terça-feira, 19 de junho de 2012

CENTROS DE RECUPERAÇÃO, PORQUE RECUPERAM TÃO POUCO?




Queria começar este artigo dizendo que, por ter me internado em dois centros de recuperação e ter conhecido de perto outros vários e até sendo secretário e vice-diretor de um, falo um pouco do que vi, convivi e percebi por alguns dos centros por que passei.

            Em primeiro lugar gostaria de citar que os centros que passei eram centros vinculados a igrejas evangélicas, sendo que em poucos (bem poucos mesmo) destes, eu pude constatar uma real preocupação do líder das instituições religiosas (pastor) pelas vidas que por lá passavam;jovens que permaneciam ali em regime de internato por cerca de seis meses. Sendo que a grande maioria dos centros de recuperação que tive a oportunidade de conhecer, havia um interesse não na recuperação do dependente, mas sim, no que ele poderia significar em termos de retorno financeiro, dinheiro (este vindo de doações, tanto de empresários como de voluntários) e verbas dos governos municipal, estadual e federal, esta é a dura realidade.
               
            Bem, o que eu percebi nos centros por que passei foi uma total falta de estrutura, falta de fiscalização do governo, falta de apoio por parte das convenções destas igrejas que por muitas vezes, tem seus cofres abarrotados, mas que não investem nada ou quase nada perto da quantia que estas convenções (estas convenções são órgãos a que as igrejas estão sujeitas como a CBN, CBB entre outros “cês” espalhadas pelo nosso Brasil) guardam em seus cofres, dinheiro, que a meu ver, deveria ser usado para recuperação de vidas, seja dentro dos centros (os dependentes propriamente dito) seja na sociedade, na ajuda aos mais necessitados e menos favorecidos da sociedade, mas se não fazem isto nem com uma parcela de seus missionários espalhados na obra, porque motivos fariam com dependentes, marginalizados ou até mesmo os mais necessitados? Sem contar o preconceito sofrido por grande parte da sociedade e até mesmo pela membresia das igrejas (geralmente uma pessoa só deixa de ser preconceituosa depois de ter um de seus entes ‘depend-ente’) aos quais os centros são vinculados.

            O que falta nos centros?

            1- instalações apropriadas. Em geral, são sítios ou chácaras com pequenas casas e pequenos quartos que por vezes, pessoas chegam a dormir no chão.

            2- falta de monitores e auxiliares devidamente habilitados e treinados. Em geral estes monitores são ‘ex-dependentes’ que passam a morar nos centros e a ocupar o cargo de monitores destes centros, mas sem nenhum tipo de especialização ou treinamento, vale ressaltar que os mesmos trabalham nos centros sem salário, com a promessa que após um ano de experiência, será promovido a obreiro, e passará a receber seu salário, o que não acontece, pois após um ano, a maioria é dispensada com a desculpa de não ter atendido as expectativas a contento.

            3- falta de uma verdadeira terapia ocupacional, sendo realizados apenas trabalhos de limpeza nas dependências do centro, como faxinas, capinas, e até na construção e reformas dos centros, e/ou das igrejas.

            4- falta de profissionais específicos (psicólogos, psiquiatras e terapeutas).

            O que sobra nos centros de recuperação?

            *Excesso de fé em deus e uma crença absurda de que todo dependente vai se recuperar simplesmente passando seis meses nos centros e freqüentando o culto nas igrejas e, que com muita oração e jejum, todos os problemas se resolverão, coisa que obvio, não acontece.

            Mas há sim casos de recuperação plena, a casos de dependentes que abandonaram de vez o vicio e chegaram a serem consagrados pastores. Há casos que seis meses de internação resolvem. Mas a casos que não. Mas o que eu queria expor aqui é o total descaso da sociedade, do governo e até da igreja, que preconceituosa, acaba jogando de novo, muitos na droga.

            Enquanto não tratarmos as pessoas como seres individuais e com problemas individuais, assim como o grau de dependência, que também é individual, continuaremos falhando na recuperação de vidas. Enquanto não nos conscientizarmos de que cada ser, cada pessoa é um caso individual e não coletivo, vidas continuarão indo e vindo aos centros de recuperação (pois a porcentagem de reincidentes é altíssima) vidas continuarão sendo ceifadas pelo crack. Enquanto a igreja não se despir dos dogmas, continuaremos perdendo vidas e vidas preciosas.

            Engraçado, agora me lembrei de um fato aqui em minha mente, certa vez quando um amigo meu dono de uma rede de lojas em Belo Horizonte e que tinha certa influencia tanto com políticos, tanto com autoridades das mais diversas bases, tentou conseguir uma alvará do IBAMA para que fosse solto pássaros e aves silvestres não só no sitio em que ele morava, mas em todo o condomínio onde eu também tenho uma chácara, fazendo daquele lugar um viveiro de aves livres e bem tratadas, tamanha foi a burocracia e exigências que ele acabou por desistir. O que será que se exige para que se abram centros de recuperação?

            Anderson Luiz de Souza

167 comentários:

  1. Estou entrando com este texto pois penso que muito tem a ver com a postagem anterior.

    Abraços a todos

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  2. And mais um tema social e importante:

    Preciso lhe fazer umas perguntas rsrsrsrs

    1 - Por que dizem que a dependência química é uma doença da alma?

    2 - Por que você disse: Enquanto a igreja não se despir dos dogmas, continuaremos perdendo vidas e vidas preciosas. O que tem haver isso com a dependência?

    3 - Quem é dependente sempre será dependente?

    Depois quero comentar sobre o assunto, pois tenho um cunhado e irmã que fundaram uma comunidade a Neftai que trabalha com dependentes químicos e suas famílias.

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    1. Gilberto,

      Você colocou também uns questionamentos bem interessantes, mas eu compreendi o que o Anderson teria colocado a espeito disto:

      "Enquanto a igreja não se despir dos dogmas, continuaremos perdendo vidas e vidas preciosas. O que tem haver isso com a dependência?"

      Encaro esta questão mais neste sentido quando, por exemplo, um líder eclesiástico diz: "um viciado precisa de orações", "ele é um pecador e não um doente crônico" ou "quem faz fulaninho agir assim é o diabo", dentre outras coisas.

      Particularmente, vejo o problema por aspectos espirituais e patológicos. Ou seja, encaro o problema de maneira holística e acho que todo viciado (e qualquer pessoa) precisa também de Deus. Logo, a fé pode ser um ingrediente importantíssimo na sua recuperação.

      Só que, infelzimente, muitos acabam fugindo do próprio problema através do discurso religioso. É mais fácil dizer que a causa do vício está fora de nós do que assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas. Dizer que a dependência alcoólica foi por causa do diabo, porque recebeu um tal de "Zé Pilintra" na macumba ou porque fizeram um "trabalho" de magia negra, ou que seria uma "maldição de família" ou "o espírito desencarnado do pai alcoólatra que anda assediando" acabam sendo iscas para atrair quem está atrás de soluções mágicas.

      Ainda assim, amigo, eu diria que a dependência química é uma manifestação da doença da alma que todos nós temos. Se uns são alcoólatras, sei que tenho também as minhas compulsões, vícios psicológico, carências não resolvidas, etc.

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  3. Oi Gilberto! Muito pertinente tua postagem! Tenho uma pessoa muito próxima que se recuperou através do NA. Existem diversas alternativas de se escapar do ciclo vicioso dos vícios. Realmente, o governo e sociedade civil deveria ser mais atenta ao uso e mau direcionamento desses centros. É uma pena que membros da igreja ainda usem isso como finalidade de aumentar a renda. O objetivo seria realmente salvar vidas e não aumentar o orçamento. Vivemos mesmo uma crise de valores, de percepção...

    Abraços,
    Flor

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    1. Concordo contigo, Flor.

      Você fez uma abordagem até bem imparcial da coisa (e olha que desconheço qual seja a sua orientação religiosa).

      De fato, existe aí uma crise de valores e de percepção, como você mesma colocou. Isto, todavia, reflete dentro e fora das instituições religiosas

      Concordo sobre sermos mais atentos e, se cada cidadão interessado começar a ver como anda a situação de sua cidade ou bairro, a coisa já vai melhorar em todos os meios.

      Precisamos identificar não só as demandas de uma localidade como também acompanhar aquilo que está sendo feito.

      Um passo que pode ser dado é. Sou cidadão, moro no bairro tal, e vou começar a observar como andam as coisas por aqui. Como está o meio ambiente da localidade, suas ruas, escolas, unidades de saúde, arborização, segurança, serviços públicos prestados, trabalhos assistenciais, etc.

      Vivemos uma repressão militar que durou 21 anos e depois a alienação e o autoritarismo ainda persistiram na nossa sociedade. Sò agora que algumas pessoas estão começando a se despertar. E precisamos mesmo acordar!

      Abraços e participe sempre.

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  4. Oi Flor que bom sua participação aqui de novo na confraria! Somos 12 confrades ( doze é um bom número sugestivo rsrsrs na bíblia representa plenitude um número completo) e a cada quatro dias um de nós coloca um tema para ser debatido e discutido. O chefe mor aqui é o Edu nosso apaziguador rsrsrs

    O Tema proposto aqui foi postado pelo And.

    Seja bem vinda e participe com a gente com seus comentários que são bem vindos também. Eu vi seu blog e parece ser uma pessoa espiritualista e interessada nos assuntos debatidos aqui.

    Confrades a flor me disse que esta confraria foi um grande achado pra ela, pois ela gosta de assuntos relacionados a espiritualidade.

    Flor se quiser se apresentar fique a vontade!

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  5. Oi Gilberto, obrigada pelo carinho e a recepção! Agora entendi a dinâmica do blog! 12 Confrades! rs Muito bom e enriquecedor!
    Estou gostando muito do blog! :)

    Eu sou apenas uma buscadora, alguém que aceitou o desafio da longa caminhada pela autorealização. Tenho afinidade com as religiões e práticas espirituais do Oriente.

    Abraços,
    Com amor,
    Flor

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  6. Flor então partilhe aqui conosco quando sentir vontade suas ideias e espiritualidade orientais será enriquecedor para todos nós.

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    1. Obrigada, Gilberto! Gratidão pelo espaço! <3
      Farei com certeza!

      Abraços,

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  7. Flor, prazer te-la aqui participando junto conosco! Sinta-se a vontade para comentar o texto e participar do debate, que espero, seja enriquecedor para todos.

    Tenho certeza que falo em nome de todos que voce é bem vinda em nosso meio! (se bem que o gil já lhe deu as boas vindas né? mas nunca é demais rsrs) agora só falta o nosso pastor lhe dar as boas vindas rsrs. Minha esposa (a Anja Arcanja) já esteve em seu blog e gostou demais, prometo-lhe que farei uma visita assim que possível.

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    1. rrs eu sou o And que o Gil falou rsrs

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    2. Oi Anderson! Eu é que fico muito agradecida! Tenho certeza que será uma troca muito rica! Quem é o pastor??? rs
      Fico feliz que a Anja já tenha visitado meu espaço e gostado! Fico feliz mesmo! Dá uma sensação motivadora de continuar escrevendo!
      Estamos unidos!

      Com amor,
      Abraços,
      Flor

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    3. Flor o pastor é o Eduardo, mas ele se diz semi-ateu e o Levi é o ministro do louvor, mas também é semi-ateu rsrsrs eu e a Anja tb nos enquadramos dentro dos semi-ateus, a anja mais ainda que eu! rsrs

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  8. Gil meu caro, deixa então eu tentar lhe responder:

    Não vou fazer como de costume (copiar as perguntas rsrs) mas apenas enumerar as respostas respectivamente ok?

    1 - Gil, quando se fala em doença da alma, muito disto é culpa da espiritualização da coisa (o que é uma falácia), fala-se muitas vezes que o problema é espiritual, mas devemos observar que as causas são várias e não uma só! Mas em geral o problema começa bem cedo (ainda na infância), com problemas familiares. digo com toda certeza que 95% dos dependentes tem algum tipo de problema na família (na estrutura e no convívio familiar), a família é a base de tudo. Então, na esmagadora maioria dos casos em centros de recuperação, que em sua maioria é vinculado a uma instituição religiosa, tendem a espiritualizar a causa, claro que uma das causas pode-se exclusivamente ser de fundo emocional, mas também não podemos esquecer a predisposição física, o que também é fato. Mas em geral, problemas familiares, curiosidade e a vontade de fugir ou de gritar por socorro, são as causas prováveis (digo com certeza) do indivíduo "experimentar" (usar a 1° vez no caso dos entorpecentes) e se aliado a a esta situação o indivíduo tiver a predisposição física, complicou tudo de vez. Ainda há quem diga que uma série de problemas sociais, familiares, sexuais, profissionais, emocionais, religiosos etc... são conseqüência e não causa de seu problema, e que problemas de vida não geram dependência, de certa forma eu concordo, mas também discordo, pois é na adolescência em geral, que acontece o 1° contato com a droga (seja bebida ou substancia entorpecente), então dizer que as causas são internas, não externas, ok, mas o que leva o indivíduo a buscar na bebida ou na droga refúgio? Porque, no caso da bebida, a pessoa chega ao ponto do vício? O que a conduziu para isto? E no caso da droga, a pergunta é a mesma, mas há um agravante de ser ilegal, portanto, quem experimenta, sabe o risco que corre, não apenas com a polícia, mas de se tornar um escravo do vício, mas após se tornar um dependente, o indivíduo já não tem mais culpa de sua condição e precisa ser tratado!

    2 - Quando eu disse que enquanto a igreja não se despir dos dogmas continuaremos perdendo vidas, quis dizer que as igrejas que são responsáveis pelos centros, trazem para as costas do dependente recém convertido (ou não) todo o peso de seus usos e costumes! Muitos centros exigem do dependente uma postura de "crente", o linguajar de crente, o agir de crente, e até a falsidade dos crentes. E ainda por cima, a igreja é extremamente preconceituosa. Por exemplo: um pai vê a filha ou filho conversando com um rapaz que está em tratamento no centro de recuperação após o culto, ele sem o menor constrangimento chega perto e os inqueri e os retira de perto dos "maus elementos"! Quando o carro da igreja chega do centro levando os internos para assistir ao culto, é como se estivesse chegando um disco voador! Todos olham de canto de olho, e ninguém chega perto. Já presenciei muitos absurdos em nome da tal "santidade."

    3 - Gil a dependência não tem cura! O dependente químico, esteja ou não em recuperação, esteja ou não bebendo ou usando outras drogas, sempre foi e sempre será um dependente. Não existe cura para a dependência: nunca o indivíduo poderá beber ou usar outras drogas de maneira controlada. Eu por exemplo, se me meter a besta de "usar só uma vez pra matar a saudade da sensação", terei jogado fora, tudo que reconstruí por todos estes anos longe das drogas. Basta usar uma vez para perder todo o controle da mente e do corpo. Por isto também que se fala de doença da alma, tamanho é o poder que a bebida e a droga tem sobre o indivíduo. Eu chamo de ósculo do diabo, pois se o diabo existe, seu codinome é droga, e o inferno é a dependência!

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    1. Lembrando que hoje a Organização Mundial de Saúde reconhece as dependências químicas como doenças, e gera até mesmo aposentadoria por incapacidade e/ou afastamento temporário. Dependência química não é simplesmente "falta de vergonha na cara" ou um problema moral.

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  9. Olá Flor! Seja bem vinda! Gostei muito der seu blog (estive ontem visitando ele)

    And, vc falou dos quase ateus, mas será que o pr. Edu entra nesta? ahahaha e vc esqueceeu do ateu de carteirinha Mirandinha rsrsrs

    Bom gente, o que vcs acharam do tema?

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  10. Então se é uma doença não pode ser pecado? Certo? Como era visto de forma preconceituosa antes da OMS reconhecer como doença.

    Cara eu descobri que sou preconceituoso! Já tive esta sensação e já fiz este tipo de comentários. Vou me policiar mais!

    Gostei do que disse:

    Eu chamo de ósculo do diabo, pois se o diabo existe, seu codinome é droga, e o inferno é a dependência!

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  11. Depende da sua visão de pecado! rsrs Me diz Gil, pra vc o que é pecado?

