sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Suicídio Intelectual

Todos os fundamentalistas são intolerantes;  sua escassa cultura condena-os a serem assim.  Defendem o que é anacrônico e o absurdo não permitindo que suas opiniões sejam censuradas pela experiência. Chamam de ateu ou herege aquele que busca uma verdade ou persegue um ideal. Os negros queimaram Bruno e Servet, os vermelhos decapitaram Lavoisier e Cherniel ignorando a sentença de Shakespeare. “O herege não é aquele que arde na fogueira, mas aquele que a acende”.
A tolerância dos ideais alheios é a virtude suprema dos que pensam e difícil e inaceitável para os semicultos. Exige um perpétuo esforço de equilíbrio ante o erro dos outros, ensina a suportar esta consequência legítima da falibilidade de todo juízo humano. Aquele que se esforçou muito para formar sua crença, sabe respeitar as dos outros.
A tolerância é respeitar nos outros uma virtude própria, a firmeza das convicções, reflexivamente adquiridas, faz estimar nos próprios adversários um mérito cujo preço se conhece. A crença, síntese de todas as renúncias, é também o ato de renunciar a pensar. Nas crenças tudo é regido pela lei do menor esforço e o lasso enferruja a inteligência. A caixa craniana dos fundamentalistas é um estojo vazio, não consegue raciocinar por si mesmo, como se lhe faltasse os miolos. Desconfia de sua imaginação fazendo o sinal da cruz ou ajoelhando quando esta o preocupa com sua herética tentação. Renega a verdade se ela demonstrar o erro de seus preconceitos. Houve astrônomos que se negaram a olhar o céu através do telescópio temendo ser desfeitos seus erros.
Ignoram que o homem vale pelo seu saber, negam que a cultura é a mais profunda fonte de virtudes. Suas crenças ressecadas pelo fanatismo de todos os credos, abrangem zonas circunscritas por superstições passadas.  Chamam suas preocupações de ideais religiosos e sagrados sem perceberem que são simples rotina enlatada, paródias da razão, opiniões sem juízo, representam o senso comum desenfreado sem o controle do bom senso. Incapazes de ativar sua própria inteligência. Preferem o silêncio e a inércia mental, não pensar é a única maneira de não errar. Seus cérebros são casas de hospedagens sem donos, os outros pensam por eles, que no íntimo agradecem este favor.
Se a humanidade dependesse dos crédulos nosso conhecimento não excederia os do nosso ancestral hominídeo. Nenhum crente teria descoberto que a mesma força que faz a lua girar para cima é a mesma que faz a maçã Newtoniana cair ao chão. Mas são capazes de criticar, se opondo levianamente, à células tronco, aceleração de partículas, teoria do campo unificado teoria quantica, antimatéria ou Bóson W. 
Eu havia dito que não iria postar mas resolvi, não sei a que cargas dágua. Esta é a minha opinião sobre quem se intitula intelectual e tenta convencer de suas retidões na crença que professam.Tudo bem que sejam assim mas não venham me dizer que eu estou errado por não compactuar. Espero não estar escrevendo para analfabetos funcionais, aos que entenderam meu repúdio, (digo repúdio por ser uma maneira de protestar contra temas vazios) e quiser me questionar tenho pleno conhecimento das minhas convicções. Sou "ATEU AGNÓSTICO" por conhecimento de causa e não por osmose. Ninguém me ensinou a ser ateu, ninguém me convenceu a ser ateu, ninguém me impôs ser ateu. Eu não sou boi de boiada, não sou carneiro nem bode para pousar a esquerda ou direita de mito algum. A humanidade está em franca evolução e eu me nego a andar na contramão.

