quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Diálogo entre os apócrifos e os canônicos 2





Esta é a segunda parte do texto "Diálogo entre os apócrifos e os canônicos"


O livro da Vida de Adão e Eva originalmente escrito em hebraico  antes de 70 E.C e que teve uma tradução grega da qual surgiu uma tradução em latim que é na verdade, uma nova narrativa, demonstra bem esse diálogo dos textos de tradição hebraico com a tradição cristã. O texto em latim reinterpreta o messianismo judaíta numa perspectiva cristã; Gênesis 3,15 é relido desde Cristo. “Quando passarem 5.228 anos, virá à terra o Cristo, o muito amado Filho de Deus, para animar e ressuscitar o corpo de Adão e de todos os mortos”.  Encontramos aqui uma interessante interpretação messiânica cristã, enraizada numa interpretação judaica. No novo texto também aparece a visão da virgem com um menino crucificado nos braços, lembrando a mulher e sua descendência ferida pela serpente.

Começa a ser construído o pensamento teológico que virá a ser cada vez mais comum ao judaísmo e ao cristianismo: todos os males são consequência da culpa do pecado de Adão e Eva, o que o cristianismo posteriormente vai chamar de “pecado original. Consolida-se também no pensamento cristão o dualismo corpo/alma; no livro, a alma de Adão será entregue no céu ao arcanjo Miguel, enquanto o corpo de adão será enterrado pelos anjos, no paraíso, junto com o corpo de Abel.

O 4Esdras, que junto com 3Esdras que fazem parte da Vulgata como livro canônico, nasce no contexto da grande pergunta que mexeu com a cabeça e com o coração dos judeus, depois de 70 E.C: Por que o nosso Deus Todo-Poderoso deixou que a santa cidade de Jerusalém fosse destruída pelos romanos?  É um texto originalmente judaico, ao qual autores cristãos acrescentaram os primeiros e os últimos capítulos. O corpo judaico, porém, é também recheado de mensagens que foram lidas em comum por judeus e cristãos, a ponto de ser considerado livro inspirado.

A explicação encontrada é que todos os males está no “coração mau” com o qual, depois do erro de Adão, todos nascem, inclusive Israel. Nem a Torá livra do pecado: Deus a entregou no Sinai sem tirar o coração mau(4Esd 3,19-22). A lei, aos poucos, foi abandonada e ficou só o coração mau. Jerusalém foi entregue aos babilônicos e aos romanos porque seus habitantes repetiram o erro de Adão.

Vários outros exemplos de livros hebraicos com interpolações e reinterpretações cristãs poderiam ser citados, mas para não  alongar muito, passo  à conclusão que é: O cristianismo primitivo dialogou com os textos da tradição judaica canônica e apócrifa. Às vezes parecem dominar razões apologéticas onde se busca mais do que um diálogo, usar a obra do outro para legitimar o nosso pensamento. Outras vezes, porém, parece estar sendo autorizada, através de uma espécie de batismo cristão, uma obra judaica considerada importante e interessante para a comunidade. Seja qual for o objetivo desta interação, não resta dúvida que os apócrifos judaicos eram lidos, eram conhecidos, eram meditados e celebrados ao mundo cristão ou, pelo menos, ao mundo judeu-cristão.

Fica portanto algumas perguntas:

O que é canônico e o que é apócrifo? Como se chegou a esta distinção?  Quem quis e por que quis afastar da comunidade a proclamação da palavra contida nesses livros? Por que hoje não lemos mais estes textos que alimentaram as primeiras gerações de cristãos? Por que surgiu esse abismo entre judaísmo e cristianismo, já que ambas tradições possuem a mesma raiz?


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As informações do texto constam de um artigo escrito por Sandro Gallazzi na Revista de Interpretação Bíblica Latino-Amricana, edição 40, ed Vozes que por sua vez, cita a obra de Alejandro Diez Macho, Apócrifos del Antigo Testamento, vol 1, ed Cristandad, Madri, 1984

38 comentários:

  1. Olá, Edu.

    Tendo lido os dois textos desta sua série, realmente concordo com o que colocou acerca do intercâmbio entre a literatura apócrifa judaica e o cristianismo, bem como o Novo Testamento. Digo que não haveria cristianismo sem judaísmo e nem um NT sem um AT e outros livros. Tanto os que foram acolhidos pelo judaísmo rabínico sucessor dos fariseus quanto os do judaísmo heterodoxo da Diáspora, da comunidade de Qumrãn (os Manuscritos do Mar Morto), etc.

    Este tema já foi objeto de muitas meditações pessoais minhas. Logo, não encontro muito embaraço em responder suas perguntas:

    1)"O que é canônico e o que é apócrifo?"

    Resp.: Canônico é todo e qualquer escrito tido como literatura oficial ou " verdadeira" por um segmento religioso. Porém, o conceito de canonicidade é restrito aos seguidores da respectiva seita. Por exemplo, para o judaísmo os evangelhos da Bíblia cristã seriam todos textos apócrifos sem a "inspiração divina", tendo valor apenas como consulta. Outro exemplo, para muitos cabalistas, livros como o Zohar e o Talmude têm o status de Escritura sagrada. A palavra "cânon" significa vara ou régua, o que, na verdade, seria um padrão ou uma regra. Para os cristãos, o vocábulo passou a ter sentido para se referir a uma lista de livros inspirados por Deus que a Igreja reconheceu como Escrituras com autoridade divina.


    2)"Como se chegou a esta distinção?"

