quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Teologia do processo





Por Donizete.


A teologia do processo representa a tentativa de alguns pensadores cristãos contemporâneos de reconstruir a doutrina de Deus e toda a teologia cristã, para harmoniza-la melhor com as crenças modernas sobre a natureza do mundo. Os pensadores da teologia do processo partem da pressuposição prática de que a teologia cristã deve ser atualizada e revisada em cada nova cultura, à luz de seus interesses, questões e dúvidas específicas.

A rigor, se trata de uma resposta radical ao monergismo extremista agostiniano. Fundamentado no desejo de defender um conceito radical do livre arbítrio do ser humano, seus defensores negam que Deus saiba o futuro e que ele seja soberano sobre a história.

Antes porém, é bom observar que esta tendência filosófico-teológica não é uma exclusividade cristã. Mas teve sua gênese nos pensamentos de filósofos racionalistas do século XVII. Ela foi muito enfatizada nos ensinos que o filósofo judeu Baruch Spinoza, (fugindo da interpretação tradicional de seus compatriotas, como Maimônides por exemplo) empregou nas sinagogas portuguesas, e que teve grande influência não apenas entre os judeus secularizados. Ainda que ali, esta dialética se concentrava apenas nas questões que diferenciavam o teísmo do panenteismo. Atualmente, um significativo número de Rabinos também seguem esta tradição teológica.

É bom salientar que, alguns pensadores católicos romanos também aceitam alguns aspectos dela. Seu atrativo parece estar na solução que oferece para o problema do mal e do sofrimento dos inocentes. No século passado, as Guerras Mundiais e os holocaustos que as acompanharam desafiaram radicalmente as idéias de muitos teólogos a respeito de Deus e do sofrimento. A pergunta que insistia em não calar era: Onde estava Deus quando seis milhões de judeus foram executados em câmaras de gás e incinerados pelos nazistas? Para muitos teólogos contemporâneos, os horrores da guerra e do genocídio do século XX exigiam uma revisão radical das noções agostinianas do poder e da soberania de Deus. As respostas que o teísmo clássico fornecia a estas questões estavam longe de serem satisfatórias.

A questão era simples, se Deus pudesse impedir as chacinas de homens, mulheres e crianças inocentes, ele teria feito. O caso portanto é que ele não podia. Por esta razão, os estudantes de teologias encontraram consolo e refúgio, e por que não dizer as respostas, no conceito de Alfred Whitehead (1) sobre Deus como um “companheiro no sofrimento”.

Conflito existencial semelhante viveu o Pr Ricardo Gondim. Num texto escrito por ele horas após o terremoto seguido de Tsunami na Indonésia, onde dezenas de milhares de pessoas morreram, ele apresenta sua teodicéia. E no limite de sua consternação diante daquela tragédia, fez os mesmos questionamentos dos pensadores que viveram o horror das guerras mundiais. E neste mesmo texto ele admite que, diante de fatos como estes, muitos alicerces onde são montados os edifícios teológicos, demonstram total insegurança. Por isso precisam ser urgentemente revistos.

E não é por acaso que no Brasil, o principal articulador do teísmo aberto ou teologia relacional (2) como ele prefere chamar é o próprio Gondim. Em um de seus textos ele ilustra a relevância desse ensino da seguinte forma:

“Na teologia clássica o futuro já aconteceu, não apenas por determinação de deus, que exaustivamente decretou que todas as coisas (boas e ruins) acontecessem, mas também porque ele em sua onisciência já sabe de tudo o que vai acontecer como já “acontecido”... Assim, não sabemos como nos comportar direito quando oramos e nem sabemos agir quando coisas ruins acontecem. Quando algum mal acontece, dizem-nos que a vontade de deus nunca é frustrada, e que ele tem uma agenda secreta que ainda não entendemos. Tentam nos confortar afirmando que precisamos apenas acreditar que ele tem o melhor para nós... Assim, vivemos uma esquizofrenia espiritual tremenda, cremos em verdades dogmáticas e agimos contrários a ela. A teologia relacional traz consistência à nossa espiritualidade, pois reforça a nossa compreensão paternal de Deus, lança luz sobre nossa responsabilidade e nosso infinito privilégio de cooperarmos com o criador. Somos artesãos do futuro. Numa teologia relacional o futuro inexiste e Deus nos chama para sermos parceiros de sua construção.”

No princípio, as idéias de Gondim pareciam ser limitadas aos seus escritos e discursos, inclusive sendo combatidos com severas críticas por personalidades evangélicas tradicionais. Entretanto, noções similares começaram a aparecer em diversos setores, e defendidas por líderes de diversos segmentos evangélicos.

Entre eles o influente Pastor Ed René Kivitz que também esboçou em alguns de seus textos, sua propensão a uma redefinição dos atributos de Deus e uma mudança nos paradigmas do pensamento, quando se propõe a encontrar a solução para o problema do mal.

Os defensores do teísmo clássico por sua vez, acusam os proponentes do teísmo aberto de possuírem no bojo dessa teologia traços panenteístas, de utilizar uma dialética hebraica bíblica que desconhece a realidade do mistério, de não saber lidar com as tensões existentes nas escrituras no que tange as revelações acerca da natureza de Deus. Segundo os críticos, esta teologia é uma forma inconseqüente de tirar das “costas de Deus”, a responsabilidade pelo sofrimento que há no mundo. Dizem que o resultado dessa boa intenção foi catastrófica. Sem contudo, apresentar uma refutação que enfraqueça as premissas que a teologia relacional usou como fundamento para o seu conceito.

Como me considero livre para pensar e tecer meus próprios fundamentos teológicos, baseados em premissas que em até certo ponto, extrapolam o que é aceito tradicionalmente, considero-me adepto da teologia progressista. (postura teológica que o Rev. Augustus Nicodemus educadamente desdenhou em seu livro “O ateísmo cristão e outra ameaças à igreja” capa utilizada na ilustração acima) Pois creio que a teologia é viva e dinâmica, jamais estática, assim como Deus também não. Por isso eu me recuso terminantemente ficar preso a qualquer sistema teológico, seja ele conservador ou liberal. Por esta razão não acredito que a melhor maneira de refutar o radicalismo calvinista, seja apresentar uma outra proposta não menos radical. Como no caso a teologia do processo fez.

Penso, que o importante seria não definir delimitações ou padronizar o modus operandis de Deus. A proposta da teologia do processo em promover radicalmente um esvaziamento de Deus em relação aos seus atributos não é das mais convenientes, por que não dizer tecnicamente impossível. Por outro lado manter a tradição milenar de atribuir aos propósitos secretos de Deus os acontecimentos trágicos que ocorrem, é prender o pêndulo na posição radicalmente oposta. Por esta e outras razões, uma visão teológica equilibrada se torna necessária para não desdivinizar Deus ao ponto de inferir que as situações fogem de seu controle, mas também não pressupor que Ele age motivado pelos sentimentos mais baixos que existem na natureza humana ou apresentar explicações evasivas em ralação ao problema do sofrimento no mundo.

