quarta-feira, 23 de novembro de 2011

União hipostática






Por Donizete Vieira


AS DOUTRINAS POSSUEM DIFERENTES níveis de importância, e  às vezes verdadeiros embates eram travados não pela palavra em si, mas por entendimentos provincianos da verdade. O escolasticismo(1) porém, enxergava esta questão sob outra ótica. Tanto o escolasticismo medieval como o protestante reformado considerava a sistematização do todo da doutrina cristã como A VERDADE.

O método escolástico vê todas as verdades no mesmo nível e considera a negação de qualquer parte do sistema a negação de todo o sistema. Não havia uma divisão sistemática, mas uma única estrutura que incorporava todo o conhecimento teológico, ou seja; um único sistema que abrangia todo o complexo doutrinário. Em função disso não faziam uma distinção qualitativa em torno das convicções teológicas. De modo que doutrinas consideradas secundárias dentro de um estudo sistemático, eram consideradas de igual valor às questões que envolvem a definição da natureza de Deus. Detalhes periféricos da teologia eram defendidos com o mesmo vigor com que defendiam as doutrinas cruciais do cristianismo. Estavam dispostos a encarar o paredão por questões mínimas da soteriologia, como fazem ainda hoje os monergistas radicais que tentam impor na base da força convicções que a tempo foram excluídas do rol das doutrinas essenciais para o cristão.

Nesta oportunidade colocarei para discussão aquele que é considerado o segundo maior desenvolvimento teológico da história da Igreja, que é a articulação da natureza da pessoa encarnada de Jesus Cristo, especificamente a doutrina das duas naturezas, a divindade e a humanidade. E a explicação de como as duas naturezas se unem numa só pessoa. (União Hipostática).

Desde o nascimento da igreja, havia um reconhecimento implícito de que Jesus, de modo singular, era plenamente humano e plenamente divino. A princípio a igreja não se preocupou em explicar a natureza da encarnação ou relacionar o divino com o humano na pessoa histórica de Jesus Cristo. As conclusões cristológias foram forjadas à medida que iam surgindo às controvérsias acerca desta doutrina.  

Assim como no caso de Ario, que criou a controvérsia em relação Trindade e à divindade de Jesus, o entendimento da pessoa de Cristo, mais especificamente sobre as duas naturezas, originou também através de polêmicas, neste caso, o entendimento só foi refinado e concluído em três controvérsias sucessivas. Para entender melhor as conclusões cristológicas que se tornaram definitivas no concílio de Calcedônia em 451, precisamos entender o clima teológico daquela época.

Na igreja dos séculos IV e V, existia duas escolas teológicas de fala grega. A de Alexandria, que por ser pesadamente influenciada pela filosofia platônica, tinha mais interesse pelas realidades espirituais, e sua tendência era enfatizar a divindade de Cristo em detrimento de sua humanidade. Um dos grandes defensores da ortodoxia nicena (referência ao concílio de Nicéia onde foi definida a doutrina da trindade), foi Apolinário, teólogo da escola alexandrina. Apolinário não admitia um Cristo plenamente humano. Sua teoria era de que, na encarnação, Jesus Cristo assumira corpo e alma humanos, mas o espírito (a mente racional) fora substituído pelo Logos divino, a segunda pessoa da trindade. A reação contra o ensino de Apolinário veio rapidamente, e seu ensino foi considerado herético pelo concílio de Constantinopla, no ano 381.

A segunda importante escola teológica de fala grega tinha sua sede em Antioquia. Essa escola estava interessada na interpretação histórica das escrituras e destacava a humanidade de Cristo. Embora não negasse a divindade de Jesus, sua atenção estava voltada para sua humanidade. Seu representante no que diz respeito ao entendimento das duas naturezas de Jesus foi Nestório, patriarca de Contantinopla. Nestório traçou, como era típico da escola de Antioquia, uma distinção acentuada entre a humanidade e a divindade na pessoa encarnada de Jesus. Esta distinção era tão acentuada que ele foi acusado de ensinar que Jesus era na realidade duas pessoas habitando um único corpo: o filho de Maria e o filho de Deus. O concílio de Éfeso em 429 condenou Nestório e sua doutrina dos “dois filhos.”

Vinte anos depois eclodiu outra crise cristológica. Dessa vez, o centro da controvérsia era Êutico, respeitado ancião de Contantinopla. Êutico, influenciado pela teologia espiritualista de Alexandria, ensinava que, após a encarnação, Jesus possuía apenas uma natureza, a divina. Acreditava que a humanidade de Jesus fora absorvida por sua divindade e que na encarnação as duas naturezas se fundiram para compor uma terceira, mais que humana e menos que divina, um “tertium quid” (“uma terceira coisa”).
Êutico e sua teoria, por fim, foi condenado em Calcedônia em 451. Note, portanto, que há uma diferença significativa entre as convicções dessas duas escolas. A primeira afirmava que as duas naturezas fundiram-se em uma só, a divina. A segunda reconhecia a dupla natureza de Cristo, porém criava um grave problema ao dividir em duas à pessoa de Cristo. Mais conforme já foi dito, o apolinarismo, bem como o nestorianismo e o eutiquismo foram devidamente condenados no Concílio de Calcedônia que formulou as suas conclusões na célebre definição de Calcedônia:   

"Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e corpo; consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade... Um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação..."

Devemos considerar também que no final do século XIX alguns teólogos europeus começaram a defender a encarnação de Jesus com outro conceito, A chamada “teoria Kenótica”. Kenosis vem do verbo grego kenoõ, que significa esvaziar. Ensino sustentado pela interpretação de Filipenses 2:5-8. Segundo essa tradição o texto sugere que Jesus renunciou de alguns atributos divinos (onisciência, onipotência, onipresença), enquanto estava como homem. Isso não era visto como imposição, porém, uma autolimitação voluntária de Cristo. Entretanto essa ideia de Cristo como uma manifestação do Logos esvaziada, nega automaticamente a sua divindade, ou a torna totalmente distanciada do Jesus Homem, e isso torna então o Filho de Deus uma criatura apenas.

O leitor pode perceber que muitos pregadores atuais usam essa definição teológica para explicar as duas naturezas de Cristo desconhecendo as implicações decorrentes dessa linha de pensamento. Contudo, e bom sabermos que nenhum estudioso renomado durante os 1800 anos de história da Igreja considerou o termo “esvaziou-se” entendendo que Jesus abandonara algum atributo divino. Esse “esvaziar-se” segundo a ortodoxia, não subtrai, mas adiciona a forma de servo e semelhança humana para cumprir uma missão: a morte na cruz. O apóstolo Paulo não tinha o objetivo de defender a tese do “esvaziamento” de Jesus, mas de convencer aos destinatários a fazer tudo com humildade. Para concluir, a união hipostática significa que as duas naturezas atuam juntas. Jesus não exerceu sua deidade em certas ocasiões e sua humanidade em outras. Seus atos sempre eram da divina e da humana. Essa é a chave para compreender as limitações funcionais que a humanidade impôs sobre a divindade. Sobre Jesus Paulo afirma  que: "Nele (o Jesus Humano) habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

Um abraço, Donizete.



(1) Escolasticismo: 

Foi a tradição acadêmica das escolas medievais. Especificamente, porém, foi o método de reflexão filosófica e teológica esboçado de forma sucinta por Tomás de Aquino. O escolasticismo buscava sintetizar a filosofia clássica grega e romana com os escritos cristãos e as Escrituras, usando o aristotelismo e o platonismo.


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Bibliografia:
Uma introdução a teologia, Sawyer, M. James
Historia da teologia cristã, Olson, Roger

http://assembereano.blogspot.com/2011/08/uniao-hipostatica.html

64 comentários:

  1. Doni,

    excelente texto; bem didático e expõe muito bem todas as controvérsias sobre a pessoa de Jesus.

    A minha opinião sobre esse tema cristológico é sabidamente, herética; se eu estivesse no Concílio de Nicéia, eu seria deportado como foi Ário.

    Constantino, num ato puramente político em busca da UNIDADE do império romano, trabalhou para que a religião cristã que depois de perseguida, agora se tornava seu trunfo, decretasse a UNIDADE de Jesus com Deus, tornando assim, Jesus, Deus.

    O imperador pouco estava se lixando para encontrar a verdade sobre a pessoa de Jesus, o que ele queria era mandar um recado para o império romano que se cristianizava a passos largos: JESUS ERA UM COM DEUS - O IMPÉRIO ROMANO ERA UM COM O IMPERADOR.

    Isso não é tese minha, mas de historiadores.

    Como você bem demonstra no seu texto, a ortodoxia cristológica só foi estabelecida depois de várias polêmicas, brigas, tapas na cara e deportação dos "hereges" vencidos.

    Jesus não precisava disso. Ele mesmo sempre se declarou "Filho do homem" e não, "Deus".

    Por enquanto, é o que eu tenho a dizer. E que venha a fogueira...kkkkkkkkkkkk

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  2. Doni, Para chegar a cada conceito, quais as fontes estudadas, pesquisadas, pelos teólogos?

    Quando Paulo inspirado proclama: "Nele (o Jesus Humano) habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

    Ele estava dizendo exatamente que naquele tabernáculo, naquele corpo humano, naquela conformação anatômica, estava habitando uma divindade plena, chamada aqui na terra: Jesus de Nazaré?

    Ô Glória! Beijão mestrango.

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  3. Eduzinho, num apela não queridíssimo,
    "Jesus não precisava disso. Ele mesmo sempre se declarou "Filho do homem" e não, "Deus"."

