o mundo é objeto de minha experiência). O princípio da causalidade, convite à descoberta, não deve servir de permissão para inventar.

    Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/kant.htm#ixzz23uiCl4aw

    Então caro Noreda negar a possibilidade de algo possa existir além da casualidade que se vê a partir do conhecimento de um "mundo" que eu entenda é na minha opinião limitar e negar parte do cérebro ou que o extrapola. Nesta perspectiva Noreda é que entendo que a negação é mais fácil pois se baseia naquilo que minha inteligência e compreensão pode entender do que buscar sempre algo que está acima de meu entendimento, mas que pode ser alcançado levando em conta experiências e perguntas que também não possuem respostas ainda concretas.

    Eu creio que inteligente seria não descartar nenhuma possibilidade enquanto não houver uma certeza, haja visto, as tantas contradições que existem em ambos lados.

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    1. Grande Gil


      Abrir mão de uma parte importante do cérebro ou negá-la?

      Eu diria, que a expressão "abrir mão de uma parte do cérebro" é uma REAÇÃO, ou um mecanismo de defesa psíquica que corresponde exatamente a NEGAÇÃO do que existe inconscientemente dentro de si.

      Não podemos negar a nossa SOMBRA. (rsrs)

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    2. Edson, sei quem é o capitão, mas e o prodígio? hahahaha

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  18. Gil, me empolguei!

    "O ser racional é plenamente consciente do seu saber, o que lhe permite utilizá-lo de modo intencional. Ele transcende a natureza e constrói a si próprio." (Do livro Filosofia Para Jovens).

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  19. O Noreda quer, entre linhas, dizer o que pensa mas tem medo de ofender aos fundamentalistas cristãos. A verdade não ofende, estimula.mesmo tendo efeitos diametralmente opostos.

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  20. Eu comparo a fé com a música "Meu vício é você" na voz de Perry Ribeiro. Não convence!...

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    1. kkkkkkkkkkkk que saudade de ler teus cometários Mirandinha! rsrs vc foi ao ponto certo, acertou na mosca! rsrsrsrsrs

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  21. MIrandinha, meu bom velhinho, vício por vício, cada um tem os seus...

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  22. Bem criativa a história e cheguei a comentá-la ainda em 2010 no blogue do autor denominado "Outro Evangelho", sendo que não mudo em nada as palavras ali compartilhadas:


    A fé é uma bendita falência intelectual e que jamais se baseará em evidências probatórias.

    O homem para conhecer o Santo precisa experimentá-lo através da reverência, obedecendo-O. Só então é que a compreensão chega ao nosso íntimo.

    Tenhamos fé!



    Uma boa semana a todos! Paz!

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  23. Em tempo!

    Para acabar com a fé não é questão de Deus existir ou não, mas sim de que a sua existência torne-se visível para o ser humano.

    Amigo, existe uma realidade além do que nossos olhos conseguem ver! Não complique as coisas! Reverencie o Eterno e obedeça os seus mandamentos. Servindo a Deus você acabará por entender depois.

    Abraços.

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    1. Mas ele não está complicando Rodrigo e sim, descomplicando!

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    2. Descomplicar a meu ver seria simplesmente experimentarmos Deus. Não existe necessidade de respostas ou de evidências.

      Paz!

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  24. Edu meu caro,

    Cada qual tem o vício que melhor lhe apetece, Uns fumam maconha, outros cheiram pó, alguns dão a bunda, muitos reverenciam santos enquanto os vivaldos roubam os incautos. Que tambem é um vício. É, muitos teem vários vícios.

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  25. pois é, Mirandinha, como eu disse...estou ficando viciado em meter o pau em ateu que vive metendo o pau em crente..."meter o pau" em sentido metafórico-filosófico-mitológico-social

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  26. e deixa de papo e posta logo um texto aí por que o Noreda não vai responder a nenhuma pergunta, ao que parece...

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