Por isso, nada melhor do que evoluirmos junto à história. Não permitir que nossa teologia fique estagnada e se acomode em alguma radicalidade. Pois qualquer teologia radical terá sérios problemas e graves consequências.

Finalizo este texto com uma frase dita por um amigo certa vez: “a confissão de fé de quem é inteligente é construída na vida, na existência, no caminho. A estrada se abre enquanto se caminha e o caminho se faz enquanto anda nele”.


Abraços.


Notas:
       
1.     Alfred Whitehead. Um dos principais articuladores da teologia do processo na década de 30.

2.   Os termos teologia do processo, teísmo aberto e teologia relacional são intercambiáveis. Ainda que Gondim negue esta conexão, estudiosos afirmam que se trata na verdade de versões diferentes de uma mesma teologia.

62 comentários:

  1. Olá, Donizete.

    Parabéns pelo texto que é muito bem fundamentado e exposto.

    Eu acredito que Deus está no controle da História.

    Isto me faz um radical fundamentalista?

    De modo nenhum!

    Por outro lado reconheço de que, muitas vezes quando dizemos que algo que nos aconteceu foi "plano de Deus" pode tratar-se da mais pura covardia. Pode ser uma maneira de escondermos a nossa própria responsabilidade sobre as escolhas e atitudes erradas em relação à vida.

    Uma pessoa madura sabe muito bem discernir até o condicionante externo das escolhas internas. E, desta maneira, ela tem condições de tornar-se a causa, não o efeito, passando a escrever sua própria história com a pena do livre arbítrio dada pelo bendito Criador.

    Que existe plano de Deus, volto a dizer que não tenho dúvidas. Só que, na maioria das vezes, queremos confundir as coisas e ficar presos num auto-engano, como se o tsunami no extremo oriente tivesse sido um castigo divino e até, como já ouvi pregadores falarem, trata-se de uma retribuição porque na província romana da Ásia o apóstolo Paulo teria sido injustiçado...

    De qualquer maneira, fico a indagar se o tsunami não tem algo a nos dizer. Será que não nos serviriam ao menos de sinais?

    Abraços.

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    1. Rodrigo,

      Um ultra calvinista acredita que Deus decretou de antemão tudo o que aconteceu e irá acontecer ao longo da história, que não cai um fio de cabelo sequer da nossa cabeça se Ele não deixar e que nenhum dos seus planos podem ser frustrados. E ainda afirmam que Ele acompanha atentamente a execução de tudo aquilo que uma vez determinou.

      No outro lado, na teologia do processo, há um Deus que vive junto com o homem seus dramas, e que se vê incapaz de intervir no sentido de evitar que o mal aconteça. Que diante das catástrofes, se sente tão surpreendido e impotente quanto o homem.

      Veja que são dois conceitos teológicos radicalmente opostos.

      Particularmente, prefiro acreditar em um Deus que tem a liberdade de atuar entre estes pólos.

      Abraços.

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    2. Concordo com você Doni e o maravilhoso é que Ele nos deixa livres. Não somos marionetes à serviço dEle. Ele gosta que cooperemos com Ele, desde que seja por amor.

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  2. Doni, você fechou com chave do conhecimento de uma verdade tão simples, quando citou seu amigo. Com certeza citou no que você também concorda.

    "a confissão de fé de quem é inteligente é construída na vida, na existência, no caminho. A estrada se abre enquanto se caminha e o caminho se faz enquanto anda nele”.

    Na minha experiência com Deus, Ele apenas tem me avisado do perigo dos atalhos, mas jamais me forçou a ouvi-Lo. A escolha sempre é minha, e se alguma vez eu não escuto a Sua sabedoria, eu colho a consequência do meu próprio equívoco e Ele com seu imenso amor, ainda me ajuda curando às minhas feridas.

    No Salmo 139, Davi discorre sobre a onisciência de Deus de uma forma bela, trazendo-nos a confiança de um amigo presente, leal.


    "A pergunta que insistia em não calar era: Onde estava Deus quando seis milhões de judeus foram executados em câmaras de gás e incinerados pelos nazistas? Para muitos teólogos contemporâneos, os horrores da guerra e do genocídio do século XX exigiam uma revisão radical das noções agostinianas do poder e da soberania de Deus. As respostas que o teísmo clássico fornecia a estas questões estavam longe de serem satisfatórias."

    Aonde estava Deus domingo a noite quando os bondosos e generosos bispo Robinson e esposa Miriam, foram violentamente esfaqueados pelo filho adotivo a quem eles chegaram até mesmo com dificuldades econômicas, enviar para os EUA para melhor educação?

    Deus estava no mesmo lugar que esteve durante a inquisição. "A ninguém ordenei que fizesse o mal".

    Beijo.

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    1. A grosso modo, eu diria Gui, que o teísmo aberto, sem dúvida é o que apresenta as melhores respostas à questões como essa que levantamos.

      Foi num momento de crise intensa, no ápice do seu drama com a doença do seu filho, que o Rabino Harold S. Kushner em seu livro "porque coisas ruins acontecem com pessoas boas" declarou:

      "Por que, então, coisas ruins acontecem a pessoas boas? Uma das razões é que nossa condição de seres humanos nos deixa livres para ferirmos uns aos outros, e Deus não pode deter-nos sem retirar-nos a liberdade que nos torna humanos. Os homens podem trapacear, roubar e ferir uns aos outros, e Deus limita-se a observar com piedade e compaixão o quão pouco nós aprendemos, no decorrer dos séculos, sobre como os seres humanos devem comporta-se."

      Um dia desses Gui, ouvi de um pastor que durante muito tempo foi conselheiro familiar. E uma das coisas que ele aprendera com muita dificuldade de assimilação, foi que Deus respeita o livre-arbítrio de um cônjuge que resolveu se separar. E que nestes casos não adianta orar, jejuar, fazer campanha etc... Tem que partir pra reconquista como foi na primeira vez. O interessante é que ele obteve maior sucesso fazendo as pessoas encararem as situações dessa maneira.

      Beijo.

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    2. Ai amigo, você não sabe o que me fez agora. Terminei de atender mais um de dezenas de telefonemas de uma amiga que estava em processo de separação. Hoje seu marido saiu definitivamente de casa. Tinham apenas quatro anos de casados. Eu não jejuei, mas orei e chorei muito e tentei ajudar os dois, mas sempre dizendo a ela, que Deus respeitaria a decisão final deles. No caso, parece que não há disposição para reconquista. Mandei para ele o texto do Jabor, "Casar-se de Novo" mandei o do Rubem Alves "Tênis x frescobol. Lutei com tudo que tinha nas mãos. Mas ele foi irredutível, ele me apresentou suas razões e eu entendi que não deveria mais interferir com muitas esperanças.

      E agora a noite, estou esperando mais uma definição de um casal amigo, se fica se divorcia. Confesso que estou profundamente abalada emocionalmente. Portanto, estou pedindo a Deus a graça necessária para ver tanta dor. É como sair um enterro..

