quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Uma só coisa é necessária"

Palavra da Liturgia – Lc 10, 38 a 42


            
Celebrar a vida cristã é acima de tudo acolher quem chega e quem precisa chegar; sentar-se à mesa e juntos repartirem o Pão Eucarístico. Acolher plenamente: com a matéria (pão) e com o espírito cristão (comunhão). Acolher com a alma e o coração.
            
A liturgia deste final de semana nos vem lembrar como é importante na vida comunitária as “Marias e Martas”.
            
A palavra relata a viagem de Jesus a uma aldeia: Betânia. Marta acolheu Jesus em sua casa, preparou todo o ambiente para melhor acolhê-lo, e o fez por amor. Quem acolhe encontra-se com Jesus e pratica na ação o amor concreto e não filosófico.
            
Se não fosse Marta, Maria não estaria aos pés de Jesus.

Mas acolher alguém é ir além das necessidades financeiras e materiais, a matéria é importante, porém não deve ser a principal, os sentimentos de carinho, de amizade, de amor, de admiração, de compromisso e fé ultrapassam a matéria e é o que justamente permanecem. Aqui não é uma questão de dizer o que é mais importante e sim essencial.

Maria acolheu Jesus com o coração, tornou-se amiga de Jesus, por isso Jesus gostava de Betânia, pois a amizade de Maria O cativou e ela cativada por Jesus sentava aos seus pés para conhecê-lo melhor. Muitas vezes erramos quando caímos no ativismo, quando tentamos resolver as coisas, só pelos caminhos humanos, quando deixamos de rezar, de ouvir o Mestre, saber qual sua vontade e o que Ele quer de nós. O ativismo é uma praga do novo século e que tem deixado muita gente na pobreza da matéria e do espírito. O acolhimento de Maria a Jesus é solidário, assim como deve ser solidária a nossa fé, comprometendo-nos e sofrendo junto com os mais sofridos.

Disse Jesus:

“Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto uma só coisa é necessária...”.

Vivemos numa sociedade agitada e complicada: empresas que exploram seus funcionários trabalhando em horários “malucos”, desrespeitando o domingo, a noite, assim como desrespeitam a vida humana, a família. A produção e o lucro estão acima de tudo e de todos.

O homem não foi feito para o trabalho, mas o trabalho foi feito para o homem.

As conseqüências estão aí: muita gente depressiva, pessoas doentes e escravas do consumismo. Famílias dilaceradas.

Maria nos lembra do tempo em que as pessoas tinham mais tempo para uma boa prosa, tempo de amizades, de diálogo na família e de atenção aos filhos. Tempo que a família se reunia para um diálogo, ir à igreja celebrar a gratidão de poder estar aos pés de Jesus.

Corremos, gastamos, consumimos, adquirimos e nunca estivemos tão pobres de tudo, tão insatisfeitos com tudo, tão solitários e tão autodestrutivos. Acolher é tomar a consciência de que a maioria das coisas que precisamos já temos, pois é dádiva, o restante é consequência. O caminho para aproveitar as oportunidades da vida é o acolhimento.

Maria nos ensina que devemos estar à espera de tudo que vier a nós, sem desejarmos o que não temos. Esta espera não deve ser um desejo e sim uma disponibilidade para acolher. Esta questão de procurar e desejar nos faz sempre reféns e escravos de desejos. A atitude de acolher é sempre um caminho mais exigente.  Porém sem a liberdade é impossível acolher a felicidade. A principal característica d’alma educada é saber acolher.

Optar por Deus e pelas coisas essenciais da vida: amizade, amor, respeito, família, trabalho digno, solidariedade é optar pelo que permanece. O mundo precisa encontrar o equilíbrio entre a ação e a oração, entre a matéria e a espiritualidade, entre o que passa e o que permanece, entre o desejo e a necessidade, entre o que o importa e o que é essencial. Betânia é o lugar ideal para aprendermos isso. Em Betânia aprendemos que uma só coisa é necessária, portanto os que levam a vida de forma simples é que conseguem compreender o que aconteceu em Betânia. A minha vida precisa aprender a ser hospitaleira. Que adianta estruturas se em meu coração não há espaço para o outro e para Deus?

O acolhimento é o cartão de visita da comunidade. As palavras passam, mas um ato de amor e atenção ao próximo é o que fica, “o que lhe não será tirado”.