    Alguém por acaso já se declarou filho DO homem?

    "Eu e o Pai somos um, quem vê a Mim vê ao Pai." Alguém por acaso tinha autoridade para fazer tal declaração?

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  4. Edu,

    A história da teologia me fascina. Ainda que sejam temas de pouca aplicabilidade em termos existenciais, no sentido de nos apresentar respostas e soluções aos nossos desafios cotidianos. Contudo, a teologia e sua história, é imprescindível na medida em que o cristão procura pensar de modo coerente e inteligente a respeito de Deus.

    Talvez para muitos, sobretudo os mais espiritualistas, a história da teologia, bem como foram forjadas e articuladas as doutrinas, são como ossos secos. Sem vida. Entretanto esta história, para quem mergulhar nela, verá que está cheia de tramas complexas, fatos emocionantes, pessoas interessantes e fascinantes, que de tão apaixonadas, se deixaram gastar para que fosse preservado um cerne doutrinário, uma matriz teológica, sem a qual o cristianismo teria seu prazo de validade reduzido drasticamente.

    É sabido por todos nós, que não há nenhuma doutrina cristã que tenha surgido do nada. Cada crença, quer seja considerada ortodoxa ou herética, nasceu sempre de um desafio, de momentos de tensão, conflitos e controvérsias. Sempre é bom lembrar que basicamente nenhuma doutrina conhecida hoje, foi claramente articulada na Bíblia. Mas iam sendo moldadas, à medida em que, os pensadores cristãos, reagiam aos ensinos que, se aceitos criariam uma religião diferente da ensinada pelos apóstolos.

    Os grandes desafios da ortodoxia, era, e continua sendo resguardar as doutrina cardeais do cristianismo dos liberais e livres-pensadores. Dentro os quais, o destacado e contemporâneo LIVRE-PENSADOR da blogosfera, Carlos Eduardo Medeiros de Jesus. Rsrsrs.

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  5. Guiomar,

    Você me pergunta:
    Doni, Para chegar a cada conceito, quais as fontes estudadas, pesquisadas, pelos teólogos?

    Duas das principais construções teológicas do cristianismo, a saber, A Trindade e a união hipostática, foram desenvolvidas no mesmo período, em que era debatido o cânon das escrituras cristãs.

    Por isso podemos supor que,nenhuma igreja ou região, tinha uma coletânea completa dos escritos apostólicos. inclusive, é bom destacar Guiomar, que o consenso, sobre a autenticidade dos livros colocados para apreciação das autoridades eclesiásticas era zero.

    Sem falar na profunda influência da filosofia grega na elaboração doutrinária. Sobretudo o platonismo e o estoicismo.

    Beijão pra você também!

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  6. Doni,

    Assino em baixo as considerações do seu primeiro comentário. Também acho fascinante a história do desenvolvimento teológico no cristianismo; e é exatamente por que nenhuma doutrina considerada "correta" ou ortodoxa alcançou plena unanimidade na história, sendo porém imposta a todos pelo poder eclesiástico já estabelecido(o primeiro concílio do cristianismo foi convocado por um imperador e não por um teólogo ou grupo deles), que acredito que "hereges" são apenas aqueles que discordam da doutrina oficial.

    O pobre Ário, é um exemplo disso. O mais interessante é que apesar de ter sido banido, quem batizou Constantino já no leito de morte foi um ariano. Alguns creem que foi o próprio Ário que batizou o imperador.

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  7. Gui,

    não eu não estou "apelando", estou apenas citando o título pelo qual Jesus mais se sentia confortável em ser chamado: Filho do homem.

    Todos os principais textos para provar que jesus era Deus estão no evangelho de João e não estão em nenhum outro evangelho. Esse do "eu e o pai somos um" é um deles; e que se for lido em seu contexto, fica claro que a frase não está se referindo a uma unidade de essência mas de propósitos.

    Amiga, realmente não é minha intenção atacar a crença oficial de que Jesus era Deus; eu até posso aceitá-la a partir da fé, mas quando vamos lidar com o Jesus histórico, o homem galileu, as coisas mudam radicalmente. Pretendo abordar esse tema em minhas postagens.

    A verdada, Gui, é que a maioria dos cristãos não conhecem a história de como se formou as doutrinas que ele crê; ele crê apenas por que lhe ensinaram que era assim e pronto.

    Concordei com o Doni de que as discussões teológicas em si nenhum proveito prático trazem para a vida existencial; nesse quesito, sigo a Jesus e Paulo. Um afirmou que a grande diretriz da vida é amar a Deus e o próximo como a si mesmo; o outro disse que sem amor, nem saber falar língua de anjo é coisa alguma.

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  8. Doni e Gui,

    outra questão é sobre a frase de Colossenses que você fecha seu texto:

    "Nele (o Jesus Humano) habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

    O "Jesus Humano" que você põe entre parênteses é por sua conta e risco interpretativo...rss

    Paulo quase nunca se refere ao Jesus galileu, humano, mas quase sempre ao Jesus da fé alçado a Senhor e Salvador. Em outro lugar ele deixa claro qual era sua linha teológica ao dizer que se um dia se conheceu o Jesus "da carne", hoje não o conheciam assim.

    Na continuação da frase de colossenses 2.9, diz: "...e dele recebeis vossa plenitude.

    Será que podemos pensar que a plenitude da divindade que habitava em Jesus(no meu entender, do Jesus glorificado) também habitaria de alguma forma em seus seguidores?

    E volto a dizer para que se fique claro: Não quero a todo custo provar que Jesus não era Deus, pois se alguém crê que Jesus era Deus, então ele era Deus, assim como tradições orientais hoje creem que certos "homens santos" são encarnações divinas.

    Mas o que eu afirmo é que do ponto de vista histórico, Jesus não era Deus, mas sim, o "ungido de Deus" e "Filho do homem". Creio que era assim que ele era entendido pelos seus primeiros seguidores.

    Toda a cristologia posterior foi contaminada por interesses políticos e de projetos de poder. A história está aí para provar.

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  9. Guiomar e Edu,

    Felizmente para todos nós, temos hoje, condições de reunir e conhecer um considerável número de obras literárias escritas nos cinco primeiros séculos da era cristã.

    Você deve saber, mas só a título de informação, se o estudante de teologia for a uma livraria da editora Paulus, encontrará uma série de livros de capa verde com o título Patrística. Esta série reúne boa parte dos escritos dos cristãos da era pós-apostólica. Entre eles, uma obra escrita por Orígenes, chamado “contra Celso”.
    Só recapitulando. A igreja na sua infância sofria ameaças internas, como por exemplo, através dos montanistas e do gnosticismo. Soma-se a isso, o desafio dos confrontos que vinham de fora pelos chamados oradores judeus, que devido seu zelo pelo monoteísmo, atacava com veemência a doutrina cristã. É justamente aí que entra Celso!

    Celso escreveu um livro chamado, “A verdadeira doutrina: um discurso contra os cristãos.” Este documento consta no Contra Celso de Orígenes. A teologia atual presta seus agradecimentos a Celso. Pois esse embate entre ele e Orígenes, forneceu-nos riquíssimas informações sobre a cultura e a fé cristã nos primeiros séculos.
    Veja o Que Celso escreveu sobre a fé cristã que provocou a reação de Orígenes:

    “Ora, se os cristãos adorassem um único Deus, poderiam ter a razão a seu lado. Mas a pura verdade é que adoram um homem que apareceu não faz muito tempo. Não consideram que aquilo que fazem é uma violação do monoteísmo; pelo contrário, acham perfeitamente consistente adorar ao grande Deus e também adorar como Deus o servo deste. E a adoração deles por esse Jesus é ainda mais ultrajante porque se recusam a escutar qualquer conversa a respeito de Deus, o pai de todos, a não ser que se faça referência a Jesus, basta dizer que Jesus, o autor da insurreição cristã, não era filho de Deus e eles não vão querer escutar. E quando chamam Jesus Cristo de Deus, não estão realmente prestando homenagem a Deus; pelo contrário, estão tentando exaltar Jesus até às alturas.”

    Foi nesse clima Guiomar que nasceu a teologia e os primeiros apologistas da cristandade. Agora, cabe aos apologistas da atualidade, defenderem com o mesmo afinco, os ataques dos “Celsos” do século XXI.

    Abraços.

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  10. Edu,

    Pelo menos nos três primeiros séculos, a igreja se via livre das questões que envolviam política. Muito pelo contrário! Havia mesmo era uma perseguição atroz do império para com ela.

    A não ser que você esteja se referindo à política interna da própria igreja. Aí sim estaria correto! Pois a partir do momento em que foi estabelecido dois centros teológicos, (Alexandria e Antioquia) seria comum haver certa competição entre elas. Mas a principio podemos dizer que se limitava à disputa de cunho teológico, e não necessariamente de poder.

    Outra coisa Edu,

    O fato dos primeiros cristãos não se manifestarem no sentido de defender a divindade de Jesus, se deve ao fato de não ter surgido nenhuma controvérsia a este respeito. Salvo, é claro, a oposição do judaísmo sobre esta questão. Mas nenhuma no que diz respeito ao helenismo.

    Fora o texto supracitado de Colossenses, poderíamos adicionar atos 20:28,que diz:
    “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”

    Valeu livre-pensador-teológico! rsrsrsrs

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  11. Doni, "Sempre é bom lembrar que basicamente nenhuma doutrina conhecida hoje, foi claramente articulada na Bíblia. Mas iam sendo moldadas, à medida em que, os pensadores cristãos, reagiam aos ensinos que, se aceitos criariam uma religião diferente da ensinada pelos apóstolos."

