quinta-feira, 12 de julho de 2012

Em Debate

Então,


como o Kilim não vai postar (está em viagem interplanetária, conforme noticiado), eu sugeri no Face que discutíssemos um tema aqui ao invés de colar um texto dele(já que ele não estará aqui para comentá-lo). Como alguns confrades concordaram(vocês sabem que a Anja criou um grupo no Face deste recanto?) mas até agora não sugeriram nada, vou então usar o meu poder divino e  sugerir um tema.

Como esses dias li alguns textos sobre  pessimismo, morte, sentido da vida, vazio existencial e principalmente, um texto falando do filósofo romeno Emil Cioran, conhecido como o "Rei dos pessimistas", "um cético a serviço de uma civilização em declínio", "teórico do suicídio", quero colocar na mesa esse tema para debate:


Afinal de contas, a vida vale a pena ser vivida apesar de todos seus dissabores, falta de sentido, tragédias pessoais e coletivas, violência? Há esperança depois da "morte de Deus"?


Taí um tema que o Edson e o Marcinho vão gostar de discutir.
Para quem nunca ouviu falar de Cioran(como eu mesmo), deixo abaixo algumas das máximas do seu pensamento destruidor de esperanças e contentamentos.


"Só vivo porque posso morrer quando quiser:
sem a ideia do suicídio já teria me matado há muito tempo"


"Objeção contra a ciência: este mundo não vale a pena ser conhecido"


"O paraíso é a ausência do homem"


"A consciência é bem mais que um espinho, ela é o punhal na carne"


"Acredito na salvação da humanidade, no futuro do cianureto..."


"Por necessidade de recolhimento, livrei-me de Deus, desembaracei-me do último chato"





47 comentários:

  1. Prezado Edu,

    Sugiro que agente aguarde a vez do Franklin.

    Já estou com o texto de um ouro autor, devidamente autorizado por email, para compartilhar aqui na confraria, tal como fiz numa outra ocasião com o artigo do Ivani. Como eu busco reverenciar o Shabat, poso publicar a partire do sábado à noite ou domingo, conforme o grupo venha a se definir. Suguro que esperemos até domingo caso o Franklin queira vir aqui postar porque, que eu saiba, o seu blogue Conexão Graça continua sendo alimentado com novos textos.

    Abraços.

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    1. Rodrigo, vc está equivocado querido, pois o blog do kilin está sendo atualizado pq ele programou as postagens, que estão sendo feitas automaticamente pelo robô do blogger e ele mesmo disse ao Dudu que poderia postar para ele ou então passasse a vez dele, pois ele estaria fora por uns tempos, ele aliás, disse isto a todos nós numa msg coletiva via facebook, vc não se lembra?

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    2. é isso aí. Você pode postar teu texto no domingo, Rodrigo, no dia do descanso cristão...rs

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    3. Amigos,

      Se é assim, considerando que o Franklin não vai mesmo postar, eu colocaria o texto aqui hoje mesmo antes do sol se por. Mas se vocês preferem iniciar outra discussão dentro desta postagem, tentarei fazer o que pretendo no domingo.

      Entretanto, estou já tentando agendar minha mudança daqui do Rio para o município de Mangaratiba e, conforme for, vou ver um dia para pedir o cancelamento da internet e entregar os equipamentos à NET. Se não fosse por este texto, ligaria pra eles ainda na tarde de hoje também.

      O motivo principal de querer publicar logo esse texto foi que eu dei minha palavra ao seu autor que faria na minha próxima vez de postar aqui.

      Meus dias andam difíceis ultimanente. Estou precisando me mudar ao mesmo tempo em que estou com minha esposa internada para tratamento de saúde ainda aqui no Rio. Ao sair do apartamento, precisarei pintar a cozinha (talvez a sala também) e procurar o quanto antes a imobiliária. E cabeça para uma composição teológica agora ou entrar em debates acadêmicos nem tenho.

      Mas ainda assim desejo um final de semana a todos. Meu descanso sabático será preenchido com uma visita à esposa amanhã e brevemente violado pela visita do dono da empresa de mudanças apra a entrega do orçamento.