    Resp.: Mole pra nós, mas peço que não me peça para contar aqui com detalhes toda a história do cânon bíblico. Pode-se dizer que, na época de Jesus e dos apóstolos, os judeus já tinham categorizado a Bíblia hebraica em três partes: (i) a Torah, que seriam os cinco primeiros livros do AT da Bíblia cristã; (ii) os Profetas que se dividem em Profetas Anteriores (a sequência narrativa de Josué a 2Reis) e Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os 12 "profetas menores" que formavam o "Livro dos Doze" agrupados num único rolo); e (iii) os Escritos que consistiam em grande parte em documentos cuja aceitação pelos rabinos possa ter ocorrido justamente no século I da era cristã, compreendendo os demais livros que fazem parte do Antigo Testamento da Bíblia protestante e divergiam da Septuaginta que incluía os deuterocanônicos. O cânon definido pelos judeus do século I foi logo aceito pelos cristãos já que Jesus e os escritores do Novo testamento referiam-se a uma grande variedade de livros do AT como tendo autoridade divina, tendo em vista as citações do NT do tipo "Está escrito" ou "Diz o Senhor".

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  2. Continuando a responder à segunda pergunta do Edu:

    (...) Entretanto, a formação do cânon do NT foi muito mais complexa do que a do AT, pois as discussões dentro da Igreja sobre quais livros seriam de inspiração divina foram bem maiores, embora hoje católicos (romanos e ortodoxos) e protestantes concordem quanto às 27 obras que constam nas suas respectivas Bíblias. E a única exceção é a igreja etíope, cujo cânon do NT parece ter 39 livros. Devido à semelhança que guardavam, os Evangelhos sinópticos, isto é, os de Mateus, Marcos e Lucas, foram aceitos com mais facilidade do que o de João, uma vez que este foi usado pelos gnósticos para justificarem a versão que tinham sobre o cristianismo. Porém, as maiores polêmicas dos livros atuais do NT recaíram sobre o Apocalipse, que demorou cerca de dois séculos para ser aceito com unanimidade como Escritura, além das epístolas universais de Tiago, 2Pedro, 2 e 3João e Judas. Vale dizer que que, nos tempos de Eusébio de Cesareia (séculos III e IV), pelo menos os 4 Evangelhos, Atos dos Apóstolos, as cartas paulinas, a Epístola aos Hebreus, 1João e 1Pedro já não sofriam mais restrição na Igreja de um modo geral, bem como o Apocalipse no Ocidente. Eram contestados não só Tiago, Judas, 2Pedro, 2 e 3João, como também Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, a Carta de Barnabé e o Didaquê. Já quanto aos Evangelhos de Pedro, de Tomé e de Matias, bem como os Atos de André e Atos de João, todos estes já se encontravam firmemente rejeitados nesta época. Assim, na Páscoa de 367, Atanásio teria apresentado sua lista contendo os 27 livros inspirados no NT e coincidindo com o cânon atualmente utilizado nas Bíblias católica e protestante. Tal lista foi primeiramente aprovada no Oriente e, anos depois, no Ocidente, em 405, por uma declaração do papa. É certo que, apesar da decisão papal, as divergências devem ter permanecido por muitos séculos dentro da Igreja. Tanto é que, no século XVI, Lutero e outros reformadores suspeitaram da canonicidade do Apocalipse e não aceitavam a Epístola de Tiago, porque viam conflitos desta com a doutrina paulina de salvação pela fé, exposta com maior abrangência em Romanos. E, embora tenha traduzido-os para o idioma alemão, Lutero considerou as epístolas de Hebreus, Tiago, Judas e o Apocalipse como obras inferiores, colocando-as no final da sua Bíblia e tendo somente os demais livros “os verdadeiros, seguros e mais importantes livros do Novo Testamento”.

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  3. Rodrigo, suas respostas estão dentro do "cânon"...rssssss

    As perguntas também são retóricas: afinal de contas, diante do exposto, dá prá realmente falar em "canônicos" como sendo inspirados e verdadeiros e "apócrifos" como não inspirados e falsos?

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  4. 3)"Por que hoje não lemos mais estes textos que alimentaram as primeiras gerações de cristãos?"

    Resp.: Brother, aí você está me pedindo uma tese de doutorado. Não tenho condições de te responder suficientemente isto. Apenas direito brevemente que, por razões de ordem política, os primeiros líderes cristãos (século II) decidiram incluir uns livros e não outros. Foi o Santo Irineu quem veio com o papo de cânon da verdade e levantou a ideia de que os evangelhos seriam só os quatro que constam na Bíblia cristã. Porém, como já foi dito, a definição do cânon cristão só veio a ocorrer no século IV e a escolha, ainda que tenha se baseado no pensamento ortodoxo do Santo Irineu, foi motivada pelas razões políticas dos católicos e de Constantino. Outrossim, deve ter havido também o interesse de se ocultar as fontes. Tanto é que a Igreja Católica procurou retardar bastante a descoberta dos MMM (Manuscritos do Mar Morto) em que foram achados fragmentos da seita de Qumrãn que louvavam um messias anterior a Jesus e ligavam a obra do Messias ao servo sofredor de Isaías 53, pensamento este que, mesmo não constando no NT, fez parte da teologia dos pais da Igreja.


    4)"Por que surgiu esse abismo entre judaísmo e cristianismo, já que ambas tradições possuem a mesma raiz?"