      Foi muito bom lê este desabafo do pastor.

      Beijão amigo.

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  3. Doni,

    primeiramente, parabéns pelo excelente artigo. Vem cá, seu pastor já leu alguns dos seus textos? se leu, deve ter ficado ou com ciúmes ou com medo de você influenciar as ovelhas dele, por isso te sacou da função de professor da EBD. Duvido muito que ele tenha lá alguém tão capaz quanto você. Mas é que você possui um defeito, doença, falha de caráter, sei lá, que é ser livre para pensar.

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    1. Leu sim Edu! Tanto é que na última reunião que tivemos, ele disse que me acompanhava no blog e até gostava dos meus textos. Mas que minhas ideias deveriam se limitar ao blog e jamais serem ensinadas na igreja.

      Por falar em defeito, você leu o livro do Nicodemus que eu citei acima? Acho que ele anda lendo nossos textos! rsrsrs

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    2. Pois eu não tive a mesma sorte!!! A galera me caguetou para meu superintendente e foi feita uma verdadeira caça aos bruxos!!! Rolou a minha cabeça e a do meu fiel escudeiro e amigo (na época meu pastor auxiliar).

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  4. Para mim a questão toda entre soberania total de Deus e de um Deus que não é soberano mas que evolui junto com sua criação dá no resultado um grande e sonoro ZERO!

    Nem uma nem outra explica nada. Uma e outra são apenas construções teológicas sobre um ente do qual nenhum humano deveria ter a ousadia de dizer nada.

    Mas agente diz, pois dizer é próprio de nossa natureza. E em dizendo, criamos paradoxos insolúveis que muitas vezes só servem para alimentar uma eterna disputa pela pose da "verdade sobre Deus", se ele é soberano, se controla a história ou se ele não é soberano estando assim, também sujeito, de certa forma, à história.

    A ideia de um Deus que controla a história só pode ter sentido se esse Deus for um ser muito cruel. Pois não resolve dizer que são os homens que fazem o mal, pois como Deus é soberano, em última instância, ele é a origem do mal, já que criou um ser que ele sabia que iria cometer o mal.

    O profeta Isaías parece concordar com essa tese já que ele faz Javé dizer que "cria a luz e cria as trevas, o bem e o mal".

    Então, se os proponentes da radical soberania divina concordarem que Deus é autor de todo o mal, aí tudo bem, a questão se resolve. O problema é que eles querem dizer que Deus é soberano mas não é soberano diante do mal praticado pela liberdade humana ou pelas catástrofes da natureza que ceifam milhões de vidas inocentes.

    Paradoxo!!

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    1. Edu, quando meus filhos vieram ao mundo, eu não poderia dizer que tinha certeza que eles seriam bom caráter, mas sequer pensamos ao gerá-los. Graças a Deus são maravilhosos. A diferença é que Deus sabia o que seriam muitos da sua criação, mas Ele criou o homem a sua imagem, conforme a sua semelhança, quero dizer: receberam o suficiente para viver sensatamente. Ele deveria desistir da coroa da criação, porque parte dela preferiria ser a escória em detrimento da coroa?

      Estava assistindo agora um documentário sobre o aquecimento global. Fiquei aterrorizada como o homem tem destruído a natureza. O rio Ganges não tem sido poupado, apesar de sabermos que o mundo ficaria órfão sem ele. Vi um indu velhinho dizendo que ha 25 anos fotografava uma geleira e como ele chorou ao ver o desaparecimento. Infelizmente,nós somos os grandes predadores do planeta.

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  5. Por outro lado, um Deus que não seja Todo-Poderoso e que não tenha o controle de tudo poderia ter criado tudo? A teologia do processo é uma boa tentativa de responder a essa questão, mas também, em minha opinião, falha nessa tentativa.

    E como um Deus que não fosse soberano, um "Deus fraco" teria o autoridade de pedir culto para si como faz o Javé bíblico? Ou como ele teria a autoridade de mandar seu Filho como propiciação pelos pecados humanos?

    A Bíblia silencia em discutir esse problema. O Javé dos inícios parece ser esse Deus da Teologia relacional, já que ele se arrependia, se enfurecia, e até discutia seus planos com os humanos(Abrãao, Moisés). Mas o Javé dos profetas, como já citei, se torna o Senhor da História; tudo o que acontecia com Israel e com as demais nações era da vontade dele.

    A Bíblia "evoluiu" Deus sem discutir o porquê dessa evolução.

    O Processo na filosofia parece ser mais coerente do que na teologia, já que se insiste em retratar Deus como uma "pessoa".

    O que posso concluir?

    Parece que entramos numa fria teológica. Quissemos dizer o que nada deveríamos ter dito.

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    1. Ao meu ver Edu, Deus se relaciona com o homem segundo a sua capacidade de entendimento. Ele não pede mais que o homem pode dar e nem dar mais que o homem possa receber.

      Acredito que o homem atribui a Deus muitos dos seus feitos, até mesmo da sua forma de tratar com o próximo, quando líder. Gosto do George Whitefied quando ele reconhece:"Ai! Ai! Em quantas coisas julguei e atuei erradamente. Fui demasiado ácido por causa do meu zelo. Em minha paixão se mesclou fogo selvagem, e descubro que, com frequência, escrevi e falei guiado por meu próprio espírito quando cria estar fazendo inspirado pelo Espírito de Deus."

      Retrata muitos profetas e líderes.

      Beijão, inteligente.

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  6. Virei praticamente um agnóstico com esses meus comentários....kkkkkkkkkkk

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    1. excelentes seus comentários Edu,

      Estamos diante de um nó que Calvino e Armínio tentaram desatar. Como nenhum teve sucesso nessa questão, cada um seguiu na sua, sustentando é claro sua própria convicção.

      Acho interessante a ideia de que Deus concedeu liberdade limitada aos seres humanos. Veja bem: Liberdade limitada, no sentido de que se Ele quiser intervir, Ele o fará! Mas isso não quer dizer que ele sempre intervenha.

      E mais: Deus não precisa exercer continuamente todos os seus poderes para provar que continua onipotente. Devemos sempre lembrar que o amor relativiza o poder. E com Deus não deve ser diferente! E para um Deus que criou o universo um tsunami ou um terremoto é uma gota d'água frente ao oceano.

      Acredito também que Deus não precisa exercer seu controle soberano a todo momento para permanecer soberano. E nem precise esvaziar-se de seus atributos para se relacionar com o homem.

      Mas de fato Edu, como você bem mostrou, são dois conceitos rivais, que levam inevitavelmente a duas cosmovisões conflitantes também.

      Neste aspecto também sou agnóstico!