      Forte abraço pra vocês e fiquem com Deus.

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  2. Boa tarde amigos.

    Outra frase: "O limite de cada dor é uma dor maior." Esse tal de Emil Cioran é um pessimista crônico. Pelo que li dele, ele coloca no bolso Salomão e Nietzcshe em seus "melhores" momentos pessimistas.

    Pessoal, como vocês já estão sabendo, este fim de semana estou envolvido nos preparativos do casamento da Amanda(minha filha). Em virtude disso estarei ausente desta sala pelo menos até domingo.

    Abraços a todos.

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    1. Parabéns, Donizete!

      Que sua filha seja muito feliz e Deus abençoe o casamento dela.

      Grande abraço!

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    2. Quero felicitá-lo, Doni, por esse memorável dia.

      Num momento como esse que você está a vivenciar, foi bom dar um chega pra lá no texto do Edu, que fala do pessimismo de Cioran. (rsrs)

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  3. Edu, para quem ainda está de volta de um velório, este cidadão me dá pena, muita pena.

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  4. Edu e demais confrades


    Trago um subsídio valioso para o debate sobre o pensamento de Emil Cioran, que tanto me fez lembrar o Noreda (rsrs).

    Trata-se da última entrevista antes de morrer, concedida por este cético Romeno, filho de pais religiosos, que vocês pode conferir no link abaixo:

    http://triplov.com/Filosofia/Cioran/Filosofia-irritada.htm

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  5. Gostaria de ressaltar essa fala do Cioran, na entrevista que deu, pouco antes de morrer:

    “Eu não sou ateu, ainda que não creia em Deus e não reze. Mas há em mim uma dimensão religiosa indefinível, para além de toda fé. O crente se identifica com Deus, o que pode compreender, mas eu mesmo me sinto distante de tudo isso. Eu me movo na linha divisória...”

    Taí: um cético e pessimista, sem ser ateu. Pode ser Noreda? (rsrs)

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    1. Levi, vou tacar esta frase num grupo de debates entre ateístas e teístas e ver no que dá! rsrs

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    2. É Anja!

      Manda lá para o nosso confrade Medina. Depois me diz o resultado. (kkkkkk)

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    3. kkk mas é claro que vou dizer uai! rsrs

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  6. As questões que podem se levantar são:

    por que ser otimista? por que ter esperança? por que buscar sentido na vida? Diante do mundo em que vivemos hoje(e que nossos antepassados viveram antes de nós), onde a angústia, a dor, a desesperança sempre foram tão presentes, ainda vale a pena viver?

    Estou abordando o tema a partir do pessimismo filosóficos e Cioram, foi o maior dos pessimistas.

    Do ponto de vista da visão materialista acidental da vida, nada tem sentido. Nem mesmo a vida humana, resultado de uma sequência improvável de mudanças acidentais aleatórias; somos apenas o resultado do acidente; não existe portanto, a priori, nenhum sentido na vida; somando-se a isso que ela sempre foi cheia de traumas, violência, luta pela sobrevivência, desamparo, dor. Num cenário assim o pessimismo está justificado e a suicídio é uma libertação.

    Mas do ponto de vista espiritualista/religioso da vida, estamos aqui por um propósito divino; existe um plano cósmico que está nesse momento sendo executado. De uma forma geral, todas as religiões seguem esse pensamento.
    Existe então, a priori, um sentido para a vida humana, que no cristianismo seria reconhecer que Deus tem um plano de salvação para aquele que crê. Quem não crê, condenado está. Outra grande trauma existencial...

    Evidente que essa visão espiritualista da vida faz parte da grande maioria das pessoas em qualquer cultura desde o início da história humana. Mas essa visão que deveria portanto construir uma vida boa e fraterna entre os homens jamais foi capaz de fazê-lo na prática de forma abrangente.

    Os homens sempre usaram suas religiões como instrumento de poder e dominação. O conselho de Jesus para que cada um fosse servo do outro jamais se concretizou na própria religião que diz tê-lo como fundador.