    Por este motivo temos uma infinidade de seitas e donos de revelações, por todo este mundo. É certo?

    Abraço.

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  12. Doni, "Duas das principais construções teológicas do cristianismo, a saber, A Trindade e a união hipostática, foram desenvolvidas no mesmo período, em que era debatido o cânon das escrituras cristãs."

    Por isso podemos supor que,nenhuma igreja ou região, tinha uma coletânea completa dos escritos apostólicos"

    Por esta e outras razões, eu me prendo a advertência de que, a letra mata, mas SÓ o Espírito da vida.

    Com certeza não é fácil e nem pouco trabalhoso, buscarmos a iluminação do Espírito Santo, para estudar a bíblia à luz da história, e captar a mensagem essencial que nos leva a transcendência.
    Beijão.

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  13. Edu querido, estou apenas de alfinetando, você sabe que admiro você e aprendo muito com você.

    "Todos os principais textos para provar que jesus era Deus estão no evangelho de João e não estão em nenhum outro evangelho. Esse do "eu e o pai somos um" é um deles; e que se for lido em seu contexto, fica claro que a frase não está se referindo a uma unidade de essência mas de propósitos."

    Fico ansiosa por este debate, para mim de Gêneses a Apocalipse, está claro que Jesus era e é uma divindade saída de Deus e que voltou para Deus.

    Te amo meu herege. rsrs

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  14. Edu, "Em outro lugar ele deixa claro qual era sua linha teológica ao dizer que se um dia se conheceu o Jesus "da carne", hoje não o conheciam assim."

    Não sei qual a versão da bíblia ou outro, em que você encontrou Jesus "da carne."

    Eu entendo que Paulo estava falando do tempo que ainda não haviam conhecido a Jesus, através do Espírito. Veja esta versão em espanhol:

    "Cristo morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmo, e sim para Ele, que morreu e ressuscitou por eles.

    Por isto, nós já não pensamos de ninguém, segundo os critérios deste mundo; ainda que antes pensávamos de Cristo segundo tais critérios, agora já não pensamos assim dEle. (2 Coríntios 5.15,16 - Dios Habla Hoy - Sociedades Bíblicas Unidas, católica.

    Versão NVI "De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado Cristo desta forma, agora já não o consideramos assim. Portanto, se alguém está em Cristo é nova criação.

    Paulo estava vendo Jesus agora, conforme a sua mente renovada pela transformação do Espírito. Haja visto, que, ele foi um feroz perseguidor dos cristãos.

    Beijo.

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  15. Guiomar,

    Sobre sua pergunta:

    "Por este motivo temos uma infinidade de seitas e donos de revelações, por todo este mundo. É certo?"

    Na verdade Gui, a igreja cristã durante toda a idade média nunca se fragmentou.(com exceção do grande cisma de 1054) Os heterodoxos que tentavam alguma dissidência morriam queimados na fogueira.rsrsrs

    Esta pluralidade atual, tem sua gênese na reforma. É filha do protestantismo. Note que a Igreja católica só veio a sofrer algum tipo de divisão na década de 70, com as teologia de libertação e o carismaticismo.

    Quem mandou Lutero democratizar a interpretação das escrituras! Efeito colateral! rsrs

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  16. Edu, "Será que podemos pensar que a plenitude da divindade que habitava em Jesus(no meu entender, do Jesus glorificado) também habitaria de alguma forma em seus seguidores?"

    Apesar de que, Jesus declarou: "Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada.” João 14:21, 23."

    Eu creio que dentro do nosso limite humano, a divindade atua em nós.
    Lembro da analogia que Paulo faz com relação ao casamento, uma só carne... No entanto, cada um, tem a sua identidade.

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  17. Doni, creio que a "Kenosis" (assunto sobre o qual já ensinei em cursos de teologia ferrenhamente, não mais hoje), define bem o caráter da presença de Cristo nesse planeta e, particularmente pra mim não diminui em nada o caráter DIVINO implícito na sua pessoa e obra, embora no entanto reconheça também características interessantes na união hipostática podendo perfeitamente juntar umas "coisinhas daqui e outras dali" elaborando assim uma KENOSIS HIPO STÁTICA.

    Como já sou considerado herege por alguns (e me sinto honrado por isso), não me importo com mais esse agravante no meu B.O. espiritual! rsrsrs

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  18. Donizete, mais uma vez, bela aula!!
    Eu não acho que Jesus seja Deus. Acho que Jesus é o filho de Deus. Ele disse que era Deus alguma vez? Deus estava nele e era com ele e sua missão era divina, mas se ele é Deus, não pediu que acreditássemos nisso, pois pelo que me lembro, em suas palavras ele dizia que era da parte de Deus, que fosse recebido como sendo seu filho.

    Quando eu era da igreja sempre tinha um monte de explicações para Jesus ser Deus e homem, para Deus ser um e ser três... eu acho q Deus é um e Jesus é outro. Mais simples! Se o meu pensamento estiver errado , pelo menos não é o único rs...

    Abraços!! Fica com Deus.

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  19. Doni,

    de fato, falo das questões políticas a partir do imperador Constantino, e foi a partir dele que se estabeleceu dogmaticamente, a divindade de Cristo.

    Agora, controvérsias teológicas já existiam entre os discípulos de Jesus.

    Sobre sua frase


    "O fato dos primeiros cristãos não se manifestarem no sentido de defender a divindade de Jesus, se deve ao fato de não ter surgido nenhuma controvérsia a este respeito. Salvo, é claro, a oposição do judaísmo sobre esta questão. Mas nenhuma no que diz respeito ao helenismo.

    Mas você não acha que já entre os 12 havia diferentes opiniões sobre Jesus a partir do que podemos ler nos Evangelhos? Naquela passagem em que Jesus pergunta a eles: "E vocês, o que dizem que eu sou"? Ora, todo mundo ficou olhando para a cara um do outro com medo de falar alguma coisa equivocada. Aí Pedro, faz a sua declaração: "Tu és o Ungido de Deus", sentença esta que Jesus aceita.

    Ora, "ungido de Deus" está a anos-luz de "ser Deus" se essa declaração for vista a partir do que eles entendiam o que era ser um ungido de javé.

    E outra coisa, ninguém leva a sério os argumentos de Celso, e já o refutam como se Orígenes estive plenamente certo e Celso, plenamente errado.

    Como você sabe, o cristianismo antes de Constantino era um amálgama de visões diferentes, como você bem citou(Montanistas, Gnósticos, Docetas, Monarquianistas,arianos... ). O que Constantino começou a fazer foi dar a única visão possível para estabelecer uma unidade no cristianismo, já que isso servia a seus propósitos.

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  20. Gui,

    para de me alfinetar, mulher, eu vou GRITARRRRRRR...RSSSS

    "para mim de Gêneses a Apocalipse, está claro que Jesus era e é uma divindade saída de Deus e que voltou para Deus.

    UMA DIVINDADE?? sei não, isso soa meio herético...kkkkkkkkkk

    Sobre o dito de Paulo.

    "Eu entendo que Paulo estava falando do tempo que ainda não haviam conhecido a Jesus, através do Espírito.

    Essa interpretação pode ser válida. Veja a versão da Bíblia de Jerusalém, considerada uma das melhore versões em português:

    "Por isto, doravante a ninguém conhecemos segundo a carne. Também se conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim."

    E veja o comentário de rodapé para essa afirmação:

    "Paulo opõe seu presente conhecimento de Cristo como salvador ao conhecimento que tinha quando perseguia a Igreja..."

    Ou seja, o "Jesus de Paulo" não era aquele que ele havia perseguido na pessoa dos seus seguidores, um homem comum, talvez até um charlatão em sua opinião. Paulo agora a todos os cristãos via não como "em carne" mas através da "nova criatura". Ok, é isso.

    Ora, mas qual o Jesus se aproxima mais do "real", o que caminhou pela palestina como homem ou o Jesus interpretado por Paulo depois da sua conversão como Salvador e Senhor?

    Por que será que Jesus não se revelou aos seus primeiros discípulos como a Paulo? Podemos aceitar sem nenhuma contestação a experiência mística que Paulo teve a caminho de Damasco?

    Não estou dizendo com isso que a experiência e a teologia paulina devam ser desprezadas mas que o "Jesus de Paulo" era o Jesus de Paulo.

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  21. Gui,

    como disse o professor Doni, o culpado de tudo isso foi LUTERO. Talvez se não fosse ele, ainda seríamos todos participantes de uma única apostólica e católica igreja de cristo.

    Mesmo assim, temos que lembrar que Lutero não queria criar uma igreja "luterana", ele queria reformar a sua igreja católica.

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  22. Mari,

    vamos dar as mãos, pois nós somos os únicos esclarecidos nesta confraria por negarmos que Jesus fosse Deus e não, "Filho de Deus"..kkkkkkkk

    E só para pensarmos, eu digo que Jesus não era Deus mas era divino...

    p.s. o último amigo que aceitou essa minha afirmação hoje é ateu, então, essa afirmação é deveras perigosa para mentes não muito bem firmadas na fé...kkkkkkkkkkk

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  23. Mari,

    Escrevi outro dia, não me lembro bem onde, só sei que foi num comentário para o Edu, que o problema com as heresias, é que elas satisfazem o desejo natural do coração humano decaído. A heresia reflete a maneira em que gostaríamos que as coisas fossem, e não o modo em que Deus estabeleceu.