    Resp.: Aí as razões são mais históricas e de cunho político e cultural do que por causa dos livros apócrifos. Como havia escrito antes, não haveria cristianismo sem judaísmo, sendo que, no meu entender, o cristianismo veio como um substitutivo para o judaísmo no mundo gentílico. Pouca gente sabe, mas a história conta que, nos séculos I e II 10% do mundo romano poderia ser de judeus. Havia muitas comunidades judaicas na Diáspora e, pasme, bastante gente de origem grega seguindo o judaísmo. Havia fariseus missionários dentre os que eram oriundos da escola do rabi Hillel e cada vez mais mulheres gregas e muitos homens passaram a frequentar sinagogas. Então, para que os gregos pudessem se proteger culturalmente da asimilação judaica, resolveram criar uma espécie de judaísmo grego - cristianismo. Daí surgiu o mito de Jesus com base em possível pregações ou relatos acerca de um judeu chamado Yeshua, morto pelos romanos. Só que a maneira como é contada a história de Jesus, cujo assassinato passou a ser atribuído aos judeus, bem como os gentios são doutrinados pelas cartas de Paulo, tem-se aí um flagrante anti-judaísmo desenvolvido no Novo Testamento.

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  5. Pergunta extra do Edu: "As perguntas também são retóricas: afinal de contas, diante do exposto, dá prá realmente falar em "canônicos" como sendo inspirados e verdadeiros e "apócrifos" como não inspirados e falsos?"

    Resp.: Não. Pois o que é verdadeiro pra um grupo, não é para o outro. Por exemplo, o catolicismo rejeitou o cânon curto de São Jerônimo sobre o Antigo Testamento e deram preferência a outros livros constantes na tradução grega. Mas os judeus rejeitam como inspirados os livros da Septuaginta, muitop embora, como boa parte do Texto Massorético apresenta compreensões imprecisas, muitos rabinos e tradutores das Escrituras hebraicas. Ainda assim, eles têm como apócrifos os demais livros gregos da Septuaginta e que não têm correspondência no hebraico. Logo, o cânon da Bíblia judaica é o cânon curto de São Jerônimo e que, por sua vez, é o cânon aceito na Bíblia protestante para o Antio Testamento. Já o Novo Testamento, dentro do judaísmo, pode ser tanto literatura apócrifa quanto até mesmo herética. Depende da visão adotada por cada judeu.

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  6. Em tempo!

    Pra mim, Edu, esta régua chamada cânon não existe mais.

    Primeiro porque já não tenho mais a Bíblia como fonte de autoridade. Ela é só um importante livro de consulta, uma bússula escrita para gerações, ainda que com muitas falhas e imperfeições. E também não é a Palavra de Deus porque pra mim a Palavra é imaterial, impossível de ser submetida à escrita, ainda que possamos registrar as nossas revelações no papel (e agora na internet).

    Sendo assim, a inspiração divina está por toda parte. Está nas músicas, na natureza, numa conversa que eu e você temos, numa poesia, numa pregação, num documentário, etc. Inspiração, mano, nada mais é do que a motivação divina, a vontade que brota em nosso íntimo para pesquisarmos e anunciarmos coisas espirituais. E isto não significa que tudo aquilo que é dito pelo homem inspirado por Deus será exatamente a "Palavra de Deus".

    É o que tenho refletido nos últimso anos.

    Valeu!

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  7. São questões Edu, historicamente fáceis de serem localizadas, e com certo grau de acerto estabelecidos os nomes que compuseram a equipe que trabalharam na separação dos livros canônicos dos apócrifos.

    Agora, entrar no mérito da questão de acertos e erros deste trabalho com precisão, é uma tarefa impossível. Visto os mais variados interesses em torno deste projeto, sejam eles exclusivamente políticos e/ou políticos-religiosos.

    Achei interessante uma entrevista feita pela TV Band com o professor de teologia Mario Sergio Cortella. Este vídeo inclusive está no blog da Mari.

    E como já somos informados, Cortella confirma que, lamentavelmente tudo ou quase tudo o que sabemos a respeito de Jesus encontra-se no novo testamento canônico, ou em textos cristãos não canônicos.

    O que sabemos a partir de registros feito por Josefo, historiador judeu, é que Yeshuá foi crucificado por Pôncio Pilatos, que Tiago, seu irmão, foi morto apedrejado por ordem da suprema corte judaica, e que João Batista, predecessor de Yeshuà, foi executado por seguidores de Herodes.

    Historicamente, os registros acerca de Jesus não daria para preencher duas páginas de um livro. Muito pouco para dar-se ao luxo de ignorar, de condenar centenas de outros relatos que poderiam ajudar e muito na montagem desse quebra cabeça, que é o perfil exato da pessoa de Jesus de Nazaré. A não ser que nos limitemos a atribuir a fatores sobrenaturais esta deliberação. Fato que é evidentemente rejeitado pela crítica.

    Mas há um consenso de que de fato Jesus de Nazaré realmente existiu, e que em algum momento, foi transformado em Jesus Cristo pelos seus seguidores. Nisto concordam os canônicos e boa parte dos apócrifos.

    Onde reside boa parte dos problemas dos apócrifos. Eles sugerem níveis de gnosticismo em sua essência. E daí, escritos canônicos não possui também? Eles demonstram ares de misticismo em suas letras. E os canônicos, são isentos disso? Alguns apócrifos apresentam um Jesus imperfeito, sujeito às mesmas paixões dum homem comum. Mas será que os evangelistas canônicos, em algum momento teve esta intenção?

    E muitas outras ponderações perfeitamente legítimas poderiam ser feitas.

    Por isso Edu, se quiserem dar início a uma campanha para a inclusão de alguns apócrifos na Bíblia protestante, Estou dentro!

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    1. Donizete,

      Apoio sua campanha, mano!

      Vamos começar a grampear nas nossas bíblias o Evangelho de Tomé! O que acha?

      Penso que se muitos dos evangelhos apócritos constassem nas bíblicas estudadas nas igrejas e em seminários teológicos haveria um enorme enriquecimento para todos.

      Só que, lamentavelmente, a religião cristã tenta eliminar a todo custo as contradições como se fosse possível criar um todo harmonioso com a Bíblia. E não foi por menos que Lutero ainda tentou banir a Epístola de Tiago e que os judeus também ficaram com pé atrás em relação a Eclesiastes.