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  12. Flor, vc foi no ponto exato! Igrejas usam vidas para ganhar dinheiro, e dificilmente isto irá mudar! Joga-se o dependente num sítio, obrigada-o a prestar serviços para a igreja, e serviços no sítio e nos sítios vizinhos (quando os internos prestam serviços nos sítios vizinhos, cobra-se a mão de obra, dinheiro este que vai pras mãos...) cobra-se uma mensalidade da família, o governo municipal libera uma verba para cada dependente internado, o governo estadual faz o mesmo e o governo federal também! É uma mina de dinheiro cada dependente internado! Em troca de tudo isto o centro na maioria das vezes, oferece apenas um colchão no chão e alimento, nada mais!

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    1. O que sustenta a igreja Flor? VIDAS! que sempre são e sempre serão manipuladas! A igreja só sobrevive sugando vida!

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    2. Anderson,

      Neste ponto discordo de você!

      Não é certo usar o argumento de que o fato de certas instituições religiosas fazerem má administração do centro de recuperação para afirmar que elas estão aí "sugando vidas".

      Desculpe, mas eu acho irresponsável julgar desta maneira.

      Respeito o fato de você e sua esposa não quererem fazer parte de alguma igreja. É um direito que lhes assiste. Porém, você não pode tomar a distorsão do que é uma igreja verdadeira e transformá-la num conceito.

      Igreja pra mim vem daquilo que os gregos chavam de ekklesia. E, no caso das igrejas cristãs, estas foram concebidas para serem as assembleias daqueles que se reúnem com o propósito de promover um ideal de vida cristã, trazerem o Reino de Deus para dentro da sociedade.

      Sendo assim, o propósitop de criar uma igreja não deve ser jamais o de sugar vidas. Se muitas igrejas assim agem, estão contrariando aquilo que Jesus teria determinado a seus discípulos pois, na verdade, as igrejas devem ser famílias, lugares onde pessoas possam apoiar umas às outras, ambiente de reciclagem consciencial e de crescimento espiritual.

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  13. Olá.
    Gostei muito de seu blog, interessante, organizado e bem escrito.
    Parabéns
    Até mais

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  14. uiiiii igreja sugando vidas? Então suponho que seja como um hospedeiro? É isto? rsrs

    Mas então, em relação ao texto gostaria de dizer que me lembro bem do fato que vc descreve no último parágrafo. Um dos condôminos (rico e muito rico diga-se de passagem né?) quis um alvará (ou credenciamento)do IBAMA para que o próprio IBAMA colocasse sob a tutela do referido condômino em seu sítio assim como em toda a área do condomínio pássaros e animais silvestres. Para isto, salvo engano, foi exigido que ele mantivesse um biólogo, um veterinário entre tantas outras exigências! Deixa eu perguntar: vice está querendo dizer que para abrir um centro de recuperação não é necessário ter um psicólogo, um psiquiatra e um terapeuta? é isto?

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    1. errata: onde se lê vice leia-se VOCÊ! rsrsrs

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  15. Porquê os centros de recuperação recuperam tão pouco?

    Pelo mesmo motivo, que logicamente numa outra escala, os governos e os organismos internacionais tão pouco fazem para minorar os principais problemas da humanidade: Falta de vontade política e a total ausência de retorno financeiro.

    A política "híbrida" de Constantino foi a gênese dessa mudança de valores. A partir dele, o patrimônio da igreja deixou de ser pessoas, vidas, e passou a ser templos. Em torno desses foram feitos os principais investimento em detrimento das comunidades que a compunham. E se este modelo perverso de igreja foi dominante já no período da baixa idade média, imagine se poderia ser diferente numa conjuntura estritamente capitalista como a atual?

    O que ocorre na igreja institucionalizada, a inoperância e descaso em questões humanitárias, tem seu paralelo na economia mundial. Note que nas principais economias do mundo, se emprega bilhões e bilhões de dólares para socorrer bancos, enquanto milhões de pessoas morrem na total miséria, por falta-lhes absolutamente tudo.

    LYA LUFT, colunista da Veja, ao constatar tal disparate disse o seguinte: “MORRAM OS BANCOS, NÃO AS PESSOAS INOCENTES, NÃO AS CRIANÇAS, NÃO OS VELHOS, OS FRACOS. QUE NINGUÉM TENHA DE CHORAR IMPOTENTE POR NÃO PODER CHORAR SEUS FILHOS. MAS SALVEM OS BANCOS...”
    Assim o fazem e continuarão fazendo até uma total reconfiguração de suas consciências, que diga se passagem, não devemos nutrir muita esperança que isso aconteça a curto prazo, sobretudo à nível de igreja.

    Como disse Marx certa vez: “NADA NO SER HUMANO ME É ESTRANHO”

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  16. Doni, mas como assim ausência total de retorno financeiro, se o And disse que na verdade as associações se preocupam exatamente com isto?

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  17. A propósito Doni, amei os textos que vc me sugeriu e vou reverberar os dois em meu blog ok? olha o link do 1° http://omundodaanja.blogspot.com.br/2012/06/demasiado-humano.html

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  18. Inicialmente, compartilho que conheço muito pouco ou quase nada a realidade dos centros de recuperação religiosos para dependentes químicos (drogas e álcool) existentes pelo país. Porém, acho que tenho condições de opinar acerca do assunto.

    Primeiro deve-se considerar que a situação da saúde pública no Brasil é gritante. Você não consegue com facilidade uma vaga dentro de instituições públicas e as condições nesses locais nem sempre são boas também. Semana passada mesmo, eu estive visitando o Instituto Philippe Pinel, que é considerado o hospital de referência em psiquiatria aqui no Rio de Janeiro. E lá eu constatei que se um alcoólatra precisa de internação, ele vai ter que passar por uma entrevista com os médicos e aguardar a sua vez. Na frente de um paciente tem outras pessoas na fila!

    http://www.sms.rio.rj.gov.br/pinel/media/pinel_onde_como.htm

    Assim suprindo a deficiência estatal, igrejas, ONGs, OSCIPS e outras instituições privadas buscam oferecer o serviço para alcoólatras e usuários de drogas, prestando um serviço que nem sempre é contemplado com verbas públicas. E, lamentavelmente, quando elas ganham algum dinheiro do governo, aí é que a coisa fede mesmo porque passam a ter o interesse em ter uma número significativo de internos ao invés de focarem nos resultados.

    Penso que maior fiscalização precisa haver, mas, quanto à burocratização para a abertura de um centro de recuperação, não. Se nós aqui resolvermos fazer um trabalho neste sentido, não queremos ser vítimas da burocracia estatal.

    A meu ver, a atuação insuficiente e fraudulenta desses locais precisa ser levada ao conhecimento do Ministério da Saúde e do Ministério Público Estadual. Isto sem falar nas questões trabalhistas! Porém, precisamos sempre ter em mente que nem sempre há condições de uma entidade sem fins lucrativos manter, arcar com todos os custos necessários, etc. Nem tão pouco uma igreja seria legalmente obrigada.

    Mas agora veja. Não estamos aqui discutindo apenas sob o aspecto jurídico. Você falou, Anderson, que muitas igrejas teriam dinheiro em caixa para prestarem um atendimento melhor nesses abrigos e aí existe uma questão ética que precisa ser ponderada. Principalmente pelos membros da respectiva instituição religiosa.

    Bem, se sou membro de um congregação batista e ela contribui financeiramente para um desses centros, tenho todo o dever de cobrar. Neste sentido, admiro muito os batistas porque, todo mês, é feita uma reunião financeira nas igrejas mais tradicionais e os assuntos são debatidos claramente, coisa que geralmente não ocorre no meio pentecostal.

    Sendo assim, acredito ser mais fácil que uma igreja que faça parte da CBB possa se interessar pelo problema e seus membros começarem a cobrar providências. E isto, no meio batista tradicional, é bem mais fácil de ser encarado do que em outras igrejas e ONGs picaretas que têm por aí.

    De qualquer maneira, olhando pra situação de fora, ainda prefiro que haja centros de recuperação de igrejas que façam alguma coisa, mesmo que minimamente, do que tais locais não existirem. Penso ser melhor um viciado estar no meio de irmãos do que aí pelas ruas ou em instituições públicas onde não haja amor, atenção, dignidade ou vagas. Logo, penso que precisamos ser sempre razoáveis, despidos de um radicalismo ressentido.

    Abraços.

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  19. Em tempo!

    Aqui no Rio de Janeiro, o saudoso ex-governador Geremias de Mattos Fontes (1930-2010), o qual governou o Rio de Janeiro entre 1967 e 1971, tornou-se depois um dos fundadores da Comunidade S8. Ele abriu um espaço em sua própria casa para acolher jovens viciados que queriam mudar e ainda sonhavam e buscavam um mundo melhor. Os adolescentes começaram a aparecer neste local onde se faziam reuniões com muita música e estudos bíblicos, lanches comunitários, jogos de vôlei, atendimentos individuais, grupos de bate-papo, tingimento de camisetas, artesanatos e etc.

    Os familiares dos adolescentes e jovens também chegavam para conhecer onde seus filhos estavam. E mais e mais pessoas vinham buscar um espaço onde podiam expressar seus medos, suas desilusões, sua arte, sua sensibilidade. Os anseios desse segmento desiludido encontraram acolhida na Comunidade S8. O movimento cresceu e em 22 de setembro de 1971, a ONG foi legalmente fundada como uma sociedade civil, sem fins lucrativos, e, mais tarde, reconhecida de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal, presidida pelo Dr. Geremias de Mattos Fontes.

    O nome “Comunidade S8” se refere ao objetivo final da instituição que é a promoção da justiça social através da inclusão - incluir e transformar. O “S” e o “8” do nome significam: “S” = salvação e “8” (formado por um “S” normal + um “S” invertido) = mudança de vida. Então Comunidade S8 = transformação de vida. A Comunidade S8 tem como missão contribuir para a transformação de vidas, a partir de uma visão integral do ser humano, promovendo a prevenção ao uso e abuso de álcool e outras drogas, o tratamento do portador de dependência química, a reinserção social e a orientação e apoio aos familiares. Tem como principais objetivos:

    •Promover a justiça social através da inclusão;

    •Contribuir para transformar a realidade social daqueles que estão sem alternativas;

    •Promover e defender os direitos da criança, adolescente, jovem, adulto e dependente químico;

    •Investir na formação e transformação do caráter da criança, adolescente, jovem e adulto como forma efetiva de fazer prevenção;

    •Lutar contra as desigualdades sociais e pelos direitos dos dependentes químicos;

    •Estimular na criança, adolescente, jovem e adulto a autonomia como requisito básico para aquisição e manutenção da cidadania.

    Em 2003 a Comunidade S8 recebeu o Diploma de “Mérito pela Valorização da Vida” - concedido pela Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD, por seu trabalho realizado em 32 anos de atividades em prol do bem social. No ano de 2009, o projeto "Para Aprender Melhor", em parceria com o Instituto UNIBANCO, passou a atendee mais 100 crianças da comunidade local, promovendo reforço escolar com atividades esportivas.O público-alvo da instituição são crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos – todos os que estão vulnerabilizados pela exposição e consumo de drogas na sociedade.

    Eu, embora não faça parte da S8, respeito muito o trabalho deles. Ouço dizer que muitos jovens lá se tornam bitolados e fanatizados, mas acho que isto seja o de menos. Até porque uma pessoa que agia de maneira compulsiva com álccol e drogas, tende a se tornar compulsiva também quando encontra uma religião. E a luta com a compulsão e até mesmo a percepção desta faz parte da trajetória evolutiva de cada ser.

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    1. Muito bacana Rodrigo! Gostei muito de ler este comentário.

      Bom, deixa eu responder ao seu 1° comentário:

      1° Hospital não recupera e não tem este fim. É preciso um trabalho muito mais intensivo, com terapia ocupacional, psicólogos e em alguns casos ainda um acompanhamento psiquiátrico. No hospital é feito apenas um atendimento emergencial para uma rápida desintoxicação (feita geralmente em cinco dias de internação) sendo necessário um tratamento e acompanhamento específico.

      2° Não generalizo, existem centros que tentam sim executar um bom trabalho, mas não tem a menor condição, pois não basta apenas ter boa vontade!

      3° as fraudes e desvios de verbas acontecem em várias etapas e escalas diferentes que posteriormente, estarei compartilhando aqui.

      4° sobre a burocratização, deixe-me dar um exemplo claro: tente um convenio com o IBAMA para a ter um criadouro de animais da fauna brasileira e veja como será complicado tamanha burocracia (é necessário biólogo e um veterinário contrato por vc para conseguir o alvará, senão, não rola!)e de tempo em tempo o IBAMA bate à sua porta para verificar instalações etc; mas junte alguns amigos, funde uma associação, eleja um presidente, um vice-presidente, tesoureiros, secretários, conselho fiscal (basicamente isto) e PRONTO! vc está autorizado a abrir um centro de recuperação! Agora te pergunto: animais silvestres merecem mais cuidado que um ser humano?

      3° as igrejas não podem abrir centros de recuperação, é preciso criar uma associação, por isto, a prestação de contas não é feita a igreja.

      4° Eu não disse igrejas apenas, mas as convenções destas igrejas. Por exemplo, onde eu atuei por mais tempo (enquanto "crente") foi num centro com o nome CERBAN (centro de recuperação batista nacional), veja bem, o nome fantasia estava na placa (batista nacional), mas era na verdade uma associação com outro nome. Pois bem o convenção batista nacional e suas igrejas mandavam muitos jovens para lá, mas nunca contribuía com um centavo sequer, mesmo tendo em seus cofres a quantia de 110 mil reais. Dinheiro que poderia ser usado de melhor forma, como por exemplo, o auxílio com o soldo dos profissionais de saúde etc.

      Então querido, penso que deve haver parte do governo muito mais empenho e fiscalização nos referidos centros, mas deixo claro aqui que nem todos estão envolvidos em desvios de verbas, mas boa parte deles, digo, os que conseguem entregar toda a papelada em dia para as prefeituras, para o estado e para o governo federal.

      Rodrigo, outro dia (há algum tempo atrás) fui bastante grosso com vc em meus comentários e gostaria muito que vc me desculpasse!

      Abraços,

      Anderson

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    2. Caro Anderson,

      Não estou de mal com você e nunca estive. Nem também com sua esposa. Apenas acho que muitas vezes a mente humana (de qualquer pessoa) é capaz de se fechar.

      Indo aos seus comentários, primeiramente deve-se considerar que a convenção batista nacional é "renovada" e não tradicional. Muitos pastores lá são pessoas bem autoritárias e nem semrpe prestam contas abertamente à comunidade. E, como bem colocou, há um artifício aí. Uma pessoa jurídica cria outra entidade distanciando o centro de recuperação do alcance da membresia.

      Bem, eu não faço parte mais de nenhuma igreja batista também. Absorvi uma forte formação bíblica/doutrinária/teológica no tempo em que estive entre eles e que sobreviveu ao tempo em que andei "desviado" e frequentando uma igreja pentecostal até começar o meu processo de desconstrução.

      Assim, vi coisas muito boas no meio batista, mas também vi pastores se queixando do baixo valor da ajuda que recebiam da convenção batista brasileira a ponto de terem que ter outro trabalho (um deles tinha sido taxista e foi assassinado em serviço na madrugada da Baixada Fluminense).

      Ora, se pastores chegam a ser tratados dessa maneira, o que diremos dos centros de recuperação?!

      Porém, trata-se de uma questão para que, a princípio, os próprios batistas preocupem-se no aspecto ético e você como ex-membro tem toda a pertin~encia de denunciar os abusos no caso específico que presenciou.

      Agora, quanto à sociedade meter seu dedelho no trabalho dos batistas, creio que isto seja possível a parti do momento em que o serviço passa a ser mal prestado e as pessoas ali tratadas encontram-se em situação de risco ou de desassistência. Ou ainda se tiver verba pública sendo mal aplicada.

      Quanto ao governo atuar, acho complicado. Sei que o Estado tem o dever de agir, fazer uma normatização justa, investigar, exigir que se cumpra a legislação, bem como cooperar. E nós, os cidadãos, temos também a possibilidade de denunciar. Inclusive anonimamente quando houver risco de vida.

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  20. Sim Anja,

    Centros de reabilitações conceituados, não atuam como produtores de receitas para as instituições. Muito pelo contrário, são um verdadeiro ônus para elas.

    Agora, não me causa espanto, se diretores inescrupulosos fazem destas clínicas seu meio de vida, se apropriando indebitamente das doações e contribuições no lugar dos beneficiários.

    Mas observe que estou me referindo à clínicas sustentadas por ministérios tradicionais, e não à estes centros fundo de quintal, que agem de forma, até mesmo clandestinas, Que são os mais comuns nos meios cristãos.