    E uma outra grande verdade, é que existe uma compreensão de que a ortodoxia é chata, sem imaginação e protecionista, enquanto a heresia é ousada, criativa e inovadora.
    Por isso Mariani, o Edu tem esta satisfação toda em ser herege? Kkkkkkkkk

    Na verdade Mariani, existe uma classificação doutrinária, ou seja, há doutrinas que são consideradas centrais para o cristianismo. Três delas são consideradas pela ortodoxia os pilares da fé cristã. A saber; A trindade, a ressurreição e esta que estamos discutindo. A união das duas naturezas, a humana e a divina na pessoa de Jesus. São doutrinas confessadas por toda a cristandade. Seja ortodoxos, católicos, protestantes e até liberais. Por isso que uma heresia, para ser caracterizada como tal, tem que haver a negação desses cernes doutrinários. Não são por questões periféricas que a pessoas pode se dar ao “luxo” de ser tachado de hereje.

    Exatamente por isso, que já atribui um novo nome ao nosso confrade Edu, “Livre-pensador-teológico”kkkkkkk

    Mas para concluir Mariani, a união hipostática é uma das doutrinas inegociáveis dos cristãos.

    Abraços.

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  24. Edu, eu acho q ela é perigosa para quem está firmado em afirmações teológicas. Quando estamos firmados em Deus vamos largando essas afirmações e vivendo a nossa fé, ele é o que é. Jesus sendo Deus ou filho de Deus ele é o mesmo para nós.
    Quando aceitamos Jesus lá na igreja, importou o fato dele ser Deus, filho de Deus ou alguma coisa? Importou que ele era Jesus e que dele emana a paz que precisamos, a manifestação de Deus para os homens, a certeza da salvação, do que nem sabemos bem o quê, mas estamos salvos por ele. Isso eu creio e aceito.

    Eu prefiro me relacionar com ele dessa forma, e acho q se ele tivesse preocupado com o que pensaríamos a esse respeito, teria sido mais claro e enfático sobre o fato dele ser Deus.

    Estamos firmados na fé meu amigo cotó, à nossa maneira, e não tiramos Deus de nosso pensamento e nem de nossos corações. Nem precisa ser muito observador para ver isso.

    O seu amigo ateu já era ateu e não sabia. KKKKK

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  25. Puxa, Donizete! Não gosto de rótulos. Não sou herege nem coisa nenhuma. Sou apenas uma pessoa que se considera cristã por que crê em cristo. Não acredito mesmo que Jesus seja Deus, mas o filho de Deus. Uma pena descobrir que isso é inegociável.
    Vou ter que contar mais uma vez com a misericórdia inesgotável de Deus por causa dessa minha ignorância.

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  26. Mari, mari!

    Não te chamei de Herege, jamais faria isso com quem quer que seja.

    Tão somente quis convidá-la para nos divertir um pouco às custas do Edu, Já que ele se auto-intitula um herege, assim como o Franklin também.

    Se eles não me dessem esta liberdade, eu jamais faria uma brincadeira dessas.

    A palavra heresia nunca saem dos meus lábios se não forem nesse tom. Imagine eu, que tanto defendo o diálogo aberto e franco com todas as religiões oficiais, se eu fizesse isso, estaria agindo contra os meus princípios.

    Me desculpe se foi mal!

    Abraços.

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  27. Imagina!!! Não me senti ofendida. Longe disso!!
    Vc é muito educado.
    Eu entendi o que vc escreveu. Talvez eu não tenha me expressado bem.
    Perdão.

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  28. Mari,

    Quando disse que existem no cristianismo doutrinas inegociáveis, o fiz sob a ótica histórica e das deliberações tomadas nos concílios eclesiásticos.

    Onde para defendê-las muitos derramaram sangue, enfrentaram o paredão, a fogueira etc... Como se estas doutrinas valessem mais do que a vida. definitivamente eu também não defendo tal postura.

    Até mais.Fica com Deus!

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  29. Eu entendi, meu amigo.

    Sei que se trata de questões do cristianismo e não suas, o que quis dizer é que se essas questões são inegociáveis eu dependo da misericórdia do Deus, pois não creio assim.
    Nada pessoal, Donizete.
    Mais uma vez me perdoe se pareci ríspida com vc.
    Logo com vc um Gentleman!!rs...

    Fica com Deus.

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  30. Doni,

    Deixa eu focar a minha crítica(construtiva)à declaração de Calcedônia:


    "Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e corpo; consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade... Um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação..."

    Ela diz que se deve afirmar que Jesus era perfeito tanto quanto à humanidade quanto à divindade. Perguntas:

    - como o Jesus da história poderia ser "verdadeiramente Deus" se ele estava limitado pela sua humanidade? Ele se cansava, tinha fome, sede, stress, decepções, alegrias, ia ao banheiro, tinha tesão, comia, bebia...isso não parece ser características de Deus e sim, de homem.

    - como o Jesus da história poderia ser "verdadeiramente homem" se ele andava sobre as águas, se ele dava ordem aos ventos, se ele morre e ressuscita e sob aos céus? isso não são caracteristicas de um homem, mas de um Deus.

    Mas a afirmação de uma, nega a outra, ambas estão em conflito, pois se fosse verdadeiramente Deus, ele não poderia morrer, se fosse verdadeiramente homem, não poderia ressuscitar.

    Como entender que o Jesus da história tinha a mesma natureza de Deus? A natureza de Deus é ser espírito, como o Jesus da carne era de carne (obviamente), ele não tinha a essência de Deus e sim, a humana.

    Como seria possível então ele ter ao mesmo tempo a substância espiritual (igual a Deus) e a substância humana?

    Por essas e outras questões, creio que a teoria kenótica, explica melhor a divindade de Jesus, mas sem resolver outras questões que aparecem, de como Deus pode deixar de ser Deus.

    Ou seja, o que a declaração de Calcedônia nos pede, ou seja, "...que se deve confessar em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação...", só pode ser piada.

    sem confusão? Quer algo mais confuso do que essa declaração?

    E eu nem falei ainda que Jesus jamais disse algo parecido de que ele teria duas naturezas unidas e cada uma delas sendo plenas.

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  31. Doni,

    me diz aí: se a "heresia" satisfaz um desejo "natural" do ser humano caído, a ortodoxia satisfaz qual desejo do ser humano caído?

    Eu não acho que a ortodoxia seja "chata" mas acho que seja pretensiosa. A priori, não sou contra a ortodoxia, sou contra a inflexibilidade dela, em dizer-se ser "a verdade" enquanto tudo o mais que a negue ou que lhe dê um significado diverso do usual, seja "a mentira".

    Jesus não foi nada ortodoxo...

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  32. Doni,

    outra coisa, meu chapa, você também é um HEREGE, já que é seguidor da neo-ortodoxia, que às vistas da ortodoxia fundamentalista, não nem neo, nem ortodoxa...kkkkkkkakakakakakaka

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  33. Edu, "Ora, mas qual o Jesus se aproxima mais do "real", o que caminhou pela palestina como homem ou o Jesus interpretado por Paulo depois da sua conversão como Salvador e Senhor?"

    Veja que depois da experiência que Paulo teve com Jesus, ele passou a anunciar o mesmo Jesus que os discípulos anunciavam, o mesmo também que apareceu a ele no caminho de Damasco.

    É evidente que os discípulos não necessitaram de ter a mesma experiência que Paulo, de uma vez que eles conheceram Jesus e conviveram com Ele.
    No entanto, eles também tiveram várias experiências sobrenaturais com Jesus, depois que Ele subiu para os céus.

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  34. Edu,

    Que tal a teoria de Êutico. Uma “tertium quid” uma terceira natureza; mais que humana e menos que divina. Hum! Não dá. Aí Jesus seria um semi-deus. O que também é inadmissível a luz da razão.

    O Concilio de Calcedônia quis afirmar o seguinte conforme o estudo de um teólogo espanhol:

    1. Que se Jesus não é Deus, então não veio por ele nenhuma salvação. Nós estamos ainda em nosso pecado e sem a certeza do futuro.
    2. Que se Jesus não é homem, então não nos foi dada a nós a salvação.
    3. Que se a humanidade não é “de-Deus” (na mesma medida em que meu próprio ser é meu e não por certa acomodação da linguagem), então a divinização do homem não foi realizada plenamente e Jesus não é verdadeiramente Deus.
    4. Que se a humanidade vinda “de-Deus” não é verdadeira humanidade nem permanece humanidade, então não é salvo em Jesus o homem mas um outro ser.

    Gosto também da maneira com que Boff lidou com essa problemática. Ele trabalhou com a proposta de construir duas teologias separadas e diferentes envolvendo a pessoa de Cristo; na jesusologia ele estuda traços do Jesus histórico, e na cristologia,como não poderia deixar de ser o Jesus divino. Ainda assim não é eliminado esse conflito.

    Segundo Boff, “ao falarmos de Jesus Cristo, devemos pensar sempre, conjunta e simultaneamente, em Deus e no homem. A unidade de ambos em Jesus é de tal ordem, que nem Deus nem o homem perdem alguma coisa em sua essência e realidade. Tão profunda é a unidade de Deus e do homem em Jesus, que a humanidade deve poder ser encontrada em sua divindade e a sua divindade em sua humanidade.” Por isso que eu também não concordo com a kenosis.