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  7. Doni, seu texto impecável como sempre!
    Esse tema deixa meus neurônios bem cansados rsrs... Acabo sempre em um labirinto sem solução pois sendo Deus bom, ou ele não está no controle ou então há um motivo muito forte para a existência de tantas mazelas. Por que um Deus todo poderoso se silencia diante das atrocidades dos homens ou por que simplesmente não exterminou essa nossa inclinação para a destruição? Muito complicado! Então como sou da fé e não consigo me afastar desse pressentimento de que Deus é bom, penso que há algum motivo forte que não nos foi revelado. Nesse pensamento eu não encontro as respostas mas encontro conforto, se por outro lado decidir pensar de outra maneira fico sem respostas e sem conforto!
    Abração! Fica com Deus

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  8. Mari,

    Perdoe-me Mari, mas que motivo nobre pode haver por trás de tanta insanidade, destruição, desastres naturais? E ainda tem o famigerado inferno onde o Deus de amor vai deixar as pessoas sofrendo pela eternidade.

    Eu também já queimei muito neurônio e cheguei a conclusão que todo e qualquer sistema de pensamento que queira enquadrar Deus está errado. Por isso, não os defendo mais.

    o problema pode está em dois lugares, ao meu ver: ou Deus não existe(digo, o deus conforme nós o pensamos) ou não temos a mínima condição de falar concretamente sobre Deus,logo, falamos por elucubrações demasiadamente falhas. Mas se um Deus pessoal existisse, não seria bom que ele se revelasse ao mundo e dissesse pelo menos o que ele não é? (o que ele é, não estaria à altura de nossas mentes).

    Mas ele já se revelou na bíblia, dirá alguns; mas é exatamente a partir desse Deus revelado que surgem todos os problemas e todos os equívocos.

    Melhor seria não ter se revelado, pois a revelação foi de fato, uma problematização insolúvel.

    Virei de fato, um agnóstico. Ainda que um agnóstico sensibilizado pelo Mistério da existência.

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    1. Edu, mas a minha fé em Deus não me impede de levantar esses questionamentos que vc acabou de citar, vc sabe disso, já falamos disso várias vezes . Não sou mentalmente alienada, mas não posso deixar de afirmar que sou uma pessoa que crê em Deus! Concordo com vc, não faço imagens de Deus, não sei o que vai ser, não controlo Deus com minhas súplicas! Mas faço minhas orações de agradecimento e oro tb em momento de dificuldades, vou dizer que não? Oro sim! Confio sim! Espero sim! Mas vejo Deus como a bíblia ensina? Não! Sei dizer quem Deus é, sua vontade, sou sua embaixadora? Claro que não! Acho que me afastei demais dessas veredas.
      Agora se perder minha fé eu por uma acaso chegarei a alguma resposta sobre o mal do mundo? Se deixar de me relacionar com o "meu amigo imaginário" rsrs...como disse o Altamirando certa vez eu chegarei a alguma conclusão sobre isso tudo?
      Tio Edu, não defendo sistema não! Defendo apenas a liberdade que minha alma tem de se relacionar com esse sobrenatural que eu pressinto. Lembrei de uma poesia do Manoel Bandeira:


      "Se queres sentir a felicidade de amar (raciocinar)*, esquece a tua alma.
      A alma é que estraga o amor (a razão)*
      Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
      Não noutra alma.
      Só em Deus - ou fora do mundo.

      As almas são incomunicáveis.

      Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

      Porque os corpos se entendem, mas as almas não."



      Nessa parte que fala do amor e do corpo vivo o meu direito de pensar, penso e perdi esse medo e vc me ajudou muito nisso, viu? Mas a minha alma ela insiste em se relacionar com o sobrenatural!

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Abraços, tio Edu!!! Fica com Deus.

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    4. Edu não entendo porque você diz que após a revelação que surgiram os problemas. Em que se baseia?

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  9. Doni, meu chapa, não leva a mal,

    mas você está criando novos paradoxos...rssssssssss

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    1. Edu Nobre!

      Minha posição não é paradoxal. Como coloquei acima, o que procuro é não estacionar minha carruagem em nenhum dos opostos, mas acreditar que Deus sendo Deus não se limita a realizar suas atividades como as convenções humanas determinaram.

      Você virou de fato um agnóstico sensibilizado pelo mistério da existência. E eu que já andei flertando até com o deísmo! Pois ai nos livraríamos definitivamente desse impasse. Ou seja: Deus nos criou e nos colocou neste mundo cheio de leis naturais que em via de regra foram estabelecidas para nos quebrar. Nos colocou num planeta que mais se parece com um barril de pólvora pronto para explodir a qualquer momento, estacionado na periferia do universo onde de vez em quando algum entulho cósmico em forma de asteróide passa raspando o planeta para causar ainda mais emoção em nós. Como se não bastasse sua indiferença para com sua criação, permitiu que o diabo permanecesse entre nós, para aguçar no homem cada vez mais o desejo de praticar a maldade.

      Seria bem mais simples. Mas simples demais para ter algum crédito da minha parte!

      Creio que Deus participa sim em nossa vida. Não da maneira defendida pelos calvinistas, e nem sempre da forma colocada pelos defensores da teologia relacional.

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    2. Nobre Herege, esse Apóstata Assembereano está saindo melhor que a encomenda!!! FOGUEIRA PRA ELE!!! rsrsrs

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    3. Doni, queria muito que você e o Edu assistissem o documentário que vi hoje. Incrível que os ecologistas, com uma dor clara, repetem: tivemos uma chance e não aproveitamos e mostram o quanto o homem tem provocado os tsunamis, o esvaziamento dos rios, morte dos animais selvagens, etc.

      "E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom." Ele entregou toda esta beleza ao homem para que a cultivasse, mas a ambição do homem, a arrogância, tem sido gritante.

      Haverá um novo céu e uma nova terra. Despertaremos para ver!

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  10. Mari,

    Todos nós vivemos momentos de conflitos com Deus. A pergunta feita por Gondim ou pelo Rabino Kushner: "Onde estavas tu ó Deus nos momentos de maior aflição"? São perfeitamente compreendidas por Ele. É uma ousadia? Sim! Mas jamais um desrespeito. Muito pelo contrário; Acredito que é nestes momentos que o indivíduo amadurece e cresce no conhecimento de Deus.

    Gosto de uma definição espírita, de que o Mal não é uma entidade auto-existente, mas sim a ausência do bem! Em função disso, deixar de fazer o mal já caracteriza o início do bem.

    Mas devemos reconhecer Mari, que esta sua reflexão filosófica começou a muito tempo atrás. Pensar de forma crítica sobre questões importantes, sobretudo quando estas questões estão relacionadas a metafísica precede a filosofia grega nos seus primórdios. O problema é que as respostas por melhor elaborada que sejam, são sempre rasas e não satisfaz nosso espírito inquiridor.

    Mas na maioria das vezes, em se tratando de temas como este, é uma tentativa sempre fracassada de tentar explicar o inexplicável!

    Abraços. Fica com Deus!