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    1. Doni, os centros não trazem ônus para as igrejas!

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    2. Pelo menos os que eu conheci, claro! Mas Doni, como vc disse, os diretores muitas vezes são inescrupulosos!

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  21. Em tempo 2!

    Consideremos que nem sempre para ajudar um drogado ou aloólatra poderemos contar com o apoio de médicos e psicólogos.

    O ideal é que tenhamos. Porém, muitas vezes vai ser mesmo o ideal de alguém que fará do seu "quintal" um lugar de acolhimento.

    Mais importante, irmãos, é que haja AMOR e isto supera recursos financeiros, profissionais e até mesmo dons espirituais.

    Quanta gente endinheirada não coloca seus filhos nas melhores clínicas particulares do mundo e não proporcionam umpingo de amor?!

    Precisamos ter sempre cuidado para não generalizarmos e apoiarmos uma perseguição contra quem está fazendo algo decente. Às vezes, num centro de recuperação humilde, o que não falta é calor humano e unção de Deus.

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  22. Em tempo 3!

    Fora as críticas que coloquei, Anderson, não diminuo o valor do seu texto.

    Você trouxe para cá um tema socialmente importante, embora eu pense que não tenha tanto a ver diretamente com a questão da teologia.

    Recentemente, em meu blogue, escrevi um texto sobre a reforma psiquiatra, cuja ideia seria a pessoa receber tratamento em sua casa no convívio com a família e amigos e peço que, quando puer, você e outros confrades também leiam:

    Precisamos aprender a reciclar vidas!
    http://doutorrodrigoluz.blogspot.com.br/2012/06/precisamos-aprender-reciclar-vidas.html

    Saudações.

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    1. Claro Rodrigo, faço questão de ler! Obrigado.

      Apesar da confraria ser "teológica", (rsrs) penso que teologia e filosofia (como disciplinas) não podem ajudar a ninguém!

      Como sei que a confraria está servindo para debates em uma universidade e serve de pesquisas para seminaristas e professores de EBD (ao menos é o que me foi passado), quias trazer a pauta um tema social para que possamos debater, pois a dependência química já a muito se transformou numa epidemia! E como disse, enquanto nos predermos a discutir teologia, filosofia, e dogmas......... rsrs

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    2. Anderson,

      O tema continua sendo relevante para a teologia.

      Aliás, do que adianta uma teologia que não produz frutos?! Melhor seria cortá-la e lançá-la ao fogo, não concorda?!

      Mas já que estamos falando nisso, venho então lembrar sobre como a Bíblia, que deve ser a base das igrejas, fala como é preciso agir. Vou então levar a discussão para o campo teológico afim de buscar uma orientação ética:

      1º) Lembrando do que Jesus falou no episódio das multiplicações, "dai-lhes vós mesmos de comer" (Mc 6.37), entendo que, quando uma igreja de verdade quer suprir necessidades, seus próprios membros devem ser pessoas capazes de contribuir para cuidar do próprio grupo. Os recursos devem vir de dentro! Não se deve esperar que governos invistam dinheiro. Todos devem colocar não só a grana como o coração na obra social.

      2º) Deve-se voltar primeiramente para o grupo. Uma igreja cristã não deve preocupar-se em sair prestando serviços primeiramente para toda a sociedade. Ela deve começar observando as necessidades daqueles que compõem a membresia e depois ir incluindo os de fora. Como numa família!

      3º) Com base no exemplo da igreja de Jerusalém, em Atos dos Apóstolos, é preciso que haja desprendimento. Pois, se somos uma família, devemos ter tudo em comum. Pra que termos ouro e excesso de bens se existem irmão em necessidade? Por isso, o princípio de que "é melhor dar do que receber" precisa ser internamente compreendido por cada um.

      4º) Deve-se preservar o clima de banquete! As pessoas que estão num centro de recuperação precisam receber visitas de membros. O restante da Igreja precisa ter prazer em estar com eles, fazer refeições juntos, ouvir as necessidades psicológicas de quem está no abrigo, fazer do momento uma ocasião para a alegria e com singeleza de coração.

      5º) É fundamental que haja lideranças realmente comprometidas. Gente como o primeiro mártir Estêvão, "cheio de fé e do Espírito Santo" (At 6.5).

      6º) As igrejas locais precisam se identificar e se importar com um projeto de alcance regional, nacional ou mundial, a exemplo da oferta para os irmãos da Judeia que Paulo teria recolhido nas igrejas da Grécia e Macedônia.

      7º) Deve haver democracia dentro das igrejas. Embora a Bíblia pouco fale acerca desse regime, deve-se considerar qual é o espírito de uma ekklesia (assembleia). E, sendo uma reunião aberta, as pessoas não vão se ajuntar apenas pra "assistir culto". Elas devem estar ali para debater os problemas da comunidade, ouvirem umas as outras, proporem coisas, reclamarem, julgarem questões que haja entre seus membros, acompanharem, etc. Mas como no Brasil mal estamos acostumados com a democracia, penso que ainda existem bastante pastores que se aproveitam da passividade de seus membros.

      Bem, estas são algumas ideias para que trabalhos desse tipo possam dar certo a partir de igrejas.

      Não acho uma ideia falida alguma igreja envolver-se com a recuperação de dependentes químicos. Muito pelo contrário! Só que andam faltando princípios basilares na maioria das congregações cristãs que existem por aí.

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  23. And

    Agora posso comentar um pouco o assunto:

    Gostei muito das suas respostas e do conhecimento que tem a respeito deste assunto principalmente pela experiência que passou.

    Mas eu concordo ainda mais com que o Rodrigo disse que existe e eu conheço entidades que são heroicas, simples sem estruturas ( o governo colocou normas como colocou em qualquer instituição) mas não ajuda em nada. Só exige, mas é omisso!

    Uma instituição pra receber verbas precisa da utilidade publica federal ( verbas federais) utilidade publica estadual (verbas estaduais) e conselho municipal ( para receber verbas municipais) eno caso de adolescentes o cmdca.

    Tem que estar adequada com as exigências que lhe cabem dentro do ramo de atuação. Estas entidades são chamadas de terceiro setor.

    Existem entidades que se adequam para receber verbas e fazer dinheiro para enriquecimento próprio. Mas eu creio que é uma minoria organizada que não possuem escrúpulos.

    Vejo que a maioria agem pela fé e pela coragem. Algumas cobram um valor mínimo para poder atuar. E algumas agem também nos núcleos familiares com as famílias dos internos.


    O ideal de uma instituição seria que ela não tivesse nenhum credo e que sua atuação fosse na área social. Mas sabemos que muitas igrejas fazem este trabalho com a convicção que vem da fé. O que eu não julgo! Pois ajudam muitas pessoas.

    Nem toda entidade recebe verbas, também é um número bem reduzido.

    Eu não vejo problema nenhum receber verbas desde que seja pela lei através de emendas que existem para isso e que sejam utilizadas para o fim determinado.

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    1. Gilberto, posso lhe passar os endereços de algumas que conheço que são utilidade publica federal, utilidade publica estadual e conselho municipal? Sei de uma que recebe verbas municipais, estaduais e federais, e a desvio de verbas! rsrsrs

      (claro que não vou expor o nome aqui né? rsrs mas pode ter certeza que estou faslando apenas um pouco do que vi!

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    2. and meu querido

      As entidades corruptas são as mais organizadas tem estruturas para arrecadar fundos! Eu sei disso!

      Apenas expliquei para quem está nos acompanhando como funciona a organização nas devidas esferas.

      Não precisa passar não eu sei que estas que fazem tal juízo são mais organizadas que do que os que heroicamente agem.

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    3. Gilberto,

      Eu não duvido que, mesmo com poucos recursos, milagres possam ocorrer dentro de insatituições pequenas, sem estrutura adequada, mas que levam a sério o trabalho com muito amor.

      Abraços.

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  24. Tive um caso em minha própria família e não foi fácil.

    Meu cunhado após quase morrer de cirrose e com muita fé e dedicação de minha irmã conseguiu sair desta vida através da Casa Esperança e Vida do Fradão.

    O que tirou ele desta situação! As orientações da Casa Esperança e Vida que ensinou minha irmã nos núcleos familiares que o dependente não pode ser tratado como um coitado e nem se pode passar amão em sua cabeça e sim colaborar para que ele ao chegar ao fundo do poço veja sua necessidade e deseje sair do vício.

    Meu cunhado e minha irmã abriram uma comunidade a Neftai que realiza um trabalho de doação e entrega ajudando outros a saírem desta situação.

    And em um trabalho social existem muitas pessoas que duvidam da credibilidade destas entidades pela fama de algumas que são corruptas.

    O terceiro setor no Brasil ainda é uma grande subsidiária do governo que covardemente ignora estas entidades e muitas vezes fazem um trabalho nas áreas sociais que deixa muito a desejar. Eles agem por produção e marketing.

    Estes heróis anônimos agem pelo amor às pessoas.

    É preciso sempre separar o joio do trigo para não incorrer em uma injustiça.

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    1. Com certeza Gil e veja bem, como já disse, não estou generalizando! Tem muita gente trabalhando e se doando com a cara e a coragem e sem condições mínimas, mas se doando em prol de outrem, o que é louvável! Mas muito mesmo. Mas isto não é suficiente e é por este motivo que 90% das internações são de reincidentes!

      voce não pode pegar um dependente químico e trata-lo com chá de erva-doce e oração e boa vontade, que a coisa não vai desenrolar! Eu mesmo sou o exemplo vivo disto. Enquanto não fiz um tratamento sério, com todo acompanhamento necessário, não me livrei do vício! Mas a casos e casos, como disse, a casos em que apenas chá, jejum, oração e seis meses bastam. Mas não podemos dar a todos o mesmo tratamento, né verdade?

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  25. And você poderia expor se quiser pra nós que atitude deve tomar alguém que se encontra na dependência química para superar tal situação?

    Um testemunho seu prático de tudo que passou se sentir bem em falar sobre isso...

    Aonde vc encontrou força?

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    1. Gil, posso sim, claro, mas agora preciso atender a 3 pessoas especiais aqui, meus filhos e esposa rsrsrs mas volto mais tarde!

      Até já amigos!

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  26. Anderson,

    Pemrita-me mais uma manifestação e tente responder a estas duas perguntas:

    1) Como deveria ser o centro de recuperação ideal no seu ponto de vista?

    2) Considerando que nem sempre é possível oferecer algo capaz de atingir o ideal sonhado, o que, no seu entendimento, deveria ser o essencial para o centro de recuperação começar a funcionar?

    3) Como pode a sociedade poderia informar-se sobre o estado inadequado dos centros de recuperação estando o cidadão fora da instituição? O que você sugere?

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  27. Em tempo! (mais uma vez)

    Existe legislação que estabelece regras paras as clinicas e comunidades terapêuticas. Sençao vejamos a resolução - rdc nº 101, de 30 de maio de 2001, da ANVS (Agência Nacional de Vigilância Sanitária):


    Art. 1º Estabelecer Regulamento Técnico disciplinando as exigências mínimas para o funcionamento de serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial, também conhecidos como Comunidades Terapêuticas, parte integrante desta Resolução. (anexo)

    Art. 2º Todo serviço, para funcionar, deve estar devidamente licenciado pela autoridade sanitária competente do Estado, Distrito Federal ou Município, atendendo aos requisitos deste Regulamento Técnico e legislação pertinente, ficando estabelecido o prazo máximo de 2 (dois) anos para que os serviços já existentes se adeqüem ao disposto nesta Resolução.

    Art. 3º A construção, a reforma ou a adaptação na estrutura física dos serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas deve ser precedida de aprovação do projeto físico junto à autoridade sanitária local e demais órgãos competentes

    Art. 4º O disposto nesta Resolução aplica-se a pessoas físicas e jurídicas de direito privado e público, envolvidas direta e indiretamente na atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas.

    Art. 5º A inobservância dos requisitos desta Resolução, constitui infração de natureza sanitária sujeitando o infrator ao processo e penalidades previstas na Lei 6.437 de 20 de agosto de 1977, ou outro instrumento legal que vier a substituí-la, sem prejuízo das responsabilidades penal e civil cabíveis.

    Art. 6º Os serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas devem ser avaliados e inspecionados, no mínimo, anualmente. Para tanto, deve ser assegurado à autoridade sanitária livre acesso a todas as dependências do estabelecimento, e mantida à disposição toda a documentação pertinente, respeitando-se o sigilo e a ética, necessários às avaliações e inspeções.

    Art. 7º As Secretarias de Saúde estaduais, municipais e do Distrito Federal devem implementar os procedimentos para adoção do Regulamento Técnico estabelecido por esta Resolução, podendo adotar normas de caráter suplementar, a fim de adequá-lo às especificidades locais.

    Parágrafo único:
    Os Conselhos de Entorpecentes Estaduais, Municipais e do Distrito Federal ou seus equivalentes devem informar às respectivas Vigilâncias Sanitárias sobre o funcionamento e cadastro dos serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas.

    Art. 8º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

    GONZALO VECINA NETO

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  28. Continuando...


    No anexo desta norma, existem orientações sobre os serviços prestados no item de número 4:

    4.1 No processo de admissão do residente e durante o tratamento, alguns aspectos devem ser contemplados:

    A admissão da pessoa não deve impor condições de crenças religiosas ou ideológicas.

    Permanência voluntária.

    Possibilidade de interromper o tratamento a qualquer momento, resguardadas as exceções de risco imediato de vida para si e ou para terceiros, ou intoxicação por SPA, avaliadas e documentadas por profissional médico responsável.

    Compromisso com o sigilo segundo as normas éticas e legais garantindo-se o anonimato; qualquer divulgação de informação a respeito da pessoa, imagem ou outra modalidade de exposição só poderá ocorrer se previamente autorizada, por escrito, pela pessoa e familiares.

    Respeito à pessoa, à família e à coletividade.

    Observância do direito à cidadania do usuário de SPA.

    Fornecimento antecipado ao usuário e seus familiares, e/ou responsável de informações e orientações dos direitos e deveres, quando da opção e adesão ao tratamento proposto.

    Informar, verbalmente e por escrito, ao candidato a tratamento no serviço sobre os regulamentos e normas da instituição, devendo a pessoa a ser admitida declarar por escrito sua concordância.

    Cuidados com o bem estar físico e psíquico da pessoa, proporcionando um ambiente livre de SPA e violência, resguardando o direito do serviço estabelecer as atividades relativas à espiritualidade.

    Garantia de alimentação nutritiva, cuidados de higiene e alojamentos adequados.

    Proibição de castigos físicos, psíquicos ou morais, respeitando a dignidade e integridade, independente da etnia, credo religioso e ideologias, nacionalidade, preferência sexual, antecedentes criminais ou situação financeira.

    Garantia do acompanhamento das recomendações médicas e/ou utilização de medicamentos, sob critérios previamente estabelecidos, acompanhando as devidas prescrições, ficando a cargo do Serviço a responsabilidade quanto à administração, dispensação, controle e guarda dos medicamentos.

    Garantia de registro no mínimo três vezes por semana das avaliações e cuidados dispensados às pessoas em admissão ou tratamento.

    Responsabilidade do Serviço no encaminhamento à rede de saúde, das pessoas que apresentarem intercorrências clínicas decorrentes ou associadas ao uso ou privação de SPA, como também para os casos em que apresentarem outros agravos à saúde.

    A aceitação da pessoa encaminhada por meio de mandado judicial, pressupõe a aceitação das normas e do programa terapêutico dos serviços, por parte do residente.

    Contar com processo de seguimento para cada caso tratado, pelo período mínimo de um ano.

    4.2 Partindo do pressuposto de que os serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial, são espaços temporários de tratamento, o tempo de permanência deve ser flexível levando em consideração o cumprimento mínimo do programa terapêutico e que cada caso é único.

    Os Serviços deverão ter explicitado no seu Programa Terapêutico o tempo máximo de internação, evitando a cronificação do tratamento e a perda dos vínculos familiares e sociais.

    Todas as informações a respeito do Programa Terapêutico deve permanecer constantemente acessível à pessoa e seus familiares.

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  29. Continuando...