Que nosso coração seja Betânia, uma casa de acolhimento para o outro e para Deus.


Gilberto Ângelo Begiato

gilberto@comunidadebompastor.com.b

Jesus, o judeu




A questão da judaicidade de Jesus ainda não foi bem percebida pela teologia dogmática cristã. O fato de Jesus ter sido judeu e não cristão é uma verdade que incomoda os pensadores cristãos. Jesus deu total adesão à Lei judaica, inclusive a lei cultual.(Mc 1.44; Mt 8,64; Lc 5.14). Após curar um leproso, ele lhe ordenou que se apresentasse ao sacerdote para ser examinado e, quando declarado "purificado", fizesse os ritos de sacrifícios prescritos em levíticos 14.1-7. Ao sacerdote era dado o monopólio do tratamento da lepra, inclusive, fato confirmado nos Manuscritos do Mar Morto.

O máximo que os teólogos cristãos pensaram, foi que Jesus era judeu antes de morrer; depois que ressuscitou, ressuscitou cristão...uma tese que convenhamos, é ridícula.

Validando os apócrifos





A origem dos livros apócrifos nos remete a segunda metade do IV século, quando um Bispo católico por nome Atanásio, seguindo ordens superiores, também talvez em função das resoluções do concílio de Nicéia em 325, destruiu inúmeros manuscritos, que no parecer dos membros desse concílio, eram fantasiosos e deturpavam as bases da doutrina cristã nascente.

Contudo, existe um dado importante a frisar; um grupo importante de eruditos, cientes da importância desses escritos, optaram por não destruí-los. Alguns desses, mais zelosos, resolveram guardar os manuscritos em potes de argila e enterraram, ou colocaram em cavernas nas regiões montanhosas do Mar Morto. Só vindo a serem descobertos em 1947.

Esta descoberta, para a ortodoxia, serve para atestar, a fidelidade de textos bíblicos considerados canônicos. Por outro lado, serve também para revelar, (e endossar que na história) havia grupos claramente insatisfeitos com a forma ou critérios adotados na formação final do Cânon das escrituras.

Abrindo um parêntese, ainda que a ortodoxia não aceite, ou faça vista grossa, não existe nenhuma doutrina do cristianismo que tenha surgido do nada. Epistemologicamente veremos que cada pensamento cristão surgiu e foi articulado através de conflitos, tensões e controvérsias.

O juiz que determinou quem estava certo e errado, na deliberação final do Canon, segunda a ortodoxia foi o Espírito Santo. (visão fideísta). Contudo essa ideia não resiste a nenhuma crítica. Muito pelo contrário, revela sua fragilidade exatamente por recorrer a tal argumento.

Fica então a pergunta: Não seria o apocalipse de João muito mais fantasioso do que a maioria dos apócrifos?

Quais foram os critérios para a excomunhão e desqualificação dos ensinos de Celso, pelágio, ário e tantos outros que não eram de maneira nenhuma alienados intelectuais? E ao seus estilos, também fizeram apologia às suas convicções? 

Será que não são os mesmos critérios adotados atualmente para a classificação de alguns segmentos como sendo heréticos? Ou seja, chegando ao veredicto através de axiomas? Sem uma epistemologia confiável?

Donizete

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quem é o Salvador?




Catedral de Berlim



Por José Lima.


Quem é mesmo o salvador?
Ao longo da história, as igrejas institucionais patentearam a salvação.
"Salvo" é preciso batizar e participar dos 7 sacramentos. (sei que nem todos os católicos creem assim, estou apenas falando da confissão de fé da instituição)
A Igreja evangélica é diferente?
Na pregação diz que Jesus salva. Na prática muitos líderes pregam para a pessoa ser salva precisa "aceitar" Jesus, batizar, tomar ceia, dar dízimos, caso contrário, o homem também não será salvo...(da mesma forma que os católicos, nem todos os líderes e cristãos protestantes pensam iguais, há exceções).
Católicos e Evangélicos tem discursos diferentes quanto a forma da salvação, mas, a essência é a mesma! 
Jesus fica em segundo plano, as instituições ficam em primeiro!
Na óptica Católica e Evangélica, serão salvos, somente quem estiver dentro da instituição.
Na pregação Jesus é o salvador...
Na prática quem salva mesmo são as instituições...
(mais uma vez ressalto salvo as exceções)