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    1. É isso aí!! Somos seres com capacidade mental e espiritual. Há pessoas que vivem uma fé sem jamais questionar, outras questionam e perdem a fé em Deus. Bem, eu faço igual João e Maria, entro no caminho da fé e da razão jogando pedrinhas, volto sempre de um e de outro em equilíbrio e desequilíbrio, mas no meu caso só pode ser assim. Acho curioso alguém ser ateu! Acho muito interessante mesmo, por que é o desconhecido para mim. Acho legal a pessoa ler a bíblia e acreditar naquilo como sendo a verdade absoluta e acho o máximo eu tb ter desenvolvido a minha forma de ver Deus e me relacionar com ele.

      Para terminar, Também não acho que seja desrespeitosos os questionamentos de quem quer que seja, não acho que Deus seja fraquinho ou ingênuo. E tb concordo com a definição de mal da doutrina espírita que explica tb que não há mal absoluto, o mal é um estágio para o bem,e mesmo nas piores situações existe o germe do bem que se revela no auxílio, na renovação, na reconstrução e no progresso. Aliás essa doutrina tem algumas respostas interessantes sobre razão pela qual o mal nos é imputado, pode satisfazer alguns, mas não a todos, a mim me satisfaz de certa forma, mas não quero "Fazer uso de minhas prerrogativas para desviar"(Franklin Rosa) ninguém rsrs...

      Meu amigo, fica com Deus! Quero deixar registrada a sensação que tenho ao ler seus textos: Serenidade. Quase ouço uma calma voz por traz do que vc escreve. Abraços!

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    2. Mariani

      Esse seu comentário valeria uma postagem. De tão sentimental, teve o condão de trazer à tona, uma “imago paterna” internalizada em minha mente, que num dia frio de inverno (de 2009?) a externei de forma poética:



      Como explosão lírica
      Tuas imagens profundas.
      Aparecem gritando do porão do inconsciente.
      Na aparente desordem dos afetos submersos
      Te revelas nu e cru,
      Sem as amarras da razão.



      Da Tua consciência
      Quebraram-se os grilhões
      Soltaram-se o divino e o demoníaco do Teu ser
      És um mistério para os sãos, pois nada aqui Tu desejas.
      Das forças do humano abismo.
      És a própria encarnação.

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    3. Levi, é isso mesmo! Seu texto...demais! Bom saber que não sou a única emotiva por aqui. Ainda busco o Deus oculto no meu quarto e ele me responde apesar dos meus questionamentos. Só não me responde as perguntas rsrs. mas tem me respondido na angústia (como em salmos) Pronto, estou fisgada pela fé! Tive a prova dela, né?

      Abração!

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  11. Nobre hereges, Guiomar e eu estamos com um blog novinho em folha. Um blog de poesias. Seria uma imensa honra contar com a visita de vocês nesse nosso espaço que está bem bonitinho.

    www.maripoesias.blogspot.com

    Beijins!!

    Agora fui!!!

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    1. Best Hereja, TEM BOI NA LINHA!!! Copiei e colei o endereço do seu novo blog na url do explorer, e caiu no blog de uma outra MARI, com o mesmo endereço.

      O que eu faço? CHAMO O DOUTOR FRITZ para dar um passe nessa birosca?! rsrsrs

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    2. kkkkkkkkk é verdade, Mari, tem outra Mari aí na linha!!!!!!!

      Será um ectoplasma ou um fantasma??

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    3. ah, Kilim, achei o ectoplasma.

      o blog de nossas confrades tem um "s" a mais no final, que a Mari não escreveu...kiiiiiiiii

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    4. Q isso outra Mari??? Não POOOde! rsrs...O nosso blog é maripoesiass.blogspot.com - Espero ansiosa a visita de Best Friend. Tio Edu já foi e já comentou.
      Beijins...

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    5. É UM ENCOSTO!!! XÔ ENCOSTO DUBLADOR DE BLOG!!! rsrsrs

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  12. Doni, creio que a teologia do processo ou teologia relacional, é uma alternativa no mínimo coerente e desafiadora para os dogmas herméticos e desproporcionais que foram elaborados pelos pensadores mais conservadores e que não oferecem uma proposta sensata para tantas questões obscuras que assaltam nossa fé.

    É óbvio que não faria uma apologia contundente em sua defesa, pois aí estaria limitando novamente a capacidade de raciocínio a semelhança dos ortodoxos fundamentalistas em face de novas demandas e contingências.

    Podem me chamar de BUNDÃO, mas creio que no momento é ela a teologia que traz um pouco de serenidade para tantas discussões em torno do "modus operandis" de Deus!

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  13. Doni,

    deixa eu deixar claro esse negócio de "agnóstico".

    O problema é que o Deus judaico-cristão, cheio de temas gregos, não é para mim viável como se fora de fato, Deus; mas ele não deixa de ser uma das tantas imagens de Deus produzidas pelas religiões. Daí meu "agnosticismo cristão".

    Nos últimos meses tenho lido muito sobre misticismo oriental e as novas concepções da física moderna e como alguns autores tem conseguido conciliar espiritualidade com ciência, e tenho achado muito interessante.

    ainda não me sinto seguro para começar a expor essas ideias(que muitos de nós pode já conhecer), mas estou tentando me aprofundar e me convencer que esse pode ser um caminho bom para se trilhar essa nossa aventura existencial.

    Agora, se o Deus "teísta" é problemático, o Deus "deísta", problemático, é.

    Você disse que

    "Creio que Deus participa sim em nossa vida. Não da maneira defendida pelos calvinistas, e nem sempre da forma colocada pelos defensores da teologia relacional."

    Gostaria muito que nos próximos posts, você abordasse de forma mais detalhada essas suas convicções que não são nem calvinistas e nem relacionais.

    ah, e sinto também essa leveza no teu texto que a Mari falou; você deve ser pessoalmente uma pessoa muito serene e equilibrada. Assim também como o Levi.

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  14. Franklin e Edu,

    Sabemos que pessoas que pensam teologia como nós pensamos, tem suas atividades restritas aos ambientes acadêmicos; Universidades, seminários etc...

    Fico curioso para conhecer um ministério que tenha sua confissão de fé com bases na teologia liberal ou pelo menos neo-ortodoxo.

    Dizem que este sistema esvaziou as igrejas na Europa, EUA e outros locais, não só esvaziaram como também secaram e morreram. E que de modo geral os teólogos liberais em nada contribuíram para a edificação da mesma. Mas não seria em função dessa teologia estabelecer perspectivas diferentes em relação à espiritualidade? Ou quem sabe a supressão da própria espiritualidade que fadou este movimento ao fracasso?

    Eis o problema do relativismo. Não entusiasma as pessoas com carência de igreja. A mensagem perderia a contundência desejada pelos espiritualistas. Ainda que esta mensagem seja existencialista, faltará o "arrepio" que prende estas pessoas nos bancos das igrejas.

    Edu, acho que a teologia calvinista é uma afronta a nossa inteligência, mas o que esperar de um ensino que afirma nossa total depravação e escravidão da nossa vontade!

    Agora, a ideia de um Deus, diante do qual nada devemos esperar dele, por ser impotente também não me agrada.

    Como disse alguém certa vez: "O teólogo sensato, deve manter as coisas fluindo, num permanente devir, e estar sempre aberto para todas as possibilidades".