    4.3 Os Serviços devem explicitar por escrito os seus critérios quanto a:

    Rotina de funcionamento e tratamento definindo atividades obrigatórias e opcionais;

    Processos a serem utilizados para acompanhamento da evolução dos residentes no pós-alta, ao longo de um ano;
    Alta terapêutica;
    Desistência (alta pedida);
    Desligamento (alta administrativa);
    Casos de mandado judicial;
    Evasão (fuga) e
    Fluxo de referência e contra-referência para outros serviços de atenção a outros agravos.

    Fica resguardado à pessoa em tratamento o direito de desistência, sem qualquer tipo de constrangimento, devendo a família ou responsável ser informada em qualquer das situações acima.

    Em caso de fuga ou evasão, o serviço deve comunicar imediatamente a família ou responsável pela pessoa.

    4.4 Os Serviços devem explicitar por escrito os seus critérios de rotina para triagem quanto a:

    Avaliação médica por Clínico Geral;
    Avaliação médica por Psiquiatra;
    Avaliação Psicológica;
    Avaliação familiar por Assistente Social e/ou Psicólogo;
    Realização de exames laboratoriais;
    Estabelecimento de programa terapêutico individual;
    Exibição de filme e/ou fotografias para ciência da família e do assistido;
    Definição de critérios e normas para visitas e comunicação com familiares e amigos
    Alta terapêutica, desligamento, evasão, etc.

    4.5 Os Serviços devem explicitar, por escrito, os seus critérios de rotina de tratamento quanto a:

    Horário do despertar;

    Atividade física desportiva variada diária;

    Atividade lúdico-terapêutica variada diária (por ex.: tecelagem, pintura, teatro, música, dança, modelagem, etc;

    Atendimento em grupo e/ou individual coordenado por profissional de nível superior habilitado em dependência de SPA, ao menos uma vez por semana;

    Atividade didático-científica para o aumento de conscientização;

    Atividade que vise estimular o desenvolvimento interior (por ex.: yoga, meditação, prática de silêncio, cantos e outros textos filosóficos reflexivos). Essa atividade é opcional para o residente, respeitando-se suas convicções e credos pessoais e oferecendo, em substituição, atividades alternativas;

    Atendimento médico psiquiátrico pelo menos uma vez ao mês, nos casos de comorbidade;

    Atendimento em grupo por membro da equipe técnica responsável pelo programa terapêutico
    pelo menos 3 vezes por semana;

    Participação diária, efetiva e rotativa da rotina de limpeza, organização, cozinha, horta, etc;

    Atendimento à família durante o período de tratamento;

    Atividades de estudos para alfabetização, profissionalização, etc.

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  30. Concluindo...


    Quanto aos recursos humanos, há uma disposição sobre a equipe mínima:

    A equipe mínima para atendimento de 30 residentes deve ser composta por:

    01 (um) Profissional da área de saúde ou serviço social, com formação superior, responsável pelo Programa Terapêutico, capacitado para o atendimento de pessoa com transtornos decorrentes de uso ou abuso de SPA em cursos aprovados pelos órgãos oficiais de educação e reconhecidos pelos CONEN's ou COMEN's;
    01 (um) Coordenador Administrativo;
    03 (três) Agentes Comunitários capacitados em dependência química em cursos aprovados pelos órgão oficiais de educação e reconhecidos pelos CONEN's ou COMEN's

    O serviço deve garantir a presença de, pelo menos, um membro da equipe técnica no estabelecimento no período noturno.

    Recomenda-se a inclusão de Curso de Primeiros Socorros no curso de capacitação.

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  31. Rodrigo............ estou amando seus comentários e as questões que vc colocou!

    Gil, vc como sempre (mas não desta vez, pois já esta esperando de vc isto) seus comentários estão demais!

    Bem, como o And (e agora eu tb) passa boa parte do dia fora, ele tem um ritual sagrado (e não podia ser diferente) de estar dando a máxima atenção aos filhos (que passam o dia todo na escola), Rodrigo e demais confrades, ele pede pra falar que ainda hoje ou no máximo amanhã pela manhã responde a todos os comentários. E ainda Rodrigo, pede pra lhe falar que gostou muito de suas perguntas e de seu último comment! E vai sem dúvidas, responder-lhe!

    Bjux Genteeee (nem me responderam se gostaram do tema né?(

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    1. Olá, amiga.

      Acho que é encarando a coisa de frente que poderemos contribuir para melhorar a situação.

      Do ponto de vista teológico, já expus meu ponto de vista de um discípulo do Senhor jesus.

      Como cidadão, compartilhei o que diz a legislação e conceitos. Porém, acho fundamental ficarmso atentos quanto à realidade social. Nem sempre é possível uma adequação ás exigências normativas.

      Abraços.

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  32. Antes que eu me esqueça, a norma da ANVS fala ainda da estrutura no item 6:


    6.1 Os serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas a serem implantados, devem ter capacidade máxima de alojamento para 60 residentes, alocados em, no máximo, 02 unidades de 30 residentes por cada unidade. Para os Serviços já existentes, será admitida a capacidade máxima de 90 residentes, alocados em no máximo 03 unidades de 30 residentes cada.

    6.2 Os serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas que prestam assistência médica devem estar em conformidade com a Portaria n.º 1884/GM, de 11/11/94 do Ministério da Saúde ou a que vier a substituí-la.

    6.3 Os serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas que prestam assistência psicológica e social (centros de tratamento/comunidades terapêuticas), devem manter uma relação direta entre as atividades a serem desenvolvidas (conforme descritas no item 3) e os ambientes para a realização das mesmas.

    Parágrafo Único - A existência ou não de um determinado ambiente, depende da execução ou não da atividade correspondente, assim como existe a possibilidade de compartilhamento de alguns ambientes, quer seja pela afinidade funcional, quer seja pela utilização em horários ou situações diferenciadas

    Segue proposta de listagem de ambientes, organizada por setores de funcionamento:
    l- Setor de hospedagem (alojamento) para cada unidade de 30 residentes
    a) Quarto coletivo para, no máximo, 6 residentes - com área mínima de 5,5 m2 por cama individual ou beliche de 02 camas superpostas. Este dimensionamento já inclui área para guarda de roupas e pertences dos residentes.
    b) Banheiro para residentes: 1 bacia, 1 lavatório e 1 chuveiro para cada 6 camas. Ao menos 01 banheiro de cada unidade deve estar adaptado para o uso de deficientes físicos, atendendo ao estabelecido na Portaria GM/MS 1884/94 ou a que vier a substituí-la.
    c) Quarto para o agente comunitário.
    ll- Setor de terapia/recuperação:
    a) Sala de atendimento social.
    b) Sala de atendimento individual.
    c) Sala de atendimento coletivo.
    d) Sala de TV/música.
    Obs.: Esses ambientes podem ser compartilhados para as diversas atividades e usos desde que haja uma programação de horários diferenciados.
    e) Oficina ( ex.: desenho, silk, marcenaria, lanternagem de veículos, gráfica)
    f) Quadra de esportes.
    g) Sala para prática de exercícios físicos.
    h) Horta ou outro tipo de cultivo.
    i) Criação de animais domésticos.
    j) Área externa para deambulação.
    Obs.: O desenvolvimento dessas atividades poderá ser realizado em ambientes ou áreas não pertencentes ao serviço, podendo compartilhá-los com outras instituições.
    III- Setor administrativo:
    a) Sala de recepção de residentes, familiares e visitantes.
    b) Sala administrativa.
    c) Arquivo das fichas do residente (prontuários).
    d) Sala de reunião para equipe.
    e) Sanitários para funcionários (ambos os sexos).
    lV- Setor de apoio logístico:
    a ) cozinha coletiva, com as seguintes áreas:
    a. 1- recepção de gêneros
    a. 2- armazenagem de gêneros
    a. 3- preparo
    a. 4- cocção
    a. 5- distribuição
    a. 6- lavagem de louça
    a. 7- armazenagem de utensílios
    a. 8- refeitório.
    b) lavanderia coletiva com as seguintes áreas:
    b. 1- armazenagem da roupa suja
    b. 2- lavagem
    b. 3- secagem
    b. 4- passaderia
    b. 5- armazenagem de roupa limpa.
    c) almoxarifado:
    c. 1- área para armazenagem de mobiliário, equipamentos, utensílios, material de expediente.
    d) limpeza, zeladoria e segurança:
    d. 1- depósito de material de limpeza
    d. 2- abrigo de resíduos sólidos.

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  33. Continuando...

    6.4 As instalações prediais de água, esgoto, energia elétrica, proteção e combate a incêndio, telefonia e outras existentes, deverão atender às exigências dos códigos de obras e posturas locais, assim como às normas técnicas brasileiras pertinentes a cada uma das instalações.

    6.5 Todas as portas dos ambientes de uso dos residentes devem ser instaladas com travamento simples sem o uso de trancas ou chaves.

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  34. And,

    Muito bom seu texto. Fala do que viu e sabe. Eu não conheço bem tais instituições, a não ser a comunidade S-8, que é evangélica, bem antiga e me parece bem séria. Instituições com todas as dificuldades que você aponta poderiam ser fonte de desvio de verba para pastor? Quanto aos problemas que você aponta, é de fato, lamentável e os governos(que também são omissos) deveriam fiscalizar. Creio mesmo que todos os problemas apontados não são somente de instituições evangélicas. Claro que existem as boas instituições e a vontade de recuperar viciados de até muitos voluntários, e para estes, bato palmas.

    Poderíamos discutir mais a fundo o que leva alguém às drogas e o que lhes dá força para sair delas. Creio que a espiritualidade tem um papel importante aqui(tenho um exemplo na família da minha esposa).

    Concordo com a ressalva que fez o Rodrigo.

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  35. Estou de volta! Rodrigo, vamos então tentar responder as 3 perguntas que vc me fez lá em cima, bem mewu caro, os outros comentários penso que nem preciso questionar, uma vez que vc como advogado, deve saber muito bem que no papel tudo funciona perfeitamente, mas na prática.... como eu disse, internos chegam a dormir no chão! Vou falar em poucas palavras o que tem no centro: dois ou três monitores (que sempre são ex-internos) e sem nenhuma ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA! Ninguém sabe nada de 1° socorros! Não há um atendimento psicológico, esta parte de psicologia cabe ao diretor do centro (que normalmente é um pastor) e ao pastor presidente da igreja, se o mesmo não acumular as funções, mas como vc deve saber, um pastor não é a pessoa indicada a prestar atendimento psicológico. Seria mais ou menos como vc ir ao dentista e seu dentista for formado em contabilidade! Sendo bem sincero e até sendo generoso para com os centros de recuperação, eu diria que se tem, talvez tenha pouco mais de 10% de tudo que vc escreveu, que é o que exige a lei (ou governo).

    Agora respondendo as suas perguntas:

    1° no meu ponto de vista, deveria se ter o mínimo que se pede ou manda a lei (tudo isto que vc descreveu nos comentários acima)

    2° a resposta acima cabe aqui!

    3° Infelizmente Rodrigo, o povo brasileiro não tem acesso às informações como vc e outras pessoas tem e o fato de ver um filho ou esposo na dependencia, faz com que busque o que está ao seu alcance e 2° suas possibilidades. Ou seja, quem pode pagar uma clínica de 3 mil reais, paga, quem não pode, paga o que suas posses permitem, e neste caso, existem centenas de clínicas que não atendem nem a 3% de tudo que vc escreveu acima! Clínicas que cobram 500 reais, ou um salário mínimo (622) e jamais poderão atender os pre-requisitos necessários para recuperar de fato! Infelizmente, minha sugestão é procurar ajuda no governo e jamais nestas clínicas, que definitivamente, não são e nunca serão bem estruturadas para atender com o mínimo necessário! Mas é como diz o ditado: quem não tem cão, vai caçar com gato. Como o governo não cumpre seu papel, clínicas irãoi continuar surgindo (e fechando) sem recuperar a ninguém, ou (como na média) 2 a 5 em cada 100. Me diz, vc acha um numero aceitável este de pessoas de fato recuperadas? Olha que estou sendo generoso viu? Nunca se recupera na 1° internação!

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    1. Em tempo }Rodrigo, vc disse lá em cima que Eu não duvido que,[...] milagres possam ocorrer dentro de insatituições pequenas, sem estrutura adequada Rodrigo, milagres não (existem)acontecem! Principalmente nestas casos.

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    2. Caro Anderson,

      Tudo depende de como você compreende o milagre. Eu esatr vivo aqui e teclando contigo pode ser considerado um exemplo. Alguém mudar o rumo de sua vida também. Claro que não estou sugerindo ninguém a tapar o sol com peneiras e fugir de encarar seus próprios "demônios" (espero que esteja compreendendo o meu linguajar). Porém, lembre-se que há ex-viciados que, em seu processo de recuperação, sentem a mão divina lhes orientando, consolando e fortalecendo. E quem sou eu para ficar duvidando ou fazendo pouco caso da experimentação alheia do Sagrado? SImplesmente respeito e procuro apoiar a pessoa a compreender sua situação sob um amplo ponto de vista.

      Mas vamos ao restante do que escreveu. Concordo que muitas vezes é preferível alguém procurar o apoio de uma clínica do governo do que em centros de recuperação de várias igrejas ou ONGs onde a estrutura é deficiente. Só que, tendo em vista a falta de vagas, só o fato de um dependente em situação extrema conseguir ir pra um abrido onde terá o apoio de pessoas, mesmo dormindo no chão, já será bem significativo.

      Talvez muitos locais nem devam ser chamados de centro de recuperação, mas sim de casas de apoio. E, sendo assim, uma casa de apoio, onde não há a estrutura mínima de um centro de recuperação, pode tranquilamente abrigar pessoas antes de elas serem encaminhadas para tratamento em outro lugar já que nem sempre existem vagas nas instituições oficiais.

      Não concorda comigo?

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    3. Em genero, numero e grau! Perfeito seu comentário! É assim que penso: NÃO DEVERIAM SER FECHADOS E SUA IDEIA DE CHAMAR DE CASAS DE APOIO É PERFEITA!

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  36. Obrigado Edu, cara, estou feliz com o número de comentários (60 até agora e ainda estamos no 1° dia de debates)!

    Edu, Quanto a sua pergunta: Instituições com todas as dificuldades que você aponta poderiam ser fonte de desvio de verba para pastor?

    Minha resposta é seca: SIM! O dinheiro mesmo sendo pouco, é dividido em geral com as 3 principais cabeças. Quando fui convidado a participar do esquema, revoltado, sai da instituição e sei como funciona a malha em algumas outras. Sim existem boas instituições sim Edu, mas em sua maioria são muito caras e também existem pessoas de boa vontade e sinceras, mas que não tem dinheiro e nem o suporte necessários.

    Sim, poderíamos falar sim do que leva a pessoa à dependência.

    O Levi é psicanalista né? penso que a participação dele seria vital!

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  37. And,

    ainda não tinha lido os comentários e agora li sua resposta ao Gil sobre as causas de alguém entrar nessa furada das drogas. Quero fazer algumas observações:

    Então, na esmagadora maioria dos casos em centros de recuperação, que em sua maioria é vinculado a uma instituição religiosa, tendem a espiritualizar a causa...

    Entendo o que você quer dizer, mas vejo que que uma das principais causas de alguém entrar nas drogas é um problema "do espírito" - ou seja, um problema existencial, como você também concorda:

    Mas em geral, problemas familiares, curiosidade e a vontade de fugir ou de gritar por socorro, são as causas prováveis (digo com certeza) do indivíduo "experimentar"

    E quando uma pessoa em crise existencial já tem a predisposição física, como você também destaca, aí a coisa complica bastante.

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  38. Anda,

    O que você nos diz é de fato, uma vergonha. Esses "pastores" mereciam ir para a cadeia.

    E o Levi é ginecologista...pois é, mas é um gineco que que sabe tudo sobre Freud...kkkkkkkkkeeee

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    1. Sim Edu! é uma vergonha e merecem cadeia!

      Fala sério! rsrs o Levi é ginecologista? pensei que fosse mesmo psicanalista! rsrs mas mesmo assim é importante ele estar presente neste debate, ainda mais sabendo tudo sobre Freud. rsrsrs

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  39. Gil, eu não me recuperei em centros, apesar de ter me internado em dois e trabalhado em mais alguns, mas minha recuperação se deu mesmo no individual. Eu vi que jamais iria me recuperar plenamente estando num centro de recuperação, procurei tratamento médico (psiquiatra, psicólogo, terapeuta) e muita força de vontade, e o principal, o apoio incondicional de minha família. Os olhos de meu filho me olhando e chorando, fizeram a diferença!