domingo, 17 de fevereiro de 2013




ATEUS?
Bem-aventurados os que não viram e creram” - JESUS.
Quase tudo o que vejo de uns tempos para cá na Internet é, SUPOSTAMENTE, “blasfêmia”!
São “ateus” que um dia foram “crentes” ludibriados e que agora vazam sua raiva e ressentimento contra tudo o que se chame Deus!
Com o advento das comunicações de nível global, e com o que a religião no ocidente vem fazendo – num espetáculo de blasfêmia quase sem precedentes históricos – e que se tornou escândalo mundial [...], os que antes “obedeciam por medo”, hoje levantam as mãos aos céus em acusações contra “Deus” – que, no caso, é apenas uma “projeção” da religião do engano.  Caio Fábio.
Esta é uma opinião que pela própria postura de quase todos os novos “ateus”, me leva a concordar plenamente com o Caio. Chegamos a imaginar as bocas espumantes de ódio ao escreverem em seus blogs, grupos ou em bate papos, com palavreado de baixo calão, ironias, zombarias contra os cristãos; sempre culminando em críticas contra a suposta ausência de Deus nos eventos desastrosos provocados pela natureza ou contra o Deus das punições.
Percebo que os novos “ateus”, na sua grande maioria buscam fortalecer suas conclusões a respeito de Deus e do cristianismo em fontes apenas filosóficas e históricas, que apesar de preciosas, não podem oferecer além de conclusões baseadas em investigações teóricas

O grande erudito Orígenes, exortava os cristãos a trazerem os tesouros intelectuais dos gregos para servir à “filosofia cristã” (entendendo o cristianismo como a “verdadeira filosofia” ou postura diante da vida e do mundo). No entanto, segundo o seu aluno Gregório “Taumaturgo”, enquanto ele abria o leque do conhecimento incentivando os seus alunos a estudarem todo tipo de texto, seja de estrangeiro ou grego, seja espiritual ou político, seja divino ou humano, ele tinha a responsabilidade de pôr ordem na confusão dos seus alunos, mantendo o cuidado de não cerceá-los. Ele lhes apresentava todas as escolas de filosofia, indo adiante deles, como um viajante experiente, segurando-os pela mão e mantendo as suas cabeças acima das águas. Desta forma apresentou tudo o que é útil e verdadeiro em todos os filósofos, rejeitando, porém, tudo que é falso.

Seria Orígenes pretensioso ao afirmar para os seus alunos o que era falso ou útil e verdadeiro? Ou tinha no entendimento a clareza das suas convicções? E em que poderia se firmar com tanta convicção? Trago a memória parágrafos do texto escrito pelo teólogo J.Lima: 


“O significado de “conhecer” tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, não é “entender”, mas sim “experimentar”.

Daí que o “conhecimento” de Deus não pode ficar restrito à “razão”, mas a “razão” tem que interagir com a “ação”.
Isso explica o porquê de algumas experiências serem consideradas anti-bíblicas, justamente pelo fato de não encontrar uma explicação escrita na Bíblia.
Para mim a palavra escrita é letra, essa só é palavra de fato quando em confronto com a minha existência, torna-se vida.
A chave hermenêutica para se interpretar a Bíblia é o VERBO QUE SE FEZ CARNE, e não a TEOLOGIA SISTEMÁTICA elaborada por nenhum pai da igreja, reformador ou quem quer que seja o teólogo, por melhor que esse seja.”

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis sãos os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos. Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado? Porque dEle e por ele, e para Ele, são todas as coisas; GLÓRIAS, pois, a Ele eternamente. Amém” (Romanos 11.33-36).
Por Guiomar Barba.










sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sobre a Cegueira Psicogênica (*)




Por Levi B. Santos 


Antônio Quinet, autor de várias obras no campo da psicanálise, em seu livro “Um Olhar a Mais” (Editora Jorge Zahar), sobre a perturbação psicogênica da visão, escreveu algo que merece uma profunda reflexão, ― baseada no que Freud descreveu em sua época, como Cegueira Histérica. Diz ele: “as pessoas histericamente cegas só o são no que diz respeito à consciência; em seu inconsciente elas vêem” (página 198). Certo é que afetos ou desejos que foram recalcados no inconsciente encontram na visão, uma válvula de escape ou de descarga de sua energia.

No caso da cegueira histérica, diz Freud: “As idéias através das quais os desejos se expressam sucumbem a repressão e são impedidas de se tornarem conscientes; nesse caso haverá uma perturbação geral da relação do olho e do ato de ver com o ego e a consciência. O olho serve de campo de batalha entre os desejos reprimidos e as forças repressoras.”

Carl Gustav Jung, junto ao seu pai (um pastor protestante), teve contato com muitas manifestações de cunho religioso. Talvez resida aí o “porquê” de ter se dedicado com tanto afinco ao estudo dos fenômenos psíquicos, aos quais denominou de arquétipos.

As experiências com os portadores de distúrbios psicossomáticos fizeram com que o teólogo e psicanalista, Jung, se debruçasse para analisar as raízes psíquicas presentes naquilo que se convencionou, no livro de Atos (N. T.), como a Conversão de Saulo de Tarso.