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    1. A frase "ME ENGANA QUE EU GOSTO", é a preferida da cristandade em suas diversas expressões!

      Também concordo que devemos evoluir nunca fechando com algum pacote teológico idealizado.

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  15. Doni,

    A teologia liberal deu suas contribuições ao pensamento cristão mas concordo que ela enfraqueceu a mística . Sem a mística, o teólogo é apenas, um teólogo. Ele só sabe ficar construindo conceitos sobre Deus mas pouco experimenta a realidade divina que a tudo permeia e não consegue chegar ao entendimento de que tudo é UM(ainda que nos percebamos fragmentados e separados do Todo).

    O dito atribuido a Jesus de que "Eu e o Pai somos um" é muito mais abrangente do que suspeita a limitada teologia cristã conservadora.

    Por outro lado, existem os místicos "ortodoxos", ou seja, aquele que consegue um certo grau de experimentação do Todo mas que quer engavetar tal experiência na teologia dogmática ortodoxa.

    Aí, em minha opinião, a coisa fica muito complicada.

    Concordo com a tua citação. "Tudo flui".

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  16. Doni,

    você também não acha que o foco principal do problema é a nossa visão de Deus como um "ser pessoal"? Essa crença não contamina a nossa percepção de que Deus, sendo o criador e Todo-Poderoso deveria se comportar diante das mazelas dos homens como nós nos comportaríamos se fóssemos ele?

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    1. O "herege" Edu, não suportou a coceira (rsrs). Atirou e acertou o alvo.

      Como o ser humano, cuja característica principal é a ambivalência, pode imaginar um Deus antropomórfico inumano?

      É por aí, é por aí. O mito cristão, justamente, nos quer mostrar um Deus "todo poderoso", descendo de sua glória para se fazer homem, com todas suas vicissitudes e ambiguidades.

      Por isso é que se diz que há um lado ateísta no cristianismo, na medida em que ele se desenvolve através do luto do Deus vétero-testamentário.

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    2. Edu,

      Harold Bloom, o Crítico leterário mais famoso do mundo, disse que o Deus judaico cristão, sendo um Deus profundamente humano, não se presta a teologia, que é um modo de pensar grego e não hebreu.

      Isto é tanto verdade que as diferenças entre a natureza do Deus pai cristão e a personalidade e caráter do Deus vetero-testamentário começou a se acentuar somente à partir dos escritos dos pais gregos.

      Contudo em ambos a natureza pessoal de Javé é incontestável, de modo que, talvez em função de nossa iniciação ter se dado nesse ambiente que conhecemos bem, é difícil concebermos um Deus apenas semelhante ao "Deus" metafísico de Platão. Imóvel e impessoal.

      Devido à estas circunstâncias precisamos aprender a conviver com os paradoxos que envolvem nossa crença num Deus Pessoal. Mas que esta visão tradicional do Deus judaico cristão problematiza a busca pela solução do tema que estamos tratando não há dúvidas!

      Barth, se referindo ao Deus pessoal disse que era inconcebível amar a Deus e não ter certeza que este amor seria correspondido.

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    3. Um Deus profundamente humano é de fato, um humano profundamente tocado pelo mística da divindade.

      O LEVI é que acerta de vez no alvo: Deus só tem sentido quando se faz homem. E uma vez feito homem, figura que pode ser compreendida por nós tanto em suas virtudes quanto em suas fraquezas, cujo paradigma nosso é o homem Jesus de Nazaré, acaba-se o paradoxo divino pessoal da Perfeição-Todo Poder-Impassividade diante do mal.

      Uma vez Deus feito homem, quem quer de novo voltar aos paradoxos? Eu diria para Barth(numa pretensão sem tamanho) que o Deus que ele amava só poderia amá-lo de voltga por que ele também tornou-se como ele, homem.

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    4. Diante de suas palavras, me silencio e retomo a reflexão!

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  17. Doni e Edu, mas esse ajuste que tem sido feito na imagem de Deus através dos tempos não justamente o afasta de uma imagem de humanidade? Lembro de um seminário muito marcante na faculdade que era sobre a figura do diabo através dos tempos (acho que já mencionei esse fato), e o professor dizia que a imagem do diabo se humanizou. De uma figura minúscula e horrenda nos primeiros séculos, se tornou uma boca imensa que tragava a todos, um monstro com muitas mãos na idade média e hj o diabo é um homem bonito que se mistura à multidão. Ele é sedutor e bem acessível. Se humanizou.
    A idéia de um Deus humano não parece agradar tanto mais. Os homens de hj buscam um Deus que excede, ele não pode se parecer comigo, ser parcial, preconceituoso, vingativo, ele precisa ter um plano mais profundo, ou então fica difícil de engolir com a razão.

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  18. Mari,

    Você tocou num ponto interessante para quem se interessa em não permanecer na superfície da teologia.

    Grande parte das religiões, sobretudo as monoteístas, entre elas o cristianismo são dualistas, pois contrapõem um deus do Bem contra um do Mal. Entretanto, nenhuma delas se presta "Sob Hipótese Alguma!", qualquer culto ao deus maligno, como ocorre em parte das religiões Politeístas. Agora, saber se o deus maligno está ou não sujeito afinal ao deus supremo é uma discussão que vem rendendo há mais de 3.000 anos.

    Recentemente, se não me engano em 1968, Anton Lavey fundou o satanismo, cujo objetivo é adorar o deus rival do Deus judaico cristão. Neste movimento o diabo ainda aparece com a roupagem do velho Lúcifer com o estereótipo sedutor como você descreveu.

    Sobre a parte final do seu comentário, vou transcrever um dado de um artigo que trata da história das religiões:

    “No princípio as características dessas divindades não são muito afetadas, mas com o tempo, a imaginação humana ou a tentativa de se adequar as religiões às estruturas sociais, elas ficam cada vez mais parecidas com os seres humanos comuns, surgindo então entre os deuses relacionamentos similares aos humanos inclusive com conflitos, ciúmes, traições, romances e etc. E cada vez mais os deuses perdem características transcendentes até que a "degeneração" chegue a ponto destes se relacionarem sexualmente com seres humanos, o que significa a perda da natureza metafísica, da característica invisível, ou mais, de haver relações físicas e pessoais de violência entre humanos e divindades, sem qualquer caráter transcendente.”

    Então note que os ajustes são feitos no sentido de eliminar cada vez mais a transcendentalidade de Deus, e torná-lo cada vez mais pessoal, mais imanente.

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  19. Doni e Mari

    Meus queridos, deixe eu tentar simplificar o meu pensamento.

    1 - Existe uma realidade maior que permeia toda a existência? Creio que sim.

    2 - Essa realidade maior foi imaginada como deuses.

    3 - A ideia de como esses seres celestiais se comportam e se relacionam com a humanidade vem se transformando ao longo dos séculos (como vocês corretamente apontam).