    Gil, o que fazer com um dependente? Que atitude tomar?

    1° demostrar preocupação e amor (é difícil, eu sei, mas necessário) minha esposa por muitas vezes perdeu a cabeça comigo, mas nunca me abandonou e quando eu estava "são", sempre dizia que me amava e não queria me ver morrer e meu filhos crescer sem pai!


    2° não obrigar a se internar, mas tentar mostra-lo que ele precisa de tratamento, em casos extremos, onde a risco de morte (se bem que sempre há este risco, mas qnd o risco é iminente), ou o dependente é muito agressivo, pode-se interdita-lo e o juiz irá determinar sua internação, mas deve-se lembrar que mesmo nestes casos, não pode em hipótese alguma deixa-lo em situação de abandono. Visitas, diálogo... são fundamentais.

    Deve (importante) haver uma terapia (com psicólogos) individual e familiar.

    Gil, Edu, Doni, e Rodrigo, estou feliz demais com os comentários e, não se privem, podem perguntar o que quiserem, tentarei responder a todos, mesmo ainda o assunto não me trazendo boas recordações, mas necessárias para que eu sempre me lebre que quanto mais valor der a minha familia, nunca será o suficiente!

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    1. Mas vale lembrar Gil que eu sou militar e tenho convenio médico, o que facilitou (mas mesmo assim custou muito caro), e s´~o pra constar, eu ainda tomo anti-depressivos e faço acompanhamento psicológico! Talvez não possa parar tão cedo.

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  40. O problema deixa de ser existencial quando se torna um vício Edu, aí já é físico. Não tem mais jeito. Como eu disse acima, até hoje mantenho meu tratamento (claro que é mais preventivo), mas a vigilância é constante.

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  41. Flor .

    também te dou as boas-vindas nos debates desta Confraria.

    Eu sou o "pastor-que-não-e-pastor" deste recanto de pensadores. Não caia na brincadeira do Anderson, isto aqui está longe de ser uma igreja...rssss

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  42. Anja

    Eu estou gostando demais desta confraria que está onge de ser uma igreja como bem disse o Edu nosso chefe mor.

    Se ficássemos aqui discutindo só teologia ( eu gosto muito ) já estaríamos institucionalizando esta confraria, ou seja, estávamos trazendo a cultura do templo para cá só mudamos o endereço da igreja.

    É um espaço de busca de conhecimento encontro com Deus, comigo e com vocês meus queridos confrades.

    Se não bastasse tudo isso estamos tendo aulas de cidadania! Mostrando que não somos tapados e fechados em um único assunto!

    Por exemplo que quem aqui não conhece alguém próximo que carrega o peso de ser um dependente químico ou ter algum dependente químico na família?

    Eu por exemplo descobri que a religião ( meu cunhado era um baita líder religioso) não foi suficiente para libertar ou afastá-lo da bebida. Ele voltou a beber nas reuniões de conselho da paróquia o padre servia vinho e cachaça no final da reunião.

    A igreja foi a primeira a acusá-lo que estava escandalizando a palavra com seu contra testemunho.

    Por isso eu quis enfatizar que a dependência é uma doença!

    Pode não ser teologia o assunto, mas veja que a partir de uma constatação dos Orgãos da saúde muda totalmente um ponto de vista! Para muitos da igreja o bêbado era um pecador! Hoje ele é um doente que precisa de ajuda!

    Então anja aplausos pelos dois temas aqui colocados como fundo a cidadania!

    Isso aqui se chama teologia social ou doutrina social!

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  43. Gil, acredito que todos estamos gostando, aprendendo e crescendo muito.

    Mas gostaria de fazer uma pergunta a todos, mas direciona-la mais especificamente ao And:

    Já que vc sugere que não se procure tais clínicas ou centros, o que vc sugere então? que se feche todas? Onde buscar ajuda se o governo oferece tão poucas vagas? Eis a questão...

    (nem a voce eu poupo viu my lord) rsrs

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  44. and uma dúvida você não presta ajuda a uma clínica?

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    1. Eitaaaaaaaaa a anja ta querendo por fogo no trem né? e vc Gil? rsrs

      gostei demais da pergunta e gostaria de saber do Gil e da anja se posso deixar pra responde-la mais tarde, pois 1° gostaria de ouvir a opinião dos demais, já que ela dirigiu a pergunta a todos, mas sabiamente (pra me apertar) me pontuou.

      Sim Gil! Presto serviços voluntários num centro de recuperação, não como monitor, mas como orientador junto ao dependente e sua família.

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  45. Confrades agradeço a solidariedade neste momento de dor. Obrigada Gil por avisar a confraria que a minha mãe faleceu. Graças a Deus que as mensagens vindas de várias partes do Brasil e exterior, trouxeram conteúdos realmente confortantes. Minha mãe descansou, depois de sofrimentos não só pertinentes a diabete, mas muito mais pelo descaso do governo pela saúde pública. Justiça, precisamos justiça urgente!


    Flor, mais uma mulher neste pedaço, muito boa a novidade. Bem vinda querida e que possamos aprender juntos.

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    1. Guiomar querida, meus sentimentos pela perda!

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    2. ola gui meus sentimentos... estamos sentindo sua falta este tema tem tudo a ver com você!!!

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    3. Meus pêsames, amiga!

      Que Deus te traga conforto neste momento e supra sua perda.

      Creio que sua mãe está muito bem agora nos braços do Pai.

      Abraços.

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  46. Bom, deixa eu responder de uma vez:

    Não penso (e nem quero) que sejam fechadas as comunidades terapêuticas, o que tem de ter é uma fiscalização maior e a família participar mais intensamente do período de permanência do interno.

    Eu procuro sempre aconselhar a família e ao próprio interno, dizendo que ele não irá sair recuperado do centro e que a família deve procurar (ainda quando o parente está internado), uma clinica ou centro com melhor estrutura (preferencialmente do governo) eu sempre recomendo o CAPSad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), que está sendo implantado em todo o território nacional. Mas sei que ainda não chegou a todos os lugares e acredito que haja uma necessidade maior nas regiões norte e nordeste, mas como eu disse: quem não tem cão, vai caçar com o gato. As comunidades terapêuticas, como eu sempre digo as famílias e aos internos, só os manterão afastado do vício por um pequeno período de tempo. A sinceridade é fundamental nestes casos. Claro que as comunidades onde os diretores tem interesses escusos, vão dizer que oferecem todo o arcabouço necessário, mas basta a família estar acompanhando o tratamento e ouvir o dependente (que sei que mente muito, mas deve ser ouvido, pois muitas vezes o interesse na recuperação não é só da família, mas também do próprio dependente, que tem a exata noção de sua situação). Então por mais que a clinica diga que o interno está mentindo sobre os procedimentos terapêuticos, a família deve pedir para ver os relatórios dos (inexistentes) profissionais de saúde (psicólogos, psiquiatras e terapeutas) pronto! A mentira irá cair por terra! Mas infelizmente a maioria das famílias não tem acesso as informações e o povo brasileiro não sabe de seus direitos. Neste caso, penso que um comentário do Rodrigo seria de grande valia. Meu caro, passo a palavra pra vc, mas antes deixa eu passar o telefone e o site onde eu recomendo procurar ajuda:

    0800 510 0015 projeto viva voz da secretaria nacional antidrogas – SENAD

    www.enfrenteocrack.org.br para ter acesso a lista de atendimento em todo o país.

    Bem é isto!


    Estou sentindo a falta de alguns confrades, será porque?

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  47. Gil,

    que bom que você está a vontade aqui no nosso meio, estou muito feliz de tê-lo aqui enriquecendo nossas conversas, assim como a Anja e o End.

    De fato, a GUI tem muito a dizer sobre o tema, já que ela trabalha a tempos com drogados e outros "marginais".

    A resposta do End foi pertinente. Não se deve fechar os centros, e sim, fiscalizá-los.

    Se é prá provocar, vamos provocar.

    O Malafaia gosto de dizer que não existe nenhuma outra instituição que recupere tanta gente com vícios do que a igreja evangélica. E eu vou ter que concordar com ele...

    Quase Todos nós aqui, egressos que somos do sistema evangélico, já viu muita gente se converter e largar o vício do cigarro, da bebida, de drogas, etc. Eu mesmo conheci muitos nesse anos de caminhada.

    Pena mesmo é que depois de se livrar de muitos vícios, o converso acaba por adquirir outros vícios religiosos também maléficos.

    Pelo menos a saúde física melhora, mas a saúde de uma mente aberta a questionamentos teológicos e dogmáticos fica enferma...

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  48. And, lamentavelmente preciso concordar com você quanto a condição de muitos centros de recuperação. Mas tenho uma boa notícia pra você, existem inúmeros centros trabalhando com estruturas bem mais decentes. rsrs
    Trabalhei em vários centros, tanto como missionária e como diretora e conheci também centros espalhados pelo Brasil. Na sua maioria, estão neste triste contexto que você descreveu. No entanto, Gil gostaria de lembrar a você que existe um fator determinante para a recuperação de um adito: ELE TEM QUE ESTÁ CONSCIENTE DO QUE ESTÁ VIVENDO E ESTAR DETERMINADO A RECUPERAR.

    Lembro-me de entrar em um dos centros, uma psicológa que trabalhava em um órgão do governo, cair no sofa e numa crise de desespero me perguntar: diga-me, como vocês, sem psicológos, sem psiquiatras, conseguem um número tão expressivo de pessoas recuperadas, enquanto nós com a nossa estrutura, não temos tanto êxito? A minha resposta foi curta: DEUS, fé!

    And, a fé em Deus não dispensa a responsabilidade de cada pessoa para com a sua vida, e com relação aos seus atos.

    Outro dia falei com um viciado que foi a minha casa "buscar ajuda" e criticar a igreja; que independente de religião, de igreja, ele tinha que olhar para o que ele estava fazendo com a sua própria vida, e com os seus familiares e ter determinação para mudar, ou que se quisesse afundar, que o fizesse sem destruir o seu lar. Disse-lhe que eu estaria disposta a judá-lo, quando realmente ele o desejasse, independente de igreja.
    Digo-lhe no entanto, And a minha ajuda estará na dependência de Deus e da minha fé nEle.
    Porque, assim como tão bem vem colocando o Rodrigão, o problema das drogas também é espiritual.

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    1. Não Gui, o problema com as drogas não é e nem nunca foi espiritual porque isto não existe querida! E insisto em dizer que centros (como os que eu citei) e vc com certeza conhece, não recuperam a ninguém.

      Quem quer ajudar a um dependente, deve em 1° lugar fornecer a ele e a família o telefone e o site que postei no comentário acima.

      Gui, infelizmente queria eu poder concordar com vc, mas não posso, minha lógica não me deixa fazer isto! Não sei o que vc chama de "recuperado", eu tenho uma definição bem diferente das que os tais centros dizem a respeito, infelizmente. E digo mais, se eu não tivesse buscado ajuda profissional, hoje com certeza, não mais estaria aqui. Fé em deus não recupera a ninguém.

      Mas claro que devemos levar em consideração o grau de dependência individual de cada um, coisas que não é feita nas comunidades terapêuticas, pois tratam a todos no coletivo e como vc mesmo acaba de dizer, um problema de cunho espiritual, coisa que é óbvio, não é! De espiritual, penso que não tem nada, aliás, tenho certeza!

      Falar que um dependente se recurou com 6 ou oito meses de internação numa comunidade terapêutica sem estrutura e acompanhamento profissional, é insano e irresponsável!

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  49. And você afirma: " As comunidades terapêuticas, como eu sempre digo as famílias e aos internos, só os manterão afastado do vício por um pequeno período de tempo. A sinceridade é fundamental nestes casos"

    Sou forçada a discordar de você quando você é abrangente. Com certeza, você teria que gastar muito tempo, para uma estatística que lhe apontaria o número de pessoas recuperadas e reintegradas a sociedade, através desses centros, mesmo em lastimavel estrutura.

    Em todos os segmentos, existem mercenários, lucradores, falcatruas. Fui almoçar aqui em Recife, em uma ONG voltada para portadores de HIV, fiquei revoltada com a história que ouvi sobre o presidente da mesma. A casa estava em estado péssimo, a carência se percebia em todos os setores. Segundo ouvimos, aquele sujeito se beneficia com o pouco que se consegue para aliviar o sofrimento da classe.

    O mundo está podre And, não foi por isto que Jesus nos pediu para que fossemos sal?

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    1. Guio, infelizmente minha experiencia me dá o arcabouço necessário pra tal afirmação.

      Infelizmente...

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    2. Na minha opinião, 60 a 90 dia de internação numa comunidade terapêutica qualquer para em 1° haver um distanciamento imediato das drogas e/ou bebidas e com o tratamento no CAPSad (que é sério e não é levado apenas para o âmbito espiritual), consegue-se um bom resultado! Para dizer que uma pessoa está plenamente recuperada são necessários no mínimo 5 anos de abstinência, com 10 anos podemos enfim dizer que o tratamento foi um sucesso! Mas reafirmo que isto depende do grau de dependência de cada um. O crack e a cocaína, provocam danos irreversíveis ao cérebro e todo o sistema nervoso central (como por exemplo levar o nosso organismo a parar de produzir endorfina, que na minha opinião é uma das piores consequências, pois se uma pessoa não é mais capaz de produzir endorfina, terá que tomar antidepressivos que induzem a produção da mesma para o resto da vida).

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    3. Gui, lamentavelmente tenho que concordar com vc: o mundo está podre! E ainda fica pior quando os que (supostamente) tem que fazer a diferença, não fazem!

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  50. Edu, Gil e Guio, eu trago comigo, ou melhor, trazia um sentimento de derrota imenso por ver repetidas vezes as mesmas caras retornando aos centros por onde andei! Por isto resolvi ir um pouco mais fundo e mudar minha estratégia em relação a postura a ser tomada pelo dependente e até mesmo de sua família. Se tenho alcançado sucesso? Não sei, o tempo ainda é curto pra que eu afirme tal coisa e como não sou nada "espiritual", tenho os meus pés no chão, mas penso que os frutos virão, mas eu não os quero colher, quem precisa colher estes frutos é a própria pessoa e seus familiares.

    Roubo agora pra mim o jargão do Gondim: Soli Deo Gloria

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  51. And e gui as casas que conheço ou clínicas elas dizem que o dependente precisa de 9 meses no mínimo para a pessoas ter força e reagir. Por que eu ouço dizer aqui 30 a 90 dias?

    Outra coisa eu acho este trabalho de recuperação ao dependente formidável, pois como o And disse é comum ver as pessoas voltarem ao uso da droga.

    And e Gui outra coisa que eu não entendo: Por que para o dependente toda mundo que bebe é um dependente? Nem que seja como meu caso que se bebo 12 latas de cerveja ao ano é um recorde. Meus amigos e parentes dizem que sou evanpelico rsrsrsr

    Eu por exemplo não posso pregar na Comunidade do meu cunhado porque bebo! Não acho ruim! Apenas não entendo esta diferença entre o dependente e o que bebe de vem quando. Seria o fato de que nunca eu sei se um dia posso perder o controle?

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    1. Gil penso que vc ainda não entendeu o que estou dizendo ou o que eu disse!VOU POR EM CAIXA ALTA EU DISSE QUE NENHUMA COMUNIDADE TERAPÊUTICA RECUPERA A NINGUÉM E QUE DEVE-SE PROCURAR AUXÍLIO PROFISSIONAL, POIS SÓ ESTES SABEM O QUE DE FATO O DEPENDENTE PRECISA. Eu recomendo o CAPSad (Veja nos comentários acima o telefone e o site) O PERÍODO QUE CITEI de internação nas comunidades terapêuticas serve apenas para que a família busque para o dependente o tratamento no CAPSad e assim que conseguir, deve-se imediatamente retirar a pessoa do internato e passar para um tratamento real e sério, que leva anos e não meses como se diz nas comunidades terapeuticas! Pra que haja uma menção de que a pessoa está se recuperando de fato, são necessários no mínimo 18 meses de tratamento intensivo e 24 de abstinência! Mas como disse antes, uma pessoa só pode ser considerada RECUPERADA após no mínimo 5 anos de abstinencia e com 10 anos de abstinencia, podemos enfim comemorar a recuperação plena!