    Então, o drama persiste. Mesmo na visão espiritualista da vida, o sentido da vida proposto fica escurecido pela realidade das paixões e desejos humanos.

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    1. Edu, sei que vc vai ficar bravo comigo, mas vou fazer assim mesmo! rsrs Eu já vi o And tão pessimista e hoje, vejo que até mesmo o pessimismo valeu a pena e diante de suas questões, irei postar uma dos muitos textos antigos dele (e que o todos os deuses me protejam) e depois (como hoje é dia do rock) a tradução de uma música da banda que mais curto ok?

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  7. MEMÓRIAS DE OLHARES QUE TRAZEM DOR...

    É hoje os vi, hoje a vi!
    Que lindos estão! minha esposa, meus filhos!
    Fortes,saudáveis, mas...
    Pelo olhar inocente deixam transparecer algo.
    uma emoção, um sentimento que,
    Só quem traz consigo a culpa de te-los perdido
    Percebe ou quem sabe não!
    Mas enfim, por aquelas janelinhas da alma tão pequeninas e transparentes
    Vi uma ponta de saudade e vi muito mais!
    Muito mais do que suas bocas podiam perguntar
    Ou suas cabecinhas indagar!
    Vi também dor, desgostos, questionamentos.
    Que mais será que não vi ou fingi não ver?
    Para que pudesse ter ao menos por um instante anestesiada
    A dor que seus olhares cheios de porques me causavam para que,
    Por breves momentos, eu os pudesse ter e eles a mim,
    Não para responder perguntas, mas para que fôssemos
    Naquele instante pai e filhos, simplesmente.
    Mas enfim, agora estou só em minha cama...
    Em minha sepultura de sonhos...
    Em minha cova de lençois...
    Ainda ouço os gritos de seus olhares e me pergunto,
    Que mais deve estar passando naquelas brilhantes e inocentes mentes?
    Mentes que tentam alcançar uma maturidade prematura
    Que lhes é imposta por um pai inconseqüente e até desalmado?
    E com certeza de fato deve haver muito mais questionamentos naquelas cabecinhas,
    Que com seus olhares penetrantes me cravavam em silencio perguntas que,
    Como facas pontiagudas e de dois gumes, punhais
    Atravessavam minha mente e meu coração
    Rasgando minha alma, minha mente e meu coração
    Causando-me uma dor que mal posso suportar!
    Me dói na alma, atravessa meus olhos e rasga minha mente
    Que insaciável e voraz dor é esta? Dor de culpa, de remorso!
    Arrependo-me...
    E quanto a ela? O que vi?
    Quanta dor naquele olhar, no coração já amargurado
    Na mente ainda uma lembrança nada agradável
    Uma ferida na alma que nem sei se vai cicatrizar...
    Há minha anja, senti sua dor... Não! Na verdade não!
    Isto não é possível, nem ao menos posso imaginar
    Mas de fato sei que fui eu quem a causou e isto por si só já dói.
    Pois mesmo você não crendo, jamais quis causar isto.
    Sempre quis algo diferente pra nós, uma realidade diferente, mas enfim...
    Mas é assim, vocês gritam com seus olhos e eu apenas ouço com os meus!
    Ouço o clamor de esposa anja que com seus dois anjinhos me pergunta:
    "- Até quando?"
    E eu apenas ouço...
    E quando a sós, tento encontrar respostas e me resposder.
    Agora olho para mim e desesperado olho para o Alto
    Em busca de quem ouça meu olhar (Ele ouve?...)

    Anderson Luiz de Souza

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    1. rsrs nem vou postar a música e a tradução, ia ficar muito cansativo! esrsrsrs

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    2. Perdi o folego. Ai, doeu em mim. Imagino que tortura não estava vivendo o nosso querido And. Ainda bem que ficou pra trás. Beijaço querido.

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  8. Eu diria Edu, que quando admito a existência de um plano cósmico, estou, consciente ou inconscientemente dando um outro nome para Deus. Dessa forma, tanto o crer nesse plano cósmico, exterior a nós, quanto a crença em um Deus extra-terreno dos que professam uma religião, são faces da mesma moeda. Ou não?