    Como sabemos Edu, a teologia, até certo ponto, quer desempenhar um papel que talvez não lhe compete fazer. Que é ajudar a esclarecer a fé. Porque só a fé é capaz de vislumbrar o que significa dizer que: Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Entender esses aspectos de forma racional ou científica seria violar o próprio conceito do que é racional, lógico.

    Por esse motivo posso afirmar que infelizmente ainda não possuímos uma instância superior donde podemos falar sobre certos temas de forma objetiva e precisa. Por mais engenhosa que seja a argumentação as dúvidas perdurarão.

    Até mais!

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  35. Edu,

    Não sei qual é satisfação de ser nem um "ortodoxo" nem um "heterodoxo". Visto que eu não sou nenhum dos dois. Quem sabe uma "terceira coisa". kkkkkk

    De qualquer forma amigo, estamos assados! rsrsrs

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  36. Doni,

    eu não acredito que as formulações dos concílios da igreja tinham em mente apenas "declarações de fé"; a coisa ultrapassava em muito a fé. A quem interessava uma "unidade" a ferro e fogo em relação à pessoa de Jesus? ao povo simples que só tinha a fé e não teologia? duvido.

    A questão de se receber a doutrina da união hipostática somente pela fé, é que ela não foi construída somente pela fé, mas foi formulada para ser compreendida como algo racional e óbvio.

    Para mim, de fato, tudo é bem simples. É só atentarmos para o que disse Jesus.

    " por que me chamas de bom? Bom é Deus".

    Jesus tomou para si a missão messiânica profetiza pelos antigos profetas de Israel; e nas profecias, nunca se disse que o messias seria Deus ou semi-Deus, ou que teria duas naturezas ou que teria uma natureza; o messias seria apenas um homem "ungido por Javé".

    Jesus de Nazaré foi esse homem. Tudo resolvido.

    Para a fé xristã, basta afirmar que foi esse messias que nos reconciliou outra vez com Deus e nos trouxe eterna salvação. (aliás, como Paulo sempre pregava)

    E o que fazer com séculos de ortodoxia? Não sei, realmente não sei.

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  37. O ecumenismo ta rolando solto aqui hein?? rss legal o blog Edu. Depois volto para ler os textos. Bj!

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  38. Edu,

    Você disse:

    “eu não acredito que as formulações dos concílios da igreja tinham em mente apenas "declarações de fé"; a coisa ultrapassava em muito a fé. A quem interessava uma "unidade" a ferro e fogo em relação à pessoa de Jesus? ao povo simples que só tinha a fé e não teologia? duvido.”

    Esta afirmação é por sua conta e risco interpretativo? Por que essa inferência é própria do seu livre pensamento teológico. Não consta na história.

    A idéia central em estabelecer a necessidade da realização dos concílios, sobretudo dos primeiros séculos, consiste em que temas considerados relevantes, eram apenas repetidos, mas não explicados ou articulados.

    Lembre-se que nesta reunião estavam reunidos representantes das duas escolas teológicas da época.

    Alguns teólogos concordam que esta definição acerca da pessoa de Cristo, estava intimamente ligada à questão da salvação.
    A importância de Jesus como salvador todos concordavam. Mas o problema girava em torno da questão de saber se; para a salvação ser levada a efeito Jesus teria que ser verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.

    Não vejo razão, pelo menos nesse fato, para essa reflexão ter sido contaminada por interesses políticos, ou se suas definições teriam sido pré-fabricados com motivos escusos. Mas sim documentar e oficializar uma doutrina que teria aceitação universal em termos de cristianismo.

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  39. Doni,

    Pode ser por minha conta e risco, mas pelo menos, eu tenho a história ao meu lado. Quem convocou o primeiro concílio da igreja? um bispo? não, um imperador, Constantino. O que imperadores querem com teologia? Usá-la para seus fins de governo. Qual posição refletiria melhor o que o seu reinado deveria ser tendo em visto a fragmentação que o império romano começava a sentir?

    E a centrelização a partir de dentro do próprio cristianismo já começara antes. Em sua luta contra os gnósticos, Irineu (sec II d.C) começou a estabelecer uma ortodoxia e quais Evangelhos deveriam ser usados e quais deveriam ser rejeitados. Foi Irineu que cunhou a identificação de um Divino Senhor Jesus, ao mesmo tempo Filho e Criador eterno.

    DEsde então, a centralização e a ortodoxia foram declaradas provas da retidão; assim como havia um só Deus, deveria haver uma só igreja e uma só verdade.

    As igrejas que eram idependentes, locais, dirigidas por bispos/presbíteros mas tudo caminhou para a centralização do poder governamental da igreja sob o bispo de Roma.

    Foi nesse contexto que Constantino permitiu que o cristianismo ficasse livre de perseguição. Constantino queria a unidade, por isso, convocou Nicéia com o único objetivo de aprovar como verdade que Jesus Cristo fora "um só" com Deus pai, o que Ário e outros refutavam.

    Você sabe que o concílio foi bem tumultuado. Discussões acaloradas. Alguns dizem que Ário foi até agredido.Gregório de Nissa escreveu que os debates ganharam as ruas e muitos faziam paródias dos conflitos.

    Diziam: "pergunte o preço do pão e vai ouvir: 'O Filho é subordinado ao Pai'; pergunte se o banho está pronto e vai ouvir: 'O Filho surgiu do nada' "...

    Tudo bem que a doutrina foi aprovada por votação, a maioria votou a favor, Ário saiu derrotado. O curioso é o fato de que, no seu leito de morte, Constantino ter sido batizado por um membro da herética igreja ariana.

    A partir daí, meu amigo, tudo virou jogo de poder.

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  40. “E o que fazer com séculos de ortodoxia? Não sei, realmente não sei.” (Edu)

    E eu também , Edu (rsrs)

    A Teologia vai sempre derrapar, ao querer separar os dois lados intrínsecos da moeda. que é a indivisível psique humana. O que caracteriza o homem é a CONTRADIÇÃO, a AMBIVALÊNCIA DOS AFETOS.

    Com o Jesus histórico não foi diferente. Temos que conviver com os nossos “anjos” e “demônios”.

    Parece-me que para a Teologia insistir em repelir e não integrar os afetos paradoxais que caracterizam o humano, é imprescindível o maniqueísmo de um andar de cima onde reside Deus, e um andar de baixo onde reside o Diabo e seus anjos.

    Sagrado e Profano, Anjos e demônios, Céu e Hades são arquétipos que estruturam o equilíbrio de nossa psique.
    No mito cristão há uma mensagem que caminha no sentido de reintegrar o que foi desintegrado, representada pela descida de um filho de Deus, para recuperar a outra parte que foi perdida Dele mesmo.

    Acho bacana as festas das padroeiras e padroeiros da igreja católica. Depois de participarem de suas missas e reflexões dentro do templo, os fiéis vão lá fora, gozar do outro lado da moeda, tomando sua cervejinha num pavilhão, bem próximos aos degraus do templo.

    Isto é psicologicamente saudável. O Sagrado bem juntinho ao Profano, com o conselho do pároco: “Não se excedam e brinquem a vontade” (rsrs)

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  41. Doni,

    mas numa coisa eu concordo: se não houvesse a padronização da ortodoxia (sendo ela política ou não), o cristianismo teria talvez se perdido; no mínimo, não seria o que ele veio a ser. Mas por fim, o nosso grande Lutero deu sua contribuição para que a padronização que o poder papal exercia fosse minado, e acabou por rachar a Igreja.

    O chamado "Concílio de Jerusalém" registrado em Atos 15 quiz resolver o que fazer com os pagãos que estavam se convertendo ao Messias judeu; se eles deveriam ou não seguir a lei judaica; isso evidentemente, mostra que os primeiros discípulos continuaram judeus, frequentando o Templo e suas cerimônias, mas com a fé na experiência pascal.

    Curiosamente, é Pedro que vai defender que os pagãos não deveriam observar a Lei de Moisés, apoiando o discurso de Paulo e Barnabé.

    Restou ao líder Tiago, dar a palavra de ponderação. Não se deveria colocar obstáculos aos pagãos convertidos, mas recomendou que eles não deveriam se contaminar com os ídolos, não deveriam fornicar e nem comer animais estrangulados ou o sangue. (recomendações da lei de Moisés).

    Mas parece que paulo, depois, flexibilizou a decisão de tiago ao dizer que comer carne sacrificada a ídolos não era nada, pois o ídolo nada era. Deveriam evitar somente se isso fosse constranger um "irmão mais fraco na fé". Mas quanto à fornicação, o mandamento continuava em pé.

    Para mim, isso mostra que uma unidade de pensamento nunca foi algo normal entre os cristãos. Mas a igreja imperial fez exatamente isso e escreveu milhares de páginas negras na história ao matar milhões de hereges nas fogueiras da inquisição.

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  42. Doni,

    então, eu concordo que naquele primeiro concílio em Jerusalém, a questão espiritual e da salvação eram os focos centrais do debate e não o poder(temporal ou eclesiástico). Mas a partir de Nicéia e depois em todos os Concílios da Igreja unificada, não foi isso que se viu.

    E hoje em dia, o espírito inquisitório ainda persiste nos que defendem a ortodoxia quanto à natureza de Jesus. Um cristão que admitir não acreditar que Jesus tinha dois naturezas plenas, humana e divina, é logo vítima de condenação; a mim já disseram que eu não sou cristão, pois ser cristão, é aceitar a ortodoxia.

    Já me disseram também que eu tenho ódio (sic) ao cristianismo(e por tabela aos cristãos) e quando eu digo que sou membro de uma igreja batista eles riem da minha cara...kkkkkkkkkkkkkk apesar que neste ponto eu não tenho como não concordar com eles que eu mereço a gargalhada...