      Ah como eu queria ver nas igrejas o pessoal estudando as frases sapienciais e instigantes do Evangelho de Tomé!

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    2. QUANDO VAI COMEÇAR ESSA CAMPANHA, NOBRE APÓSTATA ASSEMBEREANO?! ME AVISA QUE jÁ VOU COLOCAR COMO HOME PAGE NO CONEXÃO DA GRAÇA!!!rsrsrs

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  8. História, especulações e nenhuma certeza. A letra mata, o Espírito traz vida. Gosto da essência bíblica que transforma, que lava a alma, que fala ao coração.

    Gosto da história porque ela estimula o meu intelecto e instiga a minha curiosidade.

    Estes teólogos me deixam com a cabeça a mil por hora. Agora esquentou bem com o Rodrigão.

    Beijos para os três. rsrs

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    1. Gui,

      A essência da Palavra (não só da que foi escrita na Bíblia) é de melhor proveito do que qualquer estudo histórico ou teológico.

      Ainda que me apresentassem provas inquestionáveis sobre a inexistência de Jesus, eu sei que o Cristo Universal vive e pode ser experimentado em toda e quaquer tradição religiosa!

      Não precisa deixar sua cabeça a mil por hora por minha causa... (rsrsrs)

      Paz!

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    2. Em tempo!

      Conforme li um excelente texto na internet,

      "O Cristo Universal não é representado apenas pela figura histórica que chamamos de Jesus, já que muitos de nós o compreendem como a suprema expressão da totalidade — do Deus manifesto. O Cristo Universal não está confinado a nenhuma religião. Ao contrário, deve ser compreendido como o potencial máximo que existe em todos os seres. Mas ele só desabrocha naquele que possui completa autocompreensão. Os Grandes Mestres, aqueles seres que compreendem a si mesmos e que vivem como manifestações do Cristo Universal, apareceram em muitas tradições diferentes em toda a História. Eles demonstraram, na totalidade de seu ser e de seus ensinamentos o caminho para unir o humano ao divino. Este potencial está presente em todo ser. O Cristo Universal é o instrumento através do qual retomamos a conexão com a Fonte primeira. É a graça salvadora que nos liberta da ignorância (...) A força e a verdade dessas muitas histórias do Cristo Universal residem em sua universalidade, não em sua exclusividade. Continuamos contando-as, geração após geração, de cultura para cultura, porque algo em nós ressoa profundamente com as suas verdades acerca de nossa natureza e do modo como podemos reconciliar o humano com o Divino. Por meio delas, encontramos orientação ao confrontar nossas sombras e ao enfrentar as provas e tentações, os perigos e os sacrifícios, ao viver a consciência do Cristo. Não retornamos à totalidade através desta ou daquela religião; retornamos através do Cristo Universal. Os Mistérios ensinavam aos iniciados que nós, primeiramente, entramos no caminho, depois seguimos o caminho e, por fim, nos tornamos o caminho."
      (http://www.acasadoaprendiz.com.br/oraflamel_01_08_02.html)

      Eis aí um exemplo de gnosticismo moderno, um cristianismo esotérico e uma visão mais aberta sobre a ideia de Cristo.

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    3. Nobre Doutor Relacional, gostei do texto só não aprovo o tendêncioso título de um "Cristo Universal", pois logo surgiriam outros tais como "Cristo Internacional da Graça de Deus" ou "Cristo Mundial do Poder de Deus"!!!rsrsrs

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    4. Guiomar, essas especulações são características em qualquer religião, daí poderíamos usar sua frase "A letra mata, o Espírito traz vida" de outra forma, encarando como vida as percepções que outros mestres de outras religiões tiveram e que contribuem com o crescimento, desenvolvimento e "salvação espiritual" para os míseros humanos.

      É o "Evangelho que não é do Meio".

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  9. Para mim o problema é a questão do sagrado. Nem tanto o que ou quais livros são sagrados, mas se de fato são e até que ponto são sagrados. E a dificuldade que existe em utilizar esse texto sagrado e depreender a famosa VERDADE. Essa que todo mundo tem, todos foram revelados, todos sentiram e que ao mesmo tempo é diferente na grande maioria dos casos.rs... Mas a esse respeito já falamos muito rs...
    Escrevam bastante aí! Deixo para os teólogos.

    Abraços tio Edu!

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    1. Será que um texto consegue mesmo se tornar sagrado? Ou o que é sagrado?

      Como cheguei a compartilhar acima, não leio a Bíblia como sendo a Palavra de Deus ou fonte de autoridade. Tenho-a mais como um livro de orientação, uma bússola. Uma coleção de livros que se tornou também o registro de várias revelações e experiências de homens do passado que da maneira deles buscaram a Deus.

      No entanto, o fato de eu considerar a Bíblia mais como um livro de consulta do que sendo sagrada, não significa uma perda de respeito pelas Escrituras. Muito pelo contrário!

      Quando penso nas Escrituras hebraicas, mesmo tendo sido elas alteradas, inclusive quanto ao que Moisés disse, lembro logo dos ancestrais dos judeus. Logo, até as glosas e palavras inclusas pelos redatores da Torá foram feitas por sacerdotes que se preocuparam com o bem da futura geração do povo e daí terem elaborado um diálogo de pai para filho.

      Assim, o mesmo respeito que um filho tem pelos ensinamentos de seus pais, nós devemos ter pela Bíblia e demais livros de orientação existentes nas demais tradições. E assim como no diálogo o filho troca ideias com o pai, o mesmo encontramos na Bíblia quando o leitor reverentemente conversa com o texto nas suas idas e vindas fazendo a devida reflexão pessoal.