    Para o Doni, a Guiomar e você, Edu :

    Como se explicaria o sentimento religioso de Cioran, que em sua última entrevista não negou às suas origens, ao afirmar: “ que existia em si uma dimensão religiosa indefinível”? .

    Olha que, na entrevista, Cioran, diz uma grande verdade ― fundamento basilar da psicanálise e da religião ― que me parece inconteste:

    “O que conta é (a nossa) pré-história, isto é, o tempo anterior à entrada na consciência, na história, a vida inconsciente” . O “a nossa” é grifo meu. (rsrs)

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  9. Edu

    Lembrei-me do desenho da hiena Hardy, que a todo instante repetia seu tedioso “Oh céus! Oh vida! Oh azar! Isso não vai dar certo!”

    Queridos confrades apesar de não concordar com 100 por cento das frases acima de Cioran confesso aqui sem hipocrisia alguma que sou um pouco parecido com que ele diz acima.

    No texto postado sobre coelet pelo EDU eu já havia dito que sou um pouco propenso à depressão. Vejo a vida, não sei se é certo dizer isto, com um olhar de muita realidade.

    Não vejo o viver com entusiasmo do tipo a vida é bela... tudo é belo... tudo é perfeito...

    Não! Eu vejo muitas vezes a vida como uma luta constante e diária. Um exercício infindável de buscar nos pequenos momentos uma felicidade que é passageira.

    Vejo que independente de quem quer que seja para viver um mínimo de felicidade é necessário criar um "paraíso" "subterfúgios" e baseado nesta criação vai tocando a vida e justificando o fato de respirar.

    E nesta forma de pensar concordo principalmente com esta ideia:

    "O paraíso é a ausência do homem"

    E quanto mais criamos dependência da matéria mas insatisfeitos somos:

    "Objeção contra a ciência: este mundo não vale a pena ser conhecido"

    E quanto ao deus chato eu já me livrei dele a muito tempo!!!!

    As pessoas que convivem comigo ao meu redor não percebem isso. Eu não gosto de vomitar meu realismo exacerbado em cima dos outros. Para os amigos íntimos é sempre uma admiração quando falo.

    Por isso devo assumir que desejo uma felicidade plena "paraíso" para justificar minha existência.

    1. Palavras do Eclesiastes, filho de Davi, rei de Jerusalém.
    2. Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.
    3. Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?
    4. Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste.

    A felicidade ideal definitivamente não é nossa opção! Não aqui! Depois? Veremos(!?)

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  10. "Intão" lá vai Gil (rsrs)

    By U2 " VERTIGEM" (vertigo)


    Um, dois, três, catorze

    [Transformar-lo em voz alta, capitão]

    As luzes se apagam, está escuro
    A selva é a sua cabeça
    Não pode mandar no seu coração
    Um sentimento é muito mais forte que
    Um pensamento
    Seus olhos estão abertos
    E mesmo que sua alma
    Não possa ser comprada
    A sua mente pode perder-se

    Olá, Olá (Olá!)
    Eu estou num lugar chamado vertigem (Onde estás?)
    É tudo que eu desejava não saber
    A não ser que você me dê algo que eu possa sentir, sentir

    A noite é cheia de buracos
    Como balas furam o céu
    De tinta com ouro
    Elas cintilam como
    os garotos tocando rock n'roll
    Eles sabem que não podem dançar
    Pelo menos eles sabem

    Eu não posso suportar as batidas
    Estou pedindo o cheque
    A garota com unhas carmim
    Tem Jesus em volta do pescoço
    Balançando com a música
    Balançando com a música
    Oh oh oh oh

    Olá, Olá
    Eu estou num lugar chamado vertigem
    É tudo que eu desejava não saber
    Mas você me dá algo que eu posso sentir, sentir

    Xeque-mate
    Horas de diversão
    Mostre o significado!