      Quanto a dizer que todo mundo q bebe é dependente (mesmo como no seu caso), é a tática usada pra inserir (como numa lavagem cerebral) na cabeça do dependente que ele tem que se manter pra sempre longe da bebida, e isto é ruim poius ele passa a tratar como dependente ou viciado, seus parentes que não são. É o tal de espiritualizar a coisa, algo que considero um mal quase que igual a droga (a espiritualização)

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    2. Gil, ou vc não está acompanhando a todos meus comentários ou não está entendendo! rsrsrs como eu seria louco de dizer que não se recupera ninguém em centros d erecuperação e logo em seguida falar que com 60 a 90 dias internado nos mesmos centros, estaria recuperado? rsrsrs O LOKO MEU como diz o faustão! rsrs

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    3. Se a família conseguir o tratamento no CAPSad com 20 dias, ou 30,ou até antes, deve-se começar logo o tratamento e retirar o ente o mais rápido possível da comunidade, ainda mais se for paga, porque além de não recuperar, esta jogando dinheiro fora! Mas penso que é importante um mínimo de permanência sim (15,20,30 ou mais dias até que se consiga o tratamento no CAPSad, mas assim que se consegue o tratamento, não mais é necessário perder tempo com comunidades terapêuticas com paliativos que não irão ajudar em nada ou quase nada) ), pois ele estará afastado da bebida e droga e isolado para um período de introspecção, a sós com ele mesmo (rsrs).

      Cruel, dura e pessimista minha visão? Sim, mas é a realidade!

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    4. Acho que ficou meio confuso. mas deixa eu esclarecer: o internato nas comunidades a meu ver são apenas paliativos e servem para um período de reflexão introspecção e uma desintoxicação e afastamento emergencial das drogas e/ou bebidas, mas deve se procurar um tratamento sério o quanto antes! Se conseguir com 10 dias, ótimo!

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    5. O LOKO MEU! Você está parecendo o faustão chamando a atenção da turma que trabalha com ele kkkk

      Desculpe a falha ai!!!!

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    6. Vc espantou ela se dizendo semi ateu kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    7. rsrs Tranquilo meu mano! estamos juntos sô!

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    8. kkkk será q espantei? rsrs espantei nada sô! rsrs

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    9. kk eu to tranquilo! Acho que ela vai só nos acompanhar de vez em quando! Sei lá eu a conheci por aqui também!

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    10. Hummm pensei que fosse vc que tinha apresentado a confraria a ela e ela fosse sua amiga. Legal. Espero que ela volte sempre, né mesmo? quanto mais gente boua aaqui melhor!

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  52. Caro Anderson


    Rapaz, esse título de psicanalista, foi me dado indevidamente aqui na Confraria. Acho, que devido ao fato de ser um apaixonado pela psicanálise, e a minha obsessão por querer explicar tudo dentro desse campo do saber. (rsrs)

    Realmente, há uns vinte anos, venho devorando livros de psicanálise, de autores, como Freud, Jung, Eric Fromm, Lacan, Joel Birman, Renato Mezan, entre outros. Entendo que a fonte principal onde esses autores bebem, continua sendo a Bíblia. Lógico, que esta ciência não poderia deixar de vir de um judeu (rsrs) – Freud, e de um filho de Pastor protestante – Jung.

    As minhas muitas leituras de psicanálise me fizeram ver que somos portadores de afetos paradoxais ou ambivalentes, e que isto foi primeiramente vivenciado em nossa tenra infância. De lá para cá tudo é REPETIÇÃO. “Nada há de novo” – já dizia o filósofo e rei Salomão. (rsrs)

    O tempo todo, em nossos diálogos, estamos exercendo mecanismos de defesas psíquicas. Entre eles, os mais comuns são as projeções e as racionalizações.

    Devíamos mais nos estudar sobre o “por quê” de sermos hostis às instituições. Mas o certo é que não temos lembranças de muitos fatos ocorridos nos quatro primeiros anos de vida, talvez, porque conteúdos escondidos ou reprimidos nessa época de formação da personalidade, nos desestabilizem, se forem revelados.

    Amor, frustração, ódio, angústia, solidão, tudo enfim teve uma primeira vez. Pela vida afora, esses sentimentos que nos marcaram, emitem ressonâncias, sob a forma de mal estar, de agressividade, de rejeição a não sujeição. Esses sentimentos, esse ÔMEGA, sobre os quais tanto nos debruçamos para compreendê-los é o mesmo ALPHA do início de nossas vidas. A psicanálise está dizendo que o sujeito do inconsciente é Alfa e o Ômega (o começo e o fim).


    SOBRE a SAÚDE.


    O espírito mercantilista, infelizmente, tem feito do doente um objeto. Através do SUS, o conceito de produtividade em saúde foi institucionalizado. O SUS optou pela quantidade em detrimento da qualidade.

    Há mais ou menos 6 anos, o diretor do Serviço onde trabalho, chamou-me a atenção para o fato de que estava atendendo um número reduzido de pacientes, enquanto que outros colegas estavam produzindo muito mais. É que eu estava levando duas horas para atender 12 doentes, e isto, estava gerando prejuízo para o Sistema de Saúde, que em média permite 5 ou 6 minutos de duração da consulta com cada paciente, para atingir a meta estabelecida de produtividade.

    É triste constatar que grande parte dos profissionais de saúde tem se rendido a esse sistema perverso de ganho por produtividade. De um parto normal que vale 110,00, o obstetra recebe 70% desse valor; uma cesárea vale 35,00 e o profissional percebe 70% desse valor. Se o número de cesáreas ultrapassar o determinado no mês, o obstetra não recebe nada.

    No “Ensaios e Prosas”, em agosto de 2008, eu postei um caso que aconteceu comigo em seminário médico, por volta de 1974. Hoje, apesar de a medicina ter evoluído um pouco, casos muito parecidos de autoritarismo ainda vicejam nos Serviços de Saúde Pública.

    O Link está aí, para quem quiser conferir:

    http://www.levibronze.blogspot.com.br/2008/08/no-estava-acostumado-falar-para-uma.html

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    1. Beleza Levi, faço questão de ler. Grato por sua ressonância meu caro.

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    2. OPS:

      Onde está escrito “por volta de 1974”, LEIA-SE: por volta de 1986

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    3. Concordo contigo, Levi.

      Porém, tenho aquela permanente desconfiança do conspiracionismo praticado pelos gestores do SUS para que a rede pública funcione insatisfatoriamente afim de que os pacientes procurem os planos de saúde Nessa área de recuperação de alcoólatras e drogados talvez a máfia de branco tenha menos poder do que em outras áreas, mas é bem provável que ela exista. Principalmente quando temos instituições privadas recebendo dinheiro público...

      Seja como for, acho que estamos todos de acordo que para o Estado oferecer um serviço de saúde decente é preciso investir muito mais dinheiro e ter vontade política.

      Abraços.

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  53. Edu nosso chefe mor...

    Eu sei que estou meio adiantado como sempre, ams este final de sema de sexta a domingo estarei em retiro e portanto acho que não seria legal postar algo já que não estarei debatendo.

    Então se quiser me pular por favor fique a vontade. Só estou avisando agora para que o próximo que é o Noreda (cadê ele?) possa estar preparando algo.

    Se o Noreda não aparece aqui eu prefiro convidar a flor kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Brincadeirinha já levei um pito do and....

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    1. kkkkkkkk para Gil, que pito? olha eu repetindo: O LOKO MEU! De forma alguma! rsrs é que estou sentindo a falta dela. tive a impressão que ela estaria intensamente presente nos comentários, o que seria muito bom! Edu, dá uma olhada no blog da menina, a anja me disse que é bem interessante, mas eu mesmo ainda não olhei! rsrsrs mas vou olhar!

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  54. Eu gostaria ainda de questionar mais um pouco...

    Certa vez Madre Teresa de Calcutá disse:

    "Nós não somos assistentes sociais. Os operadores sociais agem por um projeto; nós agimos por alguém".

    O que eu vejo é que os profissionais da área social ou saúde neste meio em que atuamos que o acolhimento às pessoas é que eles trabalham com relatórios, resultados e tempo mínimo máximo de acompanhamento. São didáticos e muitas vezes mais presos a Números e dados do que resultados propriamente ditos.

    Eu gosto de falar que nossos trabalho neste meio social não é uma tarefa de agentes sociais e sim de irmãos e irmãs. Que as pessoas que nós acolhemos não são pobres, assistidos e sim amigos. Pessoas que precisamos amar. Eu não consigo pensar em um trabalho de acolhimento se não for um envolvimento de compaixão, ou seja, sofrer junto ou com aquela pessoa.

    Sei que isto pode trazer problemas do tipo envolver-se demais a ponto de prejudicar a própria vida ao misturar problemas seus com os outros. Mas estes são os riscos que quem trabalha nesta área social tem que encarar.

    Como definir que estes profissionais estão realmente comprometidos com a recuperação do paciente?

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    1. Caro Gilberto,

      Eu acrescentaria que o amor fraterno precisa estar presente em todos. Inclusive no profissional.

      Se não tenho especialização técnica para atuar na recuperação de um dependente químico, não posso ser impedido de ajudá-lo. Mas, por outro lado, não posso me arrogar em querer agir como médico ou psicólogo.

      Ainda que a espiritualidade não me pareça algo sugmentado do resto, ela deve ser o mais inclusiva possível. Precisarmos apoiar a pessoa e também encaminhá-la para tratamento profissionalizado.

      Abraços.

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  55. Gil, muito boa sua pergunta e penso que a resposta é difícil demais (eu não faço a menor ideia) pelo meu pouco conhecimento sobre o tema, tenho participado muito pouco deste debate (me limito a cortar cabelos, ensinar receitas, que é o que está ao meu alcance) mas tentando falar um pouco (do que não sei tsrsrs) penso que a pessoa que está envolvida na recuperação de dependentes e diz que com 9 meses consegue resultados satisfatórios (recuperação plena) se não está preocupada apenas com números (que segundo o And são falsos), está no mínimo equivocada quanto a realidade dos fatos!


    Agora uma boa notícia (e nem o And sabe ainda rsrs) dias atrás um dos supervisores do MINAS TENIS CLUBE esteve fazendo compras no mercado onde estou trabalhando e justo neste dia eu estava no caixa, o que não é minha função, mas havia faltado uma funcionária e ele me perguntou se eu gostaria de trabalhar no Minas, e pediu meu celular. Eu nem levei muito a sério, mas dei. Ontem me legaram da empresa terceirizada pára uma entrevista. Hoje eu fui e acabaram de me ligar direto do Minas Tenis confirmando minha vaga e pedindo urgência nos documentos! Uhuuuuu Pastor Edu, será que são os bons ares desta igreja confradiana? rsrsrs

    And, como sei que vc ia tentar me tirar de cabeça para não ir, nem te disse nada e vc vai ficar sabendo se ver por aqui ou quando chegar! kkk


    Bjux

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    1. ?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!!? RSRSRS OKay! vc venceu! rsrs parabéns nega!

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  56. Gil, ta aí uma meta que não quero alcançar (rsrs) 12 latas de cerveja no ano! rsrs

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    1. kkkkkk anja você é uma figura!!!! Parabéns pelo novo emprego!!! Esta confraria do edu traz bençãos!!!! rsrsrsrs Parabéns mesmo!

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  57. Conforme respondi acima ao Anderson e aproveitando as palavras de Madre Tereza ciatdas pelo Gilberto, faço as seguintes considerações através das quais pretendo concluir, por hora, o assunto:

    1. Realmente muitos locais que se denominam "centro de recuperação" não estão dentro dos padrões razoáveis orientados pela legislação.

    2. Mesmo não alcançando o padrão, muitas dessas casas mantidas por ONGs ou igrejas prestam um serviço socialmente relevante tendo em vista a falta de vagas para tratamento em instituições da rede pública de saúde ou conveniadas ao SUS.

    3. Caso vários locais venham a perder o status de centro de recuperação, devem continuar sendo vistos ao menos como casas de apoio.

    4. Proibir o início de uma atividade de apoio aos drogados por falta de estrutura básica seria inconcebível, uma verdadeira perseguição à caridade (aqui no Rio, pasmem, o prefeito Eduardo Paes proibiu a distribuição do sopão aos pobres na rua).

    5. Uma alternativa ao problema seria haver um programa de capacitação dos centros de recuperação que estão fora dos padrões exigidos pela ANVS, dando um prazo razoável para a adequação sob pena do local ser desconsiderado como tal e passsar a ser simplesmente uma casa de apoio, pois seria uma decisão mais sábia do que simplesmente o governo ir excluindo.

    É a minha opinião. Respeito quem pense diferente de mim.

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    1. Perfeito Rodrigo we muito obrigado por estar participando intensamente, fico mesmo muito feliz, e concordo 100% com este seu comentário e oi outro que vc me pontuou.

      Obrigado, abraços.

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  58. And,

    Tenho acompanhado e notado o altíssimo nível da discussão que você e os demais confrades (Gil, Rodrigo, e Gui, que demonstraram terem conhecimento de causa) tem promovido em relação ao assunto em pauta. E você tem a conduzido com maestria.

    Este é um assunto que não cabe muito a teorização. Somente pessoas com conhecimento empírico são de fato habilitadas para opinar. A mim cabe ler e aprender com vocês.

    Mas nesses 25 anos de igrejeiro, conheci pessoas que passaram meses internado, seja em clínicas especializadas, ou então nestes centros de apoio subsidiadas pela própria igreja, onde o foco é voltado mais para a espiritualidade. Mas o que percebi, é que, tanto em um, como no outro, a taxa de reincidência é altíssima neste.

    Era bastante comum, ver pessoas, depois de serem tratadas, chegar na igreja testemunhando libertação plena da dependência, de estar vivendo uma nova fase em sua vida, contudo, em pouco tempo sofrer uma nova recaída, entrando assim, a passos largos, na roda viva do vício.

    Grosso modo, seria isso o resultado da ineficiência ou falta de excelência no tratamento dispensado ao paciente, ou existe outros fatores operando juntamente nesta dura realidade que vivem as pessoas que lutam para se libertar?

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    1. Fico feliz e lisonjeado com seu elogio querido!

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    2. Doni,

      Creio que deve-se considerar também a disposição do paciente em querer se tratar. Assim, deve-se observar as dimensões envolvidas para definição do padrão de comprometimento de dependência, con forme é considerado pelo anexo da própria resolução da ANVS em seu item 3, muito embora tudo isso me pareça bem questionável:


      3.1 ADESÃO -

      Grau de resistência ao tratamento de acordo com o comprometimento da pessoa em avaliação.

      3.1.1 Comprometimento Leve:

      Motivação para mudança.

      Consciência da sua situação em relação às SPA e das perdas sócio-econômicas e relacionais.
      Disponibilidade para a mudança no padrão de uso (entrada e manutenção).
      Expectativa favorável ao tratamento.
      Entendimento e aceitação das orientações terapêuticas recebidas.

      3.1.2 Comprometimento Moderado:

      Relativa motivação para mudanças.
      Pouca consciência da sua situação em relação às SPA e das perdas sócio-econômicas e relacionais.
      Relativa disponibilidade para a mudança no padrão de uso;
      Algumas expectativas favoráveis em relação ao tratamento;
      Entendimento e aceitação das orientações terapêuticas recebidas, porém com restrições e questionamentos.

      3.1.3 Comprometimento Grave:

      Ausência de motivação para mudanças;
      Falta de consciência da sua situação em relação à SPA e das perdas sócio-econômicas e relacionais;
      Não disponibilidade para a abstinência;
      Ausência de expectativa ou expectativa desfavorável em relação ao tratamento;
      Não entendimento e/ou aceitação das orientações terapêuticas recebidas.

      3.2 MANUTENÇÃO -

      Grau de resistência à continuidade do tratamento.

      3.2.1 Comprometimento Leve:

      Mantém boa adesão ao tratamento, apesar das oscilações vivenciadas no transcorrer do processo terapêutico.
      Ausência de histórico de abandono de tratamentos anteriores.

      3.2.2 Comprometimento Moderado:

      Mantém relativa adesão com ambivalência na manutenção do tratamento;
      Oscilação na motivação;
      Alguns abandonos de tratamentos anteriores.

      3.2.3 Comprometimento Grave:

      Dificuldades de adesão ao tratamento;
      Várias tentativas anteriores de tratamento específico e abandono dos mesmos;
      Faltas, atrasos, interrupções freqüentes devido a fatores conscientes e/ou inconscientes que geram indisposição quanto às formas terapêuticas propostas.

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    3. Continuando...