      Quando olho para o meu passado, vejo quanta coisa perdi por não ter dado ouvidos às palavras de meu falecido avô paterno, o homem que me criou. E da mesma maneira vejo que não só o povo de Israel como nós ocidentais (irmãos dos judeus por adoção) pecamos quando não somos capazes de atentar para o que foi escrito lá atrás pelos sacerdotes da Torá usando as palavras de Moisés, profetas e outros personagens, além dos primeiros padres da Igreja.

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    2. Rodrigo, Esse aspecto é inquestionável! Quando falei da sacralidade, me referia ao fato de algumas pessoas dizerem que em qualquer situação ficam com a bíblia. Estamos todos vendo que o mundo é multicor mas a Bíblia diz que é preto e branco, ficamos com a bíblia! O Donizete já fez uma excelente explicação sobre essa abordagem que é chamada de fundamentalista.
      Já disse outras vezes que a não rejeito a a bíblia, não a tenho como um livro menor, mas ela não está em pé de igualdade com Deus. Sinto que Deus fala muito além dela e acho que o bem senso pode ser usado para extrair dela o melhor. A verdade é que sendo sagrada ou não, tendo conhecimento dos métodos de interpretação bíblica ou não, considerando-a sagrada ou não, cada um vive seu relacionamento com ela a sua maneira ou da maneira que aprendeu de alguém rs... Sempre alguém encontrará uma maneira de combater o que quiser e aprovar tb. Não é verdade?
      A sacralidade dela exclui o que há de sagrado em outros livros sagrados? Pois há verdades que nem são bíblicas apenas, que vc encontra em outras culturas (como vc mencionou), mas o crente acha que só é sagrado porque está ná bíblia. Entendeu? A Bíblia que consola, inspira, é motivo de rixas tb dentro de igrejas.
      Então Rodrigo, falando como uma cristã, os ensinamentos bíblicos para mim são sagrados. Quais? Aqueles que o bom senso me dizem que são vigentes que eu percebo que tem a ver com o que eu compreendo como Deus. Errado meu método? Qual o correto?



      "Filho meu, não te esqueças da minha instrução, e o teu coração guarde os meus mandamentos;
      porque eles te darão longura de dias, e anos de vida e paz.
      Não se afastem de ti a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço, escreve-as na tábua do teu coração;"

      Abraços!!Fica com Deus

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    3. Best HerejA, vs. excelência disse: "Quando falei da sacralidade, me referia ao fato de algumas pessoas dizerem que em qualquer situação ficam com a bíblia". Estamos todos vendo que o mundo é multicor mas a Bíblia diz que é preto e branco, ficamos com a bíblia!".

      Essa é a mentalidade de quem prioriza o "ESTÁ ESCRITO" em detrimento de "QUEM ESTÁ VIVO".

      Vc percebeu bem e concordo contigo. Quando o "está escrito" denigre o "quem está vivo", prefiro a fogueira dos condenados pela heresia do que a comodidade dos passivos em defesa do ser criado a imagem e semelhança do Criador pelos quais o "está escrito" tem razão de ser...

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  10. Desde o século II, os primeiros padres do cristianismo ortodoxo já buscavam criar uma versão logicamente harmoniosa e coerente do Evangelho. Sendo eles gregos, não se acostumavam facilmente com as ambiguidades e aparentes contradições. Logo, o caminho adotado foi acolher alguns livros e excluir outros.

    Num dos debates iniciais desta confraria, cheguei a falar nos evangelhos de João e de Tomé em que, conforme o ensino de Elaine Pagels, aquele seria uma resposta apologética a este. Até mesmo a passagem sobre a descrença de Tomé em João parece ter sido propositalmente mencionada pelo autor.

    Ressuscitando o velho universalismo grego (o helenismo), surgiu o catolicismo com suas ambições dominadoras. Para os católicos, os evangelhos "gnósticos" eram incompatíveis com a doutrina que estavam criando porque ameçavam a unidade eclesiástica e minavam a autoridade de bispos e padres. Mas o resultado disso foi uma religião medíocre, estúpida, violenta e perseguidora de quem não concordasse com os seus dogmas a ponto de ter obstruído os avanços da ciência no Ocidente por mais de um milênio e meio. Foi a decadência da sociedade grega antes cheia de pensadores luminosos. O suicídio do Mundo Antigo!

    A descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi em 1945 revelou por debaixo das areias do deserto um outro cristianismo que o mundo até então desconhecia. Um tesouro que sobreviveu à fúria do bispo Atanásio de Alexandria, considerado "santo" pelas igrejas romana e ortodoxa. E, com isto, tornou-se possível criar mais hipóteses acerca do surgimento do cristianismo e de Jesus.

    Não acho que seja incontroverso o fato de Jesus ter existido, ao contrário do que o Doni colocou. Nas epístolas de 1 e 2 João, tem-se até mesmo uma preocupação quanto aos que diziam não ter Jesus vindo em carne, em que tais mestres são chamados de "anticristo".

    Neste sentido, posso levantar aqui a hipótese de que alvez existissem mestres que ensinavam ser o personagem Jesus um arquétipo e não um ser histórico. E, se assim foi, temos aí duas outras hipóteses a serem refletidas:

    1)Jesus não teria existido;

    2)Jesus realmente existiu, mas nem tudo que foi dito a seu respeito e nem todas as palavras a ele atribuídas seriam autênticas.

    Bem, de uma coisa tenho certeza. O Jesus arquetípico diferencia-se de um Yeshua real. E também que tanto nos livros canônicos quanto nos considerados apócrifos pela ortodoxia existem coisas que, evidentemente, foram inventadas pelos padres.