    Tudo isso, tudo isso pode ser seu
    Tudo isso, tudo isso pode ser seu

    Tudo isso, tudo isso pode ser seu
    Só me dê o que eu quero e ninguém se machuca

    Olá, olá
    Nós estamos num lugar chamado Vertigem
    As luzes se apagam e tudo que sei
    É que você me deu alguma coisa

    Eu posso sentir seu amor me ensinando como
    Seu amor está me ensinando como, como me ajoelhar

    Yeah yeah yeah yeah (Bono Vox)

    Em homenagem ao dia do Rock posto aletra que penso eu, tem a ver com o tem, ou será que não?

    Confiram o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=PaV5UCMsW-8&feature=player_embedded#!

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    1. Ps, o U2 é uma banda de rock e embora as músicas são o que nós podemos chamar de "secular", os integrantes da banda são todos protestantes, muito embora a banda não seja "gospel" (graças a deus?), mas as letras sempre trazem msg de paz e são de cunho cristão.

      Vcs precisam ler o Bono falando sobre Graça, dá até vontade de ser crente de novo!" hahaha

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  11. Gil, "E quanto mais criamos dependência da matéria mas insatisfeitos somos:"

    "A nossa alma não tem descanso enquanto não repousar em Ti." Santo Agostinho.

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  12. Levi, "Como se explicaria o sentimento religioso de Cioran, que em sua última entrevista não negou às suas origens, ao afirmar: “ que existia em si uma dimensão religiosa indefinível”? .


    Não tem como negar. O nosso espírito conhece muito bem da onde viemos e para onde voltaremos.
    Ainda que a nossa rebeldia queira negar este SER que não nos deu respostas para todas as nossas indagações, o nosso espírito é atraído misteriosamente como um íman, à Sua Presença.

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  13. Anja, não fiquei bravo não...rss

    o poema do And tem tudo a ver com o assunto em pauta. Tem momentos na vida que a angústia e a dor são tanta que parecem insuportáveis(e para muitos é mesmo, e muitos tiram a própria vida por não ver mais saída).

    Todos nós teremos esses dias mais ou menos vezes. Mas há aqueles, e são muitos, que nasceram e viveram num estado permanente de angústia e com uma vida sem sentido algum.

    Como provar para um judeu a caminho da câmara de gás que Javé é um deus bondoso?
    Muitas vezes a vida perde todo o sentido.

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  14. Levi, li a entrevista do Cioran.

    Sim, acreditar num plano cósmico é dar outro nome a Deus. E eu estava me referindo exatamente a quem faz a ligação de Deus com o plano cósmico, pois não pode haver um plano sem um planejador.

    A frase que você destacou do Cioran é complexa, né: Não creio em Deus mas não sou ateu numa das frases que eu destaquei dele no texto ele diz que "Por necessidade de recolhimento, livrei-me de Deus, desembaracei-me do último chato". Se por "recolher" ele estava querendo dizer ficar só consigo mesmo, sem que o olho divino estivesse nele, faz sentido o que ele diz. Mas ainda assim, não não se dizia ateu...

    É o sentimento do divino que brota das nossas origens.

    Apesar disso, ele não deixou de ter uma visão ultra-pessimista da vida em seus escritos, e segundo ele diz na entrevista, tudo começou nas experiências da sua infância.

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  15. CONFRADES, BOA NOITE:


    DONIZETE:

    Parabéns pelo casamento da pupila. Que sejam muito felizes, não só os noivos como também a família de ambos.

    Sim, o tal Cioran é por demais pessimista. Mas, confrade, cá para nós, não seria uma forma de chamar a atenção? Veja o Saramago, por exemplo: gostava de dizer aos 4 ventos que era ateu, que Deus, se existisse era um monstro e coisa e tal: será que essas tiradas, esses comportamentos, essas frases de efeito não têm por fim vender livros, tendo em vista que há sempre mercado prá tudo?

    LEVI BRONZEADO:

    Quer dizer qua na hora de abotoar o paletó o Cioran vem com um discurso meio complicado, dizendo que “não é ateu embora não creia em Deus(!) e não reze?

    Parece então que tenho razão quando cutuco o sogro fresco DONIZETE e especulo que o homem escrevia todas aquelas “lápides” para chamar a atenção...