      3.3 COMPROMETIMENTO BIOLÓGICO

      3.3.1 Comprometimento Leve:

      A pessoa que se apresenta ao exame sem as alterações provocadas pelo uso de SPA;
      Apresenta-se com algumas alterações de fase aguda provocadas pelo uso recente de SPA, porém todas mostrando intoxicação leve e, conseqüentemente, sintomas leves (Ex.: hipertensão arterial leve, sem arritmias);
      Mantém lucidez, orientação e coerência de idéias e pensamento.

      Refere uso há muitos dias (mais de 10), mas não refere sintomas de abstinência.

      Não apresenta, na história patológica pregressa, qualquer relato de doenças anteriores, ou apresenta apenas relatos de episódios agudos, tratados e sem seqüelas (paciente sempre foi saudável).

      As informações obtidas com a pessoa em avaliação são confirmadas por familiares.

      Os exames laboratoriais mostram-se sem alterações ou com alterações discretas e não patognomônicas de risco de vida e gravidade.

      Na história consegue-se avaliar a quantidade pequena de SPA usada neste último episódio.

      Não apresenta traumatismos, hematomas, lesões cutâneas agudas, nem relato de quedas, agressões ou traumatismo craniano.

      Não se trata de usuário de SPA injetáveis (opióides ou cocaína).

      Não faz uso intenso de qualquer tipo de SPA legal ou ilegal.

      3.3.2 Comprometimento Moderado

      A pessoa apresenta alterações de fase aguda provocada por uso recente de SPA, que denotam ou mesmo já prenunciam sintomas moderados de evolução incerta que possam gerar algum risco (Ex. hipertensão arterial moderada com presença de arritmia).

      Apresenta desorientação e prejuízo na coerência, permanecendo a dúvida se seria ocasionado por uso recente de SPA..

      As informações obtidas com a pessoa são questionáveis, inclusive por familiares.

      Apresenta sintomas que podem ser de síndrome de abstinência, não se sabe quando foi a última vez que utilizou SPA.

      Apresenta na história patológica pregressa relato de uma ou mais patologias crônicas compensadas (co-morbidade) com seqüelas. (Ex.: diabetes, pancreatite).

      Os exames laboratoriais confirmam a gravidade da agressão provocada pela substância química, porém podem não indicar risco de vida imediato (Ex.: alterações no hepatograma: TGO, TGP, GAMA GT elevados, configurando quadro de esteatose hepática).

      Apresenta, na história clínica, traumatismos e quedas. Não há hematomas ou se existem estão localizados nas extremidades.

      Há uso de SPA, mas não há evidências de uso injetável.

      Faz uso moderado de qualquer tipo de SPA legal ou ilegal.

      3.3.3 Comprometimento Grave

      A pessoa apresenta alterações de fase aguda provocada por uso recente de SPA que configuram sintomas de gravidade que geram risco de vida. (Ex.: arritmias cardíacas, dor abdominal em barra, crise convulsiva, anúria ou oligúria, vertigem, hemorragia digestiva).

      Pessoa em coma ou com comprometimento da consciência fora do episódio agudo.

      Uso de quantidades excessivas de substância química podendo configurar tentativa de auto-extermínio.

      Relatos de traumatismos e agressões; presença de hematoma em região tóraco-abdominal e craniana.

      Exames laboratoriais confirmando alterações agudas que colocam em risco a vida e/ou exames que demonstram alterações de grande gravidade, mesmo que crônicas.

      Presença de uma ou mais patologias concomitantes com sinais de descompensação (Ex.: diabetes, hipertensão, alucinações auditivas ou visuais, ...).

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    4. Continuando...

      3.4 COMPROMETIMENTO PSÍQUICO

      3.4.1 Comprometimento Leve:

      Personalidade sintônica, sem sintomas psiquiátricos definidos.
      Sem alterações do pensamento (forma, conteúdo ou curso).
      Sem alterações afetivas evidentes.
      Alterações na área da vontade.

      3.4.2 Comprometimento Moderado:

      Alterações afetivas (labilidade emocional, distimias ou outras).
      Comprometimento da vontade (alterações psiquiátricas observadas após o surgimento dos sintomas específicos para o diagnóstico de dependência química.

      Apresenta desorientação e prejuízo na coerência, permanecendo a dúvida se seria ocasionado por uso recente de SPA.

      3.4.3 Comprometimento Grave:

      Alterações do pensamento e da senso-percepção (idéias sobrevalorizadas, deliróides, delirantes, alucinações auditivas, visuais, cinestésicas, sintomas paranóides agudos com idéias de perseguição e demais alterações, com comprometimento evidente do juízo crítico).

      Alterações afetivas mais graves (depressão, hipomania e mania) e as alterações de pensamento decorrentes destes quadros, como idéias de ruína, de grandeza e outras.

      Graves alterações do controle da vontade, não só em função do uso da SPA bem como devido aos sintomas psiquiátricos (negativismo, transtorno obsessivo-compulsivo, impulsos destrutivos ou outros).

      3.5 COMPROMENTIMENTO SOCIAL, FAMILIAR E LEGAL

      3.5.1 Comprometimento Leve:

      A pessoa em avaliação possui estrutura familiar razoavelmente estabelecida.
      Possui estrutura sócio-econômica estável, podendo prover suas necessidades básicas.
      Possui atividade de trabalho estável e ou carreira escolar preservada.
      Possui boa estrutura de relacionamento social (clubes, igrejas, esportes, associações).
      Não tem envolvimento legal.
      Não tem envolvimento com o narcotráfico ou dívidas de vulto.
      Não tem antecedentes jurídicos e/ou legais relacionados ao uso de SPA.

      3.5.2 Comprometimento Moderado:

      A pessoa possui estrutura familiar com relacionamento comprometido em nível social, econômico e emocional; contudo, ainda se encontram pessoas com vínculo parental ou não, que se envolvem e buscam um tratamento ou ajuda.

      Tem estrutura sócio-econômica muito comprometida, dependendo sempre de outrem para prover suas necessidades básicas.

      Atividade de trabalho ou escolar muito comprometida pelas faltas, baixa produtividade e problemas relacionados ou não ao uso de SPA; demissão ou expulsão (especulada ou prevista) profissional ou escolar.

      Mantém níveis de relacionamento social (amigos, clubes, igrejas, trabalho, etc.), ainda que deles tenha se afastado e separado.
      Tem algum comprometimento jurídico-legal que foi ou poderá ser resolvido, não comprometendo sua liberdade total, embora possa fazê-lo de modo parcial.

      3.5.3 Comprometimento Grave:

      A pessoa apresenta situação familiar desestruturada e comprometida, ou não a tem (ausência de estrutura familiar).

      Ausência de estrutura sócio-econômica, não podendo prover moradia e alimentação.
      Não possui atividade de trabalho ou escolar.

      Não tem vínculos de relacionamento social, a não ser o referenciado na busca e no uso da SPA.

      Tem comprometimento jurídico-legal.

      3.6 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE

      As pessoas em avaliação que apresentarem grau de comprometimento grave no âmbito orgânico e/ou psicológico não são elegíveis para tratamento nestes serviços, devendo ser encaminhados a outras modalidades de atenção.

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    5. Rodrigo, penso ainda que vale ressaltar que em casos graves e de risco iminente à vida, a família pode interditar o ente e requerer a um juiz a obrigatoriedade do ente estar em tratamento e em caso de abandono, CADEIA! Estou certa?

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    6. Oi, Anja. É possível sim pedir a curatela de um dependente químico. E mais! Não conseguindo vagas na rede pública de saúde, também é cabível o ajuizamento de ação em face do Estado e Município para que seja feita a internação e iniciados os procedimentos de desintoxicação, coisa que, como bem sabemos, nem sempre é possível fazer dentro de casa. Tal medida terapêutica, embora seja restritiva da liberdade do indivíduo curatelado, não se confunde com "cadeia". Na prisão temos a aplicação de uma pena. Já com o dependente químico, a finalidade é o seu tratamento.

      Tuto isso é muito triste, mas é a mais pura realidade. Ainda mais quando faltam pessoas para controlar o dependente. Às vezes por falta de disponibilidade de tempo e, em outras, porque o próprio dependente impede. E quem está de fora não faz a mínima ideia da luta que é ter um parente nessa condição. Tem que ter muita fé e amor no coração pela pessoa.

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    7. Em tempo!

      O ideal é conscientizar o próprio dependente que ele deve procurar ajuda.

      Há pessoas que tomam a iniciativa de buscar a internação nima clínica e se tratam.

      Deve-se observar, no entanto, que a curatela nesses casos é provisória e a Justiça exige que se comprove a atual incapacidade do interdito para praticar os atos da vida civil. Do contrário, é indeferido o pedido:


      AGRAVO DE INSTRUMENTO. INTERDIÇÃO. CURATELA PROVISÓRIA. DEPENDENTE QUÍMICO. Inexistindo, nos autos, prova cabal da incapacidade do interditando - em tratamento decorrente de drogadição - para os atos da vida civil, correta a decisão que indeferiu a curatela provisória. Agravo desprovido, de plano. (Agravo de Instrumento Nº 70043297464, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Luís Dall'Agnol, Julgado em 14/06/2011)


      Já o dever de internação pelo Poder Público é reconhecido também judicialmente:


      APELAÇÕES CÍVEIS. DIREITO À VIDA E À SAÚDE. INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA COMPULSÓRIA. SOLIDARIEDADE ENTRE OS ENTES PÚBLICOS. Ausência de nulidade por falta de citação. Ação movida pela genitora do dependente químico contra o Estado e o Município de Gravataí, os quais foram regularmente citados. Ação de internação compulsória que não se confunde com ação de interdição, sendo desnecessária a nomeação de curador. É dever dos entes públicos promover, solidariamente, o atendimento à saúde, nos termos do art. 196, da Constituição Federal. Havendo comprovação da necessidade da internação para tratamento da dependência química, bem como demonstrada a impossibilidade da família em custeá-la, impõe-se o julgamento de procedência do pedido. Descabe condenar o Município a pagar honorários ao FADEP, já que o custeio do serviço público prestado pela Defensoria Pública é ônus do Estado. PRELIMINAR REJEITADA. APELAÇÃO DO MUNICÍPIO PARCIALMENTE PROVIDA. APELAÇÃO DO ESTADO DESPROVIDA. (Apelação Cível Nº 70043404987, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: André Luiz Planella Villarinho, Julgado em 24/08/2011)

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    8. Hummm entendi, mas Rodrigo, deixa lhe perguntar, se por acaso o indivíduo curatelado abandonar o tratamento ele não é preso e forçado a retomar o tratamento?

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  59. ERRATA

    Mas nesses 25 anos de igrejeiro, conheci pessoas que passaram meses internado, seja em clínicas especializadas, ou então nestes centros de apoio subsidiadas pela própria igreja, onde o foco é voltado mais para a espiritualidade. Mas o que percebi, é que, tanto em um, como no outro, A TAXA DE REINCIDÊNCIA É ALTÍSSIMA.

    Não sei de onde surgiu o "neste" rsrs

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  60. Muito boa sua pergunta Doni!

    Como disse, para considerarmos uma pessoa praticamente livre do vício é necessário no mínimo 5 anos de abstinência e ainda mais cinco anos para que enfim a pessoa possa ela mesmo, comemorar sua libertação (não estou espiritualizando a coisa viu? mas a libertação do vício) e ainda assim é necessário uma certa vigilância (da própria pessoa, que agora, se conhece melhor e é capaz de identificar um possível risco de recaídas).

    O que resulta em tantas recaídas são a ineficiência de um tratamento inadequado e ainda o descuido do próprio paciente (quando este faz um tratamento numa clínica ou centro de fato especializado). Os profissionais e especialistas são taxativos ao dizer que é necessário uma vigilância extrema e um excessivo cuidado, pois, as chances de uma recaída é constante (principalmente nos 2 primeiros anos de tratamento).

    O que acontece com quem está se tratando numa clínica especializada? (vamos a esta primeiro), o sucesso do tratamento faz com que o paciente adquira uma confiança em sua situação (agora um pouco mais confortável) e enganosamente, este se sente livre para (por exemplo), tomar um copo de cerveja numa festa de aniversário (a bebida é uma das mais difíceis de tratar, só perdendo para usuários de muitos anos de crack, mas eu pessoalmente, ainda penso que a bebida ainda é pior que o crack, pois é "legalizada" e em qualquer birosca, vc acha bebida), pois bem, ele após beber um copo, terá jogado anos de tratamento pelo ralo, pois só irá conseguir para de beber após alguns dias de bebedeira ou quando acabar o dinheiro! O mesmo acontece com a droga; a pessoa sentindo-se segura (e seu vício sendo droga ilegal), resolve beber um pouco, e mais um pouco e pronto! a vontade de usar a droga bate com força, e nesta estou falando por mim mesmo (experiencia própria), como a pessoa já bebeu um pouco, perde a capacidade de raciocínio e acaba tendo uma recaída! Eu já fiquei por uma semana sem voltar pra casa após uma recaída e foi preciso de uma viatura do exercito entrar na favela pra me buscar.

    E o que acontece com quem se trata num centro de recuperação onde é falado que seu problema é de cunho espiritual e tome bíblia, jejum e oração, mas tratamento que é bom mesmo, nada! Pois bem, com a inexistência (e não ineficiência) de um tratamento adequado, o risco de uma recaída é de 99,8% (sendo que numa clínica especializada este índice cai bastante, mas mesmo assim o índice é altíssimo) e a espiritualização da coisa e o desejo de ver as pessoas recuperadas, cria uma falsa expectativa quando se vê uma pessoa afastada da bebida e/ou droga por seis meses ou um ano e estando bem e testemunhando (pois de fato a pessoa se sente liberta, pois, estar longe do vício por algum tempo, tem-se mesmo esta sensação) comemora-se duas coisas que não aconteceram: O TRATAMENTO E A CURA!

    Outros fatores que eu poderia aliar, são exatamente fatores externos, como estar nas ruas de novo, rever velhas amizades, e até fatores internos (como problemas familiares, decepções e desilusões) O limiar (isto comprovado cientificamente) de um dependente químico em saber lidar com perdas e contratempos é baixíssimo, isto devido ao uso contínuo de substâncias psicoativas,.

    Doni, espero ter respondido a contento, mas se não, por favor, pode perguntar mais sobre algo que não tenha ficado tão claro, ok?

    Abraços mano, e parabéns pelo seu blog, muito bom!

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  61. Gil,

    eu não sei por onde anda o Noreda e nem sei se ele vai aparecer para postar. Qualquer coisa o nosso ateu Mirandinha(Altamirando) poderia postar. Senão, seguirá o próximo na listagem. Vamos ver. Pena que estará ausente esses dias.

    Dei uma olhada no blog da FLOR e achei interessante. Quem sabe daqui há uns dias ela não se incorpora à nossa confraria?

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  62. Perfeita suas repostas And!

    Acompanho de perto a triste situação de uma rapaz que luta desesperadamente contra o vício do álcool. Casado com uma esposa compreensiva e cheia de vida, pai de um lindo casal de filhos, bem empregado, ou seja: sem nenhum motivo aparente para se entregar de tal forma, a não ser o vício em si.

    Já se internou diversas vezes, Mas sempre acaba tendo recaídas. O drama maior rola em momentos de crise, quando em prantos se rende de joelhos na igreja, numa clara e sincera demonstração de pesar, por ter de novo fracassado na sua luta contra o vício.

    Imagine, a pessoa convive com a angústia de viver constantemente desapontando as pessoas que mais ama. Humanamente, não temos como mensurar o turbilhão que invade sua alma nos momentos em que cai em si. Sua vontade de vencer contrastada com o sentimento de impotência ante o vício, associada às experiências de frustrações por ter em diversas vezes cruzado a fronteira da liberdade para de novo retroceder.

    Soma-se a tudo isso seu angustiante desconforto gerado pelo sentimento de estar causando com suas atitudes, a desaprovação de Deus e a terrível expectativa de um inexorável castigo... É amigo, só nos resta ter compaixão mesmo!

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    1. Verdade Doni! O sentimento de derrota e incapacidade de lutar contra o vício e ainda a frustração de não atender as expectativas das pessoas que nos amam e que amamos, é uma das que uma pessoa pode passar. É muito complicada a situação, e vc disse tudo, só mesmo compaixão.

      Abraços meu querido.

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  63. Você disse bem Rodrigo.

    São itens bastantes questionáveis. Pois existem casos onde o que não falta é comprometimento, força de vontade, desejo de vencer etc...