    De qualquer modo, a chave para conhecermos mais o Jesus histórico e irmos montando este quebra cabeças parece estar em estudos sobre o judaísmo. Pois é tentando configurar um judeu do século I que iremos nos aproximar mais de como foi Jesus e aí fico muito feliz pelas ambiguidades que existem nos próprios evangelhos canônicos porque elas ajudam a desfazer o mito emburrecedor criado pelos católicos.

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  11. Rodrigo,

    "Então, para que os gregos pudessem se proteger culturalmente da asimilação judaica, resolveram criar uma espécie de judaísmo grego - cristianismo"

    Você acha que historicamente os gregos precisavam ou tinha essa preocupação de se protegerem do judaísmo e por isso criaram um "judaísmo que não era judaísmo"(cristianismo)?

    Fiquei intrigado com essa ideia; nunca li nada parecido. Gostaria que você falasse mais disso, se possível.

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    1. Edu,

      Edu, isto dá uma boa tese histórica.

      Mas pelo que andei pesquisando, a religião grega já não estava mais satisfazendo os anseios da população. Muita gente sentia-se atraída pelo judaísmo da Diáspora que a cada dia mais fazia prosélitos no mundo antigo. Talvez pelo fato da Torá ser bem antiga e oferecer respostas e orientações para vários conflitos humanos.

      Então, se pensarmos na hipótee de que o judaísmo estava fazendo um número considerável de seguidores entre os gentios da época, fica fácil entendermos o porquê do surgimento do cristianismo. Afinal, pra que o cristianismo seria um substituto do judaísmo?

      Neste mesmo sentido, o islamismo também surge séculos depois como um substituto tanto do judaísmo como do cristianismo. E foi uma jogada de mestre dos califas que evitou a assimilação cultural dos árabes pelos bizantinos e judeus, mobilizando a população para uma "guerra santa" contra os idólatras e demais infieis que negam o profeta Maomé.

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  12. Mari e Rodrigo

    Ruddolf Otto cunhou a seguinte definição de sagrado: "O sagrado é o 'inteiramente outro', ou seja, aquilo que é totalmente diferente de tudo o mais e que, portanto, não pode ser descrito em termos comuns"

    Mircea Aliade, famoso pesquisador das religiões antigas, acatou tal definição. Para ele, o significado original de "sagrado" indica algo separado e consagrado; já profano, seria tudo o que estive fora do templo.

    O homem obtém seu conhecimento do sagrado porque este se manifesta como algo totalmente diferente do profano; ele chamava isso de "hierofani" palavra grega que significa "algo sagrado está se revelando a nós".

    Por isso, o sagrado pode se manifestar na pessoa de Jesus, numa árvare ou numa pedra, de acordo com a experiência do sagrado de cada um.

    Alguém que adora uma pedra não está prestando homenagem à pedra em si. Venera a pedra porque esta é um hierofani, ou seja, ela aponta o caminho para algo que é mais do que uma simples pedra: é o "sagrado".

    (conforme Gaardner,Hellern e Notaker, O livro das religiões, Cia das Letras)

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    1. "Por isso, o sagrado pode se manifestar na pessoa de Jesus, numa árvare ou numa pedra, de acordo com a experiência do sagrado de cada um. Alguém que adora uma pedra não está prestando homenagem à pedra em si. Venera a pedra porque esta é um hierofani, ou seja, ela aponta o caminho para algo que é mais do que uma simples pedra" (Eduardo)


      Mas Edu, neste caso há uma substituição do Criador, o Deus invisível sem forma e sem altares, pela criatura. E este tipo de experiência pode se tornar muito enganosa e levar o homem à ignorância idolátrica em que o apego ao ídolo passa a obscurecer o seu entendimento acerca do Santíssimo, perdendo a consciência de Deus.

      Este também é um grave problema do cristianismo por causa da ideia de um Messias divinizado, uma má compreensão da natureza divina de cada ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. E daí me parecer bem que a revelação de Deus em Cristo nada mais é do que percebermos o amor divino no nosso semelhante, percebendo a manifestação divina em quem está perto e acessível, ao invés de alimentarmos uma crença num Deus distante lá no céu em esfera inacessível.

      Mês passado, enquanto eu caminhava pela floresta, senti vontade de abraçar uma árvore. É certo que eu não fui adorar a árvore. Apenas resolvi reconhecer a manifestação da Vida naquele ser vegetal e olhar pára além das coisas criadas.

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  13. Doni e Rodrigo. Mari e Gui também....rss

    Os cristãos ganhariam muito se lessem e estudassem o Evangelho de Tomé. Aliás, o que falta no cristianismo atual é um pouco de gnose...

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    1. Dos discípulos SAN TOMÉ É O MEU HERÓI pela ousadia em duvidar do mestre e pelas inspirações à vinicultura...rs

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  14. Será que um texto consegue mesmo se tornar sagrado? Ou o que é sagrado? (RODRIGO)

    Vamos ver o que a Psicanálise tem a dizer sobre o Mito da Queda do V.T., e O Mito da Redenção no Novo testamento, para se compreender como se processa na psique humana esse mecanismo maniqueísta reacionário de separar o “sagrado” do “profano”.

    O mito da criação mostra a fase guerreira do homem primitivo que se nutria da separação do “sagrado” e do “profano”. O profano – , parte inconsciente – percebida como ruim ou má, era projetada no outro diferente. Se matava o outro numa tentativa defensiva de se ver livre da ameaça do que era tido como “ruim” dentro do seu próprio ser.

