quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A Descoberta da ignorância

As sociedades indígenas não são monoteístas.
Os biólogos dizem que o DNA é a base molecular para a reprodução sexual. Cada um de nós assemelha-se aos nossos pais porque herdamos um complemento de seu DNA, mas não herdamos o caráter, as atitudes nem sua religiosidade. Para isto somos ensinados, treinados e direcionados.
O animal humano não consegue preservar a informação crítica à sua gestão simplesmente através da realização de cópias de seu DNA e de sua transmissão à progenitura. É necessário realizar um esforço constante para sustentar suas leis, seus costumes, seus procedimentos e sua religiosidade.
As grandes sociedades de algumas espécies são estáveis e resilientes porque a maioria das informações que necessitam estão contidas em seu genoma. A larva de uma abelha melífera pode crescer e se transformar numa rainha ou numa operária, dependendo do alimento que recebe. No seu DNA está contido o programa necessário para os dois papéis, seja a etiqueta real ou a diligência proletária. As colmeias podem ser estruturas sociais muito complexas contendo diferentes ações trabalhadoras;  coletores. transportadores, enfermeiros e faxineiros. No entanto nenhum pesquisador foi capaz de encontrar um advogado ou professor. As  abelhas não precisam de advogados, porque não existe o perigo de tentarem contornar a constituição da colmeia negando às abelhas da limpeza o direito à vida, à liberdade ou à procura da felicidade, nem de professor para ensinar-lhes ofício algum.
A maioria das pessoas não querem aceitar que a ordem que gerencia suas vidas é imaginária, mas, de fato, cada pessoa nasce com uma ordem preexistente e seus desejos são informações impostas desde o seu nascimento. Tendo por base as ordens sobre humanas, a religião estabelece normas e valores que considera vinculativos. Muitos ocidentais acreditam em fantasmas, fadas, reencarnação e sobrevida após a morte. Mas estas crenças não são uma fonte de padrões morais. Dois milhares de anos de lavagem cerebral monoteísta levaram os ocidentais a verem o politeísmo como uma idolatria ignorante e infantil.
O ponto de vista fundamental do politeísmo que o difere do monoteísmo, é que o poder supremo que governa o mundo é vazio de interesses e preconceitos, e, como tal, não se preocupa com os desejos mundanos. É inútil pedir a estas potências a vitória na guerra, saúde ou chuva, porque do ponto de vista global, não faz diferença se um reino em particular ganha ou perde, se uma pessoa recupera ou morre. Os gregos não desperdiçavam sacrifícios com o destino.

A única razão para abordar o politeísmo como suprema potência seria para renunciar a todos os desejos e abraçar o mau juntamente com o bom, aceitar a derrota, a pobreza, a morte e compreender que, de sua perspectiva eterna, todos os desejos e medos mundanos eram fenômenos insignificantes e efêmeros.