O “É duro para ti recalcitrar contra os aguilhões de Deus”, narrado no livro de Atos, dá a entender que Saulo de Tarso já vinha resistindo no sentido de que não aflorasse em sua consciência, algo recalcado dentro dos porões “secretos” de sua mente. Experiências traumáticas podem provocar disfunções físicas, entre as quais está presente a cegueira. Cessada a sobrecarga intensa do conflito psicológico, desaparece concomitantemente a cegueira.

A violência verbal e física de Saulo contra os seus supostos opositores, por si só representava uma projeção ou descarga dos seus impulsos agressivos ―, mecanismo de defesa que ele inconscientemente usava para proteger seus próprios recalques. A única maneira que encontrou para não permitir que os seus desejos reprimidos, como vísceras, fossem expostos pelos cristãos, foi persegui-los e destruí-los. Quando a ambivalência, representada ao mesmo tempo pelo ódio e a atração de Saulo pelos cristãos chegou ao auge, ele, possivelmente, não resistiu à voz do superego que em sua consciência já vinha desaprovando os atos violentos por ele praticados.

O corpo é o lugar onde deságuam a raiva, a tristeza, a ansiedade e a culpa. No caso de Saulo de Tarso, provavelmente, o órgão que recebeu toda a descarga do seu forte conflito interior foi o aparelho visual. Freud, já dizia: “não há nada que me impeça de ferir uma pessoa impotente, a não ser minha sensopercepção da severa dor que minha consciência me infligiria.”

Jung, valendo-se dos conhecimentos atuais dos fenômenos psíquicos, antigamente denominados de espirituais, fez uma minuciosa análise sobre a Conversão de Saulo, descrita no seu livro – “A Natureza da Psique” (página 247 – Editora Vozes).

Na intenção e no pensamento de que os conceitos psicanalíticos tenham alguma valia para nossa reflexão, principalmente no que tange a compreensão melhor de nosso mundo interior, reproduzo abaixo o texto junguiano que explora o conflito Paulino que culminou em um quadro clínico de cegueira reversível:

A psicologia da conversão de Paulo (C. G. Jung)


“Embora pareça que o momento da conversão tenha sido absolutamente repentino, contudo, sabemos por longa e variada experiência que uma transformação tão fundamental exige um longo período de incubação. E só quando está preparação está completa, isto é, quando o indivíduo está maduro para a conversão, é que a nova percepção irrompe com violenta emoção”.

“Saulo já era inconscientemente cristão desde muito tempo, e isto explicaria seu ódio fanático contra os cristãos, porque o fanatismo se encontra sempre naqueles indivíduos que procuram reprimir uma dúvida secreta. É por isso que os convertidos são sempre os piores fanáticos”.

“A aparição de Cristo no caminho de Damasco assinala apenas o momento em que o complexo inconsciente de Cristo se associa ao eu de Paulo. O fato de Cristo lhe ter aparecido, então, de modo quase objetivo, como visão, se explica pela circunstância de que o cristianismo de Saulo era um complexo inconsciente. Por isto é que este complexo lhe aparecia sob a forma de uma projeção, como não pertencente a ele próprio. Ele não podia ver-se a si mesmo como cristão. Por isto ficou cego, em conseqüência de sua resistência a Cristo e só pode ser curado de novo por um cristão”.

“Sabemos, por experiência, que a cegueira psicogênica em questão é sempre uma recusa (inconsciente) a ver. Ele perseguia os cristãos como representantes deste complexo de que ele não se dava conta.[...]. [...]Vemos este fenômeno repetir-se constantemente em nossa vida cotidiana: encontramos indivíduos que não hesitam o mínimo em projetar suas próprias opiniões sobre pessoas e coisas, odiando-as ou amando-as com a mesma facilidade”.

“Como a análise e a reflexão são processos complicados e difíceis, eles preferem julgar tranquilamente sem dar-se conta de que simplesmente estão projetando algo que trazem dentro de si e deste modo não percebem que são vítimas de uma estúpida ilusão”.


(*) Texto baseado no artigo original publicado no “Ensaios & Prosas” em 03 de dezembro de 2012, sob o título – “Fundamentos  da  Conversão  de Saulo de Tarso, Segundo Jung”

Site da Imagem: cristoday.blogspot.com