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  43. Quero dar às boas vindas ao amigo Éder ao nosso convívio, um cara que não é muito de discutir teologia mas que sabe(e vive) tudo de Evangelho com "E" maiúsculo.

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  44. Muito bom falar sobre tudo isso Edu! Mas tem réplica! rsrsrs

    "Pena" que estarei ausente dessa sala nesse fim de semana, devido à uma confraternização da escola dominical da igreja. Três dias of line será uma tortura. Mas compensarei com muita diversão.

    Um abraço a todos. E bom fim de semana pra vocês também!

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  45. Interessante o tema tratado aqui nesta postagem. Principalmente porque se abre uma oportunidade para tentarmos desconstruir o dogmatismo, a imposição de verdades absolutas, de infalibilidade das Escrituras, a neofobia, a submissão à autoridade, a doutrinação e a conversão ao modo de adequação à coerção psicológica que são métodos usados há uns 1900 anos.

    No entanto, chamou-me a atenção esta parte do texto principal:

    "Desde o nascimento da igreja, havia um reconhecimento implícito de que Jesus, de modo singular, era plenamente humano e plenamente divino. A princípio a igreja não se preocupou em explicar a natureza da encarnação ou relacionar o divino com o humano na pessoa histórica de Jesus Cristo. As conclusões cristológias foram forjadas à medida que iam surgindo às controvérsias acerca desta doutrina." (Donizete)

    Sinceramente, eu não concordo que, desde o nascimento da Igreja, houvesse o "reconhecimento implícito de que Jesus, de modo singular, era plenamente humano e plenamente divino". Isto, caso venhamos situar o nascimento da Igreja na primeira metade do século I, em Jerusalém, e não na Ásia Menor. Pois, a princípio, não podemos atribuir historicidade aos Evangelhos, nem a Atos e nem aos demais livros ou epístolas do Novo Testamento.

    Realmente, no começo, "a igreja não se preocupou em explicar a natureza da encarnação ou relacionar o divino com o humano na pessoa histórica de Jesus Cristo". E agiu assim simplesmente porque a ideia de Jesus como Deus encarnado não existia e seria uma grande aberração entre discípulos judeus seguidores do monoteísmo e que esperavam um messias humano.

    Expressões como "messias" e "filho de Deus" eram comuns entre os judeus e tinham significações bem diferentes em relação à cultura grega. Pois, no Judaísmo, as duas expressões assumiam papeis humanos. Se Augusto foi um "filho dos deuses", os judeus esperavam que Deus levantasse a um de seus filhos dentre o povo de Israel para reinar como messias libertando a nação.

    Somente o Evangelho de João, escrito posteriormente aos de Marcos, Mateus, Lucas e de Tomé que tratará Jesus como o próprio Deus revelado em forma humana, fazendo disto o motivo do suposto assassinado de Jesus pelos judeus. Aliás, observa-se que o próprio Orígenes, professor egípcio que viveu no século III, reconheceu que, apesar dos outros Evangelhos terem qualificado Jesus de humano, "nenhum falou claramente de sua divindade, como fez João".

    A ideia da divindade de Jesus, bem como da dependência salvífica do Cristo divinizado, parece ter se tornado uma necessidade político-histórica da Igreja para construir uma unidade e talvez até ampliar o número de seguidores.

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  46. Infelizmente, a nossa visão sobre Jesus acabou sendo muito influenciada pelo cânon imposto pelos católicos no século IV e que os reformadores foram incapazes de rever (talvez nem tivessem recursos teológicos pra isto).

    Para concluir, quero compartilhar que o debate sobre quem é Jesus parece ter surgido mesmo entre os gregos no século II (ou quando muito no final do I). E, por este tempo, é que deve ter surgido um grupo dominador e que buscou, através da apologética, transformar em hereges, falsos mestres e gnósticos todos aqueles que não fossem compatíveis com suas ambições sectárias.

    Felizmente, em 1945, no final da 2ª Guerra, debaixo das areias do Alto Egito, em Nag Hammadi, foi revelada a existência de outros evangelhos, dentre os quais o de Tomé, que nos mostram a existência de um cristianismo bem diferente daquele inventado pelos católicos. E, de acordo com o Evangelho de Tomé, não só Jesus como todo ser humano seria participante também da natureza divina, conforme se verifica neste dito:

    “Jesus disse: Se vos perguntarem: ‘De onde vindes?’ respondei: ‘Viemos da luz, do lugar onde a luz nasceu dela mesma, estabeleceu-se e tornou-se manifesta por meio de suas imagens’. Se vos perguntarem: ‘Vós sois isto?’ digam: ‘Nós somos seus filhos e somos os eleitos do Pai vivo’. Se vos perguntarem: ‘Qual é o sinal de vosso Pai em vós?’, digam a eles: ‘É movimento e repouso’.” (TO 50)

    Observa-se que, contrariando o cristianismo católico que se tornou dominante através de Constantino, havia outras concepções na Igreja muito parecidas com o misticismo judaico. E o dito acima do Evangelho de Tomé ensina que a humanidade, criada à imagem de Deus (da luz primordial), era humana apenas na forma, mas, simultaneamente, e de um modo misterioso, também de natureza divina, tendo em si mesma os recursos espirituais. Ou seja, todos temos dentro de nós a “imagem de Deus”, a qual nos liga secretamente ao Criador, não havendo o acesso ao Pai em nenhum outro lugar:

    “Seus discípulos disseram-lhe: 'Mostra-nos o lugar onde estás, pois precisamos procurá-lo.' Ele disse-lhes: 'Aquele que tem ouvidos, ouça! Há luz no interior do homem de luz e ele ilumina o mundo inteiro. Se ele não brilha, ele é escuridão.'” (TO 24)

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  47. Rodrigo,

    Excelentes seus comentários, eu concordo com você. O "cristianismo" nasceu judaico, se tornou grego, cresceu romano e vai morrer neo-pentecostal..."

    Essa ideia da divindade compartihada por todos os homens, e não apenas por Jesus, acabou sendo preservada em joão 10.31-35:

    Quando os judeus quiseram apedrajar Jesus por ele "...sendo apenas homem, tu te fazes Deus", Jesus responde:

    "Não está escrito em vossa Lei: Eu disse: sois deuses? Se ele chama deuses aqueles aos quais a palavra de Deus foi dirigida - e a Escritura não pode ser anulada - àquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo dizeis: "Blasfemas!"

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  48. Edu e Rodrigo


    Este trecho retirado de um comentário que fiz anteriormente, ficou no ar: (rsrs)

    Parece-me que para a Teologia insistir em repelir e não integrar os afetos paradoxais que caracterizam o humano, é imprescindível o maniqueísmo de um andar de cima onde reside Deus, e um andar de baixo onde reside o Diabo e seus anjos .

    E aí?...

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  49. Edu, proponho que o cristianismo após haver morrido neo pentecostal reencarne quem sabe no espiritismo!!rs...
    "Nascer,morrer, renascer,ainda progredir sem cessar, tal é a lei." (Allan Kardec)

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  50. Levi,

    sobre seu brilhante comentário,

    "A Teologia vai sempre derrapar, ao querer separar os dois lados intrínsecos da moeda. que é a indivisível psique humana. O que caracteriza o homem é a CONTRADIÇÃO, a AMBIVALÊNCIA DOS AFETOS.

    Na verdade, a teologia não quer é anular a contradição? Não é isso o que se quer com o "novo nascimento"?

    Mas se pensarmos bem, o novo nascimento não muda nada nessa contradição intrínseca humana. Ela continua existindo, mesmo o cristão tendo "nascido de novo".

    O que muda agora, é que o cristão percebe-se fragmentado entre o "querer fazer e o não poder fazer". Qual a solução para o paradoxo existencial?

    Paulo vai dizer que o paradoxo está superado pelo sacrifício de Cristo. Se você aceita a salvação de Cristo, e alimenta o "espírito" na fé, você é capaz de não satisfazer as "corrupções da carne".

    Mas sabemos que o cristão continua contraditório, mesmo tendo "nascido de novo". E ele continua pecando. Então João escreve que os seus "filhinhos" não deveriam pecar, mas se pecassem(e ele sabia que pecariam) tendes um advogado junto ao Pai para anular sua culpa.

    Qual a sua análise disso tudo a partir da visão psicanalítica?

    Esse entendimento da teologia paulina e joanina seria uma tentativa de integrar nossos afetos paradoxais?

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  51. Mari,

    Sua proposta é tendenciosa...kkkkkkkkkk está puxando a sardinha para sua brasa!!!

    Pois eu proponho (fazendo coro com o Rodrigo) que o Cristinismo volte para suas raízes judaicas. Lá é o seu berço. Mas o cristianismo grego também tem seu charme, apesar das contradições com a tradição judaica.

    Mas sabe, se o cristianismo chegou a ser "neo-pentecostal" por que ele não poderia ser "espírita"?

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  52. O Doni respondeu para a Gui que Lutero, afinal de contas, era o grande responsável por toda essa diversidade de pensamento no cristinismo reformado posterior.

    Talvez por isso, numa biografia escrita pelo alemão João Debeneck Cochlaeus em 1549, ele diz que Lutero não havia sido gerado pelo marido de Margaret Lutero nem por qualquer homem. O Diabo em pessoa havia possuído a pobre mulher que, de vez em quando, se envolvia em bruxarias. Assim, o Reformador seria filho ilegítimo de Satanás e, como tal, precipitara um número imenso de almas na ruína e trouxera à Alemanha e à cristandade a desgraça e a miséria.