    4 - Na religião javista(cito somente ela pois é a que nos afeta), Javé começa bem imanente: conversa e passeia com Adão no jardim, se arrepende, tem ira, se arrepende, mata, alguns dos seus anjos caem e se relacionam com mulheres, etc. Ou seja, no início do javismo, a divindade hebraica é bem pessoal e demonstra sentimentos humanos(até mesmo os mais negativos).

    5 - Com o evoluir do pensamento hebraico, Javé vai aos poucos se tornando cada vez mais transcendente a ponto de "sumir" da história no que os teólogos cristãos chamaram de "400 anos de silêncio" - que corresponde ao período do último livro profético até a chegada da era de Jesus de Nazaré. Ou seja, o Deus que tinha transcendido por completo, de repente, se faz presente outra vez no meio do seu povo mas agora na imagem do seu Filho. Ou seja, Deus se faz imanente outra vez, mas agora de forma radical - humaniza-se. É nesse ponto que o comentário do LEVI faz todo sentido: "É por aí, é por aí. O mito cristão, justamente, nos quer mostrar um Deus "todo poderoso", descendo de sua glória para se fazer homem, com todas suas vicissitudes e ambiguidades.

    6 - Por isso que eu digo que nada podemos dizer dessa realidade maior; tudo o que dela foi dito, se transformou em deuses e mitos e símbolos. Não renego, todavia, o símbolo e o mito, precisamos deles. O mito cristão é o que nos afeta. Em Jesus, Deus se humaniza, participa de nossas fraquezas, dores e ambiguidades. Um dos problemas da teologia cristã, ao meu ver, foi fazer de Jesus um ser híbrido: Deus e homem ao mesmo tempo, pois assim, nesse estado, ele nem é Deus e nem é homem.

    7 - Melhor seria identificarmos Jesus como símbolo perfeito da "humanização de Deus". Deus feito homem para que o homem se torne de fato, homem.

    8 - E nem preciso dizer que tudo isso é linguagem simbólica, mítica mas profundamente, existencial.

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    1. O homem Jesus de Nazaré revelou em sua humanidade tal grandeza e profundidade que os apóstolos e os que o conheceram, no final de um longo processo de decifração, só puderam dizer: "Humano assim só pode ser Deus mesmo" Leonardo Boff.

      Edu, por que não inverter a fórmula e dizer que Jesus é Tanto homem como Deus, como reconheceu Calcedônia?

      Agora, sua citação típica do arianismo de falar de Jesus como um ser híbrido, fazia tempo que eu não via! rsrsrs

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  20. Mari,

    especificamente comentando o que você disse:

    "A idéia de um Deus humano não parece agradar tanto mais. Os homens de hj buscam um Deus que excede, ele não pode se parecer comigo, ser parcial, preconceituoso, vingativo, ele precisa ter um plano mais profundo, ou então fica difícil de engolir com a razão."

    O problema é exatamente esse que você aponta.Esse "Deus que excede" é sempre nomeado a partir de categorias humanas, como "soberano", "Todo-Poderoso", "Bom", "imutável", etc, por isso o problema permanece.

    Um Deus totalmente transcendente não poderia ser nomeado, não poderia ser "contaminado" com nenhuma categoria de linguagem humana, logo, seria um Deus inacessível. Seria o Deus dos "4oo anos de silêncio". É exatamente esse Deus transcendente que o povo quer humanizar - e aí, volta-se ao círculo teológico vicioso.

    O cristianismo "resolve" esse problema ao humanizar esse Deus "silencioso" na pessoa humana(totalmente humana e não híbrida) de Jesus.

    A teologia cristão começa a perder o rumo, em minha opinião, exatamente no momento em que tentou "desumanizar" Jesus e fazê-lo também, Deus, pois aí, todos os paradoxos já discutidos aqui, agora, agarram-se na figura de Jesus e um negócio esquisito chamado "Trindade" precisa ser construído para tentar(em vão) explicar o paradoxo.

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  21. Doni,

    não entendi o seu calar diante do que eu disse. Por favor, não fique igual a Javé, em "400 anos de silêncio"...rsssssss

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    1. Explorar o significado de “Deus” é, de certa forma, mergulhar na natureza intrínseca do próprio homem. Isso não invalida os efeitos da “imago paterna” que desde cedo, em criança, foi incutida em nossa mente, que ainda hoje nos faz sentir seus eflúvios.

      Se o Reino de Deus está dentro de nós, podemos concluir que, toda experiência mística ou religiosa é intra-psíquica. A crise que separa o homem do “homem” é, em outras palavras, a mesma que separa o homem de Deus.

      Quando dizemos que estamos descobrindo novas facetas de Deus, na verdade estamos a afirmar que estamos nos redescobrindo.

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    2. "Quando dizemos que estamos descobrindo novas facetas de Deus, na verdade estamos a afirmar que estamos nos redescobrindo."

      Levi, frase devidamente alçada ao pensamento da hora.

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  22. Agora compreendi melhor o que vcs queriam dizer por humanização divina. Eu estava pensando na essência e não nos atributos. Mas fica mais uma pergunta que surge desse questionamento: essa não é única maneira de Deus se relacionar conosco? Permitindo-se descrever pelas nossas percepções? Pois como poderíamos nos relacionar com o inconcebível? Talvez por essa razão Javé não se deixa prender em imagens, pois uma vez esculpido, ele jamais poderia ter outra face, as imagens mentais evoluem como vcs falaram.
    Abraços!! Fiquem com Deus.

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    1. Mari,

      Não, essa não é a "única" maneira de NÓS nos relacionarmos com Deus. Quando dizemos que "Deus está se relacionando" com agente, na verdade é nós que estamos nos relacionando com nós mesmos; nas palavras do Levi, com nossa imago paterna que se transforma em imago dei.

      "Se o Reino de Deus está dentro de nós, podemos concluir que, toda experiência mística ou religiosa é intra-psíquica. A crise que separa o homem do “homem” é, em outras palavras, a mesma que separa o homem de Deus." (Levi)

      Concordo com essa afirmação do Levi.

      Não acho que a imago paterna explique tudo sobre nossa propensão a transcendência e ao divino, mas ela explica muita coisa.

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  23. Doni,

    no final das contas, a Teologia do Processo não seria uma tentativa de matar o Deus Todo-poderoso(matar o pai, na concepção freudiana) para que esse Deus mais humano possa entrar em cena? E indo além disso, não seria o cristianismo a desvinização(tá certo esse terno?) do Pai(Javé) na figura do Filho que se esvazia para se tornar humano?

    Não é quando mais nos tornamos humanos autênticos que mais nos tornamos "divinos"?

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    1. Se a teologia do processo não teve a intenção de matar o Deus Tradicionalmente aceito pelos cristãos, conseguiu pelo menos deixá-lo orfão de seus atributos, menos é claro seu amor, que nesse aspecto fica mais evidente.

      Edu, aprecio por demais a leitura psicanalítica que você e o Levi faz, quando se refere as escrituras, ou temas religiosos. Como também aprecio, e talvez em função do meu viés mais conservador, a leitura de outros psicanalistas que tratam do assunto com outras perspectivas.