    O mito cristão faz o caminho inverso, em que o homem-deus desce para buscar o “profano” que havia se separado do “sagrado” ― mito da expulsão de Lúcifer. Esse Mito Primevo englobava a intolerância do homem contra seus próprios desejos reprimidos,que no linguajar psicanalítico significa uma reação defensiva ou tentativa de não admitir o seu lado lado “profano” . Essa era a tônica do V.T.: para que existisse a suposta expulsão do “profano” de um Superior se fazia necessário a presença do OUTRO Inferior.

    É no Mito Cristão que se evidencia com fortes cores a percepção de que o “profano” e o “sagrado” são partes do UNO - OS lados de uma mesma moeda que, enfim, foram RE-INTEGRADOS.

    O Mito cristão evidencia que não há mais separação entre “profanos” (gentios) e “sagrados” (judeus), pois, aquilo que havia sido repelido pelo Pai, o Filho o recuperou contra a própria IMAGO PATERNA internalizada no inconsciente judaico ortodoxo.

    A História de um povo eleito por Deus (os judeus) dono de uma terra santa, é rejeitada quase que por unanimidade por todos os judeus da diáspora. O “TRUNFO” de um povo escolhido por deus, na recente guerra dos seis dias, segundo os judeus assimilados, foi a maior desgraça para Israel, pois Jerusalém, ao invés de se tornar um monumento internacional, tornou-se um símbolo maior da conquista de um povo “sagrado” sobre os povos “profanos”.

    “Não haverá paz enquanto ambos os lados da moeda não forem derrotados, nessa expectativa de TRIUNFO de um dos lados, ao se considerar o sagrado superior e o profano inferior” ― disse o rabino cabalista, Nilton Bonder.

    P.S.:

    Em minha próxima postagem, vou continuar batendo nesta tecla, que poderá ter este título: “O AMARGO TRIUNFO POLÍTICO-TEOLÓGICO”

    A tentativa de se separar os sinóticos dos apócrifos são um reedição desse mesmo fenômeno psicoteológico.

    O grande desafio que se delineia para as novas gerações é exatamente acabar com essa noção de que para um lado ter razão o outro tem que, necessariamente, estar errado.

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  15. Confrades, hoje ouvi um muçulmano falando na TV que tanto a bíblia como o alcorão são a mesma coisa, ambos ensinam amarmos ao próximo, viver uma vida de afeto, sermos justos, etc. e que os muçulmanos fundamentalistas interpretam a bíblia ao seu modo para justificarem suas vinganças, como também o fazem os seguidores fundamentalistas, da bíblia. Sabemos destas verdades.

    Ao traduzir o livro de Eclesiástico coloquei todo empenho possível, se apesar disto lhes parece que não acertei na tradução de algumas frases, perdoem-me. Porque as coisas ditas em hebreu perdem muito de sua força ao ser traduzidas a outra língua. Não só em este caso, mas também da lei e dos profetas, e nos outros livros, não é pequena a diferença que se nota quando lemos o original.

    Cheguei ao Egito no ano 30 e oito do reinado de Evergetes (132 a.C) e ali me estabeleci por um tempo. Ali encontrei um livro de grandes ensinamentos, e pensei que era dever meu dedicar-me com esforço e trabalho a traduzi-lo... Para aqueles que estão dispostos a ordenar seus costumes e viver de acordo com a lei.

    O autor era um judeu de Jerusalém, segundo o texto grego, que havia viajado e aprendido muito, tanto na escola da vida como em estudo da sabedoria. Tinha um amor profundo pela lei e o templo, pela história de seu povo e pelos ensinamentos de seus antepassados. O livro não se conservou em sua totalidade, ms foi achado fragmentos no Cairo.


    Rodrigão amado da minha alma, eu amo você presente, porque você tem muito conhecimento e também ama Jesus. Não se preocupe com o que escrevi. É muita informação para minha cabeça orquestrada kkkkkkkkkk procuro ler tudo e peneirar. Sigo o conselho do autor do Eclesiástico:

    "Quanto mais grandes sejas, mas deverás te humilhar; assim agradarás a Deus. Porque grande é a misericórdia de Deus, e Ele revela aos humildes seus segredos. Não busque o que é demasiado elevado para ti, nem queiras saber o que é demasiadamente difícil. Procura entender o que Deus te mandou e não te preocupes do que está em secreto. No te inquietes pelo que te sobrepassa, pois o que vistes já é demasiado para ti. MUITOS SE DEIXARAM ENGANAR POR SUAS PRÓPRIAS IDEIAS, E FALSOS PENSAMENTOS, DESEQUILIBRARAM SUA MENTE. (Eclesiástico 3.18-24). Beijo.

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    1. Olá, amiga.

      Tenho pra mim que o verdadeiro conhecimento a ser alcançado não é o intelectual. A Teologia e nenhum outro estudo tem limites. Também há juita coisa difícil e quase inexplicável até para a ciência.

      Bem, nessas horas, percebo o quanto as pessoas perdem tempo com a busca de um conhecimento meramente intelectual, esquecendo-se de aprender a amar. É certo que o intelecto é dádiva de Deus, precisa ser exercitado e trás muitos benefícios. Porém, para tomarmos decisões sábias e amarmos o nosso semelhante, bem como conhecermos a Deus, a quantidade de coneúdo na mente pouco importará.

      Enfim, penso que a orientação do autor de Eclesiástico vale no sentido de não sermos absorvidos por tais inquietaçõpes, embora o desejo de saber seja algo importante e que impulsiona a humanidade na sua caminhada.

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    2. Com certeza Rodrigão, a própria bíblia fala muito sobre adquirir sabedoria em todos os sentidos. Estudar é como o ar que respiramos...

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  16. Levi, "O grande desafio que se delineia para as novas gerações é exatamente acabar com essa noção de que para um lado ter razão o outro tem que, necessariamente, estar errado."