    (Conversas com Lutero, p.267), citado na revista Ultimato de maio-junho de 2008

    E ainda tem católicos hoje que concordam com ele!!

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  53. Edu, Assim, o Reformador seria filho ilegítimo de Satanás e, como tal, precipitara um número imenso de almas na ruína e trouxera à Alemanha e à cristandade a desgraça e a miséria.

    Ou legítimo?

    Graças a Deus Lutero abriu os olhos para as falcatruas da igreja católica.

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  54. Levi, "Acho bacana as festas das padroeiras e padroeiros da igreja católica. Depois de participarem de suas missas e reflexões dentro do templo, os fiéis vão lá fora, gozar do outro lado da moeda, tomando sua cervejinha num pavilhão, bem próximos aos degraus do templo.

    Isto é psicologicamente saudável. O Sagrado bem juntinho ao Profano, com o conselho do pároco: “Não se excedam e brinquem a vontade” (rsrs)"

    Quem excluiu as festanças do meio cristão, foram os "santarrões", porque Deus gosta de festas e danças, comidas e bebidas, veja as festas dos hebreus. Isto não tem nada haver com os demônios, a festa dos demônios é macabra ou cheia de luxúria.

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  55. “Esse entendimento da teologia paulina e joanina seria uma tentativa de integrar nossos afetos paradoxais? (EDU)

    Respondo SIM a sua pergunta.

    A consciência tradicional ou vétero-testamentária por ser centrada no “arquétipo patriarcal” luta sempre para dividir as funções psíquicas aparentemente opostas. Luta para ser ou ficar só com o TRIGO da parábola de Cristo, sem saber que é impossível o “afeto” denominado TRIGO se separar do “afeto” JOIO.

    No cristianismo há uma mensagem sutil de fundo psicanalítico muito importante: que vai sempre no sentido de inclusão e não de exclusão.

    Só há um caminho para o indivíduo realizar a síntese entre os afetos paradoxais, para fugir do maniqueísmo “belo-feio”, “mau-bem” “certo-errado”: é reconhecer que esses afetos paradoxais são intrínsecos de sua natureza psíquica. É fazer como Paulo: “Miserável homem que sou” (para mim, a afirmação mais bela e profunda do Novo Testamento).

    Quando a consciência do indivíduo não reconhece este mecanismo psíquico, torna-se unilateral e passa a reprimir o seu lado que é tido como mau.

    O conteúdo reprimido forma uma sombra no inconsciente, protegida pelos mecanismos de defesa psíquicos. Protegido por essa espécie de “censura interna” ele só vai enxergar o “mau” no OUTRO, excluindo-o imediatamente.

    A Paz tão propalada no cristianismo é uma espécie de armistício entre essas forças antagônicas. Só há paz num reino, quando senhores e súditos desse reinado chegam a um acordo.
    Freud certa vez afirmou: o equilíbrio psíquico não pode ser conseguido, quando se tem um superego rígido e autoritário. Na parábola do filho pródigo, o pai (superego) faz festa quando encontra o que havia se perdido dele. O filho errado, o dissoluto, o gastador foi reintegrado na casa (reino) do pai, para que fosse restaurado o equilíbrio.

    Como a psicologia jungueana diz: “Cristo, o arquétipo da Alteridade coordena a elaboração do encontro democrático das polaridades pelo princípio da compaixão e do desapego à unilateralidade. O “arquétipo da Alteridade” regido pela relação Ego-Outro propõe direitos iguais para cultivar a identidade e expressar as diferenças”.

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  56. Não acredito que o cristianismo tenha seu final com o neo-pentecostalismo, mas acredito sim, que o neo-pentecostalismo tenha sido o estopim para a derrocada do pentecostalismo.

    Mas eu particularmente, gostaria também, de ainda em vida ver o cristianismo dando seus últimos suspiros. E não é por maldade!

    Gosto muito de uma afirmação do Ed René Kivits, de que “Jesus nunca quis fundar um cristianismo”, mas sim despertar nos homens o anseio por Deus.(o complemento é meu) Nesse propósito trabalhou inclusive o próprio Paulo.

    Esta construção religiosa feita por humanos. Com esse sistema bem conhecido por nós, com status de religião. com esta hierarquia, com esses modelos de cultos e adoração etc. não foi projetado por Jesus. Talvez (e pode ser que nem haja dúvidas) exista uma diferença abismal entre o que Jesus idealizou e aquilo que no decorrer da história veio a se chamar cristianismo. Neste aspecto não tem como negar a influência do poder político.

    Foi nesse sentido que o Pastor americano Tony Campolo afirmou que “os inimigos do cristianismo estão parcialmente certos.” Quando indagado acerca das críticas que a religião cristã sofre. Sobretudo quando é avaliada sob a luz da história, todo o mal que ela produziu. Não tem como apagar.

    Contudo caros colegas, a generalização e injusta. Não é necessário empregar muito labor para conseguir encontrar corrupção, seja em qual for o segmento. E no caso da história da igreja, é manifesto a todos, as mazelas que culminaram com o total obscurantismo espiritual durante de toda a idade média. Mas daí, pressupor e condenar um tratado, que foi a conclusão de séculos de discussão, como se tivesse sido realizadas por ignorantes, alienados intelectuais e corruptos, e por fim relegar sua importância, é cair no mesmo fundamentalismo arrogante daqueles que defendem a confiabilidade desses tratados.

    Lembrando que, o concílio que deliberou sobre a natureza de Cristo, foi em 451, mas o assunto já era amplamente debatido desde os dias do apóstolo João. Portanto “pode não ter sido forçada a ferro e fogo”, (pressão imperial) mas sim, por se tratar de um tema que demandava uma certa necessidade, dada a sua importância.

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  57. Edu,

    Durante muito tempo, (e talvez ainda faça em alguns lugares) a teologia católica seguia o princípio tomista da chamada "analogia entis": que em suma era a idéia de que é possível falar de Deus e consequentemente de Cristo, a partir do conhecimento humano. Karl Barth considerava a analogia entis abominável, por que era feita de baixo para cima, com a presunção de que a partir da terra, dos meandros da história, que se consegue penetrar no mistério divino. (Ainda que eu não concorde com ele, pois existem teologias que devem ser feitas de baixo para cima). O caminho correto seria o que parte da revelação de Deus – de cima para baixo; é o caminho da "analogia fidei". É a partir da fé que o cristão compreende a verdade de Deus e não se baseando na sua própria razão. Quando a fé procura suportes racionais, ela deixa de ser fé. Esse princípio deve ser aplicado em temas como esse.

    O próprio Barth (gosto de citar Barth pelo simples motivo de considerá-lo uma das mentes mais brilhantes da teologia) que sempre enfatizou a transcendência de Deus, surpreendeu, certa vez, com uma conferência denominada "A humanidade de Deus".

    A decisão de Deus em Jesus Cristo é uma decisão em graça. Se é verdade que em Jesus Cristo a plenitude da Divindade (Cl 2:9) tomou forma de corpo, então justamente Deus pode em toda plenitude, enquanto se distingue de tudo o que não é Deus, ser recebido como o soberano que se manifesta. Se é verdade que a plenitude de Deus se agradou em fazer morada em Jesus Cristo (Cl 1:19), então o próximo passo para uma doutrina cristã de Deus é inevitável. Também se torna imediatamente claro em que direção esse passo deve acontecer. Jesus Cristo é Deus em sua manifestação ao ser humano. Jesus Cristo é a decisão de Deus para esse procedimento. Ele próprio é esse procedimento divino. Deus não seria Deus sem o Filho sentado à direita do Pai."

    Jesus Cristo é verdadeiro Deus, mas também verdadeiro ser humano e, como tal, representante da humanidade. Nós só reconhecemos Deus em Jesus Cristo. "Sem este ser humano e sem este povo, Deus seria um outro, um Deus estranho; de acordo com o conhecimento cristão, ele nem seria Deus." Ao falarmos de Deus, nós precisamos imediatamente pensar em Jesus Cristo e na humanidade que ele representa...

    Edu, o que você acha de, ao invés de pensarmos na divindade de Jesus, pensarmos na possibilidade de Deus, em determinado momento da história, ter se humanizado. Descido do seu pedestal de glória para sentir na pele as dores do ser humano, sem ter deixado de ser o que tanto Barth como Boff chamou de o “Totalmente outro”. E que essa humanização se deu exatamente através da pessoas histórica de Jesus?

    Abraços.

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  58. Rodrigo,

    Os seus argumentos colocados em seus dois comentários, são todos pertinentes. Com uma ressalva; Se tratam, na verdade, de dados adicionais que servem de base para comparação entre a história da teologia e uma outra paralela.

    São leituras diferentes de uma mesma história. Uma considerada fidedigna pela ortodoxia tradicional e outra comprometida pelo viés político e amplamente contaminada pelo helenismo, em função do momento histórico em que foram formuladas.

    Agora, não seria importante adicionar alguns desses dados na narrativa principal sem condená-la como um todo? Talvez possa ser possível encontrar um denominador comum sem ser necessário promover uma total desconstrução dessa doutrina?

    Abraços.

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  59. Meu caro Edu,

    Se pensarmos no cristianismo como religião, eu não o entenderia como de origem judaica, mas sim grega e aí acredito que o seu fim esteja sendo neste neo-pentecostalismo, o qual tem lhe dado uma sobrevida numa era de racionalidade científica.