    Quanto a ser ateu e ter “espiritualidade’ é outra bobeira (se me permitem vc e os demais a expressão) que vejo pulular por aí: não há sentido algum em ser ateu e ser espiritualista ao mesmo tempo.

    Mas, sabe, caro BRONZEADO, ser religioso é cafona (nossa essa é antiga) é coisa ultrapassado é coisa de carola com terço ou chato com terno e gravata. Então todo mundo é “ateu’, mas ateu espiritualista, e mais ainda “racional”.

    Na verdade não são nada, mas muito menos ateus de verdade!

    EDUARDO:

    Mas viver é a graça maior que Deus nos deu, confrade; é alegria, é felicidade. É claro que não são completas, nem uma coisa nem outra, porque nossa estada definitiva não é aqui,aqui estamos de passagem, mas ainda me parece que a vida é querida, sim.

    Os homens usam cada qual a sua religião como força, poder e dominação, é verdade. Convenhamos, confrade: azar deles, não é mesmo?

    ANDERSON:

    Sua pergunta final é “será que Ele ouve”? Será que Ele se preocupa com nossos problemas nossas angústias, nossas dificuldades?

    Cara, eu acho que sim. Do jeito Dele, mas sim. Da maneira Dele, mas sim. E talvez aí esteja o grande segredo: não o de querer que Deus nos ouça, mas também que nós ouçamos a Ele: quem sabe assim conseguiríamos respostas não só para os nossos, mas principalmente para nós mesmos!

    ANGELO BEGIATO:

    Meu conterrâneo e confrade, então somos dois, somos o mundo; eu também, aposto que o ANDERSON também, a ANJA, a GUIOMAR, o EDUARDO, enfim, todos nós sentimos ou temos de vez enquanto aquela “cioranice" que nos pega de surpresa.

    Aquele vazio, aquele baixo astral, aquelas perguntas: “por que eu, Senhor?”.

    A vida, como vc disse, é uma luta diária; como diz o Odair José, a felicidade não existe o que existe são momentos felizes. Já Sto. Agostinho nos lembra (e a GUIOMAR relembra) que nosso coração foi feito por Deus e não descansa enquanto não repousar em Deus.

    Sem um falso moralismo e sem um conformismo piegas, parece que é mais ou menos isso, BEGIATO: quanto mais estamos sinceramente sintonizados com Deus ou pelo menos com as coisas do Alto, nos sentimos melhores, mais leves, mais tranquilos, até as dificuldades parece que são, se não resolvidas, pelo menos enfrentadas com mais paciência, mais sentido crítico, mais análise.

    ANJA:

    Bono Vox falando sobre a Graça? Puxa essa até que gostaria de ouvir e ver também. Tem algum site ou link que a gente possa dar uma espiada?

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  16. GRAÇA – POR BONO VOX

    Eu nunca tive problemas com Cristo, mas os cristãos sempre me deram dor de cabeça. E eu costumava evita-los se pudesse. Eu sempre os achei completamente desinteressados culturalmente, politicamente. Achava muito difícil ficar à vontade com eles. Eles pareciam tão estranhos para mim, e estou certo de que eu era estranho para eles.

    E apesar de tudo isso eu encontrei algumas pessoas na escola que conheciam as Escrituras. Foi um momento bom, quando algumas pessoas se interessaram muito pela igreja primitiva e a possibilidade de imitá-la.

    Mas os cristãos podem ser muito críticos, e, particularmente quanto à aparência das pessoas ou o modo como tocam a vida. Eles têm a tendência de julgar as pessoas por seus problemas superficiais. Imoralidade sexual, essas coisas, são a preocupação histórica da igreja, enquanto que a avareza política ou coisas assim nunca são mencionadas.

    Estou bem certo de que o universo opera pelas leis do “karma” e que todas as leis físicas mostram que aquilo que você semeia é aquilo que você colhe. E aí a história da Graça entra em cena, que é de fato a história de Cristo e que vira essa visão do universo de cabeça para baixo.