      Mais no meu humilde ponto de vista, que nem sempre é a vista de um só ponto, você sabe disso, a grosso modo eu diria que se trata apenas de mais uma alternativa de interpretar os fatos e a mística de um modo geral!

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  24. Edu, concordo que seja eu me relacionando com Deus e acredito que um psicanalista possa fazer essa análise de eu me relacionando comigo mesmo, é uma perspectiva de fora da fé, trata-se não de uma análise de Deus, mas uma análise do homem, não é?
    Mas falando desse ser espiritual criador que vc diz acreditar e que não sabe definir, ele é incomunicável ou se permite comunicar, tocar, fluir...? Se ele existe e é possível não é através de nossas percepções que o vemos?
    Se Deus não existe tudo não passa do próprio homem com uma gravidez psicológica como disse o Altamirando certa vez rsrs mas se eu admito que há uma ser criador, que ele me criou de alguma maneira, ele é inteligente e certamente pode se comunicar, então como nos comunicamos com ele? Através de nossas percepções, visões, da nossa limitada impressão de quem ele é.
    A doutrina espírita (OLHA EU DE NOVO! RS...)defende essa liberdade de relacionamento com Deus, por isso que para o espírita cada um deve seguir o seu chamado, a sua possibilidade de se relacionar com o criador através das diferentes religiões ou sem religiões.
    Deus é infinito, mas nós somos muito limitados e só o concebemos através do que somos. ( Nisso concordo com o Levi). O que não exclui a possibilidade da existência de um Deus que existe além da nossa criação.
    Então eu penso assim:
    Deus existe, ele é insondável mas tem características (que não conseguimos definir).
    Ele se permite conhecer, mas como somos limitados, o conhecemos por meio de nossa percepção.
    As religiões, as crenças exprimem a nossa maneira de compreender Deus, como sendo ele todo, mas é apenas parte pois ele é infinito.
    E para terminar acredito que Deus está no controle sim, mas não num controle de marionetes. Creio que ele não se afoba, não se entristece e se alegra com bobagens, não se ofende facilmente por que tudo sabe e está acima de tudo.
    Merece o meu respeito e amor pela dádiva da vida que me deu.
    Merece meu temor pois não o conheço todo.
    E acho que ele tem um plano bom. rs...

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  25. Mari,

    você já leu vários comentários meus dizendo que eu não sou contra as imagens de Deus, mas que seria importante que cada um saiba que sua imagem de deus não é Deus. Mas sei que uma pequena minoria pode entender isso, por isso, deixem os meninos beberem leite; precisam dele para se alimentar. (sei que isso soa tão pretencioso, mas estou seguindo o modo de Paulo argumentar).

    Eu não vou aqui refutar o seu modo de crer, mas quanto à sua pergunta

    "Mas falando desse ser espiritual criador que vc diz acreditar e que não sabe definir, ele é incomunicável ou se permite comunicar, tocar, fluir...? Se ele existe e é possível não é através de nossas percepções que o vemos?"

    Não, eu não estou falando de um SER ESPIRITUAL, pois não sei se essa Realidade é um ser espiritual, entende?

    Como diz Levi, pode ser que tudo acontece apenas na nossa psiqué e que de fato, não haja nada fora dela. De fato, Deus só pode existir em nossa psiqué. Onde mais o encontraríamos?

    Outra coisa é quando se diz "Deus". O que estamos dizendo ao dizer "Deus"? é o Deus judaico, cristão, espírita, o da teologia do processo, o da teologia sistemática, o da teologia calvinista?

    Quando eu digo "Deus" não estou pensando em nenhum desses "Deuses", na verdade, quando digo "Deus" estou pensando na Realidade na qual eu estou inserido e faço parte; ou melhor, não faço parte dela, eu sou ela.

    Sei que é um modo muito chato de se "crer" em Deus, pois não existe a emoção da relação pai-filho ou soberano-servo(ou qualquer outra relação possível ao pensamento religioso) mas como eu disse, eu não descarto as imagens.

    E a minha imagem de Deus é um homem, Jesus de Nazaré. A melhor compreensão de Deus para nós, é o Deus humanizado, fragilizado, que não é diferente do homem, mas é um com ele.

    beijos, minha poetisa.

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    1. Eu sei Edu, nem eu refutaria a sua forma de ver pois eu estaria me contradizendo, cada um vê Deus como consegue, isso q eu quis dizer, e mesmo que não consiga ao meu vê ele continua sendo. Mas eu te entendi desde o princípio.
      Beijins tio Edu!!Fica com os NOSSOS Deus.

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  26. Edu, a frase junguiana de que Deus está em nossa psiquê, soa como um paradoxo. Pois se é fruto do nosso inconsciente, logo, ele não pode existir. Ou no máximo, pode ser um Deus estabelecido por mim para minha própria conveniência.

    Edu meu chapa, você foi laçado pelo neo-ateísmo? Vamos. Confessa! kkkkkkkkk

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  27. Paz Seja Contigo!

    Na minha tentativa de expressar a Soberania Divina, contesto aqueles que dizem que Deus não pode ter se arrependido de ter criado o homem e por conseguinte ter decretado o dilúvio. Portanto, os que assim afirmam, baseiam-se no atributo de Sua onisciência; ou seja, por Ele saber de fatos futuros, não poderia expressar arrependimento; pois se assim O fizesse, "estaria teatralmente representando sentimentos de arrependimento de coisas e/ou fatos com conhecimento antecipado pela Sua própria onisciência".


    Desfazendo este equívoco sobre os atributos de Deus, afirmo que Deus não é escravo da Sua Onisciência e de nenhum de Seus atributos.
    Usando um pouco do artifício da conjectura podemos afirmar que, até nós seres humanos, temos o livre arbítrio de, por exemplo:
    Ao assistir um filme, abrir mão de ver o final do mesmo. Portanto, o Senhor Deus também tem livre arbítrio, o que lhe permitiria querer saber ou não de um determinado fato futuro, ou vê-lo parcialmente (pouca profundidade), conforme a Sua soberana vontade. Pois o Deus Todo-Poderoso é soberano e Seus atributos (Onisciência, Onipresença e Onipotência), não são maiores do que Ele.

    Outra consideração que exponho, é a questão da Fé cristã em concordância a Soberania de Deus.
    De forma nenhuma a Fé pode ser incondicional, pois a mesma está estritamente condicionada ao ensinamento de Cristo.
    Com relação aos atos soberanos de Deus: não se trata de um deus coadjuvante e fatalista, e sim de um DEUS que tem compromisso com a Sua Palavra e que vela em cumpri-la. Portanto, não se pode confundir a Fé, que é a expressão genuína do homem para com o seu Criador; e Soberania de Deus, que é a Sua própria fidelidade ao cumprimento daquilo que Ele mesmo estabeleceu em Sua Palavra.


    Um abraço do Discípulo de Cristo,
    J.C.de Araújo Jorge

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