    Mas e quando se constata que a somatória de todos estes itens não foram suficientes para a eficácia do tratamento?

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  64. Anderson, estive ontem aqui e li seu texto mas não consegui carregar meu comentário. Bem, queria dizer que seu texto trata de um assunto muito sério. Gostei de sua abordagem.Estou atrasada para falar qualquer coisa. Vou tentar ler o que foi dito nos 135 comentários.rsrs...
    Um grande abraço. Não foi descaso,viu? Trabalhei ontem o dia todo e hj tb.
    Fica com Deus

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    1. Mari querida, senti mesmo sua falta! Mas sei que não foi descaso querida, e não está atrasada não sô! rsrs deixa sua opinião depois.

      Abraços

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    2. Confrades e And. And, você afirmou: "Falar que um dependente se recurou com 6 ou oito meses de internação numa comunidade terapêutica sem estrutura e acompanhamento profissional, é insano e irresponsável!"

      Não sou insana e tampouco irresponsável ao afirmar que centenas e centenas de dependentes de drogas, foram recuperados em centros sem nenhuma estrutura. Na missão na qual trabalhei o viciado poderia ser tratado em até mesmo um ano ou mais(ou menos),dependendo da necessidade. Seríamos estúpidos, no entanto, se acreditássemos que a cura do vício BASTASSE. Sabemos que o adito é vítima de traumas, influências, revoltas,uma conjuntura de fatores, portanto é imprescindível um acompanhamento para cura das feridas.

      Você não pode eleger sua experiência como única, And. Posso comprovar com fatos o que afirmo. Não ignorando, no entanto, que a grande maioria retorna ao vício. Inúmeros, por realmente não estarem interessados em sair dele. Afirmar, portanto, que não há recuperação, é no mínimo preconceituoso.

      Coincidentemente, estou agora na casa de um dos frutos de um dos centros do qual eu fui diretora. Hoje casado, reintegrado a sociedade. Durante 14 anos ele foi viciado em drogas, inclusive cocaína e exatamente há 14 anos, ele continua curado. Recuperados como este aqui,o Marquinhos, temos inúmeros exemplos.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. Gui, não podemos dizer que quem recai e volta as drogas não quer se recuperar de forma alguma! Isto é uma exceção, o que de fato acontece é que o vício é muito mais forte que a força de vontade da pessoa e um tratamento inadequado (se é que pode-se chamar de tratamento estar internado numa casa casa sem acompanhamento de pessoas de fato habilitadas pra tratar da dependência), faz com que as recaídas sejam inevitáveis.

      falar que a pessoa não quer sair do vício, é fácil e é querer esquivar-se da responsabilidade (ou irresponsabilidade) de não poder (ou saber) proporcionar um tratamento sério ao dependente.

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  65. Este comentário foi removido pelo autor.

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  66. Doni, quanto a esta sua fala:

    "Era bastante comum, ver pessoas, depois de serem tratadas, chegar na igreja testemunhando libertação plena da dependência, de estar vivendo uma nova fase em sua vida, contudo, em pouco tempo sofrer uma nova recaída, entrando assim, a passos largos, na roda viva do vício."

    Na casa de recuperação costumava-se dizer que se fossemos cortar o rabo de um cachorro, é melhor cortar de uma vez, do que aos poucos. Baseado nisso, muitos como o Marquinhos deixaram de uma vez, cigarro, bebida, maconha, cocaína, lança-perfume, etc., de uma só vez até hoje, (no caso de Marquinhos 14 anos), outro fator preponderante é o querer ele próprio, não outrem (pai, mãe, pastor, cachorro, gato papagaio...) rsrsrs

    Agora, no caso dos que "caem", costumamos pensar que é como alguém que esta aprendendo a andar de bicicleta: se cair levantará de onde está e começara de novo (não vai voltar ao início, mas continuar de onde caiu). Se o cabra quer mesmo ele vai levantar de onde caiu e seguir em frente.

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    1. Doni e demais confrades, veja bem o que a Gui diz aqui e quero fazer uma pergunta em cima da fala dela: "Agora, no caso dos que "caem", costumamos pensar que é como alguém que esta aprendendo a andar de bicicleta: se cair levantará de onde está e começara de novo (não vai voltar ao início, mas continuar de onde caiu). Se o cabra quer mesmo ele vai levantar de onde caiu e seguir em frente." (Guiomar)

      agora quero perguntar o seguinte: Como eu disse repetidas vezes em comentários anteriores que é preciso de cinco a 10 anos (nos casos mais graves) de abstinência (abstinência= estar "limpo" sem usar drogas), para considerar uma pessoa livre da dependência sendo que o tratamento numa clínica séria para os casos MENOS graves é de no mínimo 30 meses, e suponhamos que um dependente recaia após 4 anos de abstinência e (usando aqui a gíria comum entre os usuários)fique uma semana "invernado" (invernado=usando droga dia e noite, sem comer, e tomar banho), pode-se após ele retomar o tratamento, considerar que ele ainda está em abstinencia de 4 anos, ou sua conta de abstinência foi "ZERADA"? (rsrss)

      Entendem o porque de dizer que jogou fora o trabalho de anos? A contagem tem que recomeçar do zero, mas claro que após algum período de tratamento, o profissional é quem é a pessoa habilitada a dizer se o adito precisa de mais ou menos tempo. Concordam?

      Bem, o artigo já está no 4° dia de debate4s e vou fazer minhas considerações finais.

      Fiquei muito feliz com a participação dos confrades.

      Abraços,

      Anderson

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  67. Gui,

    mas se a grande maioria dos que se tratam em lugares sem estruturas voltam ao vício, o problema é da instituição ou do viciado?

    Não ignorando, no entanto, que a grande maioria retorna ao vício. Inúmeros, por realmente não estarem interessados em sair dele. Afirmar, portanto, que não há recuperação, é no mínimo preconceituoso.

    Dizer que o problema é do viciado que "não quer se libertar" não é mais ou menos dizer nessas igrejas por aí que se a pessoa deu sua oferta e não ganhou a benção, a culpa é a falta de fé dele?

    Se alguém busca uma instituição mas depois volta ao vício, isso prova que ele não quis se libertar?

    Estou perguntando como alguém que não conhece a fundo toda essa questão.

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    1. Claro que não Edu! Recaídas infelizmente, podemos dizer que são praticamente inevitáveis! Muitas vezes a pessoa é vencida e não tem força pra lutar, como eu disse ao Doni, esta é a cruel realidade da droga enquanto assistimos tristes (e eu pasmo)pessoas dizer lugares que são no máximo uma casa de apoio. são centros de recuperação e que recuperam vidas.

      CONTINUO DIZENDO: A CASOS E CASOS!

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  68. ESTOU POSTANDO DE NVO O COMENTÁRIO, POIS A CONTA DA ANJA ESTAVA ABERTA E ENTROU NA DELA (RSRS)

    Gui, continuo afirmando o que disse e não mudo vírgula! CENTROS DE RECUPERAÇÃO (ou como o Rodrigo sugeriu e penso que é muito melhor "casas de apoio") NÃO RECUPERAM A NINGUÉM COM SEIS MESES OU UM ANO! Voce, como diretora de centros (e que suponho deva ter algum curso técnico para tal) deve muito bem saber que para considerar uma pessoa recuperada são necessários de cinco a 10 anos, mas vc deve ter visto que eu disse que a casos e casos! Conheço um pastor (amigo pessoal meu com quem tive a oportunidade de trabalhar junto em dois centros) que se recuperou com seis meses de internação, mas ele era USUÁRIO DE COCAÍNA E NÃO DE CRACK! Eu infelizmente não posso dizer o mesmo que vc, pois em todos os centros em que estive trabalhando, não vi um dependente de crack, UM sequer recuperado, mas morto, tive a infelicidade de ver vários! Voce poderia me dizer se conhece algum ex-dependente de crack que se recuperou com menos de um ano nestas casas de apoio que vc ilusoriamente insiste em chamar de centros de recuperação?

    Quando eu disse Gui, que se joga o trabalho todo fora, é que muitas vezes até o retorno é complicado e em geral quem recai, volta pior que chegou, mas como estou falando aqui desde o começo HÁ CASOS E CASOS não é mesmo? Penso que vc deve rever muita coisa minha querida, o crack está matando a todo vapor enquanto fingimos saber que sítios sem estrutura e sem profissionais se passam por centros de recuperação e ainda obrigam dependentes a trabalhos forçados e desviam verbas!

    Minha intensão com o texto não foi lhe confrontar, mas mostrar a péssima eficiência do que vc chama de centro de recuperação,o que é lógico, não é, e peço que se informe melhor sobre os fatos, pois até me parece que estamos em países diferentes! Sinto muito dizer isto Gui, mas é preciso que nós encaremos a realidade e paremos de brincar de deuses.

    Assumir que não conseguimos fazer o que queremos é melhor que tapar o sol com a peneira, mas se vc pensa que está realizando um excepcional trabalho sem a menor estrutura e arcabouço (sem querer questionar suas qualificações técnicas), siga em frente!

    Pena eu não ter mais os e-mails que trocava com um psiquiatra que dirige algumas clínicas aqui para mostrar os resultados lamentáveis, enquanto muitos fingem estar "recuperando" vidas quando na verdade estão no máximo adiando o inevitável pra quem está neste caminho!

    Sinto mjuito, sinto muito mesmo dizer isto a voce, não quis ser grosso, mas deixa falar só mais uma coisa: procure conversar com qualquer psiquiatra que esteja inserido nesta causa e pergunte-lhe qual comunidade terapêutica ele recomenda. De certo ele dirá: NENHUMA! Vidas são sagradas.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. O crack virou uma epidemia, os próprios traficantes estão perdendo o controle e a prova disto é que algumas favelas do Rio os "donos da boca" Estão proibindo a venda de crack, acredito que todos viram as fotos na internet e a reportagem na TV falando sobre isto, 9 em cada 10 cidades brasileiras tem problemas com o crack.

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    3. Recomendo que leiam estes artigos:

      http://amorordemeprogresso.blogspot.com.br/2010/05/o-crack-em-reportagem-da-bandeirantes_29.html

      http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/drogas/crack.html

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  69. Hummm entendi, mas Rodrigo, deixa lhe perguntar, se por acaso o indivíduo curatelado abandonar o tratamento ele não é preso e forçado a retomar o tratamento? (repetindo a pergunta pra não correr o risco de vc não ver ok Rodrigo? rsrsrs)

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  70. Olha, confesso que não sei muito sobre isto (tirando a minha experiencia pessoal com o And, mas não tenho o conhecimento técnico e o arcabouço que o And tem) e até sou suspeita pra falar, mas me parece que o And esta falando de um mundo e a Gui de outro! OU ainda o And vive num mundo (real) e gui em outro muindo (fantasia)!

    Até quando vamos viver como Alice no país das maravilhas?

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  71. Penso tb que esta matéria é interessante:

    http://vejasp.abril.com.br/especiais/depoimentos-dramaticos-de-quem-luta-contra-crack

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  72. Donizete, meu amigo,

    Já fui viciado em tabagismo, fumei um maço de cigarros por dia durante 45 anos e por mais fácil que seja abandonar o vício, eu só consegui fazê-lo há 3 anos. Te pergunto o seguinte: Sendo um conhecedos da história cristã e com este curriculo, qual a possibilidade de, um dia, ser pastor?

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  73. Considerações finais:

    Penso que foi muito proveitoso o debate, e queria fazer um agradecimento especial ao Rodrigo, que nos trouxe muitos esclarecimentos em relação à legislação, o que foi muito instrutivo.

    Como disse, não estou pegando todas as comunidades terapêuticas e colocando no mesmo saco, existem centros de recuperação sérios e empenhados na recuperação de vidas; umas com um suporte melhor, outras nem tanto e ainda outras sem nenhum suporte e preparo, mas tentam. Assim como existem outras em que o que importa mesmo é apresentar números, e algum retorno financeiro, o que é desprezível! Penso ainda que, quanto mais espiritualizarmos, menos resultados positivos iremos alcançar, mas respeito quem pensa diferente.

    Minha intenção com o texto foi tentar quebrar alguns preconceitos que possam ainda existir entre os confrades e aos que leram o texto a ainda irão ler. E chamar a atenção para o que de fato acontece em alguns centros (desvios de verbas, trabalhos forçados etc. e em outros uma total “espiritualização” do problema e nenhum tratamento!).

    Meu desejo é que um dia possamos vencer a luta contra o crack e termos comunidades terapêuticas realmente estruturadas, com profissionais competentes e graduados (formação superior) e auxiliares capacitados (com curso técnico) e pessoas realmente comprometidas.

    Sua sugestão Rodrigo, foi excepcional em mudar o nome para casas de apoio seria o ideal!

    Obrigado a todos.

    Até a próxima.

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  74. Edu, meu caro.

    Se for minha vez, não perderei a oportunidade de postar sobre o maior dos vícios nem sobre a pior das drogas aproveitando a seqüência no assunto.
    Que a paz esteja convosco, amém! Amem

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    1. Pastor Mirandinha, seria a vez do Noreda-Edson-provocador-etc mas ele tá meio sumidão...pode postar, se ele aparecer, posta depois de você.

      quero um texto bem devocional para o enlevo espiritual dos crentes desta confraria, por favor...

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  75. Pois, pois Edu.

    Vou fazer os crentes atingirem um orgasmo espirito-santense. He, he, he...

    Hoje, daqui há pouco.

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  76. Pena, que não deu para continuar com as respostas. And em momento algum discordei de você com relação a lamentável estrutura da grande maioria dos centros e do retorno de viciados ao seu mal.
    O que fica difícil é que você toma sua realidade como única, como se você conhecesse todos os centros de reabilitação do mundo.
    Quanto a psiquiatras, recebemos muitos aditos "tratados" por estes profissionais que apenas trocavam as drogas que eles usavam por outras compradas em farmácias. Os comerciantes comemoram!

    Temos um número expressivo de recuperados de vinte anos atrás. Volto a dizer: OS CENTROS ESTÃO EM ESTADO LAMENTÁVEL NA SUA GRANDE MAIORIA, mas dizer que não há fruto, no mínimo é preconceito.
    CASA de APOIO, a nomenclatura muda algo?

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    1. Claro que muda Gui! Como casas de apoio terão menos verbas do governo, e ia parar com a falsa ilusão passada à família de que seus filhos e esposos estariam se recuperando!

      e voce ainda insiste em dizer que estou generalizando! Já disse que não. Mas deixa eu te perguntar: voce sabe mesmo o significado de sinédoque? Outro dia vi vc dando uma cutucada na anja sobre o fato dela usar sinédoque e hipérboles, pois bem, eu gosto mais de usar sinédoques e não uso hipérbole e sugiro-lhe que pesquise mais a fundo a etimologia da palavra querida.

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  77. Edu, "Dizer que o problema é do viciado que "não quer se libertar" não é mais ou menos dizer nessas igrejas por aí que se a pessoa deu sua oferta e não ganhou a benção, a culpa é a falta de fé dele?"

    Meu amigo, que é isto? Qui comparação...
    Edu, eu ouvia de muito e muitos: eu gosto das drogas, estou aqui porque minha família me força.
    Outros queriam, mas não estavam dispostos a lutar, nas primeiras crises desistiam. Edu, eu morei anos e anos em centros de recuperação. Estava com eles no dia a dia, sei o que estou afirmando. Levantava noites seguidas para atender aditos em crise. Sei o que é uma crise de cocaína e uma dependência de craque. Tenho exemplos de muitos que deixaram o craque a mais de dez anos.

    Quando eu conheci usuários do craque, ele estava chegando em Sampa enquanto que na Bolívia ele já tinha domínio absoluto.Cheguei a levantar da rua um moço que estava com a perna apodrecendo e a polícia apenas esperava eles morrerem para levar. Este moço hoje trabalha em uma grande empresa e foi recuperado talvez a 25 anos trás. Eu nem era casada na época. Ele é um, dos muitos exemplos.

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  78. E Gui, eu continuo dizendo que tem que procurar ajuda profissional sim! (psiquiatras e psicólogos), e eu tb tenho alguma experiencia em centros de recuperação, mas talvez a diferença entre o que eu digo e vc diz é que eu não tento tapar o sol com a peneira!

    Obrigado querida pelos seus comentários e não quero de modo algum desdenhar de sua experiencia, talvez tenhamos cruzados por caminhos diferentes, apenas isto.

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