    Ela é completamente contra-intuitiva. Quero dizer, é muito difícil para os seres humanos entenderem a Graça. Podemos entender a propiciação, vingança, justiça… Tudo isso pode ser compreendido, mas não entendemos a Graça muito bem.

    Estou muito mais interessado na Graça porque dependo dela, preciso dela desesperadamente. Se eu viver por meio do “karma”, estou com grandes problemas.

    Jesus foi como Charles Manson, um maluco total, ou, em minha opinião, foi quem ele disse que era [filho de Deus]. E estamos diante de uma escolha muito difícil.

    Porque esse homem foi para cruz dizendo que era aquele que havia sido anunciado e que era Deus encarnado e que Deus amou o mundo tanto que ele tentou se explicar ao mundo tornando-se um de nós?

    Bono Vox


    Está João rsrs um dos textos em que ele fala da Graça, que como dizem, é de graça!

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    1. Errata: onde se lê está João... leia-se está João...

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    2. Muito legal anja você está inspirada de graça rsrsrsrs

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  17. Gil, muito interessante suas colocações. Na entrevista, o Cioran fala de um "tédio absoluto" que não é aquele tédio quando se está insatisfeito com alguma coisa. Ele diz:

    A experiência do tédio, não do vulgar, por falta de companhia, mas o absoluto, é muito importante... fui tomado pela sensação do nada, da absoluta carência de substância. Foi como se, de súbito, tudo tivesse desaparecido, tudo mergulhasse na nulidade e fosse o começo de minha reflexão filosófica.

    Acho experimento esse tédio "absoluto", se é que eu compreendi o que ele diz; acontece mesmo quando tudo vai bem com você e de repente parece que você entra numa dimensão paralela de "realidade pura" e então, sente-se só e insignificante no universo. É um tédio absoluto.

    Quando eu vejo alguma tragédia muito cruel, como por exemplo, uma criança ser arrastada até ter seu crânio esmagado no asfalta num carro roubado por um bando de assaltantes como aconteceu aqui no Rio há uns anos, sinto esse "tédio".

    Sinto que a vida é "uma bobagem", é algo totalmente insignificante. Que não há deus algum "olhando por nós" e se esse deus for amor como pensamos, ele tem um modo muito misterioso de amar.

    Então sinto esse tédio.

    Mas por outro lado, eu tenho diferentemente de você, uma tendência ao otimismo. Procuro nutrir uma esperança no ser humano, mas tenho consciência que isso é quase uma utopia. É que ao mesmo tempo em que vejo tragédias provocadas pelo próprio homem contra seus semelhantes, vejo que esse mesmo homem é capaz de gestos de amor e solidariedade, e então, o otimismo não me abandona.

    Também concordo com o Cioran com relação a deus, também me livrei daquele chato. Mas a sensação de pertencer a uma coisa maior, elaborada e construída por um "Deus" não me abandona. Talvez seja só uma ilusão, mas mesmo assim, não consigo ver a existência como um acidente sem sentido algum.

    E essa tensão também me provoca certo tédio.

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  18. Gui, agente houve muito a pregação que diz "venha para Jesus e serás feliz"; "aceite Jesus e ele te dará paz", etc. Só que essa é uma mensagem mentirosa. A vida continua uma bobagem para quem segue a Cristo ou a qualquer outra religião. Como dizia a filosofia do Eclesiastes, o que sucede ao ímpio, sucede ao justo. Essa paz que os cristãos dizem ter geralmente é superficial e enganosa.

    Se o próprio Jesus viu-se imerso em profunda depressão diante da cruz!! talvez ele também sentiu o "tédio" na concepção do Cioran. Viu-se só, com dor de morte e pregado numa cruz. Talvez ele não esperasse que seu pai o deixasse chegar a tanto. Mas o socorro não veio.

    Não entro no mérito da ressurreição, ela é uma questão de fé, não pode ser verificada na realidade. Mas a dor que Jesu sentiu ao ser abandonado na cruz, essa foi real, pois a dor faz parte da condição humana. Já a ressurreição é uma utopia para aplacar essa dor.