    Porém, o cristianismo como um movimento, poderíamos entendê-lo como algo anterior a Jesus e pertencente à religião judaica. Logo, neste sentido, sua origem estaria no judaísmo e teria o seu fim com o despertar da humanidade para a consciência messiânica, quando todos compreenderem e adotarem o papel do Messias, ao invés de esperarem a vinda ou a volta de um homem. Mas aí talvez estejamos falando sobre o alcance dos objetivos do cristianismo e quem sabe até a inauguração de uma nova fase.

    De qualquer modo, falar em cristos ou messias, bem como em cristianismo, seriam só metáforas, bem como termos provenientes de uma outra cultura que poderiam muito bem ser expressos no nosso idioma com outras palavras.

    Com todo respeito ao que a Mariani colocou, sobre uma "re-encarnação espírita" do cristianismo,eis que, neste caso, eu preferiria algo mais avançado do que o espiritismo. Pois, sinceramente, tenho visto o movimento espírita brasileiro retrocedendo ao invés de avançando para aquilo que acredito como consciência messiânica (ou consciência). Hoje tem-se verificado uma absurda beatificação do Chico Xavier e a manutenção de atividades consolatórias através da suspeita atitude de comunicação com espíritos de pessoas mortas que a Torá condena expressamente. E, mesmo não levando em conta a proibição da Bíblia e considerando a hipótese de que seriam verdadeiros tais contatos mediúnicos, tenho pra mim que se trate de uma recusa das pessoas em experimentarem um amadurecimento pelo enfrentamento da auto-culpa e da saudade de seus parentes falecidos, já que cabe aos mortos enterrarem seus mortos. Isto sem falar na dependência criada em relação aos médiuns e aos mestres que, em muitos centros espíritas, não se diferem de líderes católicos e evangélicos. Enfim, estaríamos cometendo um sério equívoco indo atrás do espiritismo com suas incongruências.

    Sendo assim, entendo que o avançar do movimento messiânico hoje se passa pelo alargamento da consciência humana, pela compreensão das necessidades alheias, pelo autoconhecimento, pela nossa reciclagem interna de valores, pensamentos, atitudes, buscando promover o esclarecimento das pessoas, pesquisando a Verdade. Logo, penso que, através de uma análise sistemática da consciência e assumindo uma maturidade cosmoética, estaremos indo além de todas as muletas religiosas visto que as religiões ainda vivem do sectarismo, alimentam dogmas e verdades absolutas, incutem culpas e fobias nas pessoas, fazem lavagem cerebral pela doutrinação, firmam-se em padrões morais que nem sempre estão baseados na consciência, mantêm a mitologia ao invés de aplicarem a lógica, estimulam o proselitismo, bem como ocultismos, mistificações, rituais, livros sagrados, etc.

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  60. "Parece-me que para a Teologia insistir em repelir e não integrar os afetos paradoxais que caracterizam o humano, é imprescindível o maniqueísmo de um andar de cima onde reside Deus, e um andar de baixo onde reside o Diabo e seus anjos" (Levi)


    Concordo com você, Levi!

    Eu sou pela integração e, se dependesse de mim, a Bíblia teria muito mais livros. Não adotaria apenas os 4 evangelhos conforme foi proposto por Irineu, o bispo de Lyon, no século II, e acatado pelos católicos do século IV. E, entre Lucas e João, talvez incluiria Tomé e Felipe e quem sabe até mais "gnósticos".

    De fato, a Teologia protestante buscou mais repelir do que integrar. Já a teologia católica procurou integrar o que lhe interessou e aquilo que poderia contradizer a alegada "infalibilidade" de seus pontífices. Mas o interesse político sempre prevaleceu.

    De qualquer modo, deve-se observar que a integração de tudo representaria o fim das seitas e um real universalismo. Se, por exemplo houvesse os evangelhos de Tomé e João numa mesma Bíblia, como que o devoto iria seguir o conjunto de crenças e de doutrinas sectários de um grupo que, dizendo-se universal, busca, na verdade, controlar o mundo?

    Concordo com você de que é preciso promover a integração dos "afetos paradoxais que caracterizam o humano". E, se assim agirmos, mataremos o Satan porque faremos das nossas oposições o outro lado de uma mesma moeda, aprendendo a lidar com o todo.

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  61. "Agora, não seria importante adicionar alguns desses dados na narrativa principal sem condená-la como um todo? Talvez possa ser possível encontrar um denominador comum sem ser necessário promover uma total desconstrução dessa doutrina?" (Donizete)


    Com certeza!

    Também estou de acordo e acho que na minha resposta acima dada ao Levi acabei adiantando parte do que pretendo te replicar.

    Acontece que a história oficial do cristianismo é que ceifou e ocultou o outro grupo cujos participantes passaram a ser vistos como "gnósticos" e "hereges". Daí o surgimento do Evangelho de João para combater o de Tomé. Daí o surgimento dos apologetas a partir do século II e das epístolas católicas atribuídas a Pedro, João e Judas, já que a de Tiago me parece bem integracionista (veja por exemplo o espetacular desenvolvimento do tema da fé e obras que tanto incomodou o reformador Lutero).

    Acredito que, com malabarismos consigamos talvez ressignificar todas as mensagens de todas as épocas, inclusive os ditos mais absurdos dos papas medievais, caso, futuramente, protestantes e católicos venham a se unir. E mais, até os próprios pentecostais tornam-se uma faceta do movimento messiânico já que a Bíblia é riquíssima em passagens que contêm visões, profecias, sonhos e revelações, os quais estão relacionados tanto com o ministério de Jesus quanto com a própria formação da Igreja. Finalmente, num estágio mais elevado, talvez o próprio movimento messiânico se identifique como parte da evolução do planeta e daí quem sabe o Evangelho não seja realmente compreendido pelos que se consideram discípulos de Jesus?

    Mas aí fica a minha indagação se realmente os católicos, os protestantes, os espíritas, os judeus e as demais religiões do mundo estão verdadeiramente abertas para este tipo de diálogo? Pois me parece que só a necessidade romperá a vivência no sectarismo.

    Eu, com todas as críticas que tenho ao Evangelho de João (que certamente não foi João quem escreveu) e à história oficial da Igreja, considero-os também como fontes dde conhecimento. Principalmente em saus refutações, em que posso tentar imaginar pelo oposto como poderia ter sido o grupo dos vencidos.

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  62. Doni, no meu entender a bíblia relata sobre Jesus como filho de Deus, porque era exatamente esta sua posição aqui na terra. Ele veio em carne e viveu como homem. Não se podia descrever Jesus, como Deus, se o conhecimento que tinham dEle era apenas do Filho de Deus que se fez carne e habitou entre nós. E realmente era o que interessava, um homem tão diferente apesar de ser gente.
    Vemos, no entanto, que nenhum anjo permitiu ser adorado. Ex.:João durante a revelação do apocalipse, se prostrou diante de um anjo para adorá-lo e ele imediatamente lhe disse: "Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos. O mesmo não acontecia com Jesus, tantos quantos se prostraram diante dEle o adoraram e Ele recebia adoração como Deus.

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  63. Guiomar,

    A não ser se você crê literalmente nas narrativas do Evangelho de João como se fossem fatos históricos, não dá para acreditar que Jesus tenha aceitado receber adoração como ocorreu na passagem sobre a cura do cego de nascença.

    Para um judeu seria ofensivo e blasfematório um homem receber adoração ou se fazer igual a Deus. É conduta que não se harmoniza com o monoteísmo puro dos povos semitas!

    Nos evangelhos sinóticos, Jesus é mencionado apenas como "filho de Deus", "messias", "mestre" e "filho do homem". Quando recebe o jovem rico, ele pergunta por que foi chamado de "bom" e diz que somente um (Deus) é que é bom (Lc 18.19).

    Outrossim, Jesus proibiu que os discípulos divulgassem que ele era o Messias, o que signifia pra mim que seu propósito erqa desconstruir a concepção messiânica da sua época baseada na dependência.

    Infelizmente, o Evangelho de João, escrito por uma comunidade sectária e que pretendia unificar os cristãos através da imagem divinizada de Jesus, promoveu distorsões. E, embora eu não arranque este evangelho da minha Bíblia, há vezes em que consigo extrair dele uma interpretação oposta ao que ele expõe literalmente já que se trata de um livro apologético que, buscando valer-se dos ensinamentos ocultos, indica qual era o pensamento contrário dos "hereges" na extensão em que se opõe.

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  64. Rodrigão, tenho muito respeito por você, sei que tem bagagem para teologar, no entanto, amigão, eu creio que Jesus não só recebeu todas as adorações feitas a Ele, como também creio que Ele não estava nem um pouco preocupado em submeter-se as determinações e pensamentos de homens. Durante sua vida curta aqui na terra, Ele escandalizou bastante aqueles que tinham uma tradição a ser rigorosamente cumprida, no que lhes interessava.
    Quando ele recebe o jovem rico, Ele estava encarnado como homem. Ademais, conhecia as intensões do coração do jovem.

    «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Tomando a palavra, Simão Pedro
    respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz,
    Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai
    que está nos céus.

    Vemos que outras vezes Ele pediu para que não falassem a ninguém que Ele era o Cristo ou depois de uma cura ele ordena: "Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho."

    Tenho que fazer uma pesquisa para entender cada caso e porque Ele pede para guardar segredo.

    Quanto a informação sobre o evangelho de João, vamos encontrar outros historiadores e teólogos que pensam diferente.
    Beijão.

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