    Será que existem duas verdades? Ou modos diferentes de seguir uma única verdade?

    Beijo.

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    1. GUI

      Pode cravar na segunda opção, sem medo: O que há são modos diferentes de seguir uma única verdade.

      A Imago Paterna internalizada na psique do Cristão, do Judeu e do muçulmano é universal. Nos povos de tradição judaico-cristã a esse Pai imaginário se dá o nome de Javé, que é o mesmo Alá que existe no imaginário do muçulmano.

      No “ame a teu próximo como a si mesmo”, há algo interessantíssimo: é que a raiz da palavra “próximo” no hebraico original tem uma grafia que significa “Ruim, é o “lê-reecha”. Então a frase seria assim: Ama a teu “RUIM” como a ti mesmo” . A VERDADE seria entender que devemos amar o ruim por que ele é uma parte de nós. Perceber, ao mesmo tempo, que o OUTRO (o próximo) tem a mesma raiz que a palavra Ruim é entender um pouco de nossa psique.

      O grande problema é que a ideologia da dominação religiosa quer homogeneizar tudo, ignorando a natureza do ser humano.

      Já dizia, o sábio Hilel: "Qualquer tentativa de engenharia que vise extirpar o “outro-ruim” corre o risco de inventar o bom monstruoso ".

      P.S.:
      Mas aí, eu sem querer querendo, já entrei no tema que iria postar, em seguida (rsrs)

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    2. Nobre Mago, poderíamos acrescentar a sua frase "O que há são modos diferentes de seguir uma única verdade" a máxima "TODOS CAMINHOS LEVAM A DEUS" para desespero dos ortodoxos.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. "A Imago Paterna internalizada na psique do Cristão, do Judeu e do muçulmano é universal" - "O grande problema é que a ideologia da dominação religiosa quer homogeneizar tudo, ignorando a natureza do ser humano." (Levi)

    Levi, essa é uma afirmação difícil de ser contestada. houve sociedades matriarcais cujo DEUS-PAI era DEUSA-MÃE!. O culto às divindades femininas eram forte em canãa, na grécia, antigo Egito, etc Ou seja, refletia-se nos deuses/deusas aquilo que ia no "inconsciente social"(se posso falar assim) do povo: povos matriarcais, deusas mães; sociedades patriarcais, deuses-pai.

    Mas até mesmo na raiz antiga de um antiquíssimo nome do deus pai Javé, o El Shadday, encontra-se a raiz para "seios"; ou seja, é bem provável que Javé em tempos remotos do culto javista tenha também sido conhecido como o deus dos grandes seios- característica curiosamente, feminina.

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    1. Edu


      Vou postar um texto sobre o irresistível poder "triunfante" (sagrado-canônico) que se nutre dos despojos do derrotado(profano-apócrifo), para a gente continuar com esse gostoso bate-papo "ecumênico" que, de certa forma, é uma extensão do tema que você postou. (rsrs)

      Vamos lá...

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  18. Nobre Herege Mor, o texto pergunta: "O que é canônico e o que é apócrifo?"

    Essa distinção é feita pela tentativa de se impor como verdade absoluta sobre outras expressões, daí então precisa se criar mecanismos para legitimar minhas interpretações em detreminto de outras.

    Nada tão básico, desonesto e vulgar nas ambiências religiosas...

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  19. "A verdade é que sendo sagrada ou não, tendo conhecimento dos métodos de interpretação bíblica ou não, considerando-a sagrada ou não, cada um vive seu relacionamento com ela a sua maneira ou da maneira que aprendeu de alguém rs... Sempre alguém encontrará uma maneira de combater o que quiser e aprovar tb. Não é verdade?" (Mariani)

    Pois é, amiga. Uns simplesmente ignoram a Bíblia. Outros, sobetudo em determinadas partes do mundo, ainda a desconhecem. E temos aqui gente que a idolatra como sendo a Palavra de Deus. De qualquer modo, penso que aquele que a ler com o coração aberto e desejoso de aprender, certamente terá encontrado um grande tesouro. E, sendo a Bíblia ou não, creio quie o Espírito de Deus sempre fala ao coração sedento.


    "A sacralidade dela exclui o que há de sagrado em outros livros sagrados?"

    Mas e se o sagrado não estivewr em nenhum lugar, nenhum livro e nenhum objeto? Logo, não existiriam livros sagrados e aí nenhuma Bíblia não pode excluir outras escrituras.


    "Pois há verdades que nem são bíblicas apenas, que vc encontra em outras culturas (como vc mencionou), mas o crente acha que só é sagrado porque está ná bíblia. Entendeu? A Bíblia que consola, inspira, é motivo de rixas tb dentro de igrejas."

    Exato, amiga! A Bíblia já foi motivo até de guerras. Porém, eu penso que tudo segue conforme o sentido dado pelo leitor. Afinal, não foi usando a Bíblia, mais precisamente o Salmo 91, que o diabo veio tentar Jesus para que se lançasse do pináculo do Templo?


    "Então Rodrigo, falando como uma cristã, os ensinamentos bíblicos para mim são sagrados. Quais? Aqueles que o bom senso me dizem que são vigentes que eu percebo que tem a ver com o que eu compreendo como Deus. Errado meu método? Qual o correto?"

    Pois é, o preceito não deve se tornar mandamento engessado por uma lei. A própria tradução de Torá, palavra hebraica, foi muito mal feita para o grego, idioma do qual as Escrituras foram citads pelos autores do Novo Testamento. Pois Torá significa instrução, orientação e direção. E aí o que está escrito foram só passos dos homens na busca da direção divina, da Torá que não pode ser jamais escrita. Tanto é que se o mandamento não for compreendido em essência, a sua prática pode se tornar pecado.

    Abraços.

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