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  19. O Bono é um cara legal, gosto dele, mas ele está errado. Jesus não foi para a cruz dizendo-se Deus encarnado; ele nunca diria tal blasfêmia sendo um judeu.

    E é exatamente por isso que eu creio na essencialidade da mensagem de Jesus; eu não estou interessando em alguém que se diga ser deus encarnado(já houve outros na tradição mítica), estou mais interessado em alguém que se diga ser humano integral; ser humano com a capacidade de ter compaixão elevada à máxima potência mas ao mesmo tempo, sentir-se humano no abandono, na depressão, no tédio.

    Esse Jesus para mim é bem mais interessante para o contexto da vida real, concreta, do que o "Deus encarnado" que deixo para as elucubrações teológicas metafísicas.

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  20. “Apesar disso, ele não deixou de ter uma visão ultra-pessimista da vida em seus escritos, e segundo ele diz na entrevista, tudo começou nas experiências da sua infância.” (EDU)

    Nisso aí, Edu, acho que o Cioran tem razão, pois tudo em nós é reflexo da infância. Ou melhor dizendo: em nós adultos, nunca deixou de latejar a criança que um dia fomos.

    “...meu pai - bom sacerdote, além de sincero, mas de modo algum um homem de profunda religiosidade (Cioran)

    Analisando o trecho acima, de Cioran podemos ver que a imagem que ele tinha do pai em sua infância era a de um bom sacerdote. O final de sua frase: “mas de modo algum um homem de profunda religiosidade” possivelmente reflete o seu pensamento numa fase posterior de sua vida”

    Como no mito da crucificação de Cristo – que ao mesmo tempo é um evento que representa o luto de Javé (a morte de deus) –, o Cioran criado na religião cristã, em sua meninice percebia o pai como “um bom sacerdote”. Na idade adulta e no final da vida, Cioran demonstra a revolta contra o PAI, ao perceber que ele não era um homem de profunda religiosidade .

    Na realidade, Cioran, desejava depurar a religião de sua falsa religiosidade, denotado pela queixa de “que o seu pai não era um homem de profunda religiosidade”.
    CONCLUSÃO: Cioran, confirma o que disse Hegel: É pelo cristianismo que se completa a destruição dos deuses (ídolos)

    Acho que ficou mais claro para os confrades, o “por quê” do Cioran fazer esta afirmação: Eu não sou ateu, ainda que não creia em Deus (Javé – o sacerdote – pai) e não reze.

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  21. Edu, o Bono é um cara muitooo mais que legal e cá pra nós, com a vox (voz) dele, perdoo qualquer erro teológico dele, ainda mais se ele cantar with or without you pra mim rsrsrs

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  22. Levi, com a tua explicação psicanalítica parece que fica claro, sim! E Hegel de fato, foi certeiro: é pelo cristianismo que se completa a destruição dos deuses.

    Anja, o Bono é um ótimo artista, e espero que ele continue sendo também, um bom cristão.

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    1. Edu, se o Bono não for cristão, melhor ainda! rsrs cristãos (ou cristões rsrs) são muito pudicos kkkkkkkkkkkkkkk

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  23. caraca Levi, ler seus comentários é muito gostoso, mas vc tem participado tão pouco... queria lhe fazer perguntas sobre o TEGP, posso? mas seria inbox, mas vc não me aceita como amiga no face né? (perdoa a indiscrição)

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    1. ANJA

      Sou um amadorista em temas de psicanálise. Sou sincero: não tenho lido ainda nada a respeito da TEGP. Pelo que li dos seus relatos, acho que você está mais a par desse transtorno do que eu.(rsrs)

      Vou acessar o meu e-mail, pois tem você e mais gente para fazer parte do rol de amigos. É pra já. (rsrs)

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    4. Levi, este transtorno sempre me perseguiu desde tenra idade, não faz muito tempo que descobri (enfim) meu transtorno (3 para 4 anos), e tenho conseguido conviver melhor com o problema ( pq é de fato um grande problema), mas confesso que ainda é complicado e isto me leva a exagerar na bebida, pois, o medicamento (tofranil) não me faz nada bem, é uma luta viu? aff.. (rsrs)

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